Submarino

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Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Me esquerda que eu gosto! - Fora, Dunga! Da seleção e do Congresso!

DIEGO SARTORATO*

Em época de Olimpíadas, a imprensa vai a carga para colocar toda a população no transe ufanista que transforma as vitórias e derrotas individuais dos atletas em mobilização coletiva. Pelo menos no Congresso funcionou: na segunda-feira, dia 18, haveria uma reunião de lideranças partidárias na Câmara dos Deputados para discutir projetos, mas a pauta do dia acabou sendo dominada pelo fracasso canarinho diante dos hermanos no futebol. E como sempre acontece quando a única interferência política sobre o esporte é o pitaco, já teve gente falando mais do que devia.

"Ele [Dunga] já devia ter caído. Falar da queda do Dunga depois da derrota para a Argentina é fácil. Eu já achava antes desses episódios que o Dunga era um técnico que precisava melhorar muito o seu desempenho", sentenciou Arlindo Chinaglia (PT), presidente da Casa (na foto, apontando o placar de 3 a 0 para os vizinhos). Nada de errado com a opinião, que, aliás, jogou com a torcida e apelou para a unanimidade. Mas é o tipo de declaração que não tem (e nem deve ter) nada a ver com o governo. Debates mais importantes e que deveriam ser bandeira dos partidos de esquerda, como a falta de qualquer regulamentação que limite a influência dos patrocinadores privados sobre as equipes nacionais, têm passado longe da discussão.

Assim, a disputa entre Olimpikus e Nike colocou o Brasil em campo sem o brasão e as estrelas de campeão mundial no peito, mas com o símbolo do patrocinador. O ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), foi chamado para intervir e não conseguiu negociar nem uma bandeirinha brasileira para caracterizar minimamente o uniforme. Claro, não há investimento e nem políticas públicas significativas para os atletas, que acabam sendo mantidos pelas empresas. O raciocínio óbvio de uma corporação é o direito de propriedade, daí que o representante do país pode ser ignorado e as coisas resolvidas em outras instâncias.

O exemplo é pequeno e, para o menos preciosista, até bobo. Mas abre precedentes para uma sobreposição de autoridade que pode ser desastrosa para o país que vai sediar a Copa de 2014, quer as Olimpíadas de 2016 e vai gastar os tubos para isso. É quase como emprestar o apartamento e o cartão de crédito para que uma pessoa dê uma festa para a qual você não será convidado. Numa dessas, se deixar, a pessoa ainda convida e te "janta" a namorada (ou namorado) dentro da tua casa...

*Diego Sartorato é jornalista, corintiano e bebe Zvonka. Filiou-se ao PCdoB, trabalha para o PT e simpatiza com o PCO. Às vezes, desconfia que não foi boa coisa "ser gauche na vida". "Mas é melhor que ser de direita", resume.

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Quarta-feira, Agosto 20, 2008

Tortura: 'Um crime previsto pelo direito internacional nunca prescreve', diz Cavallo

Nosso colaborador Chico Silva fez uma didática entrevista com o ex-juiz argentino Gabriel Cavallo (foto) sobre a punição contra crimes de tortura para a edição da revista Carta Capital que circula com data de hoje. O texto, que tem início na página 12, integra a matéria de capa "Tortura, tema proibido?", que retoma o debate sobre a interpretação da Lei da Anistia e a pressão dos militares sobre o governo brasileiro. O tema repercute desde o mês passado na imprensa e também aqui no Futepoca.

Em 2001, Cavallo tornou inconstitucionais as leis Obediência Devida e Ponto Final na Argentina (semelhantes à nossa Lei da Anistia) e também os indultos concedidos pelo ex-presidente Carlos Menem. Em 2005, a Corte Suprema ratificou sua decisão. A partir de então centenas de criminosos tiveram de responder por crimes contra a humanidade, como assassinatos em massa, tortura e seqüestros ocorridos durante os sete anos de ditadura militar no país vizinho, entre 1976 e 1983. Muitos usam o argumento de que aqueles governos precisavam agir assim, pois as guerrilhas de cada país também usavam métodos violentos. Ou seja: se os crimes dos guerrilheiros foram perdoados, os dos militares também deveriam ser. Confira o que o ex-juiz Cavallos falou sobre essa lógica torta ao Chico Silva:

Um crime cometido por uma organização terrorista ou de esquerda não pode ser tratado da mesma forma que um delito cometido por um Estado. Um crime contra a humanidade é regido por três preceitos. Ele tem de ser autorizado por posições oficiais de poder, ser praticado e motivado por questões políticas, religiosas ou raciais e, por último, tem de ser sistemático contra uma determinada parte da população civil. Quando o Estado toma a decisão de atacar um grupo da população com o objetivo de exterminá-lo, aí temos um crime contra a humanidade. Foi o que aconteceu na Argentina e no Brasil. No caso contrário isso não se configura.

Difícil ou fácil? No mais, ainda sobre o tema tortura, segue abaixo um convite, enviado pelo Jesus Carlos, do blogue parceiro Fotografia, Cachaça & Política, para os que estarão na cidade de São Paulo no próximo domingo:

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Terça-feira, Agosto 19, 2008

No butiquim da Política - CPI: esclarecimento ou esconderijo?

