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segunda-feira, dezembro 05, 2011

Corinthians Pentacampeão Brasileiro: mais um título do Magrão

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Às 17h deste domingo, 4 de dezembro de 2011, o Corinthians entrava em campo no Pacaembu para disputar o título de Campeão Brasileiro. A uns 300 quilômetros dali, em Ribeirão Preto, o Doutor Sócrates recebia as últimas homenagens de uma vida intensa, mas interrompida prematuramente. No minuto de silêncio, em São Paulo, uma das várias cenas que ficarão marcadas de mais esta “final” (foram tantas...): os jogadores do Timão, perfilados em torno do círculo central, levantaram o braço direito relembrando a comemoração clássica do Magrão.

A Fiel Torcida, maior patrimônio futebolístico do Brasil, acompanhou o gesto. Ali, estava selado o destino do campeonato. Os jogadores não se permitiriam deixar Sócrates partir sem essa homenagem. A torcida não os deixaria parar. Nada podia ser feito por Palmeiras ou Vasco.

Mas bem que eles tentaram. Nervoso, o Corinthians recuou demais, sofreu pressão e deu várias chances à principal arma do adversário. Se você vai jogar contra o Santos, coloca alguém pra marcar o Neymar. Se é contra o Flamengo, tenta anular Ronaldinho Gaúcho. Contra o Palmeiras, busca desesperadamente não dar faltas próximas da área para a batida mortífera de Marcos Assunção. Foram dez no primeiro tempo, quatro no segundo. Sem inspiração, rendeu apenas uma bola na trave em cabeçada de Fernandão, afastada pelo espírito do Doutor – e pelo fato, não menos místico, de que o grosso centroavante já havia feito no primeiro turno seu gol contra o Corinthians. Fosse um tosco estreante, ela teria entrado.

A primeira etapa foi toda alviverde. Na segunda, o Timão adiantou um pouco suas linhas e conseguiu umas chances. Jorge Henrique cavou a expulsão de Valdívia, compensada pouco depois pelo árbitro ao mandar Wallace para o chuveiro, confirmando o equívoco de Tite ao lançar o zagueiro no lugar do suspenso Ralph. Mas o treinador confiou em seu taco: sacou William para a entrada de Chicão, também de volante.

A partir de uns 30 minutos, o Corinthians, e eu também, só queria que o jogo acabasse. Nesse espírito, novamente Jorge Henrique recebeu uma bola na ponta esquerda e, entre outras fintas, mandou o famigerado “chute no vácuo” de Valdívia. Recebeu uma falta dura e começou uma confusão que acabou efetivamente com o clássico, causando a expulsão de João Vitor e Leandro Castán, que foi tonto de se meter na bagunça. Ficou barato para Luan, que na cara do bandeira deu um acintoso chute na bunda de Jorge – como já havia saído de graça para o zagueiro palestrino Henrique um pé na cara de Liedson com um minuto de jogo. Impossível não lembrar de Edílson na final do Paulistão de 1999.

Faltando dois minutos para o fim, a notícia fez a Fiel explodir. Vasco e Flamengo empataram no Rio, acabando com as chances vascaínas. O Corinthians sagrava-se Campeão Brasileiro de 2011, o quinto título do Time do Povo. A cidade de São Paulo, o estado, o país entravam em festa. E o Doutor Sócrates mereceu justa homenagem.

8 comentários:

Camilo disse...

Foi o minuto de silêncio mais sensacional que eu já vi. Infelizmente não pude ir ao jogo, mas fiquei em pá no meio da sala com o braço direito levantado e o punho cerrado (e os olhos marejados). Sensacional! Descanse em paz, Doutor, e muito obrigado.

No mais, é nois que tá, mano!

PS: Deu certo a promessa! Amanhã eu volto a falar do Tite - rsrsrs.

Camilo disse...

...fiquei em pé...

Nicolau disse...

