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terça-feira, julho 01, 2008

UM MINUTO DE SILÊNCIO

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Nosso querido Bar do Vavá, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, fechou definitivamente suas portas. Termina uma saga de 52 anos, 3 meses e 11 dias da família de origem portuguesa Cardoso Salvador, passando pelo pai, João, que abriu o boteco, até os filhos, Wilson, João e Washington (o Vavá), que mantiveram o estabelecimento aberto por décadas e cativaram centenas de freqüentadores e amigos. Para mim, nunca mais haverá um fórum tão adequado. Ao inesquecível Bar do Seu João, Lanchonete Jardim, Gardenburger, Bar do Elvis ou simplesmente Bar do Vavá, dedico os versos imortais de Adoniran Barbosa como carinhoso epitáfio:

saudosa maloca
maloca querida
dim-dim-donde nóis passemo
dias feliz de nossas vida...

segunda-feira, junho 30, 2008

Cachaça, em Salinas, é cultura, mas igrejas pegam no pé

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Por Brunna Rosa

A vereadora Edna Sarmento Barros (PDT), de Salinas, Minas Gerais, concedeu esta entrevista durante o Seminário do Plano Nacional de Cultura, em Belo Horizonte. Falou sobre o primeiro vestibular no mundo para fabricação de cachaça, o impacto da alta produtividade do líquido etílico na vida da cidade, além do selo de reconhecimento de Indicação de Origem Geográfica.

Futepoca – O município de Salinas é muito conhecido por sua cachaça. Qual o seu diferencial de outros municípios produtores?
Edna Sarmento Barros –
Um dos principais pólos produtores de cachaça do Brasil é Salinas. Atualmente, a produção anual atinge 5 milhões de litros, sendo comercializada por cerca de 50 marcas, algumas de renome nacional e internacional. Como exemplo, cito a Havana-Anísio Santiago, reconhecida patrimônio cultural imaterial de Salinas por meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006, Erva Doce, a Asa Branca, a Indaiazinha, Peladinha, Canarinha, Fabulosa, Monte Alto, Lua Cheia, Salineira, Seleta, Boazinha, Cubana, Boazinha, Sabor de Minas, Salinas, Terra de Ouro e outras.
Temos também a Escola Agrotécnica Federal de Salinas, o primeiro lugar do mundo a ter vestibular para Curso Superior de Tecnologia em Produção de Cachaça. Neste ano, a primeira turma já vai se formar e é uma honra para nós sabermos que vão continuar a tradição e a cultura de nossa cidade. Por aqui, a cachaça é tão importante que é nosso vinagre: temperamos as carnes com a cachaça. Recomendo que experimentem, é outro sabor!
O diferencial mesmo de Salinas é o solo onde a cana é produzida, segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), não só como é armazenada a cachaça. E isso é tão importante para nós que já temos até selo, "Cachaça é Cultura".

Futepoca – O selo que a senhora se refere é ao de produção local?
Barros –
A Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (Apacs) conquistou recentemente o selo que indica o reconhecimento de Indicação de Origem Geográfica pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). O certificado comprova a procedência geográfica, agregando reputação e inibe falsificação. Tem muitas pessoas que produzem a cachaça em outras cidades e vem engarrafar em Salinas. Agora, com o selo, garante-se a origem exclusiva dos produtores locais, beneficiando e protegendo as marcas do município.
No Brasil, no setor de cachaça, somente a cidade de Paraty (RJ) possui o certificado outorgado pelo órgão federal. O município é um dos mais antigos pólos produtores de cachaça.
Outro fato interessante é que Salinas também terá um museu da cachaça. A prefeitura de Salinas e a Secretaria de Estado da Cultura firmaram Termo de Cooperação Cultural para a criação do museu no município com R$ 4 milhões. Serão feitas pesquisas históricas e antropológicas, catalogação de acervos, inventários de bens culturais relacionados ao mundo da cachaça. Em 2007, os produtores de Salinas recolheram R$ 1,042 milhão de ICMS, imposto de competência estadual, ao erário mineiro.
Assim, ter a indicação geográfica na produção de cachaça ao município de Salinas é reconhecer os produtores que há muito tempo produzem uma cachaça de ótima qualidade. Mas, também tem problemas a exploração da produção de cachaça.

