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Domingo, Maio 13, 2012

Santos tricampeão - quando a História vem ao nosso encontro

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Por que um título como o de hoje, um Estadual que muitos dizem desprezar (embora seja fato que, se seus times ganhassem, a história seria outra), consegue me emocionar? Não foram dois jogos parelhos na final, o Santos mostrou sua superioridade técnica diante de um Guarani valente, brioso, mas inferior. Mas não são só as duas partidas que contam o que foi esse título. Trata-se de história, história... O Santos se tornou hoje tricampeão (três vezes campeão de forma consecutiva) do campeonato estadual mais disputado do país. Um feito que, da última vez que foi conseguido, os donos da bola eram Pelé, Edu, Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Lima, Rildo, Toninho Guerreiro, Ramos Delgado... De lá pra cá, nenhum rival conseguiu tal feito.

Quando o tri vem, e remete àquele esquadrão sessentista, lembro de Eduardo Galeano, que disse, em uma entrevista concedida a mim e ao amigo Nicolau: “Mas a história é uma senhora que caminha devagar. É preciso ter paciência. O resultado dessa articulação de vozes não aparece em um ou nem mesmo em dez anos.” Essa tal de História, que caminha às vezes em passos muito mais curtos do que desejamos, pesava e chegava a assombrar quando eu era adolescente e vivia um jejum de títulos. Mas ela andou, lentamente, deu as caras com aquele Giovanni mágico de 1995, saiu um pouco mais da penumbra quando saímos da fila com Diego e Robinho em 2002, e chegou a seu apogeu com esse espetacular Neymar, que comanda um elenco valoroso que tem em Ganso outra estrela que brilha de forma irregular, mas que faz sonhar quando traz luz aos gramados.



Esse elenco que não tem medo de cara feia e nem de nenhum tabu. Não houve para o Santos a tal “maldição do centenário”, que se fez presente nos clubes que completaram a marca nos últimos vinte anos. O título está aí, e com Neymar como goleador máximo do campeonato paulista, com 20 gols, em um total de 108 com o manto santista, o que lhe garante a 16ª colocação entre os maiores artilheiros da história alvinegra. Também garantiu ao Peixe a marca de ter o maior número de artilheiros no Estadual. Em 23 vezes o Santos teve o goleador do Paulista.

Foram 58 gols em 23 partidas no campeonato paulista de 2012, média de 2,52 por peleja, fazendo jus à equipe profissional que mais fez gols no mundo. Mas dados e números dizem pouco quando se vê futebol bem jogado como aquele desenhado no primeiro gol peixeiro, em que Neymar serviu Elano que, de primeira, tocou para Allan Kardec fazer. Ou o retratado no tento de Neymar, que veio da direita do ataque para servir Juan, que deu um lindo drible da vaca no rival e serviu, em meio a seis defensores bugrinos, quem lhe deu o passe.

A bela história do Santos de ontem veio ao encontro do Santos de hoje. Que bom que eu pude esperar. Que bom que posso testemunhar.

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Os testes de Tite

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Ele tem o controle do time, mas...
O Corinthians não teve qualquer dificuldade em vencer o Emelec no Pacaembu, assim como não tinha tido para empatar sem gols no jogo de ida. Desarmada a jogada aérea e a conclusão de Figueroa, o time equatoriano mostra-se bem menos capaz de ameaçar o gol adversário do que se poderia supor. 3 x 0 é um placar confortável, e o Corinthians ainda chegou muito mais, meteu bola na trave e poderia ter ampliado.

A briga fica realmente feia a partir de agora. Não dá pra brincar com o Vasco de Juninho Pernambucano, e se passarmos deles provavelmente cruzaremos com o Santos do iluminado Neymar, que já engatou uma terceira e acelera na pista da genialidade. Todos times entrosados e sedentos do título. E passando isso tudo virá uma final, talvez até com o Flu, o que significaria uma Libertadores doméstica a partir de agora. 