Valeu a promessa, Camilo! Antes de começar a falar do Adenor, considere se não é forçar demais deixa-lo de lado até o fim da Libertadores, hehe! É nóis, mano!

Leandro disse...

Ano conturbado, time desacreditado, formado pelos chamados "operários" da bola, técnico contestado, muito sofrimento, muito disse-me-disse nas esferas políticas do clube e a "Fiel Torcida, maior patrimônio futebolístico do Brasil", quiçá do mundo, levando o time nas costas, mais uma vez.
Nada de muito original nesta nova conquista. Outra com roteiro tipicamente corintiano.
E sabedores de que Sócrates não só merece, mas tem tudo a ver com este triunfo, resta dedicá-lo a ele em forma de sincero agradecimento.
Em várias entrevistas Sócrates afirmou que o Corinthians mudou sua vida de modo definitivo e irrefreável.
E este gigante de cento e poucos anos não seria o que é hoje se não tivesse tido a fortuna de ter um gigante como Sócrates fazendo parte de sua história de modo tão definitivo quanto.

Guilherme Scalzilli disse...

Todos já sabiam

A crônica foge de uma reflexão adulta sobre o péssimo nível técnico do Campeonato Brasileiro, especialmente dos times paulistas. Essa “emoção” que muitos comemoram tenta redimir a modorrenta fórmula de pontos corridos emprestando-lhe o apelo das decisões, estranhas à sua natureza previsível e manipulada.

Novamente os times que receberam mais dinheiro conquistaram as melhores posições. Novamente os menos favorecidos terminaram nos últimos lugares. O falso dinamismo insinuado pelas irrisórias exceções não perturba essa tendência geral, que se repete a cada temporada. Não temos a polaridade exclusivista do campeonato espanhol, por exemplo, mas, para as nossas dimensões, um rodízio entre seis ou sete concorrentes eternos possui o mesmo significado.

Falar em “justiça” e “regularidade” é absurdo. O sistema de pontos corridos só vigora no país porque a distribuição desigual de verbas garante o sucesso dos clubes mais influentes. Assim também as arbitragens marotas soam triviais e superáveis, embora tenham grande peso no resultado final. As únicas chances de um clube menos poderoso contrariar esse arranjo são destruídas pelo próprio regulamento.

O empate que selou o título do limitado time corintiano é uma síntese perfeita da maior competição do futebol nacional.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

Maurício Ayer disse...

o doutor estará comigo, sempre. devia ser canonizado: são sócrates.

Nicolau disse...

Guilherme, a crônica não pretendia mesmo fazer discussão nenhuma, adulta ou dente-de-leite. Podemos discutir o sistema de jogo, a qualidade dos times, e o diabo a quatro, mas não no dia seguinte ao título. Nesse texto, eu queria emoção. Pode ser?

Sobre os pontos levantados:
- Sobre a qualidade dos times, discordo. Acho que temos jogadores de nível superior ao de campeonatos recentes, repatriados e revelações. Acho que o que falta é ques~tao de acertos no calendário, permitindo aos clubes se organizarem melhor e entrosarem mais os times. Mas isso é absolutamente discutível, é claro.

- Sobre a fórmula e a elitização que ela permite, pergunto: quantos campeões sem grana houve na história do campeonato antes dos pontos corridos - que só tem 9 anos, lembremos? A fórumula é tão boa quanto qualquer outra. A elitização não decorre dela, mas da concentração da grana. A manutençaõ da fórmula, seja ela qual for, é que é positiva, para dar previsibilidade e lógica ao torneio.

Tentei fazer uma discussão "mais adulta", mas sabe como é, eu sou assim mesmo, juvenil e jovial. Saudações alvinegras.

Camilo disse...

Corinthians É emoção.

Nicolau, de repente é uma boa ideia sua sugestão. Eu sei que pelo menos durante a competição não falarei do homem.

Em tempo, saca a ironia: o título veio com um... empaTITE!