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sexta-feira, julho 18, 2008

Dantas encomendou gravação a Protógenes?

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Como estou sem vontade de falar sobre futebol por motivos óbvios, um pouco de política.

A dúvida que me assalta é se foi o Daniel Dantas ou alguém a seu mando que gravou a reunião da Polícia Federal que vem sendo vazada em trechos agora.

Porque DD é o único beneficiado com essa situação. Discute-se se o governo está com medo, se há racha na PF etc... E Dantas, e seus supostos crimes, sai do centro do furacão.

Mais que isso, imagino que enquanto essa discussão pública sobre os intestinos da corporação ocorre, as investigações não avançam. Esse é o real problema. A quadrilha denunciada, pega na operação, tem tempo de se rearticular, esconder provas. O tempo passa a jogar a favor de quem mais precisa esconder, esconder-se ou fugir.

Aliás, secundariamente, essa discussão sobre a PF tirou o foco também das denúncias sobre jornalistas e veículos que, no mínimo, ajudaram a estratégia de Dantas, e sobre decisões do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, que passou por cima de todas as instâncias da Justica para libertar DD.

Todos eles estão rindo porque, depois de fazer um grande trabalho, o a Polícia Federal e o governo estão jogando tudo fora e entraram num luta fraticida. É a história da vaca leiteira que depois de dar 30 litros de leite chuta o balde.

quinta-feira, julho 17, 2008

O rebolado de Shakira contra as Farc

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Foto: Divulgação
A cantora colombiana Shakira anunciou que participará de uma manifestação no povoado de Letícia, próximo à fronteira entre Colômbia, Brasil e Peru. O motivo do protesto é pela libertação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias de Colombia - Exército do Povo (Farc-EP).

As atividades estão marcadas para o próximo domingo, 20, nas comemorações da independência colombiana. Ela deve cantar depois de um desfile militar que celebra a independência. Segundo a assessoria de imprensa da cantora, ela gravava um novo disco em Londres, e interrompeu o processo a pedidos do presidente Alvaro Uribe. No início do mês, ela participou do Rock in Rio Madri. Luiz Inácio Lula da Silva e Alan García, presidentes do Brasil e do Peru, também confirmaram presença.

Engajada socialmente, a cantora mantém a Fundación Pies Descalzos, para ajudar crianças pobres do mundo. Em fevereiro, ela chegou a vencer um sutiã por US$ 3 mil no site eBay.

terça-feira, julho 15, 2008

Maluf não pára, não pára

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Inspirado pela lembrança de que Paulo Maluf não torce para time nenhum, me lembrei, de pronto, de uma absolvição em última instância do ex-prefeito Paulo Maluf.

Quando o Brasil foi tri-campeão do mundo, cada jogador do escrete que carregava a Jules Rimet na bagagem ganhou, de presente, um Fusca zero quilômetros. Com dinheiro dos cofres do estado de São Paulo, cujo governador era Maluf.

As relações com o político que não tem preferência clubística vão além.

No fim de semana, em uma feira no bairro de São Miguel Paulista, zona Leste da capital, a campanha apresentou o que foi anunciado pelos veículos esportivos como um "roubo do Maluf". É que tocou o jingle "não pára, Maluf, não pára", uma paródia da paródia que embalou o sonho do vice-campeonato corintiano na Copa do Brasil. A letra original, fonte da cantoria dos alvinegros, é de Roberto Carlos. Mas o detalhe é que em "Amigo" não tem a parte do "não pára", quer dizer, só o resto é parodiado. É curiosa a apropriação da parte nova da música.

Pelas datas das notas que vi, quem soltou primeiro foi o Lancenet, mas a coluna de notas sobre o time da semana passada da ESPN coloca como título "Rouba, mas faz" para destacar a história. O roubo é da idéia.

A partir da apropriação de jingle – não consegui achar o site oficial do cidadão pra confirmar –, terá Maluf o mesmo desempenho do Corinthians de 2007 ou do invicto Timão 2008 na série B?

segunda-feira, julho 14, 2008

No butiquim da Política - Fim de semestre, fim da picada

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CLÓVIS MESSIAS

Bem, a situação desenhada no plenário da Assembléia Legislativa era de expectativa, uma vez que a votação da LDO, Lei de Diretrizes Orçamentária, encerraria os trabalhos do primeiro semestre. Havia antes o projeto de aumento dos professores do Estado, matéria esta que estava incomodando a harmonia entre os deputados. O trato dessas matérias tem que seguir o rito do regimento interno, o que torna a técnica de difícil entendimento para o cidadão comum. É o que podemos chamar de politiquês, já que os argumentos usados da tribuna pouco tem a ver com a realidade do projeto. Pois é, só tomando umas para entender essa história.

Os acordos políticos são firmados entre as bancadas da situação e da oposição, mas a qualquer toque de telefone do Palácio dos Bandeirantes a palavra empenhada perde o valor. A condução dos trabalhos começa a ficar vulnerável. Já imaginaram dirigir sua oratória num sentido e no meio ter que mudá-la? É coisa pra maluco. A oposição, por seu lado, tentava desestabilizar os governistas para obter algumas vantagens. Mas a reivindicação pretendida morria no nascedouro, pois o governador tucano José Serra tem a maioria absoluta dos votos em plenário.