Time em campo, o que mais marcou, acho eu, foi a segunda metade do primeiro tempo: com um perigoso 1 a 0, o Corinthians recuou e deixou o Emelec jogar, sem contudo deixá-lo construir qualquer ameaça mais contundente. Ao contrário, Tite recuou até Willian, que supostamente faria a vez de centro-avante, e chegou até mesmo a abrir mão do contra-ataque! Era como se em três minutos mais acabaria o campeonato e tínhamos que segurar o resultado a qualquer custo, sem nem mesmo pensar em fazer mais um gol.

Fica parecendo que Tite quer exercitar a disciplina dos seus soldados, propondo uma ordem absurda como maneira de assegurar que lhe obedecerão em qualquer situação: estamos dominando o jogo mas a ordem é não atacar, ninguém mais ataca. O técnico tem o time na mão e, verdade seja dita, não é fácil fazer gol no Corinthians. Mas bem que ele podia querer mais gols... seria melhor pra todos. Sempre pode aparecer outra macaca no caminho, com um contra-ataque surpreendente e muita sorte, e num lapso de tempo que não permita reação colocar tudo a perder. 

Vamos meu Timão, não para de lutar!

(Abstenho-me de explicar o atraso em publicar este post, pois senão teria de mencionar todos os posts não escritos, tudo o que diz respeito ao Corinthians e que vem passando em branco no Futepoca. É a vida. O único jeito de voltar escrever é não me sentir em dívida!)

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Quinta-feira, Maio 10, 2012

Teve volta! Santos 8 X 0 Bolívar

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“Vai ter volta”. Era assim, com raiva, que Neymar falava aos repórteres depois da derrota do Santos para o Bolívar em que ele recebeu banana, mexerica, pedra e demais objetos, além de ter sido caçado em campo. O que os bolivianos não previam é que o regresso pudesse ser tão, mas tão amargo.

Começou aos 4 minutos, com uma finalização com efeito de Elano, que pegou o arqueiro Arguello, que tem pinta de cantor de tango, no contrapé. O Bolívar tinha vindo à Vila Belmiro com esperanças. Afinal, era o primeiro clube boliviano a chegar na fase de mata-mata da Libertadores, tendo vencido uma peleja na fase de classificação fora de La Paz. E chegava com a vantagem conquistada na partida de ida. Seu treinador, Ángel Guillermo Royos, comandou o Barcelona B e se diz “descobridor” de Messi. Mas o Bolívar sentiu o golpe. Aos 8 e aos 9, teve dois amarelos contra si e o descontrole já era evidente.

Como numa luta de boxe, em que um mina a confiança do rival com golpes, mas também psicologicamente, o Peixe já havia deixado o Bolívar mais qeu abatido. E os adversários ficaram ainda mais com o pênalti cometido pelo argentino Arguello, que empurrou Edu Dracena na área. Aos 22, Neymar não perdoou e se tornou o maior artilheiro da Era pós-Pelé, de forma isolada, com um gol a mais que Serginho Chulapa e João Paulo.

O golpe fatal viria aos 27. Neymar dá um passe de trivela, simplesmente genial, e Ganso se ajeita na área para marcar de letra. Antológico. Ali, se fosse de fato uma luta de boxe, o árbitro teria dado nocaute técnico e parado a luta. Mas no futebol isso não é possível. Virou um massacre.

Majestade
Elano, Ganso e Neymar marcariam mais uma vez cada um; Alan Kardec faria o seu e Borges, que entrou em seu lugar, também anotou. Um 8 a 0 que é a maior goleada da Libertadores de 2012. Sem lances duvidosos a favor do Alvinegro, com ambos os times com onze jogadores até o final. Inconteste. Ficou barato, diante das circunstâncias, para os visitantes.

E Ángel Arroyo, que disse, brincando, não conhecer Neymar, hoje o 16º maior artilheiro da história alvinegra, talvez tenha visto que a provocação (em todos os níveis) do jogo de ida não tenha sido uma ideia brilhante. Em um só jogo, tomou a mesma quantidade de gols que sofreu nas outras sete partidas da Libertadores.

E a história segue sendo escrita.

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Segunda-feira, Maio 07, 2012

Paulista 2012: Santos perto do tri

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Pregam os doutos da bola que, em um confronto entre um time grande e outro médio ou pequeno, o primeiro tem que se afirmar logo de cara na peleja. E foi o que Peixe tentou fazer logo a dois minutos na primeira partida da final do Paulista, com Neymar. Ele passou por seis rivais e foi derrubado perto da área. Elano cobrou a falta no travessão.

