Saiu o diagnóstico da lesão que o atacante Maikon Leite, do Santos, sofreu no jogo contra o Flamengo, no último domingo: rompimento dos ligamentos cruzados anterior e posterior e do colateral medial, além de lesão no ligamento patelar e deslocamento da rótula. A impressionante torção de joelho (veja as fotos da Agência Lance e da Futura Press) vai deixar o jovem jogador, no mínimo, um ano fora dos gramados. Os médicos dizem que o estrago é simplesmente três vezes pior do que os rompimentos do ligamento patelar nos joelhos de Ronaldo Nazário - daí, não dá nem pra gente imaginar o tamanho da dor que o santista sentiu no momento fatídico. Horrível, horrível mesmo.
Um fato lamentável, principalmente porque Maikon, de 20 anos, vinha sendo um dos principais destaques (senão o único) do alvinegro praiano, que sofre para tentar sair da zona de rebaixamento no Brasileirão. Um campeonato, aliás, que vem sendo pródigo em cenas chocantes, como a luxação no braço do atacante são-paulino Borges e a fratura em três lugares no braço do atacante flamenguista Diego Tardelli, ambas em partidas no primeiro turno. Como todo esporte coletivo, futebol é jogo de contato. Um passo errado, um toque de desequilíbrio e o atleta se expõe a uma lesão, uma dor, que nos parece absurdamente inimaginável.
Quando vi as fotos de Maikon, fiquei com aflição de assistir jogos de futebol. É só ver dois jogadores partindo para uma dividida que eu já fecho os olhos. Os caras ganham muito bem, é verdade. Mas passar por uma situação como a do Maikon Leite não tem preço. Nada paga uma coisa dessas. Tomara que, pelo menos, o cara esteja totalmente anestesiado com analgésicos. A cirurgia será nesta quarta-feira, 20, quando o joelho direito do atacante será, literalmente, reconstruído. Só nos resta desejar toda sorte do mundo ao santista.
Terça-feira, Agosto 19, 2008
Futebol: um esporte muito perigoso, de fato
Quarta-feira, Agosto 13, 2008
Amor antigo, mas duradouro
Quando ninguém mais se lembrava do velho volante Vampeta (os três V são involuntários), eis que o meia alagoano Souza (foto) ressucita a memória do desafeto baiano na mídia. Jogando hoje pelo Grêmio e referindo-se ao clássico gaúcho que será disputado pela Copa Sul-Americana, o ex-são-paulino disse que não tem mote para provocar os rivais. "Se o Vampeta jogasse no Internacional, ainda dava. Mas ele está lá no cafundó do Judas", argumentou, resgatando uma - tola e - velha polêmica entre os dois.
Há poucos meses, quando ainda jogava pelo Paris Saint-Germain, Souza já havia cutucado Vampeta durante visita aos ex-colegas tricolores no CT da Barra Funda, em São Paulo: "O Vampeta já derrubou tantos times que ninguém está sentindo muita falta dele. Os times estão querendo distância do Vampeta, pois sabem que se quiser cair, é só chamar o Velho Vamp", provocou, referindo-se à sina de rebaixamentos do "inimigo". Pra mim, essa fixação é amor enrustido - e antigo. Mas fiquei curioso, pois pesquisei e não achei: em qual "cafundó do Judas" o Vampeta está? Ele ainda joga?
Sexta-feira, Agosto 08, 2008
O encontro de Lula com a elite no Morumbi
O livro Sem medo de ser feliz (Scritta Oficina Editorial) é imperdível pra quem quer lembrar ou conhecer o que foi a campanha presidencial de Lula em 1989, talvez a mais emocionante da história política recente. Além de imagens fantásticas, o livro traz um depoimento do então assessor de imprensa de Lula, Ricardo Kotscho, e uma entrevista com o candidato derrotado feita em fevereiro de 1990.
Quando questionado qual teria sido o pior momento de toda a campanha, lia e esperava que a resposta fosse relativa ao depoimento pago de Miriam Cordeiro, sua ex-namorada, que patrocinou um sujo episódio no programa eleitoral de Fernando Collor. Mas, para minha surpresa, o pior momento de Lula aconteceu em um estádio de futebol.
Na véspera da votação do segundo turno, havia a final do Brasileiro entre São Paulo e Vasco, no Morumbi. Kotscho sugeriu a Lula que fosse assistir à final in loco, para aproveitar a cobertura da mídia e tentar desfazer o clima de terrorismo patrocinado pelo adversário, cujos correligionários espalhavam os piores boatos possíveis sobre o PT e seu candidato. As “acusações” iam desde futuros fechamentos de igrejas evangélicas que seriam realizados pelo barbudo até a atribuição de culpa ao partido pelo seqüestro de Abílio Diniz.
“Estávamos num dia tranquilo, eu tinha uma coletiva no sindicato, fomos tomar cerveja com os aposentados, num clima muito festivo. Aí seguimos para o Morumbi. Ah, minha gente, foi a coisa mais degradante que aconteceu na minha vida!”, contou Lula.