Pois o telefone comeu solto entre o governador e seu líder no Palácio 9 de julho. A todo instante a situação ficava mais tensa. Neste momento é que começou o verdadeiro papo de butiquim. O deputado Rui Falcão, do PT, pediu verificação de presença dos parlamentares, para que a sessão pudesse seguir ou terminar por falta de quórum. O presidente da Casa iniciou a chamada mas logo constatou que havia numero suficiente de deputados em plenário para a continuidade da sessão. Por isso, contestando o comportamento do presidente da sessão, Falcão disse: "-Nobre presidente, não acredito que o senhor seja capaz de pequenas falcatruas. Se fossem maiores, aí sim, eu ficaria preocupado. Não concordo com a sua contagem".

Para meu espanto, o presidente, Vaz de Lima (foto), do PSDB, sem se dar por achado com a frase pronunciada, respondeu: "- O senhor, nobre deputado, sabe que não sou capaz dessa pequenas coisas, agradeço o seu reconhecimento. Vamos prosseguir a sessão". Olhei para os lados e vi que estava na bancada de imprensa da Assembléia Legislativa e não no butiquim. Mas era fim de semestre, tá explicado.

*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

quinta-feira, julho 10, 2008

Daniel Dantas e outros dez fora da cadeia

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O habeas corpus levou menos de 48 horas para sair. Daniel Dantas e outros dez detidos na operação Satiagraha foram liberados na noite de ontem, 9. Celso Pitta e Naji Nahas seguem na sede da Polícia Federal.

Jornalistas fizeram plantão por lá durante o dia para ouvir os advogados de defesa queixosos por não terem acesso aos autos do inquérito, mas apenas à decisão que determinava a prisão dos investigados para coleta de provas.

No plenário do Senado, parlamentares como Arthur Virgilio e Heráclito Fortes defenderam os direitos de defesa e de preservação da imagem dos alvos da operação da Polícia Federal. Mostrá-los em algemas é um exagero, dizem.

Divulgação


O ministro Tarso Genro reconheceu que a imagem de Pitta sendo acordado, de pijama, exibida pela Globo, foi uma violação de normas internas do novo manual da Polícia Federal. Segundo ele, a exposição que cause constrangimento ao preso ou viole os direitos individuais garantidos pela Constituição é proibida.

Vale lembrar que esses protestos ganham a tribuna do Congresso quando as vítimas são banqueiros, políticos e empresários, enquanto a crítica à aplicação das algemas em adolescente, por exemplo, recebe bem menos atenção.

As queixas contra as "arbitrariedades da PF" aconteceram antes na prisão de Adriano Schincariol, diretor-superintendente do grupo, e outros executivos. Também aconteceu na operação Persona, da Cisco, e na operação 274, com postos de gasolina. Até na prisão do narcotraficante Juan Carlos Abadia houve esse tipo de queixa – em virtude de endereço errado.

Enquanto isso, nas análises do caso, repetir o que disse Paulo Henrique Amorim ganhou estatuto de lugar comum. Dantas tinha sua bancada no Congresso e circulava tanto no governo Fernando Henrique Cardoso quanto no de Lula. E torcer para que alguma bomba caia em colo governista virou a aposta da oposição.

Se o trânsito era tão intenso, deve ter gente preocupada. Já tem até ranking de nervosismo pós-Satiagraha.

terça-feira, julho 08, 2008

Daniel Dantas na cadeia

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Algo que eu e meus botões sempre consideramos como um sonho quase impossível de ser realizado aconteceu nesta manhã: Daniel Dantas, o monstro, o mito, foi preso pela Polícia Federal. Junto com ele foram toda a cúpula de seu banco, o Opportunity, incluindo sua irmã, Verônica Dantas, além do especulador Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo, Celso “Nunca mais votem no Maluf” Pitta.

As prisões forma resultado da Operação Satiagraha da PF, que nesta terça-feira pela manhã cumpriu 24 mandados de prisão e 56 ordens de busca e apreensão. As acusações sobre a trupe são vastas e variadas, incluindo lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação fiscal, evasão de divisas e espionagem.

A cobertura mais completa do acontecido, numa série de reportagens que estão sendo feitas por quem manja do assunto, é do Terra Magazine, de Bob Fernandes. É dele o trecho seguinte: “Das entranhas do que há de mais poderoso nos comandos financeiros, sociais e políticos - como conhecerão em detalhes os leitores de Terra Magazine nos próximos dias -, emerge o que a Polícia Federal, depois de 2 anos de investigações, trata como organização criminosa comandada por dois grupos distintos e dois "capos" - expressão da própria PF - que atuariam em consórcio, Daniel Valente Dantas e Naji Robert Nahas.”