CLÓVIS MESSIAS*

CPI virou farra. O oportunismo toma conta das comissões parlamentares de inquérito. Por qualquer motivo, desde que seja eleitoral e não para apuração de irregularidades, convoca-se. É na Câmara Federal, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras Municipais que estão proliferando as CPIs, principalmente quando há chance de aparecer na mídia. Aí, o que acontece? Nada se apura, faz-se o uso político e o dinheiro público, que deveria retornar para nós, desaparece.

Aqui no boteco, a moçada está ficando indignada. Não se justifica a ineficiência parlamentar afirmando que o presidente da República, o governador ou o prefeito têm maioria. Não é verdade absoluta. Sim, eles têm maioria, mas a atividade parlamentar, quando bem feita, consegue esclarecer. O que não dá mais para ouvir é eles ficarem falando, nos três níveis, federal, estadual e municipal, que não dá para enfrentá-los.

Porque, próximo das eleições, os parlamentares conseguem convocar, de afogadilho, as CPIs. Só no início deste mês, em São Paulo, a Assembléia Legislativa convocou cinco. Agora, se vão atingir o objetivo, é outra história. Aqui no butiquim ninguém é contra CPI, aliás, acreditamos que o legislativo é a mola mestra da democracia. Mas, quando o legislador se esconde atrás de um argumento oportunista qualquer, é sinal de que nós temos que reciclar o parlamento.

É tanta conversa fiada sobre CPI que as eleições estão quase escondidas. Não se deixe iludir pela cortina de fumaça eleitoral.

*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

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Segunda-feira, Agosto 18, 2008

Cachaça, economia, política e muita sacanagem!

Propagandas de motel geralmente são bem humoradas. Mas algumas se superam, incentivando, por exemplo, a traição - e a manguaça (vide "cortesia")...


...ou tirando sarro das dificuldades econômicas...


...e dos percalços da política nacional...



...abordando práticas sexuais "heterodoxas"...


...ou então, a sacanagem é curta e grossa:

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Quinta-feira, Agosto 14, 2008

Maluf e a sujeira na gestão da limpeza pública

Mais encrenca para o deputado federal e candidato do PP à prefeitura de São Paulo: a 2ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) concluiu que os contratos de limpeza pública no município, durante a gestão dos ex-prefeitos Paulo Maluf e Celso Pitta (foto), têm irregularidades que caracterizam improbidade administrativa e lesaram o erário público. Em 1993, ainda na gestão de Paulo Maluf, foi publicado edital de licitação para escolha de empresas responsáveis pelos serviços de limpeza na cidade de São Paulo. Segundo o STJ, em abril de 1995, as empresas CBPO Engenharia Ltda. e a Construtora Noberto Odebrecht S/A assinaram um contrato com valor superior a R$ 82 milhões. Seis meses depois, foi feito o primeiro termo de aditamento, que elevou magicamente o valor do contrato para mais de R$ 101 milhões. Durante a administração de Pitta, foram feitos outros 14 aditamentos, que elevaram o mesmo contrato para mais de R$ 162 milhões, majorando o valor final em mais de 93% do original(!).

O MP (Ministério Público de São Paulo) ajuizou uma ação civil pública, afirmando que os aditamentos desrespeitaram o artigo 65 da Lei de Licitações Públicas, que limita o valor dos termos de aditamento em 25% do contrato original. Além das empresas, o MP também denunciou Paulo Gomes Machado e José Reis da Silva, ex-diretores do Limpurb (Departamento de Limpeza Urbana de São Paulo), responsáveis pela assinatura dos aditamentos. O TJ (Tribunal de Justiça de São Paulo) aceitou a denúncia do MP e considerou que os aumentos no valor do contrato eram irregulares e que houve improbidade administrativa dos ex-diretores. Ainda de acordo com o STJ, eles deveriam ser punidos pelo artigo 12 da Lei n. 8.429, de 1992, que define as penas para agentes públicos em casos de enriquecimento ilícito. A sentença foi mantida em segunda instância e os réus recorreram ao tribunal. Impressionante...

PS.: Ri muito com o camarada Glauco me contando que Maluf disse ter sido "ousado" e "inovador" por ter colocado Pitta na prefeitura de São Paulo, "pela primeira vez, um negro e carioca". É o Malufão inclusivo!

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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Me esquerda que eu gosto! - Anistia e Fosfosol

DIEGO SARTORATO*

O ministro da Justiça, Tarso Genro, do PT (foto), disse - e tratou de desdizer rapidinho - que defende punição contra os torturadores do regime militar. Apesar da generosidade da Lei da Anistia (a popular "lei do deixa disso", decretada e sancionada pelo general João Batista Figueiredo), que absolve todos os culpados de crimes políticos cometidos entre 1961 e 1979, existe o entendimento (inclusive da própria ONU) de que mandantes, autores e cúmplices de crimes contra a humanidade não podem julgar e absolver a si mesmos.