Kotscho descreve assim o momento:
Acontece que as cabines de rádio e TV ficam nas cadeiras cativas do Morumbi, o covil do que há de mais reacionário no país. Nem deu para ouvir a torcida do Vasco e parte da torcida do São Paulo cantando o “Sem medo de ser feliz” nas arquibancadas quando souberam da sua presença no estádio. Aos urros, histéricos, os elegantes senhores da mais fina sociedade paulistana reagiram como animais diante da passagem de Lula, dando uma idéia do que seriam capazes de fazer em caso de vitória da Frente Brasil Popular. Chegaram até a cantar o Hino Nacional, junto com as palavras de ordem de Collor, mas só com algumas estrofes, já que esqueceram a letra, e voltaram a gritar palavrões com todos os preconceitos de classe imagináveis. (...)
Devido ao horário, as cenas de collorismo explícito do Morumbi tiveram quase repercussão nenhuma na imprensa, mas calaram fundo na já abalada alma do candidato, habituado a ser aclamado e não vaiado por onde passara nos últimos dias, semanas e meses.
Curiosamente, quando perguntado sobre o melhor momento daquela campanha, Lula responde: “Eu me lembro especialmente do dia em que aquele povo todo começou a cantar no Rio de Janeiro, ainda no primeiro turno. Foi a primeira vez que cantaram “olê, olê, olê, olá...” Foi um negócio fantástico”. O canto era uma adaptação de um grito usual da torcida do Flamengo à época. Ali, o futebol jogou a seu favor.
Em tempo: no segundo turno, Lula teve no estado do Rio de Janeiro 63,79% dos votos contra 23,69% de Collor, a maior diferença conquistada a favor de um dos dois candidatos naquela eleição. Já em São Paulo, Collor teve 50,11% dos votos contra 36,43% do petista. Os senhores do Morumbi riram à toa.
Quinta-feira, Agosto 07, 2008
A pedra de 2008
De vez em quando, o São Paulo arranja uma pedra no sapato que não sai de lá em toda a temporada. Em 2002, o Corinthians deitou e rolou nos jogos contra o São Paulo, e não foram poucos. Em 2006, o time não ganhava do Internacional nem por decreto. Nesse ano, esse time parece ser o Fluminense (ou seria o Washington em particular?). Depois de eliminar o rival paulista na Libertadores, o Flu, instalado na zona de rebaixamento do Brasileiro desde a primeira rodada, venceu o São Paulo por 3 a 1 no Maracanã, mesmo com desfalques e e a polêmica em torno do caso Dodô.
Não que dê para comparar o time de 2006 com o atual. O de dois anos atrás era muito melhor, o que dá contornos mais nítidos a essa dificuldade com um só adversário. Nessa temporada, o time tem estado irregular demais para falar que o problema é só o Fluminense. Mas não dá para negar que fica uma marca. No returno, não importa a posição dos clubes na tabela, todo mundo vai lembrar que o Fluminense só se deu bem em cima do São Paulo. Todas as matérias vão falar de revanche, do quanto vai ser importante ganhar.
E o jogo de ontem não começou com essa cara. Os dois times jogavam de igual para igual, mas a partida estava com cara do oxo. Duas chances não muito claras de gol para cada um dos lados e só. Já no segundo tempo o São Paulo voltou com força, criou mais e logo aos 3 minutos abriu o placar, com Hugo. Foi o que precisou para o Fluminense reagir. Washington empatou de pênalti (e deve ter saído pensando "por que diabos não bati assim contra a LDU?"), virou depois de receber a bola sozinho na área e fuzilar Rogério e ainda teve tempo para sacramentar no final, com um gol meio atabalhoado, com zaga, goleiro e atacante juntos quase dentro do gol. De quabra, ainda fica a idéia de que o São Paulo ressucitou o Fluminense. Que tristeza!
Muricy Ramalho saiu irritadíssiomo com o time, com toda a razão. Depois de levar o empate o São Paulo apagou em campo. Ninguém mais corria, o número de passes errados aumentou demais. O Éder Luis, coitado, até tentava, mas além de não ter companhia, não tem bala para resolver sozinho.
Nesse campeonato de irregularidade, não dá para achar que tudo está ruim para o Tricolor. Mesmo com a derrota, o time só sai da zona de classificação para a Libertadores se o Vitória conseguir um ponto contra o Cruzeiro. E mesmo que isso aconteça, a queda vai ser de apenas uma posição (valeu Flamengo!). Mas esse ano, classificar para a Libertadores parece ser o único objetivo realmente plausível.
Para o outro Tricolor também nada está perdido. Mais uma vitória e o Fluminense deve sair da zona do rebaixamento. Se bobear, daqui a pouco o time vai aparecer na parte de cima da tabela.
Terça-feira, Agosto 05, 2008
Piti
Posso não saber da missa um terço, mas o que foi noticiado até agora em relação ao pedido de dispensa do Dodô para a partida contra o São Paulo nessa quarta-feira dá conta de um piti sem tamanho.