E quando fala de poder financeiro, Fernandes não está brincando. Não me lembro de nenhum grande escândalo de corrupção, lavagem de dinheiro, caixa 2 ou o que seja que ocorrido no Brasil nos últimos 10 anos sem que o nome de Daniel Dantas ou um de seus prepostos tenha sido envolvido de alguma forma. Privatizações, Banestado, Valerioduto, grampos da Kroll, dossiês, financiamentos de campanha, favorecimento de empresas por Bancos Públicos, tudo tem a digital de Dantas em algum momento.

Economista, ele inicia sua “militância política” no antigo PFL, hoje DEM. Chegou a ser cogitado para ocupar o Ministério da Fazenda do governo Collor. Trabalhou em bancos por ai e, em 1996, segundo ano do primeiro mandato do tucano Fernando Henrique Cardos na presidência, abriu o Opportunity.

No governo de FHC atingiu sua estatura de “capo”, nas palavras da PF. Por meio de um fundo de investimentos criado num paraíso fiscal, foi o grande beneficiado nas famigeradas privatizações das telecomunicações brasileiras, sobre as quais pairam suspeitas das mais diversas. Associou-se ao Citibank e aos fundos de pensão brasileiros e manipulou uma quantidade impressionante de dinheiro de um lado para o outro. Brigou com seus parceiros um por um, sendo defenestrado do comando da cadeia societária da BrasilTelecom e outras teles graças sobretudo à atuação da Previ. É alvo de uma ação bilionária na justiça dos EUA, movida pelo Citibank.

A queda de Dantas poderia levar a uma reação em cadeia que vitimaria, em maior ou menor grau, todos os grandes partidos brasileiros, além de boa parte do empresariado (sim, porque ninguém se vende sem ter quem compre). Veremos até onde a PF consegue chegar.

Veja mais Daniel Dantas no Futepoca.

segunda-feira, julho 07, 2008

No butiquim da Política - Ninguém sabe, ninguém viu

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*Por CLÓVIS MESSIAS



Não estou brincando. Corre pela Casa, expressão corriqueira no legislativo paulista, que uma cadeira daquelas importadas que foram compradas para serem usadas no novo anexo do Palácio 9 Julho (ainda no esqueleto), foi levada por um deputado estadual que ocupa uma secretaria municipal, para maior conforto em seu gabinete. Vale uma lembrança: este mobiliário, comprado pelo mesmo parlamentar, está empilhado nos corredores e subsolo do prédio da Assembléia Legislativa. Numa mesa, aqui neste buteco, um filósofo disse que nunca antes tinha visto comprarem móveis antes da casa ficar pronta. O filósofo tem razão, mas em casa política tudo pode acontecer, acreditem.

O setor de patrimônio do legislativo diz que não sabe se a cadeira saiu, mas também consta que não conferiu. A cadeira, com encosto alto, saiu e ninguém viu. Ela foi apelidada de "cadeira Cauby Peixoto": "se sumiu, ninguém sabe, ninguém viu" (paródia de trecho da música "Conceição", sucesso maior do cantor). Mas não ria, não. É sua grana que foi embora. O prédio anexo teve sua construção estimada em R$ 7,5 milhões, já passou para R$ 28 milhões e nada. É o teu, é o meu, é o nosso dinheiro indo pro ralo.

A primeira etapa do esqueleto, com direito a "gabinete modelo" foi inaugurada, com placa comemorativa e festa, pelo então presidente da Casa e da "obra", deputado Rodrigo Garcia, do DEM, pelo 1º secretário, deputado Fausto Figueira, do PT, e pelo 2º secretário, deputado Geraldo Vinholi, do PDT. A obra não teve nenhuma medição aprovada pelo Tribunal de Contas do Estado, segundo sua assessoria. O Ministério Público também não aceitou as explicações pelo atraso e pelos adendos contratuais, e continua investigando. Enquanto isso, cadeira vem, cadeira vai...
*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

quinta-feira, julho 03, 2008

Separados no nascimento

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Será o árbitro Hector Baldassi um ex-agente da KGB com a missão de criar a cizânia no futebol sul-americano, ou o Vladimir é que é mesmo um filho-da-putin que deu certo na política?

quarta-feira, julho 02, 2008

Pé redondo na cozinha - Solução cachaceira

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MARCOS XINEF*

Ariovaldo, o popular Negão, é o caseiro da minha chácara na represa de Guarapiranga, em São Paulo. Suas experiências profissionais anteriores o tornaram uma pessoa de cultura e conhecimento, digamos, "peculiares". Trabalhou, por exemplo, na casa de praia de um grande executivo italiano e também na de um estilista muito famoso, hoje político (sim, aquele mesmo). Depois de perder esses empregos, foi embora para Embu-Guaçu e se tornou um "chapa" – esses caras que cobram para guiar caminhoneiros que não conhecem São Paulo até seus destinos de descarga (só não me perguntem como, porque, do jeito que ele bebe...). Há quatro anos, Negão caiu de pára-quedas na minha chácara.

Sempre conversamos sobre política, música, culinária, enfim, um papo bem eclético. O único problema é que já perdi a conta de quantas vezes salvei sua vida. Explico: normalmente, quando vou para a chácara, no domingo à noite, "tá lá o corpo estendido no chão", digo, o Negão desmaiado de bêbado no sofá. E, invariavelmente, tem uma panela queimando em cima do fogão. Até agora Deus tem ajudado, sempre chego na hora certa.