Futepoca – Quais problemas a senhora apontaria?
Barros –
As crianças estão bebendo cada vez mais cedo. A igreja, principalmente a presbiteriana, está pegando no pé. A vantagem mesmo é a economia, mas agora as instituições públicas precisam cuidar da saúde.

Cartaz do II Festival Mundial da Cachaça 2008, em Salinas (MG)
Cartaz do II Festival Mundial da Cachaça 2008, em Salinas (MG)


Futepoca – Como estão os preparativos em Salinas para sediar o Festival Mundial de Cachaça?
Barros –
Entre os dias 11 a 13 de julho, Salinas será sede do VII Festival Mundial de Cachaça e fará justiça ao apelido de "Capital Mundial da Cachaça". O nosso diferencial é o processo de fabricação dos produtores da região é exclusivamente artesanal, o fermento utilizado é biológico. Será um grande evento, com mais de 78 expositores, para o qual tenho o prazer de convidar todos os apreciadores de cachaça!

Filho de Garrincha visita o Brasil a convite de bar temático e não perde a chance de criticar Dunga

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Ulf (centro) com Magrão, um quadro com imagens do pai e garrafas no bar O Torto, em Curitiba (a foto é de Rodolfo Bührer, da Gazeta do Povo)

Aos 47 anos, o sueco Ulf Lindiberg Henrik já viveu quase o mesmo tanto que seu pai, o brasileiro (mais brasileiro, impossível) Manoel dos Santos (foto abaixo), o gênio do futebol Garrincha (1933-1983), morto precocemente por problemas de saúde causados pelo alcoolismo crônico. Ironicamente, o "herdeiro" europeu veio ao Brasil, desta vez, a convite de Arlindo Ventura, o Magrão, dono do bar temático O Torto, em Curitiba (PR). Ulf aproveitou para assistir o clássico Atlético-PR x Coritiba, na Arena da Baixada. Na oportunidade, espetou o técnico da seleção canarinho: "-Um time com Ronaldinho, Ronaldo, Kaká... tem de atuar sempre para a frente. Não dá para pôr apenas jogadores para destruir. Definitivamente, não gosto de Dunga".

A corneta de Ulf não significa nada, mas não custa lembrar o quanto seu pai trabalhou (e bem) pela seleção brasileira: foram 60 jogos, 17 gols, inúmeras assistências, três Copas disputadas e duas conquistadas, com participação crucial na Suécia e atuação de protagonista no Chile (abaixo, sete mexicanos tentando marcá-lo em 1962). Com ele em campo, o Brasil perdeu uma única vez, na Copa de 1966, em Liverpool, para a Hungria (3 a 1). De resto, foram fantásticas 52 vitórias e apenas 7 empates. Jogando ao lado de Pelé, nunca perdeu. "Entendo o interesse das pessoas pelo meu pai. Garrincha não foi tão mostrado na TV como Pelé. Pelé foi grande, mas tinha muita mídia. Muita gente que viu os dois diz que Garrincha foi melhor", exagera Ulf. Mas que a memória de Garrincha merecia um pouco mais de atenção nesse país, não resta dúvida. Quando Ulf visitou o Brasil pela primeira vez, em 2005, encontrou apenas um vaso velho com flores secas no modestíssimo túmulo do pai no Cemitério de Raiz da Serra, distrito de Magé (RJ), vizinho a Pau Grande. A precária pedra de mármore que cobre a terra foi comprada pelo ex-jogador Nilton Santos.

Em tempo: muita gente crê que Mané Garrincha gerou um filho na Suécia durante a Copa de 1958, mas não é verdade. A mãe de Ulf engravidou em maio de 1959, durante uma excursão do Botafogo àquele país. O menino nasceu no ano seguinte, foi abandonado pela mãe e adotado aos nove meses. A família adotiva revelou o nome de seu pai quando ele tinha oito anos. O teste que comprovou a paternidade foi realizado apenas em 1998. O sueco sempre quis conhecer o pai e teve uma oportunidade em 1978, mas não conseguiu fazer a viagem. Cinco anos depois, Garrincha perdeu a última batalha contra o álcool e acabou com as chances de um encontro. O ex-jogador teve 15 filhos reconhecidos, sendo 12 mulheres e três homens (acima, com Nenem, filho que jogou pelo Fluminense e faleceu em acidente automobilístico em 1992, aos 33 anos, quando estava no Belenenses, em Portugal). O outro filho, Garrinchinha, que teve com a cantora Elza Soares, morreu igualmente em acidente de carro, aos 10 anos, em 1986. Tereza e Edenir, as mais velhas do casamento com Nair, também já faleceram. Estão vivos, além de Ulf: Marinete, Juraciara, Denízia, Maria Cecília (à esquerda), Terezinha e Cintia (também filhas de Nair), Rosângela (filha de Alcina), Márcia (irmã de Nenem, filha de Iraci) e Lívia (filha de Vanderléa, ex-mulher do falecido jogador Jorginho Carvoeiro).