O jogador foi informado por Renato Gaúcho, depois do treino, que começaria o jogo no banco de reservas. Depois disso pediu para ser dispensado do jogo, pois precisava "se recondicionar psicológica e fisicamente."
Vale lembrar que no segundo jogo das quartas-de-final da Libertadores, também contra o São Paulo, Dodô também pediu para começar de fora, como informou o próprio Renato Gaúcho antes da partida.
O que leva um jogador a tomar essa atitude? O time está rondando a lanterna desde o começo do campeonato, o cara foi autor de gols importantes na temporada, inclusive entrando no segundo tempo no jogo supracitado. É um doa atletas mais experientes do time. Aí vai e dá uma afinada dessas. Não dá para entender.
São Paulo
Já que logo alguém vai cobrar, vou falar um pouquinho do São Paulo. Não vi o jogo do final de semana, mas acredito quando dizem que os dois gol de André Lima foram marcados em impedimento. Pois é, não acho bonito. E nem adianta falar que não fez diferença, já que terminou 4 a 0, porque foram os dois primeiros gols. Fazer o que?
Amanhã, contra o Flu, a obrigação é ganhar. Se logo depois da viagem de Hernanes, Alex Silva, Thiago Neves e Thiago Silva para a Seleção Olímpica os dois times estavam desfalcados de maneira parecida, agora o São Paulo está com uma vantagem enorme, já que inscreveu dois zagueiros e um atacante na competição. Mas do jeito que o time está irregular... estou dando uma de Regina Duarte. Tenho medo. Muito medo.
Quinta-feira, Julho 24, 2008
Vamos falar mais um pouco de arbitragem?
Mais uma rodada recheada de polêmicas. E o jogo Internacional 2 x 0 São Paulo não foi exceção. Bom, talvez tenha sido, porque não houve polêmica. O juiz Heber Roberto Lopes, por indicação do auxiliar (Gilson B. Coutinho ou Ivan Carlos Bphn), anulou um gol legítimo de Dagoberto, que veio do meio da zaga para marcar de cabeça. Na verdade, o bandeira já tinha parado o lance, antes de a bola chegar a um dos dois impedidos. Foi tão claro que não vi ninguém questionar, nem o Inter. Arbitragem de ótima qualidade...
Durante o jogo, Heber também deixou de dar algumas faltas claras. O Richarlyson (justo quem...) foi levantado por um marcador do Inter e ele nem falta deu. Mas também houve lances de violência por parte dos são paulinos, especialmente no final do jogo. Sem repressão.
Sobre o jogo, o gol anulado realmente prejudicou o São Paulo. É óbvio que sair na frente na casa do adversário é uma vantagem enorme. Provavelmente o time teria conseguido um resultado melhor se não fosse esse erro.
Evidentemente tenho que reconhecer que o Inter jogou melhor. Tinha hora em que eu perdia o fôlego, só de ver esse time correndo. É velocidade demais! E a marcação morde o tempo todo, em poucos momentos os jogadores do São Paulo tiveram tranqüilidade para tocar a bola - o momento do gol foi um deles. Estava mesmo difícil ganhar do Inter.
-eu, -eu, -eu, o São Paulo se f*
Mas a real é que os desfalques de Miranda (contundido), Alex Silva e Hernanes (para a Olimpíada) são os maiores problemas. O primeiro gol do Inter saiu de uma falha bisonha do Juninho, que deixou a bola passar não sei por onde e deixou Nilmar livrinho para marcar. O André Dias, que não é nenhuma sumidade, vira o comandante da zaga. Quer dizer, joga quase sozinho. Que tristeza.
O meio-campo também perde qualidade com o Hernanes, talvez hoje o principal jogador do Tricolor. Mesmo sendo volante, ele compartilha muito bem com Jorge Wagner e Hugo a responsabilidade por criar as jogadas. E, claro, dá (muita) consistência à marcação.
Com esses desfalques, o São Paulo tem tudo para perder algumas posições e se complicar no campeonato. Não tem pra onde correr. Eu, que estava ficando um pouco mais confiante nessa equipe, voltei a perder as esperanças.
Ah, sim, justiça seja feita, o Fluminense, que perdeu Thiago Silva e Thiago Neves para a seleção olímpica, está em uma situação pior. Bem pior. Continua na zona de rebaixamento, com 13 pontos e sem seus principais jogadores. Que situação...
Sexta-feira, Julho 18, 2008
Didi e Garrincha no futebol paulista, em 1966
Que Garrincha havia passado pelo Corinthians em 1966 eu já sabia, mas tinha dúvidas se, naquele mesmo ano, Didi havia jogado pelo São Paulo (na foto, os dois nos áureos tempos de Botafogo-RJ). Pois o mestre da folha-seca encerrou sua carreira, de fato, pelo Tricolor paulista. Didi havia pendurado as chuteiras pelo Botafogo em 1965, mas aceitou o convite para voltar, no ano seguinte, aos 38 anos. Estreou pelo São Paulo num amistoso em Araçatuba (SP), contra o Ferroviário local (vitória por 2 a 0), em 4 de outubro. Ele compunha o meio-campo com o histórico Roberto Dias. O técnico do Tricolor, na época, era Aimoré Moreira, que comandou Didi pela seleção brasileira no bicampeonato mundial, em 1962. E a zaga tinha Bellini, outro remanescente das Copas de 1958 e 1962, que havia disputado ainda a de 1966, junto com o também são-paulino Paraná.