Só uma vez cheguei mais cedo e o gambá ainda tava acordado, cozinhando. E me falou: "-A bomba do poço queimou, estamos sem água". Olhando a panela, perguntei: "-E com o que você está cozinhando esse feijão?". No que me respondeu, sorrindo: "-Com 51". E era verdade, cheirei a panela e comprovei: pinga pura. Não sei se deu certo, pois não tive coragem de provar para ver. Mas como acredito que aqui no Futepoca temos gente de fígado resistente, vamos à receita:

FEIJÃO COM PINGA DO NEGÃO ARI

Ingredientes
500 gramas de feijão preto
meia cebola picada
três dentes de alho
bacon
lingüiça calabresa
sal a gosto
1 litro de cachaça (51)

Preparo
Antes, um alerta importantíssimo: o feijão não pode ser cozido em panela fechada, muito menos de pressão. Refogue a cebola e o alho no óleo, coloque o feijão e a lingüiça na panela aberta, descarregue o litro da "maldita" dentro e leve ao fogo bem baixo por 45 minutos (sempre lembrando: com a panela destampada).


Se alguém tentar, me diga se fica bom. Matar não mata, porque o Negão ainda continua lá, queimando panela e desmaiando no sofá. Abraços!



*Marcos Xinef é chef internacional de cozinha, gaúcho, torcedor fanático do Inter de Porto Alegre e socialista convicto. Regularmente, publica no Futepoca receitas que tenham bebidas alcóolicas entre seus ingredientes.

Se o problema é esse, o Lula resolve!

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O ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone (à direita), afirmou ao jornal The Independent que, para garantir as Olimpíadas de 2012 na capital inglesa, só teve de passar a noite bebendo com os delegados do COI (Comitê Olímpico Internacional), responsável pela escolha da sede dos jogos. "Esta foi a razão pela qual conseguimos ser a sede da Olimpíada de 2012", garantiu Livingstone. "Nem me lembro como fui capaz de achar minha cama depois daquela noite", entregou o ex-prefeito, que hoje é apresentador de rádio. Na semana passada, quando assinou o projeto de lei que dá crédito de R$ 85 milhões para custear a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a cidade terá de travar "um grande embate político" para vencer Madri, Tóquio e Chicago. Tá no papo: se o "embate" for o que Livingstone revelou, Lula tem todas as condições de trazer os jogos para o Brasil. Biocombustível neles!

segunda-feira, junho 30, 2008

No butiquim da Política - Bom dia com o chapéu do povo

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Por CLÓVIS MESSIAS



Olha gente, a nossa Assembléia Legislativa de São Paulo (foto) tem 94 deputados, mas nem dois anos se passaram e 27 já priorizaram participar de outra eleição: para prefeito de suas cidades. Democracia eleitoral sem prazo estipulado. Será que esses deputados, candidatos a prefeito, já cumpriram suas promessas de palanque? Difícil, pois nem ano e meio se passou. Será que eles cumpriram mesmo o prometido? "Me engana que eu gosto" será o tema da nova campanha desses deputados/ prefeitos.
Eles não largam seus mandatos no legislativo e continuam recebendo os salários, os auxílios-moradia e paletó e outros benefícios - tudo com os nossos impostos, enquanto a campanha para prefeito continua nas ruas. Como é bom ser democrata em causa própria! O legislativo, alimento essencial da democracia, ficará quase parado até outubro. Assim, na sua cidade, podemos chamá-los de "democratas operativos". Mas não se esqueçam: sempre em causa própria.
*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

sexta-feira, junho 27, 2008

Greve dos professores continua

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Os professores da rede estadual de São Paulo decidiram em assembléia realizada hoje, 27, continuar a greve iniciada há duas semanas. A próxima assembléia está agendada para sexta-feira (4). “A manifestação bloqueou duas faixas da rua e causa 2,2 quilômetros de congestionamento, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego)”, destaca o Uol Educação, mantendo o padrão da grande mídia para quem o fato de que 70 mil trabalhadores (segundo a Apeoesp) lotaram o vão do Masp na semana passada só é importante pelo mal que causa ao trânsito. O pessoal não parece gostar muito de democracia.

Mas enfim, falemos, pois, da greve. O estopim foi o tal do decreto de lei 53.037/08, que institui uma prova para os professores não concursados (que estão sendo chamados de temporários por aí, a meu ver, equivocadamente). O desempenho no teste determinará a ordem nas atribuições de aula. Hoje o critério é o tempo de trabalho em sala de aula, com os mais antigos (e experientes) escolhendo primeiro. Além disso, quando for realizado um concurso, os novos contratados deverão ficar três anos no mesmo local antes de mudar de escola.

Minha mãe foi professora no estado por uns dez anos e nunca foi concursada. Na verdade, salvo engano de minha parte, a grande maioria dos professores não é de concursados, mas dos tais “temporários”. Todos os anos eles enfrentam um desorganizado e desgastante processo de espera nas Diretorias de Ensino nas atribuições de aulas, correndo o risco de ficar sem emprego. Não vejo como um profissional pode ser “temporário” por dez anos, como foi minha mãe.