O lance mostrou o que todos já sabem, a habilidade e a técnica do camisa 11 alvinegro, mas também dava mostras das dificuldades que o Santos enfrentaria principalmente no primeiro tempo. A jogada só surgiu porque Neymar foi buscar uma bola na meia, quando seus companheiros de equipe encontravam dificuldade na saída de bola em função da marcação bugrina no campo santista. Após o susto inicial, o Guarani manteve a postura e conseguiu segurar por boa parte do tempo o ímpeto alvinegro, algo não tão surpreendente já que se trata de um time bem montado e armado por Vadão.

Mas, quando uma equipe é superior tecnicamente à outra, muitos esperam sempre um atropelo. Talvez tenha sido o caso dos comentaristas da Globo, que disseram que o Guarani “dominou territorialmente” o adversário na etapa incial. O repórter da emissora, no intervalo, perguntou a um atleta campineiro se ele estava frustrado com o resultado de 1 a 0 para o Santos por conta da “posse de bola” bugrina. Bom, achava que tinha visto outra partida ou que a emoção de torcedor havia turvado minha visão. Então, recorri a eles, os números.

Vi que não era minha emoção. O Santos, segundo dados do IG, trocou 174 passes certos, enquanto os rivais chegaram a 67. Bela diferença, que também se refletiu na posse de bola, quesito barcelonístico: 63,36% contra 36,64% do Bugre. Mas, muitas vezes, a posse não reflete a peleja, já que chances de gol podem surgir para quem retém menos a redonda. Não foi o caso. O Guarani, na primeira etapa, não finalizou corretamente uma vez sequer ao gol de Aranha. As três tentativas foram para fora. Ou seja, o Santos, se não atropelou, chegou mais à meta adversária e teve mais a bola. Por isso, e pelo talento de seus atletas, chegou à vantagem de 1 a 0, gol de Ganso – que havia aparecido pouco até então –, após lance de Neymar na ponta e Arouca na área.


 
Na segunda etapa, qualquer esperança alviverde se esvaiu. O Guarani finalizou uma bola na trave logo no começo, mas, mesmo atacando pelo lado direito da defesa santista, onde estava o improvisado Henrique, continuou com dificuldades para concluir em gol. Já o Santos voltou mais atento e objetivo nas trocas de passes do meio de campo, com Ganso participando mais, tanto na transição para o ataque quanto na proximidade da área. Foi em um lance de Juan para ele, parcialmente interrompido pelo arqueiro bugrino Emerson, que Neymar aproveitou para fazer o gol que o isolava mais na artilharia do torneio. E que também lhe garantia o lugar de 20º maior artilheiro da história do Peixe, com 103 gols, empatado com Ary Patusca.

A partir daí, o time da Vila controlou o jogo, impondo seu ritmo e poupando seus atletas para o duelo com o Bolívar na quinta, na Libertadores. Mas Neymar ainda faria seu 104º tento, empatando com João Paulo e Serginho Chulapa como maior artilheiro da equipe pós Era Pelé. Ficou a impressão de que o Santos poderia até ter ido além na vantagem adquirida, deixando patente a supremacia sobre o adversário. Mas não deixa de ser uma grande vantagem, ainda mais dada a diferença técnica entre as duas equipes.

Difícil imaginar outro resultado que não o Peixe tricampeão no próximo domingo, mas futebol é futebol, então, melhor aguardar...Mas o feito conseguido pelo time de Pelé em 1969 ao obter o tricampeonato, e que nenhum outro clube conseguiu desde então, está bem próximo de ser igualado.

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Domingo, Abril 29, 2012

Peixe na final do Paulista. E Neymar na História

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Ontem, na partida entre Mogi Mirim e Oeste, válida pelo Torneio do Interior, Hernane marcou dois gols e se isolou na artilharia do Paulista. Pensei: será que isso vai mexer com os brios de Neymar? Depois de receber pedras, laranja e banana em La Paz, o garoto ainda tinha a partida contra o Tricolor na primeira fase como fator de motivação. E não se fez de rogado.