Por isso, mesmo sem querer, o ministro acabou nos prestando o grande serviço de evidenciar mudanças alarmantes no espectro político brasileiro. Sabonetando o máximo que puderam, dois deputados federais de partidos idealizados e fundados por inimigos viscerais da ditadura refutaram na punição aos torturadores. "Se sairmos agora caçando as bruxas, vamos procurar chifre em cabeça de cavalo", esquivou-se Pompeo de Mattos (PDT), presidente da comissão de Direitos Humanos e Minorias. "A Anistia é o esquecimento, é como se os fatos não tivessem acontecido para ambos os lados: aqueles que, em nome do governo, praticaram torturas ou crimes conexos; e aqueles que atuaram pelo lado da guerrilha. É como se nós passássemos uma borracha completamente naquilo", emendou Marcondes Gadelha (PSB), presidente da comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

Pacificar o país é uma coisa. Fingir que nada nunca aconteceu, como sugerem indiretamente os dois parlamentares "de esquerda", é outra. Assim, a gente só faz permitir que os culpados continuem a acumular cargos eletivos pelo país, como se nunca tivessem sujado as mãozinhas. Falsidade ideológica também é golpe.

Diego Sartorato é jornalista, corintiano e bebe vodca Zvonka. Filiou-se ao PCdoB, trabalha para o PT e simpatiza com o PCO. Escreve esta coluna para o Futepoca porque às vezes desconfia que não foi boa coisa "ser gauche na vida". "Mas é melhor que ser direitoso", resume.

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Interesses da coletividade ou das empresas?

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes (foto), adiantou ontem que pretende concluir ainda neste ano a votação do mérito da Adin (Ação de Inconstitucionalidade) contra a lei seca, segundo integrantes da Frente Parlamentar do Trânsito Seguro. O ministro estaria preocupado com "interesses da coletividade". Mas digamos que seja uma "coletividade privada": a constitucionalidade foi questionada pela Abrasel (Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento). A lei pune quem dirige com qualquer quantidade de álcool no sangue e impede a venda de bebidas nas áreas rurais de rodovias federais.

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

No butiquim da Política - O grande debate

Debate. O pior da campanha política começou. Tanto se fala. Tanto se reúnem as equipes dos candidatos à prefeitura. Tanto se faz exigências, que distraidamente a gente começa, sem perceber, a acreditar. Vamos tomar um banho de civilidade. Tanto se toca em comportamentos éticos, tanto se fala em respeito aos oponentes, tanto se diz sobre a autoridade dos entrevistados, que a gente esquece que, entra campanha, sai campanha, com pompas de moralidade, e nada acontece.

O debate deveria ter respeito pelo eleitor, sim o eleitor. Os candidatos fazem uso do marketing, estão preocupadas apenas em se beneficiarem do espetáculo. Veste-se o apresentador de autoridade. A empresa está salva. O esclarecimento à opinião pública até pode acontecer. A beleza plástica. Os cabelos, os ternos, os vestidos ficaram bem, está tudo em harmonia com o cenário. A produção está perfeita, diz o diretor do debate. O espetáculo vai começar. Vamos ao debate, instrumento maior da democracia. Vamos nos arrumar nas cadeiras.

As informações começam a surgir, o debate vai trazer esclarecimentos, é o que se presume. Agora vamos construir mais um pilar da democracia. Ledo engano. Com o modelo de debate que aí está, o desrespeito ao eleitor começou. Cada candidato, polidamente, e não poderia ser diferente, fala o que bem entende. Todos olhamos perplexos as sandices. Nem pra papo de boteco serve. Butiquim que é butiquim, nas conversas, tem viagens e imaginações à vontade sobre ações factíveis. Mentira é inadmissível. O papo rola. Alguém observa: parece que eles tomaram todas. O outro completa: "-Não, é que eles não têm respeito nem por eles próprios".

"-Mas sabe que a rapaziada tem razão?", penso com meus botões. Debate pelo debate não esclarece. Afinal, debate político presume esclarecimento aos eleitores. Nossa democracia tem costas largas, aceita espetáculo como esclarecimento. Deixemos os "tantos". Aliás, no butiquim não temos que achar nada, temos que lembrar da primeira frase do samba de Noel Rosa e Vadico, Feitio de Oração que diz: "Quem acha vive se perdendo...".
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*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

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Vem aí a coluna "Me esquerda que eu gosto!"

De vez em quando, nós, do coletivo Futepoca, somos acusados de ser "de esquerda". Tudo bem que, de certa forma, já assumimos isso no Quem escreve: "Na política, sem tanta homogeneidade, todos pendem para a esquerda". Mas também não somos assim tão panfletários, radicais ou intransigentes. Prova disso é que estrearemos amanhã uma nova coluna de política, a "Me esquerda que eu gosto!". O responsável será o jornalista - e corintiano - Diego Sartorato, 22 anos (foto). Ele já filiou-se ao PCdoB, trabalha para o PT e simpatiza com o PCO, mas gosta mesmo é de discordar de todos eles. "O problema da esquerda brasileira é a má companhia", sentencia Sartorato. "A que governa chegou lá com uma coligação balaio-de-gato embaixo do braço. A que faz oposição, vira e mexe, se une com tucanos, demos e outros bichos esquisitos. E a que tá de fora de tudo resolveu não ter companhia nenhuma. Ou seja: cada um na sua, enquanto a direita se une pra estar em todas", completa. Nosso novo colunista nasceu em São Bernardo do Campo (SP), berço político do presidente Lula, e formou-se na Universidade Metodista. Em sua região, trabalhou no ABC Repórter, no Diário do Grande ABC e no ABCD Maior, além de atuar como voluntário no jornal do Grito dos Excluídos, no Vozes da Saúde Mental e no informativo da creche Fraterno. Atualmente, é assessor de campanha eleitoral em Santo André (SP) e tenta viabilizar um projeto de Ponto de Mídia Livre no ABC. Diego, assim batizado por ter nascido durante a Copa do México, na qual brilhou Maradona, tem características "vermelhas" insuspeitas: gosta de vodca Zvonka, está tentando aprender o idioma russo e aprova as curvas da tenista Maria Sharapova. É daqueles ateus praticantes. "Mas não como criancinhas", rebate, sem muita convicção.