O que o decreto do governo Serra faz é jogar fora todo o acúmulo de experiência em sala e ligação com alunos que estes professores desenvolveram ao longo dos anos. Iguala um profissional com anos de experiência com outros recém-saídos das faculdades. Numa empresa, isso seria prontamente considerado como uma aberração.

Se o governo quer uma prova para avaliar os “temporários”, como afirma, que faça concursos públicos, considerando o tempo de serviço. Isso sim qualificaria o trabalho, dando estabilidade para os professores e diminuindo a tal da rotatividade que o projeto diz atacar. Parece justo, não? Pois é essa a proposta defendida pela Apeoesp.

A proposta tem um objetivo, mas ele não é melhorar o ensino. É atribuir culpa. O governador José Serra e a secretária de Educação querem convencer a opinião pública de que os problemas da educação não têm nada a ver com os 13 anos de governo de seu partido, o PSDB, no estado.

A sociedade brasileira adota uma postura muito hipócrita em relação à educação. Todo mundo diz ser a favor de uma educação pública de qualidade, mas ninguém dá a mínima para as condições em que os professores desempenham seu trabalho. Quem educa é o professor, da mesma forma que quem projeta casas é o engenheiro e quem diagnostica doenças é o médico. Pois quantos pais você vê dizendo que querem que, quando crescer, seus filhos sejam professores? É preciso valorizar a profissão e isso não quer dizer tapinha nas costas. É bom salário, boas condições de trabalho. As pessoas precisam querer trabalhar lá, do contrário, não vão desempenhar bem seu papel. É assim em qualquer atividade profissional, porque não com os educadores?

PS.: O texto peca por não trazer dados e coisa e tal. É uma opinião/desabafo sobre o descaso com que estão tratando essa questão tão importante.

quarta-feira, junho 25, 2008

Lula são-paulino?!??

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Nosso mais novo colaborador, Clóvis Messias, envia a foto acima, em que aparece entrevistando Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. E conta o seguinte "causo":

Lula em campo adversário. Esta foto foi tirada na liderança do PT, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O líder era o deputado, são paulino, Geraldo Siqueira. O assessor de imprensa a quem pertence a faixa comemorativa do campeonato paulista de 1989 era Ronaldo Cabral. Na opurtunidade eu disse ao Lula, brincando, lógico, que para chegar ao Planalto ele teria que evoluir futebolisticamente, e sentir o prazer de ser tricolor. Ele permaneceu corinthiano, e eu errei. Se jornalista acertasse tudo sempre ganharia na loteria esportiva. Abraço a todos, Clóvis.

Sociedade carente de valores públicos

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Li (com atraso), na edição 24 da Revista do Brasil, a entrevista que o Paulinho Donizetti, com colaboração de Xandra Stefanel, fez com a psicanalista Maria Rita Kehl (foto). Gostei especialmente do trecho em que ela afirma, com todas as letras: "A gente está numa sociedade muito carente de valores públicos, em que pouco se faz em nome do bem comum". Por isso, segundo ela, as pessoas acabam priorizando os valores individuais e de seu núcleo familiar conservador - o que explicaria, por exemplo, a indignação pública no caso da morte da menina Isabella Nardoni - que fere as regras de "bom comportamento paterno". Ao mesmo tempo, o debate coletivo sobre violência e segurança (principalmente com a ótica dos menos favorecidos) não interessa a ninguém.

E, a partir da constatação de que as pessoas assimilam cada vez mais conformadas o consumismo e a máxima capitalista "tempo é dinheiro", é possível relacionar várias "doenças sociais" aparentemente desconexas, como depressão e hipocondria, patrulhamento, morbidez, sensacionalismo, sectarismo, impunidade etc. Para mim, tudo isso influi diretamente na atitude política (ou apolítica) que uma pessoa possa assumir (ou se omitir) em uma coletividade. Abaixo, alguns trechos da entrevista de Maria Rita:

Conservadorismo e preconceito
Ser mãe biológica não é garantia de bons sentimentos, mas colocamos a mãe sempre num altar e usamos a madrasta para representar o lado escuro da mãe, desde os contos de fadas. E tem, ainda, um pouco da idéia de que família boa é aquela que tem o pai e a mãe biológicos e os filhos.

Morbidez e indiferença social
Por que quando há um atropelamento a maioria das pessoas pára para olhar? É porque a morte nos fascina. A morte, a violência fascinam, como todos os temas ligados àquilo que é mais reprimido na gente. Mas não há espaço de destaque para o assassinato de criança negra e pobre.

Impunidade e horror ao enfentamento
Basta ver o modo como terminou a ditadura: terminou, terminou, não se fala mais nisso. Não houve pressão para punir os ditadores. Agora acontecem algumas indenizações, mas não houve julgamento. Todo mundo foi perdoado e nem sequer pediu perdão. Nem se dá nome aos responsáveis. O brasileiro tem horror ao enfrentamento do conflito.