A um minuto, pênalti para o Santos, sofrido por Alan Kardec, que entrou como titular no lugar de Borges. Neymar bateu sem dar sopa para o azar e para o arqueiro Dênis, fazendo seu centésimo com o manto santista. Tendo que correr atrás do placar, o Tricolor, que jogava em casa e com a torcida, foi pra cima e deu espaço para que Neymar, em um contra-ataque, passasse com facilidade por Paulo Miranda e marcasse seu 101º gol com a camisa alvinegra, empatando com Juary na lista dos maiores artilheiros peixeiros da Era Pós-Pelé. Como homenagem, imitou o menino da Vila de 1978 correndo em volta da bandeira de escanteio. Mostrou que conhece a história santista, já que muitos torcedores hoje nem sabem quem foi Juary.

Neymar: precisa de legenda?
Mas não seriam só os dois gols de Neymar que marcariam a memória do torcedor. Piris, o paraguaio que veio do Cerro Porteño para o São Paulo, autointitulado o “maior marcador das Américas” justamente por conta de uma atuação contra o Joia santista na Libertadores (curiosamente, o Santos venceu três das quatro partidas contra o adversário na competição), sofreu. Foi chamado para dançar cinco vezes por Neymar em uma sequência de lances, que terminou com o santista sendo suspendido pelo rival. Piris recebeu o amarelo, mas não seria absurdo ter sido expulso.

Na segunda etapa, o São Paulo continuou em cima, mas, mesmo tendo mais posse de bola, um certo dado mostra que não foi uma pressão daquelas... Foram nove finalizações certas (ou seja, ao gol), contra sete do Santos. E o gol tricolor só saiu em um lance irregular, com Willian José em impedimento. Lance não tão difícil de marcar, mas que a arbitragem não anotou.

O Santos sentiu um pouco o gol, e bastante o cansaço, mas soube se defender. Arouca ficou mais em cima de Lucas no segundo tempo, marcação que funcionou quase todo o tempo. Fernandinho forçou em cima de Maranhão, um dos três reservas que atuaram na defesa peixeira durante os 35 minutos finais, mas não foi efetivo. E, bom, havia Neymar. E Dênis.

O garoto recebeu de Léo, chutou forte, e o goleiro tricolor falhou. O moleque ainda sofreria falta que resultaria na expulsão de Cícero. Protagonista, como na maioria das pelejas que disputa, ele está a dois gols de João Paulo e Serginho Chulapa para chegar ao primeiro posto de maior artilheiro pós-Era Pelé.


Tabu

A vitória do Santos contra o São Paulo foi a terceira semifinal de Paulista que o clube derrotou o adversário. E o quinto confronto eliminatório em que o Alvinegro passou pelo Tricolor no século XXI. Em todos os cruzamentos decisivos de 2001 até hoje, os santistas levaram a melhor. A lista dos encontros está aqui.

Agora, existe outra escrita recente para manter. Desde 2008, todo clube que supera o São Paulo na semifinal do Paulista se torna campeão. Palmeiras, em 2008; Corinthians, em 2009, e Santos em 2010 e 2011. Agora, o adversário é o Guarani, que bateu a Ponte Preta por 3 a 1. Os campineiros, que já enfrentaram o Palmeiras em uma final de Brasileiro em 1978, sagrando-se campeões; pegaram o São Paulo em 1986 e foram derrotados pelo Corinthians na final do campeonato paulista de 1988, enfrentam pela primeira vez em uma final o Peixe.

E é bom que Muricy lembre a seus atletas como foi difícil a final de 2010 contra um time não considerado “grande”, o Santo André. Que esse alerta ajude o Alvinegro a trazer o tricampeonato paulista, que nenhum time consegue desde 1969, quando o próprio time da Vila conseguiu três títulos seguidos.

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Quinta-feira, Abril 26, 2012

Na altitude, uma derrota santista não tão doída

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O histórico recente doSantos contra times bolivianos já avisava. A partida contra o Bolívar não ia ser fácil. Mas os bolivianos não se classificaram com dez pontos (dois a mais que o Internacional), vencendo só na altitude de La Paz. Perderam uma lá em cima e ganharam fora de casa. O time é melhor que o The Strongest, que também bateu o Alvinegro em seus domínios na primeira fase, mas na partida de ida das oitavas mostrou a mesma característica de toda equipe que atua no alto: imprimir um ritmo de jogo forte e finalizando muito de fora da área, aproveitando a velocidade da bola no ar rarefeito.