sexta-feira, junho 27, 2008

Som na caixa, manguaça! - Volume 22

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NOTURNO PAULISTANO
(J. Petrolino/ Carlinhos Vergueiro)

Carlinhos Vergueiro

oh! cidade dos cabelos finos de neblina
minha noite paulistana louca e bailarina
faz o striptease, solta o riso e a cidade nua
sai pra rua e se mostra humana
e vai em cana dura e bebe
e perde a compostura

segue a noite um cantor de tango de cantina
mesa em mesa passeia a tristeza e a concertina
morte e vida começa a corrida pela contramão
lei do cão, ou mata ou morre ou corre
ou toma um porre e a noite escorre
igual ao dia a dia em vão

(Do Lp "Contra corrente", Som Livre, 1978)

quinta-feira, junho 26, 2008

Tipos de cerveja 12 - As India Pale Ale

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Criado para sobreviver às longas viagens entre a Inglaterra e a Índia, esse tipo de cerveja tem forte presença de lúpulo, essencial para o máximo de conservação possível. Curiosamente, os exemplares estadunidenses têm sabor e aroma de lúpulo ainda mais pronunciados, ao gosto dos consumidores daquele país. A cor das India Pale Ale varia entre o amarelo dourado e o acobreado e o sabor é bastante intenso e refrescante - indicadas, portanto, para refeições condimentadas. "Infelizmente, o termo IPA é cada vez mais utilizado indiscriminadamente, sendo possível encontrar versões com menos de 4% ABV, algo que não se coaduna com a história deste estilo", observa Bruno Aquino, do site português Cervejas do Mundo. "Diferenciam-se das English Pale Ale e das Bitters por terem um sabor final com mais lúpulo e menos caramelo e frutos", acrescenta. Como exemplos de India Pale Ale, ele cita a AleSmith IPA, a Stone India Pale Ale e a Two Hearted Ale (foto).

terça-feira, junho 24, 2008

Depois da nova lei a pergunta: é possível enganar um bafômetro?

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É praticamente um dossiê (da promoção).



Desde de sexta-feira, 20, o motorista flagrado com mais de 2 decigramas de álcool por litro de sangue pode ser preso, multado em R$ 957,60 e perder a carteira. A lei, sancionada pelo presidente Lula, tem por objetivo reduzir acidentes de trânsito, o que todos aprovam. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Detrans (Abdetran) em 2001 em quatro capitais brasileiras (Brasília, Curitiba, Salvador e Recife) mostra que 61% das pessoas envolvidas em acidentes de trânsito tinham ingerido bebida alcoólica.

O ponto mais polêmico diz respeito à possibilidade de o motorista se recusar a se submeter ao teste do bafômetro e exigir o exame de sangue, mais demorado. Agora, quem fizer isso é considerado culpado, o que gerou reação de juristas que consideram inconstitucional a prática, já que é assegurado a todos os cidadãos o direito de não se incriminar.

Relatos de falta de bafômetros se derramam por todo país, no Rio de Janeiro e em São Paulo, por exemplo.

Ainda assim, nesse cenário, a pergunta repetida por degustadores de ocasiões sociais (como os autores do Futepoca) e por bêbados contumazes é a mesma:

Um bafômetro pode ser enganado?

A resposta é sim. Mas não como quereriam muitos dos manguaças que bebem e dirigem.

Há dois modelos de etilômetro, os ativos e os passivos. No primeiro modelo, o suspeito de embriaguez assopra, a plenos pulmões, um tubinho que sentencia a quantidade de álcool no sangue. Já o passivo, capta o ar exalado pelo ébrio alvo do patrulhamento e só não revela com quem o cidadão bebeu. A polícia possui os testadores do primeiro tipo.