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Sexta-feira, Agosto 08, 2008

O encontro de Lula com a elite no Morumbi

O livro Sem medo de ser feliz (Scritta Oficina Editorial) é imperdível pra quem quer lembrar ou conhecer o que foi a campanha presidencial de Lula em 1989, talvez a mais emocionante da história política recente. Além de imagens fantásticas, o livro traz um depoimento do então assessor de imprensa de Lula, Ricardo Kotscho, e uma entrevista com o candidato derrotado feita em fevereiro de 1990.

Quando questionado qual teria sido o pior momento de toda a campanha, lia e esperava que a resposta fosse relativa ao depoimento pago de Miriam Cordeiro, sua ex-namorada, que patrocinou um sujo episódio no programa eleitoral de Fernando Collor. Mas, para minha surpresa, o pior momento de Lula aconteceu em um estádio de futebol.

Na véspera da votação do segundo turno, havia a final do Brasileiro entre São Paulo e Vasco, no Morumbi. Kotscho sugeriu a Lula que fosse assistir à final in loco, para aproveitar a cobertura da mídia e tentar desfazer o clima de terrorismo patrocinado pelo adversário, cujos correligionários espalhavam os piores boatos possíveis sobre o PT e seu candidato. As “acusações” iam desde futuros fechamentos de igrejas evangélicas que seriam realizados pelo barbudo até a atribuição de culpa ao partido pelo seqüestro de Abílio Diniz.

“Estávamos num dia tranquilo, eu tinha uma coletiva no sindicato, fomos tomar cerveja com os aposentados, num clima muito festivo. Aí seguimos para o Morumbi. Ah, minha gente, foi a coisa mais degradante que aconteceu na minha vida!”, contou Lula.
Kotscho descreve assim o momento:

Acontece que as cabines de rádio e TV ficam nas cadeiras cativas do Morumbi, o covil do que há de mais reacionário no país. Nem deu para ouvir a torcida do Vasco e parte da torcida do São Paulo cantando o “Sem medo de ser feliz” nas arquibancadas quando souberam da sua presença no estádio. Aos urros, histéricos, os elegantes senhores da mais fina sociedade paulistana reagiram como animais diante da passagem de Lula, dando uma idéia do que seriam capazes de fazer em caso de vitória da Frente Brasil Popular. Chegaram até a cantar o Hino Nacional, junto com as palavras de ordem de Collor, mas só com algumas estrofes, já que esqueceram a letra, e voltaram a gritar palavrões com todos os preconceitos de classe imagináveis. (...)
Devido ao horário, as cenas de collorismo explícito do Morumbi tiveram quase repercussão nenhuma na imprensa, mas calaram fundo na já abalada alma do candidato, habituado a ser aclamado e não vaiado por onde passara nos últimos dias, semanas e meses.


Curiosamente, quando perguntado sobre o melhor momento daquela campanha, Lula responde: “Eu me lembro especialmente do dia em que aquele povo todo começou a cantar no Rio de Janeiro, ainda no primeiro turno. Foi a primeira vez que cantaram “olê, olê, olê, olá...” Foi um negócio fantástico”. O canto era uma adaptação de um grito usual da torcida do Flamengo à época. Ali, o futebol jogou a seu favor.

Em tempo: no segundo turno, Lula teve no estado do Rio de Janeiro 63,79% dos votos contra 23,69% de Collor, a maior diferença conquistada a favor de um dos dois candidatos naquela eleição. Já em São Paulo, Collor teve 50,11% dos votos contra 36,43% do petista. Os senhores do Morumbi riram à toa.

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Da série: candidatos poupados pela mídia

Em entrevista à rádio Bandeirantes ontem pela manhã, o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Gilberto Kassab, do DEM (à direita, sempre), destacou uma pesquisa feita pelo Ibope segundo a qual 90% da população avaliaram como "ótimo" o funcionamento das Amas (Assistência Médica Ambulatorial). Questionado sobre se a população teria conhecimento desses dados, o prefeito lascou, sem dó: "uma coisa é a opinião da população usuária do sistema e outra, a parcela de formadores de opiniões, qualificados e inteligentes". Fosse candidato pelo PT, a imprensalona teria manchetado em seis colunas, hoje: "Kassab chama população de burra e desqualificada". Mas como é "democrata", silêncio. Bater nas declarações da Marta Suplicy é sempre mais apropriado.