Contudo, os bolivianos só chegaram ao gol em dois lances de bola parada. Na primeira etapa, a um minuto, em cobrança de falta de Campos, que bateu na trave e nas costas de Rafael. E no segundo tempo, aos 28, de novo com Campos, em nova cobrança, bem feita, e que contou com uma relativa lentidão do arqueiro alvinegro. A primeira falta, aliás, pra lá de desnecessária, com um afoito Adriano que ainda não recuperou a forma de 2011, quando foi “moldado” pelo treinador santista e melhorou seu futebol bem precário.

Jogo de "pega Neymar"
O gol peixeiro, de empate, saiu aos 28 do tempo inicial. Elano cobrou falta sofrida por Neymar e o goleiro argentino Arguello defendeu, a bola tocou a trave e retornou para Maranhão concluir. O lateral, que foi inscrito na Libertadores no lugar de Pará e só jogou porque Fucile e o antes improvisado Henrique estão contundidos, marcou seu segundo tento na segunda peleja seguida.

Gol importante, ainda mais por ter sido feito fora de casa. Ao Peixe, basta a vitória por 1 a 0, mas foi possível perceber a diferença técnica entre os dois. O Bolívar pode até ser perigoso, mas um Santos comprometido não pode temer os bolivianos. O destaque negativo do jogo foi a atuação de Ganso. Irreconhecível, pareceu sentir mais a altitude. Chegou atrasado e com receio em divididas e errou inúmeros passes, dos mais simples àqueles que poderiam ter sido fundamentais para o triunfo da equipe. Neymar apareceu mais, sofreu oito das 17 faltas recebidas pela equipe, com a anuência do árbitro (ah, se fosse na Liga dos Campeões...). Atingido também por objetos arremessados por torcedores, saiu irritado, o que pode não ser bom para os rivais...



Aliás, pro torcedor alvinegro, que já viu seu estádio ser interditado por sandálias Havaianas arremessadas no gramado (alguns pela torcida adversária, diga-se), é duro ver algo que virou rotina em competições do continente e que não geram qualquer punição para os mandantes. Que o santista se inspire no seu ídolo para responder no grito e não com as mãos.

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Terça-feira, Abril 24, 2012

Sobre peladas de praia, Chelsea e Barcelona

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Das peladas que disputei na praia do Itararé, lá pelos meus 20 anos, guardo uma em especial na memória. Éramos seis regulares (em frequência e técnica) boleiros naquele dia, quando outros seis vieram nos desafiar para o famoso “contra”, uma partida de gols caixotes, com “traves” feitas de madeira fincada na areia.

Não foi preciso mais de cinco minutos pra saber que tomaríamos um baile. Conversando ali com um ou outro adversário – oportunidade que surgia quando conseguíamos bicar a bola pra longe e respirar um pouco –, fiquei sabendo que eles jogavam em um dos times do quartel de São Vicente. Tinham mais fôlego, mais técnica e muito mais entrosamento que a gente. A areia batida da beira do mar ainda facilitava o toque de bola dos caras. Não víamos a cor da bola. Mesmo.

Juntamos ali, nós, os que não relavam na redonda, e mesmo não acostumados a jogar juntos tentamos armar a retranca, única forma possível de não passar um vexame grandioso. Seguramos um zero a zero que aos poucos começou a desgastar nossos rivais, que continuavam trocando passes e vindo pra cima, mas já começavam a se irritar uns com os outros. E nós ali, convictos na nossa fortaleza mambembe.

Nem sempre se pode ser Deus. Ou Pelé. Ou Messi
Em dado momento, vendo que o tempo avançava e nada de o gol sair, algum deles propôs: quem fizer, acaba. Acho que ele pensou que a gente se arriscaria e iria pra frente. Não, não saímos. Era questão de honra aguentar até cansar, ou cansá-los. Mas, depois de algum tempo, o homem mais recuado deles resolveu ir mais à frente, descuidando da frente do gol caixote. A bola sobrou na minha frente e acertei um chute da intermediária, que entrou caprichosamente entre as duas traves... Comemoramos muito enquanto os caras não acreditavam naquilo. Depois do jogo, ainda dava para vê-los discutindo ao longe.