A tentativa sistematizada mais remota de enganar o instrumentos encontrada numa busca de internet foi registrada por entrevistados do Diário de Pernambuco em 1998, quando o Código Brasileiro de Trânsito entrou em vigor. Nem com uma porção de batata frita deu resultado. Outros relatos surreais e nada recomendáveis sugerem práticas escatológicas e até "baforadas" em uma parede de cal.

No programa MythBusters, do canal Discovery Channel, consta um dos mais exaustivos testes para se iludir bafômetros. Foram utilizadas técnicas como balas de menta, cebola, pilhas e moedas de cobre sob a língua, além de higienizadores bucais. No caso dos quatro primeiros, o resultado foi nulo. Mas depois de um bochecho com produto à base de álcool, uma surpresa: o bafômetro apontou mais gramas por litro de sangue do que a cobaia havia consumido. É que o sistema capta a quantidade de álcool no ar expelido pelos pulmões, presumindo que isso passou do sangue que irriga os alvéolos para o ar por difusão. O mesmo tende a ocorrer com sprays para a garganta que contenham álcool.

Ou seja, o bafômetro foi enganado. Outros registros indicam que a ilusão para pior dura cerca de dois minutos. Além disso, alguns desses higienizadores já se livraram do álcool em sua composição.

Aí está outro elemento de engano do bafômetro. Ocorre que o aparelho mede a quantidade de álcool por litro de ar alveolar, o que sai do pulmão. Para saber quanto de goró tem no sangue, há uma relação estabelecida por um valor médio de 2.100 mL de ar para 1 mL de sangue. Como algumas pessoas expiram mais ou menos ar por mL de sangue, a medição pode beneficiar ou prejudicar quem estiver, por questões de metabolismo, fora dessa média (se você também não entendeu, leia de novo).

Mas ninguém explica como fazer a taxa de conversão ficar favorável a quem quer burlar o aparelhinho.

Enquanto isso, na França
Desde novembro de 2007, o governo francês passou a incentivar a venda de bafômetros em supermercados. A intenção é estimular os testes voluntários ao preço de 1 euro (R$ 2,60). O valor seria suficiente para pagar uma latinha ou até uma garrafa (a depender do bar) no Brasil, mas não em Paris. Por lá, o limite é de 0,5 grama por litro de álcool e a parcela de acidentes provocados pela combinação de goró com o volante é de 28%. O modelo comercializado é descartável e se resume a um saquinho com um indicador que muda de cor.

Será que, se distribuíssem bafômetros nos bares, os motoristas embriagados deixariam de dirigir?

Leia mais sobre a "técnica viral" para burlar o bafômetro.

quinta-feira, junho 19, 2008

A cerveja japonesa para crianças

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Mais uma pauta soprada pela iminência ruiva.

A sensação do momento no Japão é a Kodomo no nomimono, ou "Cerveja da Garotada", numa tradução livre. A bebida não é alcoólica, mas imita o colarinho da cerveja, e está no mercado há dois anos.

Entendeu? Tem mais aqui

A bebida é vendida em pacotes de seis garrafas no padrão longneck (foto) e em latinhas de alumínio.

"Imagine esses produtos vendidos por aqui? Com tanta preocupação com 'as crianças' hoje em dia, duvido que a cerveja de mentirinha para crianças passaria do primeiro passo de qualquer empresa de bebidas", escreve Michael Keferl, autor do blogue criado por Akemi Kilian-Nakamura, CScout Japan.

Com ajuda do Google Translator, parece que a página da linha infantil de falsos gorós, Sanfaria diz o seguinte: "A mãe e o pai vão brindar? As crianças também participaram, por favor. Eu quero Children's, um brinde!" E mais adiante: "Na festa de aniversário, na festa da estação, na festa da cereja, em um churrasco ao ar livre (...) vamos brindar".

Keferl explica que há diferenças entre ocidentais e nipônicosque podem ser notadas "em pequenas coisas da vida" como esta. "O Japão é conhecido por sua cultura de grupos de bebida e isso, na verdade, é uma ótima forma de incluir as crianças em festas de família", contextualiza.

Você serviria a falsa cerveja para seu(sua) filho(a)?

quarta-feira, junho 18, 2008

Pé redondo na cozinha - E tudo acaba em pizza...