Desvalorização do tempo e da vida
É como se a gente tivesse uma urgência temporal que faz com que a vida perca completamente o valor. O tempo da experiência, da reflexão, todo o tempo da chamada vida subjetiva está sendo atropelado pelo tempo do capitalismo. Esse é o primeiro fator da depressão, essa desvalorização do tempo como tempo de vida. (...) Se você negocia a matéria-prima da sua vida, valendo dinheiro, a vida se desvaloriza. Se a vida se desvaloriza, para que viver?

Hipocondria, intolerância e consumismo
As pessoas começam a tomar antidepressivos porque estão numa sociedade que não tolera a tristeza, o abatimento, ou que você não esteja sempre apto a achar que a vida é maravilhosa. (...) O trabalho é cada vez mais competitivo, quanto mais depressa o cara estiver bombando de novo, melhor. E não tem a ver só com trabalho, mas com os imperativos do consumo. É isso que impede que as pessoas tenham o tempo que precisam para se recuperar das quedas, perdas, crises.

Conformismo e vício televisivo
Essa modulação de ritmo, que permite que você tenha em contraposição ao ritmo acelerado do trabalho um tempo do lazer ou do ócio, vai se perdendo. E o que a gente tem como ócio hoje em dia? Deitar no sofá em frente à TV. As pessoas falam: 'Ali eu me desligo'. Mas uma parte está ligada, senão você não ficaria vendo televisão; ficaria ouvindo música ou em silêncio, pensando. A televisão reproduz essa velocidade.

segunda-feira, junho 23, 2008

No butiquim da Política - Papo (de bar) sobre ética

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Por CLÓVIS MESSIAS


Olá, amigos do Futepoca! Começo hoje a contribuir para o blogue com minha coluna sobre política, mas sempre no clima de "papo de buteco". E buteco que se preza - este é o nosso caso - começa em grande estilo: papo sobre ética na política. A abordagem de um assunto complexo exige premissas, que embora inconclusivas, podem ser esquecidas em benefício próprio.

Conhecemos, às vezes, as fraquezas psicológicas que alguns políticos passam. Advém daí a vulnerabilidade, surgida das necessidades, quase instantâneas. É difícil falar em ética numa política mercenária. Mas os mercenários existem porque há pessoas que acreditam no pagamento para a solução. Lei de Gerson (foto).

Mas voltemos a insistir: a ética é um bem do indivíduo. Vamos colocar a premissa de que a política democrática é igual à fraternidade. O substantivo feminino "fraternidade" nos conduz ao amor ao próximo, à harmonia, à boa amizade, a união com convivência.

Continuando o raciocínio, sendo a política uma fraternidade, deve-se, então, cultivar uma instituição fundamentalmente "ética". O substantivo feminino "ética" designa uma reflexão filosófica sobre a moralidade, sobre os códigos que orientam a conduta humana. A ética tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores. A política, a que me refiro, é uma organização ética, com códigos de valores e de condutas.

Política com ética e fraternidade deixará o Estado mais forte e seguro. Isto é que é papo de buteco. Buteco de respeito, tem papo de "saideira" à vontade. Olha, mas este papo é mais sério que muitos políticos. E eu não tomei nenhuma! Ainda!

Abraços a todos e até a próxima semana!

*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

40 anos da tragédia de "Puerta 12" na Argentina

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O Lance! de hoje recupera uma história tenebrosa que, confesso, nunca tinha ouvido falar: a tragédia de "Puerta 12", que vitimou 71 torcedores no estádio do River Plate, Monumental de Nuñes, em 23 de junho de 1968 (há exatos 40 anos, portanto). Numa tarde de domingo, após um empate sem gols no clássico entre River e Boca Juniors, centenas de torcedores do Boca desciam os 80 degraus da escadaria entre a arquibancada e o portão 12 do estádio. Para surpresa dos primeiros que chegaram no último lance, a saída estava trancada. Sem conseguir abrir o portão, nem voltar ou avisar os que ainda desciam, sete dezenas morreram por asfixia ou esmagamento (a foto mostra o sangue na escadaria), fora um número não divulgado de feridos. O triste episódio, até hoje a maior tragédia do futebol argentino, foi recuperado recentemente no documentário "Puerta 12", do diretor argentino Pablo Tesoriere - sobrinho-neto de Américo Tesoriere, goleiro do Boca e da seleção argentina na década de 1920. Ele ouviu ex-jogadores, jornalistas, parentes das vítimas e dirigentes do Boca Juniors (a cúpula do River Plate ignorou o projeto). O governo argentino, na época, não cobrou uma investigação mais rígida. Ainda hoje, não há um culpado oficial, mas consta que o portão teria sido fechado pela própria polícia, pois a torcida do Boca tinha cantado a marcha de exaltação a Juan Domingo Perón, rival do ditador da época, Juan Carlos Onganía. Ou seja, teria sido um crime do estado. Por isso, o episódio rendeu apenas uma sanção econômica ao River e dois funcionários demitidos. A AFA (Associação de Futebol da Argentina) também é acusada de oferecer dinheiro a dirigentes para que renunciassem a seus cargos.