Foi a “vitória do futebol arte”? Claro que não, mas ai de quem dissesse ali que não foi “merecido”. A gente ralou, viu nossa condição de inferioridade, armou um esquema e tentou ganhar o jogo mesmo assim. A retranca foi uma "legítima defesa". Não vi com detalhes a partida entre Barcelona e Chelsea, mas um time que joga contra o melhor do mundo, sai perdendo por 2 a 0, fica quase dois terços dos 90 minutos com um a menos, e que não contou com a ajuda da arbitragem, tem méritos de sobra pra bater no peito e se sentir orgulhoso.

Quem diz que foi uma “derrota do futebol”, na boa, não sabe o que é futebol. Uma das graças desse esporte é justamente o fato de, em um dia ruim, o melhor time poder perder para o pior. Claro, não vai ser engraçado se for o seu time o derrotado, mas se o seu time for o Barcelona... Bom, pelas redes sociais, parece que os catalães têm uma das maiores torcidas do Brasil já que, se você não torce para que eles superem qualquer adversário que ousar tentar batê-los, automaticamente você:

  • não gosta de futebol;
  • é invejoso;
  • está com dor de cotovelo;
  • as três anteriores e mais outras tantas

Pura arte o golaço do Ramires, hein?
Pensamento único é um saco mesmo... E se eu, mesmo reconhecendo que o Barcelona é um dos times mais competitivos da história, não for tão fã do futebol deles? Pode ser? E se eu achar que a troca quase infindável de passes às vezes é necessária, em outras pode ser interessante, mas muitas vezes faz o jogo ficar chato pra burro? E se eu gostar mais da imprevisibilidade, do toque de gênio que às vezes decide uma partida truncada, do que de um time todo certinho, bonitinho, que é competitivo até dizer chega (friso o termo “competitivo”, porque ter posse de bola e não deixar o rival jogar é sim uma arte, mas não significa que isso seja um deleite para os olhos)? Aliás, essa imprevisibilidade dá as caras quando um Messi pega na bola, sabe-se que dali pode sair algo espantoso, mas no resto do tempo... Não vou esperar algo surpreendente do Puyol ou do Mascherano.

Torcer para o time mais competitivo perder é mais que humano e é uma modalidade exercida por cada um de quando em quando, desde pequeno. Menos patrulha e mais liberdade para os secadores, por favor!

PS: Sou a favor  –  e admirador  –  do futebol arte, ainda que a retranca às vezes seja necessária, como qualquer um bem sabe.  Mas sou fã de outros artistas...

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Domingo, Abril 22, 2012

Santos treina com o Mogi. Ponte surpreende o Corinthians e Palmeiras cai diante do Guarani.

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Diante de um Mogi Mirim que veio para jogar no contra-ataque (fórmula quase nada usada por equipes do Brasil), o modificado Peixe começou sufocando o adversário com a dita marcação pressão no campo rival. Sem Fucile e Henrique, e com Elano e Borges poupados, Maranhão foi o autor do primeiro tento santista aos 22 minutos, depois de um lançamento de Neymar do jeito que Ganso faria.

A vantagem poderia ser maior na primeira etapa, mas o Peixe desperdiçou a (s) chance (s). O Mogi, que quase nada ameaçou, mudou de postura no segundo tempo. Veio marcando mais no campo alvinegro, e o Peixe também veio algo desligado, dada a facilidade que encontrava até então. Mas tinha Neymar em campo. E o garoto estava sendo provocado por Edson Ratinho, que o marcava durante a maior parte da peleja. O jogador poderia até ter sido expulso ainda no primeiro tempo, mas não foi. Tomou dribles de Neymar, fez faltas, permaneceu no gramado. E irritou o atacante peixeiro que, como mostra seu histórico, não se intimidade com tais atitudes.