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MARCOS XINEF*

São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, 2007. Fui contratado por um restaurante típico - da velha rota do frango com polenta - para dar uma nova cara ao estabelecimento, com pratos internacionais e de alto padrão. Quando falamos nesse tipo de culinária, o forte são os pratos flambados, os molhos e frutos do mar flambados com vinho, conhaque e até pinga. Só que, pra variar, conforme foi se desenvolvendo o trabalho, as bebidas para cozinhar acabavam antes do prazo calculado.

Um dia, notei que o pizzaiolo não dava conta do movimento, mesmo com dois ajudantes. Conclusão: ele bebia mais que as minhas frigideiras. Só que, com o passar do tempo, a pizza dele só melhorava. Resolvi conviver com o problema. Hoje, ele continua entornando todas e fazendo a melhor pizza de São Bernardo. Mantenho ele no cargo por uma boa causa, em nome do bêbado que funciona bem. E até criei uma pizza em sua homenagem:

PIZZA DE CAMARÃO NA CACHAÇA AO CATUPIRY E MANJERICÃO

Compre a massa de pizza pronta no mercado. Em uma frigideira, coloque azeite, alho, tomate picado e manjericão. Refogue e acrescente 500 gramas de camarão sete barbas limpo. Cozinhe bem e flambe com 300 ml de cachaça. Cubra o disco da massa com o molho e coloque catupiry. Em forno pré-aquecido a 200 graus, asse por 20 minutos e sirva.


Importante: o pizzaiolo pode beber o quanto quiser no processo, desde que a pizza mantenha o padrão de qualidade. Até a próxima!



*Marcos Xinef é chef internacional de cozinha, gaúcho, torcedor fanático do Inter de Porto Alegre e socialista convicto. Regularmente, publica no Futepoca receitas que tenham bebidas alcóolicas entre seus ingredientes.

Quatro contra um

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Como hoje sir James Paul McCartney completa 66 anos, recupero uma historinha que envolve os Beatles - e cachaça, lógico. No início de 1974, Elis Regina e seu marido na ocasião, o pianista César Camargo Mariano, embarcaram para Los Angeles para gravar com o maestro Antonio Carlos Jobim o célebre álbum "Elis & Tom", relançado há alguns anos. Tom Jobim foi recebê-los no aeroporto e depois foram tomar uns uísques para "quebrar o gelo" entre os três, que não tinham qualquer intimidade até então. Mas César não gostou do papo inicial de Jobim, que gabava-se de ter duas músicas entre as 30 mais executadas no mundo, enquanto os Beatles tinham quatro (a maioria da dupla John Lennon/ Paul McCartney). Um dos trunfos de Tom Jobim era "Garota de Ipanema", composta em parceria com Vinicius de Moraes. César, irritado com a pavonice, tentou provocar: "-De qualquer forma, eles têm o dobro". Ao que, impávido, Jobim respondeu: "Mas aí é covardia! Eles são quatro, pô!", deixando claro que seu papo de bar era apenas bravata para descontrair. O que, de fato, aconteceu - basta ouvir seu primoroso disco com Elis para comprovar o resultado.

quinta-feira, junho 12, 2008

Uísque feito com leite fermentado de camelo

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Depois de seis posts queimados com defunto ruim, vamos ao que realmente interessa: cachaça. Estou lendo "Confesso que vivi", autobiografia do poeta chileno Pablo Neruda (foto), e em determinado trecho ele narra uma visita à Mongólia no início dos anos 1950:

É certo que provei em taças de prata, incrivelmente lavradas, o uísque dos mongóis. Cada povo faz seu álcool do que pode. Este era de leite fermentado de camelo. No entanto sinto calafrios quando recordo seu sabor.


Depois, o poeta foi conhecer a China:

Cada um de nós tinha à sua disposição uma pequena garrafa de cristal cheia de vodca. Os 'gambé' estouravam com profusão. Este brinde chinês obriga a emborcar a taça de um golpe, sem deixar uma gota. O velho marechal Chu Teh, defronte a mim, enchia seu copinho com freqüência e com seu grande sorriso camponês me incitava a cada momento a um novo brinde. No final do almoço aproveitei um momento de distração do antigo estrategista para provar um trago de sua garrafa de vodca. Minhas suspeitas se confirmaram ao comprovar que o marechal tinha tomado água pura durante o almoço enquanto eu lançava às entranhas grandes quantidades de fogo líquido.