Trailer do documentário

domingo, junho 22, 2008

Clóvis Messias é o novo colaborador do Futepoca

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Agora está confirmado: estréia nesta segunda-feira, dia 23, aqui em nosso blogue, a coluna "No butiquim da Política", com o histórico jornalista Clóvis Messias (foto). Dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo, Messias quer abordar, de forma didática (ou antes: no formato de papo de buteco), temas espinhosos mas cruciais como ética na política, falta de comprometimento dos políticos com os eleitores e partidos, má utilização do dinheiro público, democracia "sofismática", enfim, um monte de assuntos para dar pano pra manga aqui no Futepoca.

Conheci Clóvis Messias por meio do programa de rádio ABCD Maior no Ar, que apresento diariamente na região do ABC paulista. Modesto, quase nada fala de sua carreira - que é extensa. Fuçando no site de Milton Neves, descobri que esse paulistano da Vila Matilde começou na Rádio Nacional em 1957, e também na TV Paulista. Dois anos depois, estava na TV Continental, no Rio de Janeiro. Por ela, Messias cobriu a inauguração de Brasília e integrou a famosa equipe esportiva comandada pelo cronista Waldir Amaral, em link com a Rádio Panamericana de São Paulo (aquela das narrações de jogos do Brasil na Copa de 58, que estamos reproduzindo aqui no blogue).

Ainda no Rio, Messias trabalhou na Rádio Tupi e na Mayrink Veiga. De volta a São Paulo, em 1965, foi trabalhar na Piratininga. Pouco depois, chegou à Rádio Jovem Pan, onde ficou por quase dez anos. Em 1974, foi levado para a Rádio Bandeirantes. Na hoje Band-AM, Clóvis Messias integrou a equipe em que Fiori Giglioti era narrador. Em 1976, começou a cobrir política, tanto na Assembléia de São Paulo quanto no Congresso Nacional. Participou também da implantação da Central Brasileira de Notícias (CBN de São Paulo) e coordenou o jornalismo na Rádio Capital-AM.


Foto do site do Milton Neves: em 1969, no Pacaembu, jornalistas entrevistam o Rei Pelé. Clóvis Messias é o primeiro à esquerda, de costas.

quarta-feira, junho 18, 2008

Dimenstein diz que "sindicato quer motel em escola"

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Sim, caro leitor do Futepoca. Ao ler este texto, você pode dizer que apelamos para o sensacionalismo. Mas não fomos nós, o título da coluna de Gilberto Dimenstein na Folha OnLine é "Sindicato quer motel em escola."

Ele se refere à greve dos professores da rede pública de ensino, que teve como estopim o Decreto 53037/08, publicado no dia 28 de maio no Diário Oficial do Estado que limita a transferência dos profissionais entre as escolas e prevê aplicação de provas de avaliação de desempenho aos professores temporários. Diz Dimenstein que "o sindicato dos professores de São Paulo decidiu decretar uma greve para evitar que se implementem medidas destinadas a reduzir a rotatividade dos docentes nas escolas públicas --uma das pragas, entre tantas, que explicam a péssima qualidade de ensino. É um caso explícito de greve contra o pobre."

Curioso. Ele fala de "greve contra pobre" como se uma categoria que tem piso de R$ 668 fosse composta por "ricos". E segue: "é impossível oferecer aos mais pobres boa educação com tanta rotatividade de professores e diretores. Tal rotatividade destruiria rapidamente até mesmo as empresas mais eficientes. Há casos, neste ano, de escolas que tiveram até cinco diretores."

A rotatividade é um fato. Quais as causas? São
múltiplas, e o decreto do governador não mexe com nenhuma. Ao contrário, mexe para pior, afinal, é sempre mais fácil lidar com os efeitos.
Faltam condições de trabalho, segurança, material, as salas são superlotadas... E o problema é ainda pior nas periferias, como mostra matéria que fiz com Brunna Rosa na revista Fórum. O dia-a-dia do educador paulista é refletido em uma pesquisa realizada em 2006 e publicada em 2007 pelo Sindicato dos Professores da Rede Pública do Estado de São Paulo (Apeoesp), em que, dos 684 professores entrevistados, 96% citaram agressão verbal como a forma de violência mais comum nas escolas. Já 88,5% presenciaram atos de vandalismo; 82% viram atos de agressão física e 76,4% casos de furto.

Na prática, o que Dimenstein e o governo do estado querem é apelar para a "vocação" do professor, o chamado "sacerdócio", que obrigaria os profissionais a suportar toda sorte de péssimas condições para permanecer em sala de aula e arriscar mesmo a sua integridade em troca de uma remuneração pífia.

Além disso, como lembra o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, a aplicação de provas de avaliação a professores temporários, alguns nessa condição há mais de década por conta da escassez de concursos promovidos durante os últimos 15 anos, é simplesmente avalizar uma condição absolutamente irregular. São profissionais que estão em situação precária por conta da falta de vontade dos últimos governadores paulistas em efetivar professores.