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Terça-feira, Agosto 05, 2008

A história do vereador que não teve voto

Deu no G1 a incrível história de Armando Dias Teixeira, que assumiu uma cadeira de vereador na cidade de Queimada Nova (PI) sem ter tido sequer um voto. Ele foi beneficiado pela cassação de Gildemar José Neto por infidelidade partidária, já que o mesmo foi eleito pelo PDT e depois migrou para o PTB. Armando, do PR, conta que não esperava ter sucesso no pleito e, por isso, acabou votando em outro candidato da coligação que tinha mais chances, sendo que sua mulher também não lhe deu o voto.

A história remete à outra ocorrida também no Piauí. Em junho a cidade de Pau D' Arco do Piauí empossou a Carmem Lúcia Portela Santos (PSB) como vereadora, mesmo tendo recebido apenas um voto. Ela obteve a vaga em função da cassação do mandato do vereador Miguel Abreu do Nascimento, também por infidelidade partidária - foi eleito pelo PSDB e migrou para o PC do B.

Carmem também ficou célebre por questionar o fato do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter computado somente um voto para ela, apesar do seu marido ter garantido que lhe prestigiou na urna. "Ele me assegura que votou em mim. Meu marido é um homem que já tem até mestrado em medicina veterinária pela Universidade Federal do Piauí, é um homem culto, e não consigo entender porque não saíram, pelo menos, a certeza desses dois votos, o meu e o dele."Seria uma outra versão de “infidelidade partidária”?

As cassações ocorreram por causa da decisão do TSE que deliberou que os mandatos obtidos nas eleições pelo sistema proporcional (deputados estaduais, federais e vereadores) pertencem aos partidos políticos e/ou às coligações e não aos candidatos eleitos. Até maio, 368 vereadores já haviam sido cassados.

Outro caso curioso do Piauí ocorreu em Barro Duro. O vereador Nonatinho também foi cassado por ter trocado de partido, mas a dúvida era sobre quem assumiria o lugar dele, o primeiro suplente do partido ou da coligação. Isso porque os suplentes do seu partido, o PSDB, também foram para outras agremiações. O TRE decidiu que o cargo pertencia à coligação e o pastor Evandro (PTB) assumiu a vereança.

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No butiquim da Política - Democrata ou profissional?

CLÓVIS MESSIAS*

Pra enfrentar algumas eleições, só mesmo de cara cheia. O duro é passar pelo comando de trânsito na hora de ir embora. Mas vale a pena o "barato". A bancada estadual do PT é a que tem maior numero de candidatos a prefeito, entre os partidos que compõem a Assembléia Legislativa. Concorrem a prefeituras 8 dos 20 parlamentares petistas. A bancada tucana, formada por 21 deputados, tem 6 candidatos. Mas o que incomoda, mesmo, é estes parlamentares falarem que, não tendo chances de se elegerem, pelo menos ficarão com seus nomes em evidência. Um ou outro freqüentador do buteco pergunta: "-Que ferramenta eles usam nesta bancada que vocês estão falando?". E eu: "-Ah....é...". Ficou sem resposta. Até então, não tinha percebido que ser político, para alguns, é considerado profissão.

Mais interessante ainda: eles não têm data-base para reposição salarial. Ainda mais: as disputas para composição do salário não vão parar no TRT (Tribunal Regional do Trabalho). É debate do eu com o eu mesmo. É discussão em causa própria. No butiquim, esses caras têm mania de se meterem em tudo. Não percebem que tem candidato que foi convocado para a causa cívica, em defesa da democracia. O horário eleitoral é gratuito. As despesas do candidato, quase sempre, são pagas por empresários, não menos democráticos. Os candidatos deputados que não ganharem a próxima eleição, permanecem onde estão, recebendo os salários pagos pelo povo do Estado de São Paulo. Que patrão bom este tal povo! Dá salários, escritórios políticos, funcionários, condução, auxílio-paletó, auxílio-moradia na capital do Estado. Tudo aguardando, apenas, o grande gesto democrático: o voto.

Mas as coisas não param por aí. Proporcionalmente, segundo o número de deputados por bancadas partidárias, o PSOL e o PSB lideram o número de candidatos. O PSOL tem dois deputados, um concorre a prefeito e o outro a vice-prefeito, em cidades diferentes. Já o PSB tem quatro candidatos a prefeito, numa bancada de cinco parlamentares. É difícil, mas a democracia impõem estes tipos de sacrifícios a alguns políticos. Olha, se virou profissão, é porque você, eleitor, dá o aval quando vota nestas pessoas.

Por favor, desce mais uma cerveja e marca na conta. Esse papo me secou a boca. E os bolsos!