O primeiro jogo oficial de Didi com a camisa do Tricolor, pelo Campeonato Paulista, foi uma derrota de 2 a 0 para a Portuguesa, no Pacaembu, em 12 de outubro. Na rodada seguinte, mais um tropeço: vitória do América de Rio Preto por 4 a 3, em pleno Morumbi. Didi foi sacado e só voltou contra a Portuguesa, em 24 de novembro: novamente no Pacaembu e outro resultado negativo, 1 a 0. Terminava ali, de forma melancólica (venceu só uma partida em quatro e não marcou um gol sequer), a carreira do "Príncipe Etíope", um dos meias mais clássicos e cerebrais que o Brasil já teve.
Curiosamente, naquele mesmo início de outubro de 1966 em que Didi estreava pelo São Paulo, Garrincha, então com 33 anos, se despedia do rival Corinthians. Foi no dia 9, numa derrota de 3 a 0 para o Santos, pelo Paulistão. Mané havia estreado em 2 de março, no Pacaembu, em outra derrota por 3 a 0, para o Vasco da Gama, pelo Torneio Rio-São Paulo. Os dois times, mais Santos e Botafogo, seriam os quatro campeões do torneio naquele ano, por falta de datas para as partidas de desempate. Garrincha marcou seu primeiro gol pelo alvinegro paulistano contra o Cruzeiro, em 13 de março, na vitória corintiana por 2 a 1.
No total, fez 10 jogos e 2 gols - o segundo, aliás, na vitória por 2 a 0 do Corinthians sobre o São Paulo, em 19 de março de 1966. Ao contrário de Didi, que era cinco anos mais velho, Garrincha ainda jogaria pelo Flamengo e o Olaria, até 1972. Despediu-se numa partida amistosa no ano seguinte, no Maracanã. Morreria em janeiro de 1983, e Didi, em maio de 2001.
Quinta-feira, Julho 17, 2008
6 em 9
Como escrevi por aqui, o São Paulo teria uma seqüência importante de jogos no Brasileiro, contra adversário do topo da tabela. Dos 9 pontos em disputa, levou 6. E perdeu justamente do time que mais se afastou dos líderes, o Náutico. Não que isso seja refresco, porque se tivesse ganho, o time estaria no G-4.
O jogo de ontem, tardiamente comentado, eu sei, foi tranqüilo. Isso foi uma surpresa, já que o Vitória estava invicto em seu estádio. Tudo bem que logo no início do jogo o Vitória teve um gol anulado, pois o bandeirinha achou que a bola tinha saído antes do cruzamento de Dinei. Não teve tira-teima desse lance não...
Mas em seguida o São Paulo marcou com Hugo (sozinho na área. Ê defesa!), e daí em diante mostrou uma tranqüilidade que me deu até nos nervos. O Vitória teve chances em contra-ataques, mas nenhum lance claro de gol. Quando o rubro-negro tinha a bola dominada, tentava pela direita, pela esquerda, pelo meio, pelo alto, e nada de a bola passar pela defesa tricolor.
Os dois gols seguintes, já no segundo tempo, saíram em lindos lances de contra-ataque, pelos pés de Dagoberto e Éder Luis, dois jogadores que ainda não se firmaram. O lance de Éder Luis foi sensacional. Arrancou de antes do meio de campo, passou por um marcador, deu uma meia-lua em outro e mandou pra rede. Bonito.
Pena que estejam exaltando a "grande atuação" do São Paulo. Assim o time vai acreditar que joga mais do que de fato pode. A equipe continua perdendo gols, finalizando mal demais. Os dois gols seguintes contra o Vitória saíram em lindos lances de contra-ataque, arma que o São Paulo não terá em jogos que sair perdendo, por exemplo.
Falta muito para o time passar segurança para o torcedor. Não que o Muricy não possa fazer isso aos poucos. Vai depender de quem o time perder nesse meio de ano. Mas esse time ainda é uma baita incógnita pra mim.
Lusa heróica
Eu estava relutante em escrever sobre a Portuguesa. Perdi o bom momento do time, há algumas rodadas. Depois foi derrota atrás de derrota. Até a pequena - e exigente - torcida lusa começou a pedir a cabeça do Benazzi. Menos, pessoal.