Mas a comparação com motel, dada pela dita alta rotatividade dos profissionais de educação, além de ser expressão do mais puro mau gosto, é ofensiva. Mas tudo bem, pela ótica dele. Professor deve aturar ofensas, afinal, faz parte do "sacerdócio". Enquanto categorias como médicos reclamam, com razão, de falta de condições para trabalhar em hospitais da periferia de São Paulo, locais em que o governo só aparece em situações lamentáveis, os professores devem aguentar calados, sem pestanejar, e ainda serem acusados de querer transformar escolas em motéis. Depois a imprensa grande não quer ser chamada de preconceituosa...

Pé redondo na cozinha - E tudo acaba em pizza...

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MARCOS XINEF*

São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, 2007. Fui contratado por um restaurante típico - da velha rota do frango com polenta - para dar uma nova cara ao estabelecimento, com pratos internacionais e de alto padrão. Quando falamos nesse tipo de culinária, o forte são os pratos flambados, os molhos e frutos do mar flambados com vinho, conhaque e até pinga. Só que, pra variar, conforme foi se desenvolvendo o trabalho, as bebidas para cozinhar acabavam antes do prazo calculado.

Um dia, notei que o pizzaiolo não dava conta do movimento, mesmo com dois ajudantes. Conclusão: ele bebia mais que as minhas frigideiras. Só que, com o passar do tempo, a pizza dele só melhorava. Resolvi conviver com o problema. Hoje, ele continua entornando todas e fazendo a melhor pizza de São Bernardo. Mantenho ele no cargo por uma boa causa, em nome do bêbado que funciona bem. E até criei uma pizza em sua homenagem:

PIZZA DE CAMARÃO NA CACHAÇA AO CATUPIRY E MANJERICÃO

Compre a massa de pizza pronta no mercado. Em uma frigideira, coloque azeite, alho, tomate picado e manjericão. Refogue e acrescente 500 gramas de camarão sete barbas limpo. Cozinhe bem e flambe com 300 ml de cachaça. Cubra o disco da massa com o molho e coloque catupiry. Em forno pré-aquecido a 200 graus, asse por 20 minutos e sirva.


Importante: o pizzaiolo pode beber o quanto quiser no processo, desde que a pizza mantenha o padrão de qualidade. Até a próxima!



*Marcos Xinef é chef internacional de cozinha, gaúcho, torcedor fanático do Inter de Porto Alegre e socialista convicto. Regularmente, publica no Futepoca receitas que tenham bebidas alcóolicas entre seus ingredientes.

Boston campeão

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Não é futebol, nem política, nem cachaça, mas é esporte, e serve como base para uma série de reflexões.

Ontem o Boston Celtics venceu o Los Angeles Lakers por inapeláveis 131 a 92 no sexto jogo do playoff decisivo da NBA. Sagrou-se então campeão do basquete norte-americano, título que não celebrava há 22 anos. É a 17ª conquista do Celtics na NBA - o time se isola ainda mais como o principal vencedor da história da liga.

A vitória de ontem foi a com a maior margem da história da NBA em jogos que valeram o título. Antes, na quarta partida da série, o Celtics conseguiu virar o jogo após estar perdendo por 24 pontos de diferença - também um recorde histórico, sendo a maior virada já registrada num playoff decisivo. E o título do Celtics também se destaca por ser a primeira vez, desde 1977, que um time sagra-se campeão sem nem ter chegado aos playoffs na temporada anterior.

Estranharam tantos números? Pois é. E esses foram só os que eu consegui guardar de cabeça. É impressionante a quantidade de estatísticas que existe em partidas como essa. Não sei se isso é um costume do basquete ou um hábito dos americanos - acredito mais nesta última hipótese. É uma realidade bem diferente do que ocorre no futebol brasileiro.

Outro aspecto interessante, este do ponto de vista cultural, é a maneira como o Celtics celebrou o título. O time não foi agraciado como "campeão dos EUA", "campeão nacional" ou coisa parecida; é "campeão do mundo" mesmo. Mostrou-se muitas vezes durante a transmissão as faixas comemorativas aos outros títulos do Celtics e nelas estava escrito "World Champions". No beisebol também isso se dá - as disputas decisivas são chamadas de "World Series", mesmo não tendo rigorosamente nenhum clube de fora das terras do Tio Sam envolvido. Assustador.


Também um ponto para reflexão, e nesse uso bem a postura de observador, por isso peço a opinião dos leitores para ver se estou certo ou errado: é impressão minha ou a NBA de hoje é bem mais fraca, em termos midiáticos, do que era antes? Eu "torço" para o Celtics, assim como a maioria dos garotos da minha geração escolheu um time da NBA para torcer quando criança. Me parece que hoje isso já não mais acontece. Não vejo os pequenos discutindo sobre Bulls, Lakers e Celtics, e sim sobre os Chelseas e Barcelonas da vida.

Enfim, parabéns ao Celtics. Como falei acima, sou "torcedor" do time - mas um torcedor bem de ocasião, daqueles dos mais fajutos, que não acompanha nada durante a temporada mas quer ter o prazer de celebrar um título na boa fase. E, pelo jeito, foi a única chance minha de gritar "é campeão" esse ano...