*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

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Quinta-feira, Julho 31, 2008

A Bunda do Herbert

No livro "Vamo batê lata" (Editora 34, 2003), sobre os Paralamas do Sucesso, Jamari França conta uma história impagável de bebedeira e molecagem. Nos anos 1980, o baixista Bi Ribeiro tinha um sítio em Mendes, interior do Rio de Janeiro (foto), onde a banda ensaiava e eles, literalmente, "tocavam o puteiro". O ator global Alexandre Régis, que morava lá na época, descreve: "A molecada da cidade ia toda pra lá e bebia até cair, fazia sua fogueira, churrasco, ia embora e eles tocando. Era um sítio gigantesco, tinha uma selva entre a casa e a piscina, eu me perdi várias vezes, os cachorros é que iam me buscar". O problema, no local, era a estrada de terra que ligava o sítio à cidade, intransponível em época de chuva (principalmente para os manguaças, que iam e vinham a pé). "Eu escancarava muito, já dormi atolado bêbado na estrada, pensava: 'Caramba, se vier um carro vai passar por cima de mim', mas não conseguia me mexer", lembra Régis.

A salvação parecia ter chegado quando o prefeito local decidiu botar paralelepípedos na estradinha. Porém, depois dos primeiros 100 metros concluídos, o músico e compositor Herbert Vianna aprontou na cidade. Ele confessa: "Num Carnaval em Mendes, estávamos concentrados, bebendo - a gente bebia demais um negócio que se chamava Pique no Lugar, guaraná misturado com conhaque barato". Alexandre Régis conta que eram quatro dedos de conhaque, dois de guaraná, envolvia o copo num guardanapo e sacudia; quando espumava, bebia-se de uma vez.

Segue Herbert: "Cada um tomava uns cinco de uma vez e ficávamos endiabrados, infernizávamos a cidade. Aí, o Carnaval comendo solto, de repente, choveu. Entrou todo mundo nas lojas e uma delas se chamava Importadora. Estávamos lá no fundo da Importadora, muita gente, eu falei: 'Tem muita pressão aqui dentro, é igual a uma espinha, pra aliviar vai ter que expelir alguma coisa e o expelido serei eu'. Tirei a roupa lá no fundo, passei de cueca pelo pessoal, cheguei na rua, tirei a cueca e saí correndo nu, curtindo a chuva, a galera gritando e todo mundo na marquise olhando. Aí eu cheguei no posto de gasolina, botei a cueca e voltei, me vesti".

O prefeito e a família estavam na praça, como todo mundo, vendo os blocos passarem. "Depois dessa o cara não botou mais nenhum paralelepípedo naquela estrada", lembra Alexandre Régis. Sobraram apenas os 100 metros concluídos anteriormente no meio do lodaçal. "Então ficou um calombo que a gente passou a chamar de Bunda do Herbert", arremata o ator.

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Terça-feira, Julho 29, 2008

No butiquim da Política - Nove de julho: movimento ou revolução?

CLÓVIS MESSIAS*

A nostalgia toma conta dos grupos que se formam nos corredores do legislativo paulista. Isto quase sempre acontece em épocas de recesso. Afinal, os efetivos, funcionários concursados, não trabalham em campanhas eleitorais. Falasse do feriado prolongado e alguém lembrava: é 9 de julho. Outro retrucava: é mesmo, ia me esquecendo. Curiosamente, aqui, onde funciona o legislativo, o prédio tem a denominação de Palácio 9 de julho. A história paulista anda no piloto automático, esqueceu-se que foi uma luta em favor da democracia. Não sei com que interesse vulgarizaram nossa memória, revolução de 1932.

No meu tempo de primário, ginásio e científico (sou desse tempo), a revolução constitucionalista de 32 era ato presente. Eram feitos trabalhos escolares, exposições à entrada dos colégios. A bandeira paulista era hasteada com hinos e fanfarra. Os professores falavam que apoiaram o movimento e citavam nomes de pessoas que haviam participado dos combates. No pátio da escola ou no quarteirão do prédio eram realizadas competições esportivas. Acho que há uma certa perseguição, corintiana, palmeirense ou santista a estas solenidades. Afinal de contas, a bandeira hasteada é a paulista, e não por coincidência tricolor: branca, preta e vermelha. Tenho quase certeza, todos colaboraram um pouco para o esquecimento do ato, mas tricolor é um mastro forte.

Este desmemoriamento foi se intensificando depois da ditadura de 1964, já que não havia nenhuma afinidade com a nossa defesa das liberdades democráticas. A revolução de 1932 foi empurrada para trás do biombo da história. O 9 de julho ficou refém de um vácuo ideológico. É bem verdade que na defesa do movimento surgiram teses retrógradas, o que facilitou a marginalização. Mas pergunto: há movimento que defenda a constituição, que possa se dizer, de maior ou menor vigor democrático?

O Brasil estava sob um regime de exceção. O judiciário sem autonomia. O legislativo em férias permanente, fechado. A lei constitucional, ora a lei, estava suspensa aguardando um novo teórico, procurando novos entendimentos. O movimento revolucionário constitucionalista de 32 foi tomando consistência e teve amplo apoio, em todas as camadas sociais. Como o leque de propostas na época era grande, setores conservadores começaram a não aceitar algumas mudanças políticas. Mas luta democrática é debate.

Por que será que as pessoas esquecem de movimentos nacionalistas democráticos? As elites nós sabemos, têm medo do novo. Mas nós, o povo, será que conhecemos democracias diferentes? Existem duas ou três democracias? A revolução francesa, berço da democracia popular, nos mostrou os movimentos de liberdade do homem. O voto passou a ser igualitário. É difícil, para quem está no poder, aceitar o unitário voto popular. Aqui nós já tivemos até senador biônico, como ato de inteligência maquiavélica. Foi apenas uma, péssima, cópia do parlamento grego.