A vida da Portuguesa estava nessa toada até o fim do primeiro tempo do jogo contra o Náutico, no Canindé. Os cerca de 2 mil torcedores presentes protestavam a valer enquanto presenciavam uma derrota de 2 x 0. No segundo tempo, no entanto, a Lusa conseguiu um feito - para seu limitado elenco. Fez três gols e não tomou mais nenhum, e venceu o então quinto colocado do Brasileiro. Os jogadores fizeram questão de apoiar o técnico Benazzi na saída do gramado.
Domingo, Julho 13, 2008
Deu Muricy. E quando o Palmeiras vai jogar bem?
O São Paulo venceu por 2 a 1. Foi mais objetivo e simples. Principalmente no segundo tempo. Na disputa entre técnicos, deu Muricy Ramalho, que apostou em um começo forte, com dois atacantes rápidos.
Mérito do São Paulo ao aproveitar a incapacidade de defender do adversário. A dupla de zaga formada por Jéci e Gladstone mostrou que a torcida vai sentir saudades de Henrique, negociado com o Barcelona. Também sente a falta de Pierre, volante, com o tornozelo torcido. Sem falar me Gustavo e David expulsos, que não necessariamente resolveriam.
Assim, o time verde chega à terceira rodada seguida sem vitórias. O agravante foi ter perdido esta, um clássico.
O São Paulo fez a festa com a falta de marcação sobre Jorge Wagner. No primeiro tempo especialmente. Não que o time tricolor se resuma ao meia, mas porque não marcar muito de perto o cabra? QUem caísse nas costas do recuperado Leandro se dava bem.
As "inovadoras" substituições de Vanderlei Luxemburgo combinaram mudanças que o técnico sempre fez quando o time corre atrás no marcador. Primeiro, tirou um lateral para escalar um meia (Fabinho Capixaba por Evandro). Depois, tirou um volante, Léo Lima, para pôr Lenny no ataque. Ainda tirou Diego em vez de Valdívia (aí sim um erro absoluto). Com Denilson, Alex Mineiro, Kléber e Lenny, quatro atacantes, não resolveram. O time chutou mais muito em função do recuo do adversário.
Recuo porque, depois da entrada do quarto homem de frente, Muricy mexeu. A saída de Dagoberto para entrar Eder Luis (um atacante por outro) colocou no gramado o autor do segundo gol tricolor.
Valdívia manteve o chá de sumiço. Um primeiro tempo de banco de reservas na partida contra o Fluminense, na quarta-feira, vai fazer muito bem para o meia chileno. E, quem sabe, amplia as chances de o time ver mais concretamente a chance de ter a vaga para a Libertadores. Depois de três rodadas como quinto "de besta", quer dizer, sem vencer nem ser ultrapassado, o Palmeiras percebe que poderia ter colado no Flamengo, mas ficou onde estava, dando sopa para o azar. Com a vitória sobre o Vasco, ficou oito pontos à frente.
Se o principal jogador não voltar a jogar plenamente, fica feio. Será que o Hertha Berlin mexeu com a cabeça careca dele? E se o time depende de uma combinação entre boas atuações de laterais e de volantes, é limitante.
Bom, essa foi a visão palmeirense. Que venha também a sãopaulina.
Onde repousa nosso primeiro ídolo
Há 75 anos, em março de 1933, o chamado São Paulo "da Floresta" (antecessor do atual) venceu o Santos por 5 a 1, na Vila Belmiro, no primeiro jogo profissional disputado no país. E, simbolicamente, o gol de estréia do profissionalismo foi marcado por Arthur Friedenreich (à direita), o primeiro ídolo do futebol brasileiro, considerado o "Pelé do amadorismo". Filho de um comerciante alemão e de uma lavadeira negra, o mulato Fried jogou por 16 clubes entre 1909 e 1935, além da seleção brasileira, pela qual participou de sua histórica primeira partida, em 1914, contra o clube inglês Exeter City. E foi ele, também, que deu o primeiro título para o Brasil, o sul-americano de 1919, com um gol na prorrogação - sendo homenageado por Pixinguinha e Benedito de Lacerda com o chôro "1x0". Na época, os uruguaios, derrotados naquela decisão, batizaram Friedenreich de "El Tigre".
No Guiness Book of Records, ele é apontado como o maior artilheiro do futebol mundial em todos os tempos, com 1.329 gols. Essa informação foi publicada pela primeira vez por João Máximo no livro "Gigantes do futebol brasileiro", de 1965, baseado em relatos de amigos e familiares do atleta. Porém, há 9 anos, ao pesquisar os gols de Fried para o livro "O tigre do futebol", Alexandre Costa contabilizou apenas 556. Pelé confirmou sua coroa mas, como consolo, Fried apresenta uma média de gols superior: 0,99 (556 gols em 561 jogos) contra 0,93 do Rei (1.282 gols em 1.375 jogos). Na foto acima, vemos reunidos três de nossos maiores ídolos, cada qual em uma geração: Leônidas da Silva (décadas de 1930 e 1940), Friedenreich (dos anos 1910 e 1920) e o maior de todos, Pelé, (décadas de 1950, 1960 e 1970).