E a partida, modorrenta, ganhou vida com as quase brigas e veio o segundo gol santista. Neymar pegou a bola pela direita do ataque, avançou em velocidade, na diagonal, e aqui é necessário fazer uma consideração. Há jogadores que ganham a jogada sendo rápidos e fazem grandes gols ao passar por adversários; outros que aliam velocidade e habilidade e também propiciam grandes momentos ao marcarem golaços. Mas tem aqueles que aliam rapidez com habilidade e uma absoluta imprevisibilidade, e é o caso de Neymar. Quem observar o gol, com cuidado, vai ver que ele consegue reduzir a velocidade no lance duas vezes e, como é ambidestro, o marcador não só não sabe pra que lado ele vai como não prevê com qual perna vai tocar a bola e com qual delas vai chutar.

Assim, surge mais um golaço na coleção do atacante, o 99º dele com a camisa do Santos, a apenas dois de Juary, o terceiro no rol de artilheiros peixeiros pós Era Pelé. Também empata com Hernane, do Mogi Mirim, como artilheiro do campeonato paulista. Para uma peleja com jeito de treino, Neymar deu o tom e salvou a tarde do torcedor e daquele que curte bola bem jogada.


Agora, o Peixe pega o São Paulo pelas semifinais do Paulista, depois de ir até La Paz, a 3.600 metros de altitude, porque a Rede Globo quis adiantar o jogo do Santos, e não do Corinthians, na Libertadores. O que dará, no fim das contas, uma semana e meia de treino/descanso para a equipe da capital e uma maratona de decisões para o Peixe. É a televisão colaborando para o esporte. 

Soberba corintiana 

Não, não vi o jogo do Corinthians, como o relato acima deixa claro. Mas com o intertítulo não me refiro à torcida ou à atitude dos atletas, e sim ao presidente do clube, Mario Gobbi. Antes da rodada, em entrevista à Rádio Bandeirantes, o cartola se descontrolou com uma pergunta que nem era ofensiva, mas mencionava a palavra “Libertadores”. Daí veio um festival de sandices: “"O Corinthians é um dos maiores clubes do mundo. Do mundo. A Libertadores é só um campeonato, mais nada. Quem nasceu para ser Libertadores não chega a ser Corinthians. Não vivemos de Libertadores. Somos muito maiores que a Libertadores. É só um campeonato". E concluiu, de forma imperial: "Nesse 102 anos, o Corinthians nunca se dedicou à Libertadores".

Comparar o tamanho de clubes com o de campeonatos já é um exercício bizarro e com muito pouco sentido. Óbvio que o Timão é grande, independentemente da Libertadores, assim como é o Fluminense, por exemplo. Mas fazer o jogo de menosprezar a competição sul-americana - que o Corinthians tem muitas chances de conquistar em 2012 – beira o ridículo. Qualquer torcedor tem o direito de dizer que não está nem aí pro torneio, faz parte da “defesa argumentativa de boteco”. Mas quando Gobbi fala isso, parece dizer que seu antecessor/padrinho mentiu ou fez um trabalho muito porco à frente do clube, pelo menos no que diz respeito à Libertadores. Quer dizer que Andres Sanchez e todos os torcedores que se dedicaram a ralar e ir aos estádios para incentivar o Corinthians foram logrados por uma diretoria que “nunca se dedicou à Libertadores”? Depois reclamam porque não se leva o futebol a sério...

Mas, falando da peleja em si, é claro que Júlio César pecou. Assim como no Brasileiro de 2010, contra o Goiás; na final do Paulista de 2011, contra o Santos, e em outras ocasiões em que o erro foi menos grave. É sempre bonito dividir o ônus com os companheiros de time, mas dado o histórico e levando em consideração a música de Jorge Benjor aí abaixo... Sendo eu, procuraria outro arqueiro.



Palmeiras, ah, o Palmeiras...

E o Palmeiras? Foi derrotado por 3 a 2 pelo Guarani, no Brinco de Ouro, e conseguiu ser derrotado duas vezes pela equipe de Campinas na competição. Não era totalmenete inesperado, mas quando acontece, não deixa de ser algo surpreendente, ainda mais com gol olímpico, obra de Fernando Fumagalli. Uma semifinal campineira poucos esperavam.

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