Ao que não se sujeita um diplomata...

terça-feira, junho 10, 2008

Tipos de cerveja 11 - As Imperial/ Double IPA

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A Imperial India Pale Ale (IPA) e a Double IPA são tipos recentes de cerveja. Acredita-se que tiveram origem no Festival de Cerveja de Oregon, nos Estados Unidos, em 1996, quando foi apresentada a Rogue IPA. O estilo demorou algum tempo a se impor, mas, na virada para o novo milênio, tornou-se extremamente popular na Europa, com dezenas de novos exemplares, muito apreciados pelos conhecedores de cerveja. A Double é ligeiramente mais escura e encorpada que a IPA original, devido ao uso de malte em maiores quantidades. "Isso se explicando pela necessidade de equilibrar a cerveja que possui, em geral, quantidades quase absurdas de lúpulo. Tal dá-lhe um carácter amargo e refrescante, fatores que ajudam a encobrir o volume de álcool que pode variar entre os 7,5% e os 10%", observa Bruno Aquino, do site português Cervejas do Mundo. Há exemplares conhecidos por Extra IPA ou Extreme IPA. Para experimentar: Three Floyds Dreadnaught Imperial IPA (foto), Norrebro Bryghus North Bridge Extreme e Stone Ruination IPA.

Há dez anos, direto do túnel do tempo

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No dia 10 de junho de 1998, uma quarta-feira, a bendita Copa do Mundo da França fez com que toda a redação do jornal O Povo, de Fortaleza (CE), fosse dispensada para assistir a estréia do Brasil contra a Escócia. Uma repórter amiga minha, Alessandra Araújo, fazia aniversário na ocasião. Fomos para um buteco no Benfica, bairro estudantil e boêmio da capital cearense, muito mais para comemorar o aniversário do que para ver o jogo.
Sorte nossa, pois o lugar era milimétrico e o máximo que conseguimos nos aproximar da entrada do bar foi a uns 20 metros, em pé, na rua. Toda hora alguém gritava e, para nós, a impressão era a de que estava uns 4 a 4 ou coisa do gênero. Ninguém se entendia ou sabia dizer, com certeza, o que estava acontecendo no jogo. Daí, como nenhum de nós fazia questão de torcer para a seleção brasileira, andamos uma quadra e meia e encostamos perto de um ambulante que vendia cerveja mais barata - e mais rápida. Depois de muito tempo, já escurecendo, alguém se lembrou da partida. Passou um bêbado e eu perguntei o placar. "-O Brasil perdeu. Gol contra do Cafu!", sentenciou o manguaça. Daí passou outro torcedor e disse que a seleção tinha vencido por 1 a 0. Precisamos voltar ao bar para descobrir que o (estranho) gol tinha sido mesmo a favor. Informação de cachaceiro, só bêbado para acreditar...

segunda-feira, junho 09, 2008

Corinthians e os combustíveis das revoluções

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Jesus Carlos, o fotógrafo, envia uma foto para deleite dos corintianos. Pelo menos aos revolucionários.



Diz ele:

Anselmo e moçada do Futepoca,
aí vai uma colaboração para este grande blogue.
- Estamos de volta! Nesta semana, daremos o grande grito de guerra da Nação Corinthiana em pleno coração da cidade de Recife. Porém, desculpe-me as outras torcidas e olhem bem para a foto acima. Vejam que ser Corinthians, é mais do que uma bola em campo. Adelante Corinthians!!!
Saludos indígenas,
Jesus
Será que os corintianos do Futepoca já estão de ressaca na comemoração antecipada do título? Será que o motivo da ressaca é o terceiro combustível

sexta-feira, junho 06, 2008

Cigarro de palha chupinhou gibi do Tex

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Convidado para uma festa junina, decidi comprar um maço de cigarro de palha. Encontrei um tal de Palheiros de Piracanjuba, goiano, forte pra diabo. Mas até que vai bem com cerveja. O bizarro é que, fuçando sobre esse treco na infernet, descobri que o dono da fábrica foi processado por usar, na embalagem, um desenho do personagem de história em quadrinhos Tex Willer, sem permissão (veja a embalagem à esquerda e a capa do gibi chupinhado à direita). A italiana SBE (Sergio Bonelli Editore), que detém os direitos do personagem criado em 1948 por G.L. Bonelli e Aurelio Galeppini, ficou sabendo da mutreta e acionou a justiça brasileira por intermédio do escritório Schneider, Baleche & Prado, de Curitiba. Resultado: a Palheiros de Piracanjuba mandou publicar uma nota num jornal dizendo o seguinte: "Antônio Elias Daher - Palheiros de Piracanjuba, comunica que utilizou no frontispício de sua embalagem a imagem do personagem TEX WILLER sem consentimento dos editores Sergio Bonelli Editore e Mythos Editora, e alterou a embalagem, sem essa imagem, cumprindo acordo extra judicial entre as partes". Que beleza!