Pois então, além da data redonda de 75 anos do primeiro gol do profissionalismo no Brasil, registro nesse post uma descoberta que fiz há pouco tempo no cemitério de Pinheiros, bairro onde moro, em São Paulo: o túmulo desse herói nacional tão esquecido nos dias de hoje (veja abaixo).Detalhe do local onde repousa "El tigre" (Fotos: Marcão Palhares/ Futepoca)
Trata-se de um mausoléu coletivo da Associação Atlética Veteranos de São Paulo (vista geral abaixo), que está encostado no muro que dá para a calçada da rua Cardeal Arcoverde. Além de várias plaquinhas indicando o nome e datas de nascimento e morte de quem foi enterrado ali, há uma placa maior informando que a obra foi "iniciada em 1956 e terminada em 1963" pela associação, mais o nome dos sete integrantes da "Comissão de Ereção" (não é sacanagem, tenho a foto para comprovar!): Arnaldo Andreucci, José Centofanti, Paschoal Ferreti, Miguel Cury Jacob, Roque de Abreu, Candido Cortez e Cesar del Lucchese.
Outra placa diz que os idealizadores foram José Centofanti e Candido Cortez, e que a imponente escultura de metal (um atleta segurando uma tocha) foi projeto de J.A.Zampol. Na lápide, ao fundo, há desenhos e os símbolos de federações paulistas de vários esportes, como a de futebol (à direita). No mausoléu também está enterrado Lorival Ponce de Leon (1927-1965), atacante do São Paulo entre 1948 e 1951, período em que conquistou dois títulos paulistas, disputou 107 partidas e fez 52 gols. O "Almanaque do São Paulo", publicado pela Placar em 2005, sequer registra a data de seu falecimento.
Curioso é que, enquanto escrevia esse post, no intervalo de São Paulo x Palmeiras, a Globo exibiu cenas raras de um confronto entre Paulistano e Palestra Itália de junho de 1925. E mostrou uma foto de Friedenreich, um dos maiores ídolos do antigo Paulistano, que, naquele mesmo ano, foi o primeiro clube brasileiro a excursionar pela Europa.
Após uma goleada de 7 a 2 sobre a seleção da França, em plena Paris, a imprensa local passou a chamá-los de "os reis do futebol". Foram 9 vitórias em 10 jogos, com 30 gols marcados - 11 deles por Fried. Depois que o clube alvirrubro acabou, em 1929, parte de seus jogadores ("El Tigre" entre eles) se uniu aos atletas do também extinto alvinegro A.A.das Palmeiras para formar o primeiro São Paulo Futebol Clube, que misturou as cores dos dois, adotando o branco, vermelho e preto, e existiu entre 1930 e 1935. Mais tarde, uma brecha jurídica da época permitiu que o atual São Paulo fosse fundado com o mesmo nome, herdando também o escudo e as duas versões do uniforme. Interessante é que a FPF contabiliza o título paulista de 1931 para o Tricolor do Morumbi, mas sua própria diretoria não. Um "descende" do outro, mas são clubes distintos.
Sexta-feira, Julho 11, 2008
Beber, cair, levantar
Buenas, depois de um tombo cinematográfico, vários pontos no supercílio, duas costelas quebradas e dez dias no estaleiro, consegui saldar a dívida com a provedora e restabelecer a internet aqui em casa - e, conseqüentemente, o contato com o mundo dos vivos. Acidentes acontecem, mas sempre desconfio de praga de corintiano (rsrs). Brincadeiras a parte, o pior já passou: agora só dói quando respiro (pode parecer piada, mas quem já quebrou costelas sabe que é exatamente assim). O importante é voltar ao Futepoca e, aproveitando o resultado parcial da enquete sobre os assuntos preferidos pelos nosso leitores, vamos ao pitacos futebolísticos:
Seleção brasileira - Com o perdão da rima involuntária, a seleção convocada para Pequim não é de todo ruim. Dunga corre o risco de, aos trancos e barrancos, como em 1994, colecionar mais um título importante em seu currículo. Será que Ronaldinho Gaúcho conseguirá repetir o mesmo cala-boca que Ronaldo Nazário deu nos críticos em 2002?
Palmeiras - A aposta de Felipão em Ronaldo Obeso, aliás, pode ser comparada à de Vanderlei Luxemburgo no extraordinário goleiro Marcos (em termos de convicção e resultados). Não tem discussão: Marcos é seleção! E em todo jogo, o Palmeiras sempre livra, no mínimo, um pontinho. A continuar nessa toada, vai brigar, sim, pelo título. Neste domingo, vencerá o meu Tricolor.