A queda da Bastilha estabeleceu o voto popular. Foi firmada a democracia igualitária, mas como em todo movimento livre, sempre querem aparecer alguns donos, tipificando ações melhores ou piores, mais nobres ou menos nobres. Mas a democracia é sabia, faz prevalecer a vontade popular. Só não entendo o esquecimento do movimento democrático constitucionalista de 32. Será que o exótico tem vida própria? Mas será, então, democrático?

Como é bom recordar as solenidades escolares. Não há mais ou menos democrata. Defende-se, singularmente, a democracia. Recordar a revolução de 32 é um gesto de civismo. Seus sinônimos são: liberdade com eleições livres, interdependência dos poderes, conseqüentemente, respeito à constituição. O exercício da democracia não é, somente, história. É hábito.

*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

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Sábado, Julho 26, 2008

Além de chegar aos mil gols, Túlio quer ser vereador

O rei da mídia Túlio Maravilha, autor, de acordo com suas próprias contas, de mais de 840 gols em sua trajetória boleira, vai ser candidato a vereador em Goiânia. O atacante do Vila Nova e vice-artilheiro da Série B com nove tentos vai sair pelo PMDB, partido do prefeito Iris Resende, que lidera as pesquisas de intenção de voto na capital goiana.

Sempre debochado, o artilheiro espera receber votos de todas as torcidas, inclusive dos fãs do Goiás, rival do Vila, e onde Túlio se projetou para o futebol. "Quando recebi o convite para entrar na política fiquei meio inseguro, mas pensei bem e aceitei o desafio. O futebol tem a divisão de torcidas, mas sou um patrimônio do Estado de Goiás e não de um time. Espero que o apoio venha de todos os lados e que eu possa ter uma boa votação", discursou à Agência Estado.

Se eleito, promete trabalhar em dois turnos, já que nem mesmo o dever cívico irá demovê-lo da meta de fazer mil gols na carreira. Para isso, conta com a mesma estratégia de Romário, incluindo os tentos feitos nas categorias menores. Ao ser contratado pelo time goiano, em maio último, Túlio declarou: "Se o Romário contou os gols nas categorias de base, eu também posso." Ele tem 57 pelas categorias de base do Goiás e 6 pela Seleção Brasileira de novos.

Caso não logre êxito em sua empreitada política na capital, o atacante poderá tentar a sorte na próxima eleição em Senador Canedo, onde o time local, a Canedense o trouxe para jogar o campeonato goiano de 2007. Á época, a federação estadual contratou atletas e os “leiloou”no Projeto Craques do Goianão 2007. A equipe recebeu apoio de 37.170 telefonemas, correspondentes a 38,26% do total de ligações, e teve o direito de ser o primeiro time a escolher um atleta, contratando Túlio. Já é uma boa base eleitoral...

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Quinta-feira, Julho 24, 2008

Quando a melhor defesa NÃO é o ataque...

Segue abaixo um "causo" que tirei do livro "Mil dias de solidão" (Geração Editorial, 1993), de Cláudio Humberto Rosa e Silva, ex-porta-voz do presidente Fernando Collor de Mello (na foto, ao centro). Consta que o fato ocorreu em 28 de dezembro de 1992, na famosa Casa da Dinda, em Brasília. Collor ponderava a hipótese de renunciar ou não à presidência da República, o que de fato faria no dia seguinte. Estavam presentes o assessor pessoal Luís Estêvão, os senadores Affonso Camargo, Odacir Soares e Ney Maranhão, o deputado federal Roberto Jeferson (ele mesmo), o governador de Alagoas Geraldo Bulhões, o jornalista Etevaldo Dias, o embaixador Marcos Coimbra e o advogado José Moura Rocha. Segue a história:

Risonho, Collor contou uma história marcante do treinador que contratara para o CSA, Hélio Miranda, professor de educação física, seu amigo, irmão de comunistas históricos como o jornalista Jayme Miranda, líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB), preso, torturado, assassinado e esquartejado pela ditadura militar.
- Conseguimos colocar o CSA no Campeonato Nacional e o jogo de estréia foi contra o Operário, de Campo Grande, Mato Grosso, na casa do adversário. Não tivemos tempo nem dinheiro para formar um time competitivo.
Collor lembrou sua perplexidade com a única instrução do técnico aos jogadores, no intervalo, após o término do primeiro tempo:
- Vamos nos fechar na defesa para segurar o zero a zero. Vocês estão proibidos de tentar fazer gols. Retranca, vejam bem, só quero retranca!
Logo nos primeiros minutos do segundo tempo, um atacante do CSA, Misso, goleador inveterado, não teve alternativa senão driblar sozinho toda a defesa do Operário e marcar gol de placa.
O estádio parecia um túmulo.
Só quem ficou feliz foi o próprio Misso, que correu para o silencioso banco de reservas à procura do abraço agradecido do treinador.
Hélio Miranda estava uma fera. Recebeu o autor do gol aos gritos:
- Por que você fez isso? Por quê? eu não disse que o time estava proibido de fazer gols?
Durante os 45 minutos finais, os jogadores do Operário, com brio, conseguiram não apenas empatar a partida como também virar o placar e impor uma goleada de 5x1 ao CSA.