quarta-feira, junho 04, 2008

As entrevistas Futepoca/Diplô

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Este glorioso blogue inaugura hoje uma nova seção, só com entrevistas especiais produzidas em conjunto com a página eletrônica do Le Monde Diplomatique no Brasil. Aqui, você poderá acompanhar conversas entre os integrantes do dois veículos e personalidades das mais distintas áreas, que falam não apenas sobre seus trabalhos mas também sobre os temas que norteiam esse espaço: futebol, política e cachaça.

Para estrear essa nova seção, dois convidados: o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e o economista e dirigente palestrino Luiz Gonzaga Belluzzo.

Em seu estúdio no centro de São Paulo, Mojica logo de cara nos fez uma revelação: vai emprestar o nome de seu personagem mais famoso para uma aguardente. Não demorou muito para a mesa ter mais duas garrafas da dita cuja, além da que os entrevistadores tinham levado. Aliás, esse é um padrão nos encontros realizados: com pompa e circunstância, servimos cachaça artesanal selecionada, pra soltar a língua do entrevistado e a imaginação dos entrevistadores.

Durante as quase duas horas de conversa, Mojica falou sobre seus filmes, em especial o que será lançado ainda este ano, Encarnação do Demônio, que encerra a trilogia iniciada com À meia-noite levarei tua alma e Esta noite encarnarei no teu cadáver. Contou também suas participações na vida política do país e falou de uma das suas paixões, o Corinthians, rogando uma praga a quem se atrever a falar mal do seu clube.

Já o apaixonado palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos principais articuladores da parceria com a Parmalat nos anos 90 e também um dos pais do Plano Cruzado, fez uma interessante análise sobre a crise econômica nos EUA e os seus possíveis efeitos no resto do mundo. Também comentou aspectos da administração do futebol brasileiro e sentenciou, para desgosto dos alviverdes: o São Paulo tem a melhor estrutura entre os clubes de futebol do país. Além disso, Belluzzo falou sobre algumas das pessoas que admira no esporte bretão: Vanderlei Luxemburgo, Valdívia, o meia Alex e aquele que considera um "anti-ídolo", o goleiro Marcos.

*****

Aproveitando o ensejo, o Futepoca também estréia um novo layout, a partir de uma idéia de logomarca concebida por Olavo Soares, com arte de Carmem Machado e produção de Anselmo Massad. Algumas partes da página ainda não estão funcionando, mas em breve tudo estará bem (se tudo der certo).

*****

Abaixo, a praga do Zé do Caixão para quem "desprestigiar" a nova seção do Futepoca.


Pé redondo na cozinha - Desfalque no cardápio

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MARCOS XINEF*

Em 2002, tive a oportunidade de chefiar uma cozinha de estilo mexicano, em São Paulo - aliás, uma das comidas que eu mais aprecio. E no cardápio nós tínhamos dois pratos com bebida alcoólica: os onion rings (anéis de cebola empanados cuja massa inclui chope ou cerveja gelados) e as cenouras com tequila e lingüiça apimentada. Quem preparava as cebolas era o Bigode, que pedia o dobro de litros de cerveja que a receita precisava. E as cenouras ficavam por conta do Toni Gordão, que também pedia doses de tequila a mais.

Os dois guardavam as sobras das bebidas e, no fim da noite, iam para o vestiário manguaçar. O lado bom era que eles não bebiam durante o trabalho, então eu levava na boa. Depois de 30 dias observando de perto, resolvi não demiti-los. Apenas somei as bebidas em excesso e descontei de seus salários. Por esse motivo, infelizmente, os pratos acabaram saindo do cardápio...