São Paulo - Esse pessimismo - ou fatalismo - em relação ao meu time decorre menos dos últimos resultados do que da constatação, pura e simples, de que a equipe é fraca. Na justa derrota para o Náutico e no injusto empate contra o Ipatinga (que merecia ter vencido, não fosse o Rogério Ceni e a trave), comprovei que: 1) Como diz a Thalita, Richarlyson fora é reforço; 2) O time não tem lateral-esquerdo e, daquele lado, os adversários fazem a festa; 3) Joílson tem que jogar no meio, Muricy, no meio!; 4) Jorge Wagner e Aloísio já estão merecendo fazer companhia ao Dagoberto no banco, mas não há substitutos; 5) As prováveis saídas de Alex Silva, Hernanes e Miranda tendem a deixar a coisa ainda mais feia. Conclusão: temporada perdida ou uma (improvável) vaga na Libertadores. Um lugar na repescagem da primeira fase já mereceria rojões.
Santos - Não acredito que o Peixe seja tão fraco ao ponto de freqüentar a zona de rebaixamento, bem como o Fluminense. É fase - e deve ter algo a ver com a tal "terra arrasada" que Luxemburgo deixa quando sai de um clube. Os dois reforços mostraram serviço no último jogo e a tendência é o time engrenar. Só que algo me diz que não será com o Cuca...
Corinthians - Não acompanho a segunda divisão, mas a mídia "são-paulina" me mantém constantemente informado sobre as sucessivas vitórias e goleadas do alvinegro paulistano. Literalmente sem adversários, o clube deve garantir o acesso e o título de forma invicta, em pouco tempo. Não gostei da postura do Mano Menezes na derrota para o Sport, mas o trabalho que ele faz no Corinthians merece elogios.
Fluminense - Pra variar, era quarta-feira e não vi o jogo. Deu LDU, o que é melhor do que um time argentino. O Flu caiu - e eu também, quase que no mesmo horário...
Pronto, palpitei. Volto agora aos comprimidos de codeína, às cápsulas de cetoprofeno e ao colete que tenta manter os ossos soltos no lugar. E o Ministério dos Jornalistas que Vão ao Bar Sem TV na Quarta-Feira à Noite adverte: Se beber, não caia; Se cair, cuidado com os ossos; E se quebrar as costelas, evite hospitais públicos!
Quinta-feira, Julho 10, 2008
Notas de um bom futebol
Não vi as outras partidas, claro que por estar em frente à TV para Galo e Flamengo, no Mineirão.
O resultado, empate em 1 a 1, poderia ser melhor. Como aconteceu antes contra o Palmeiras, o Atlético Mineiro pedeu muitas chances de gol, principalmente no segundo tempo. Faltou, mais uma vez, competência para o ataque. Mas é verdade também que o Flamengo teve chances no contra-ataque e poderia ganhar mais uma.
De qualquer forma, foi uma ótima partida de futebol. A esperança é que agora com os times voltados apenas para o Brasileirão, enfim melhore o nível, que estava sofrível até então.
Para não dizer que não vi nada além do próprio umbigo, assisti a pedaços de Flu e Atlético Paranaense no primeiro tempo. Os três a zero foram falsos. Os paranaenses poderiam empatar ou até ganhar na primeira etapa. Não fizeram e tomaram.
Bom para o Flu, que mesmo sem dois de seus maiores jogadores, os Thiagos, conseguiu vencer e começar a subida para fora da zona de rebaixamento.
Só uma provocação para terminar. São Paulino não aparece mesmo em dia de derrota?
Segunda-feira, Julho 07, 2008
O tropeço (ainda) não derrubou
Rubens Chiri/saopaulofc.net
O São Paulo deu vexaminho ontem, pelo Campeonato Brasileiro. Empatou em um gol com o fraco Ipatinga, em casa. E, se não fosse Rogério, que defendeu pelo menos três bolas muito difíceis, poderia ter sido pior.
O Tricolor jogou mal inteiro, mas, surpreendentemente, a zaga falhou demais. Alex Silva e Miranda estiveram irreconhecíveis. Alex até quis sair no braço com o Zé Luis. Será que é por isso que o Muricy tanto esbraveja contra as especulações antes da janela de transferências? Estariam os dois zagueiros com a cabeça na Europa e nos seus possíveis salários em euros? Que seja, não é comum um jogo tão ruim assim dos dois. Espero que tenha sido um ponto fora da curva da normalidade.
Mas, de qualquer forma, o empate não parece ter prejudicado muito o time na tabela. Com a vitória, o São Paulo apenas teria subido uma posição, ultrapassando o Náutico e colando no Palmeiras. E o Ipatinga não é adversário na busca pelo título (ou pela vaga na Libertadores).
Uma vez ouvi o Casagrande dizendo que, nos torneios de pontos corridos, existem vários pequenos campeonatos: o que vale o primeiro lugar, aquele pela classificação para outros torneios e o do rebaixamento. São Paulo e Ipatinga não dusputam o mesmo campeonato. Se a teoria vale mesmo, um tropeço diante do Ipatinga não é tão ruim (isso só na tabela, claro, porque empatar com o Ipatinga dói).
O São Paulo impediu que o Flamengo ganhasse 3 pontos em casa e arrancou um empate com o Cruzeiro, também fora. Aí, prejudicou adversários diretos.