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Quarta-feira, Julho 23, 2008

Para Bush, Wall Street está de ressaca

Wall Street got drunk.

Foi George W. Bush, a carta fora do baralho, aquele que nem o republicano John McCain quer em seu palanque, a analise sobre a crise das hipotecas nos Estados Unidos. A fala foi pega por um grampo telefônico. Ou melhor, numa gravação sem autorização, depois de pedir que as câmeras de TV fossem desligadas.

A teoria é simples.

Foto: Eric Draper/Casa Branca

Professor Bush explica: "Ó, ó..."


– Não há dúvidas da respeito. Wall Street ficou bêbada. Esta é uma das razões porque eu pedi a vocês para desligar as câmeras de TV. Ficou bêbada e agora tem uma ressaca. A questão é: em quanto tempo ela vai ficar sóbria e parar de tentar todos esses instrumentos financeiros fantasiosos.

A declaração foi dada em uma reunião privada para levantar fundos do candidato republicano ao congresso Pete Olson. O presidente dos Estados Unidos não sabia que estava sendo gravado em Houston.

Segundo o jornal Washington Post, grande parte dos economistas atribuem a culpa da atual crise de crédito a complexos instrumentos financeiros criado pela bolsa de Nova York depois que o Congresso desregulamentou o sistema bancário, há uma década.

Ele sabe do que fala. George W. Bush não toma uma gota de álcool desde 28 de junho de 1986. Garante que superar a dependência foi difícil. Ele atribui à crença religiosa a saída que encontrou para o problema.

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Segunda-feira, Julho 21, 2008

No butiquim da Polícia - Democracia: liberdade ou negócio?

Por CLÓVIS MESSIAS*



A democracia não é contra qualquer esclarecimento, por ser, esse, um dos pilares da liberdade. Aqui na Assembléia Legislativa de São Paulo, os parlamentares mais sofismam que esclarecem. Tudo se pergunta, mas nada é respondido – em nome da "estabilidade democrática". Que estabilidade é essa que não permite saber, de forma clara, como está o dinheiro público? Aliás, esse tal de dinheiro público é seu, é meu, é nosso. É dinheiro que retiram da gente em impostos, que deveria ser devolvido em educação, saúde, promoção social, habitação, saneamento básico. Mas, necas.
Queremos saber, com CPI ou não, como está a apuração da denúncia trazida pelo Ministério Público da Suíça, que acusa o pagamento de propina, a membros do governo de São Paulo, pela empresa Alstom. O governo diz que não vai apurar porque a matéria é vencida. Respondemos nós: mas o bolso que recebeu propina não está vencido. Já o nosso bolso é modesto, só deseja que a grana retorne em serviço público. Se isso acontecesse, não teríamos que procurar saber onde está o nosso dinheiro.
Acho que esse troco daria, por exemplo, para algumas saideiras...


*Clóvis Messias é dirigente do Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo e escreve semanalmente para o Futepoca.

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Sexta-feira, Julho 18, 2008

E-mail falso promete imagens de Dantas subornando juiz

"Vídeo de Daniel Dantas subornando juiz Gilmar Mendes" é o que promete o assunto de uma mensagem que atingiu minha caixa de e-mails na manhã desta sexta-feira. O remetente é um improvável video arroba globo ponto com e estão espalhados links para um arquivo Flash no domínio worldoffice.net, cujos servidores parecem ter sido invadidos.

Trata-se de um golpe para instalar um cavalo de tróia no computador, usando a curiosidade do internauta com o caso do banqueiro Daniel Dantas, investigado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

Reprodução


No corpo da mensagem, a editoria "Fatos e Versões" traria o "Juiz Gilmar Mendes desmascarado por Daniel Dantas", mais precisamente "Vídeo sobre um novo suborno agora ligado ao Juiz Gilmar Mendes que concedeu a liberdade de Dantas."

A editoria existe, mas o resto é golpe.

É a nova versão dos e-mails falsos que tentam pegar internautas desatentos com notícias "quentes". Antes, já havia circulado a promessa de imagens de uma "câmera escondida em presídio" com "detentos espancando Alexandre Nardoni", pai de Isabella. O episódio motivou outros golpes, como a confissão da culpa e a explosão de uma bomba em frente à delegacia. Como escreveu Mônica Bergamo em 22 de abril, o detalhe era a grafia de "assasino" (sic).

Em época de Big Brother Brasil, pipocam falsos vídeos "exclusivos" de todo tipo de intimidade que conseguirem pensar.

Quando Ronaldo, o gordo, se envolveu em uma confusão no Rio de Janeiro, as mensagens diziam que o enrosco teria feito a patrocinadora de material esportivo cancelar o contrato com o Fenômeno. Prometiam ainda imagens do obeso atleta no quarto do motel. Mesmo Daniela Cicarelli, protagonista com um namorado de um vídeo paparazzi, e a atriz Danielle Winnits também foram alvos desse tipo de mensagem.

Qual vai ser o próximo golpe de e-mails desse tipo?

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