CENOURAS COM TEQUILA E LINGÜIÇA APIMENTADA

Ingredientes
500 gramas de cenoura
200 gramas de lingüiça
4 colheres de sopa de manteiga
1/4 de colher de chá de endro (seco e socado com pimenta a gosto)
1/4 de xícara de chá de tequila

Preparo
Corte as lingüiças em rodelas e as cenouras diagonalmente, em fatias de 5 milímetros. Derreta manteiga numa frigideira, em fogo baixo, adicione a cenoura e a lingüiça, aumente o fogo para médio e cozinhe por 10 minutos, mexendo ocasionalmente. Junte o endro socado com sal e pimenta, misture bem, aumente o fogo, derrame a tequila na frigideira. Risque um fósforo e jogue na frigideira para flambar e, quando as chamas se extingüirem, retire o palito e sirva imediatamente. Rendimento: 4 porções.


Grande abraço a todos. E salvem o Bigode!



*Marcos Xinef é chef internacional de cozinha, gaúcho, torcedor fanático do Inter de Porto Alegre e socialista convicto. Regularmente, publica no Futepoca receitas que tenham bebidas alcóolicas entre seus ingredientes.

segunda-feira, junho 02, 2008

Corinthians fez Jorge Mautner parar de beber

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Zapeando pela TV no sábado, estacionei por uns instantes no programa "Procurando quem?", capitaneado por Rodrigo Bittencourt no Canal Brasil. O entrevistado era o folclórico Jorge Mautner (foto), que me saiu com essa:

- Minha mãe era extremamente católica, mas, quando eu tinha 14 anos, ela montou um bar no meu quarto. Isso mesmo: um bar, com vodca, gin, uísque, tudo. Daí, durante um ano, eu fui um bêbado. Acordava de manhã e, antes de ir pra escola, já tomava a primeira dose. Acontece que um dia o Corinthians perdeu para o São Paulo e eu, corintiano, tive que suportar as gozações de um amigo são-paulino. Só que eu estava bêbado e muito nervoso, ele não parava de rir da minha cara e eu dei uma facada nele, que foi parar no hospital. Faltaram uns três centímetros para perfurar o fígado, quase me tornei um assassino. Nesse dia, resolvi parar de beber!

Moral da história: cuidado ao tirar sarro de corintianos bêbados...

sexta-feira, maio 30, 2008

Goleiro bêbado?

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Indicação do companheiro Marcão. De fato, parece que o arqueiro está levemente embriagado...

E a insurreição continua!

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Materinha do Lance! de hoje, intitulada "Resistência em todo o Brasil", comenta que a proibição da venda de bebida alcoólica nos estádios pela CBF é combatida por bares e ambulantes. Uma foto mostra engradados de lata de cerveja empilhados na arquibancada do estádio Frasqueirão, em Natal (RN), durante a partida entre ABC e Corinthians pela série B do Brasileirão (o pior é que a probição está levando à precarização da manguaça, pois a imagem mostra quatro caixas de Nova Schin e três de Primus!). A polícia não fez nada - nem em relação à proibição do consumo de álcool e nem sobre a possível utilização das latas para a violência.
O texto cita ainda que ocorreu venda clandestina de bebidas no jogo entre Flamengo e Internacional-RS, pela série A, no Maracanã. Diz a materinha: "Os únicos problemas judiciais em relação à medida da CBF aconteceram no Paraná e no Rio Grande do Norte. No Couto Pereira, uma liminar foi conseguida pelo proprietário de um bar, mas foi cassada antes da estréia do Coritiba contra o Palmeiras. Na Arena da Baixada, os bares também buscaram medidas judiciais e conseguiram garantir a venda. O Atlético-PR repassou a questão para a CBF, pois é obrigado a cumprir a decisão. E a tendência ao descumprimento da medida vai se tornando nacional". É isso aí, manguaceiros: resistir, beber, cair e levantar!

quinta-feira, maio 29, 2008

Tipos de cerveja 10 - As Golden/ Blonde Ale

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Esse é um tipo de cerveja muito genérico e com bastantes variantes. Uma das formas habituais é a Canadian Ale, muito parecida com a American Pale Ale - não só nas qualidades, mas nos defeitos: pouco malte e lúpulo, utilização de cereais menos nobres (como arroz ou milho) e um sabor meio apagado. A versão britânica possui mais lúpulo e menos álcool que as estadunidenses, o que as tornam mais referscantes e amargas. Em geral, as Golden/ Blonde Ale são cervejas suaves, com bastante gás, espuma branca e corpo claro e límpido, segundo Bruno Aquino, do site português Cervejas do Mundo. Exemplos: Crouch Vale Brewers Gold Extra (foto), Redhook Blonde Ale e Oakham Bishops Farewell.