Por isso, as próximas três rodadas, contra Palmeiras, Náutico e Vitória, serão decisivas para o São Paulo mostrar qual campeonato está disputando. O principal, o pela Libertadores ou, no máximo, aquele que vale a Sulamericana?
A torcida imaginária da Globo
O assunto não é novo, mas como continua a acontecer, merece menção. Ontem, após secar Roger Federer e assistir a um jogo épico na final de Wimbledon, vi o restinho da partida entre Atlético (MG) e e Palmeiras. Parecia até que o confronto era no Palestra Itália. Só se escutava a torcida do Verdão, de forma tão nítida que chegava a rivalizar com a narração e os comentários. Em franca minoria entre os 35 mil pagantes no Mineirão, a Globo fez com que chegassem aos nosso ouvidos a adaptação da torcida verde de Asa Branca, praticamente uma segunda morte de Luiz Gonzaga, e outra “versão”, do Dale Boca, pra mim prova do complexo de vira-latas eterno que volta e meia se manifesta nesse pais, além de brutal falta de criatividade (antes que digam, não é exclusividade da torcida palestrina).
Na final a Copa do Brasil, os corintianos, que representavam pouco mais de 5% da torcida na Ilha do Retiro, tinham seus gritos transmitidos para todo Brasil, enquanto o correto Cléber Machado narrava quase com lamentação os gols do Sport. O assunto foi pauta no Extracampo e no De Primeira, onde o colunista Julio Moreira explicou o recurso: “O áudio foi captado e divido em 3 canais - o do narrador, o da torcida do Corinthians e o geral do estádio. Então, o diretor técnico aumenta o volume do canal da torcida do Corinthians e diminui o volume geral do estádio.”
Fiquei impressionado com esse tipo de recurso quando, na partida entre Cruzeiro e Santos, mesmo com o time paulista perdendo por 1 a 0, só se ouviam os santistas cantarem em pleno Mineirão. Mesmo com a goleada, de novo o “fora Leão” que se gritava superava uma maioria feliz no estádio. O mesmo se repetiu no domingo retrasado, no jogo entre Cruzeiro e São Paulo.
A lógica, pra variar, é comercial. Como a partida não é transmitida para a praça em que ela acontece (exceção à final da Copa do Brasil), busca-se privilegiar o mandante, ainda mais sendo de São Paulo, foco principal dos anunciantes. Mas existe uma clara distorção da realidade, ainda mais quando o locutor corrobora a farsa dizendo: “e olha como canta a torcida do [time paulista].”
Transmissões esportivas têm um caráter de espetáculo, de entretenimento, e os recursos eletrônicos e palpiteiros de cabine estão aí pra isso. Mas também merecem um tratamento jornalístico, e isso a Globo faz bem, com repórteres de campo competentes e outros profissionais que dão uma bela retaguarda ao que acontece na rodada. Entretanto, quando falseia o som ambiente de forma tão grotesca, acaba jogando por água abaixo qualquer esforço de todos ali envolvidos, reforçando bairrismos e ludibriando o espectador comum.
Se for pra abandonar o critério jornalístico, talvez seja melhor contratar os humoristas do Pânico para fazer reportagens de jogo e, quem sabe, a Lucia Hippolito para comentar da cabine, para ouvirmos mais análises e ilações de nível como a descrita aqui. Já que é circo...
Quarta-feira, Julho 02, 2008
Cabine para quem quer dizer que não está no bar
Atenção manguaças que que sofrem com a "rádio-patroa": um bar da região dos Jardins, na capital paulista, instalou uma cabine telefônica (foto) que simula sons para despistar o real paradeiro dos clientes. Ela emite barulho de carros, buzina, avião, tiroteio e até gemidos. Nessa cabine batizada de "cornofônica", o bêbado mentiroso pode inventar tranqüilamente a mentira que quiser, com suporte da "sonoplastia". Leopoldo Buosanti Neto, dono do bar, teve a mirabolante idéia a partir da observação: "Eu via o pessoal saindo desesperado até a rua para atender o celular porque não queria que a mulher descobrisse que estava em um bar". Mas atenção, bêbados barbados: o empresário revela que a invenção tem feito muito sucesso entre as mulheres. "A opção que elas mais usam é do barulho de trânsito", avisa.
Terça-feira, Julho 01, 2008
UM MINUTO DE SILÊNCIO
Nosso querido Bar do Vavá, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, fechou definitivamente suas portas. Termina uma saga de 52 anos, 3 meses e 11 dias da família de origem portuguesa Cardoso Salvador, passando pelo pai, João, que abriu o boteco, até os filhos, Wilson, João e Washington (o Vavá), que mantiveram o estabelecimento aberto por décadas e cativaram centenas de freqüentadores e amigos. Para mim, nunca mais haverá um fórum tão adequado. Ao inesquecível Bar do Seu João, Lanchonete Jardim, Gardenburger, Bar do Elvis ou simplesmente Bar do Vavá, dedico os versos imortais de Adoniran Barbosa como carinhoso epitáfio:
saudosa maloca
maloca querida
dim-dim-donde nóis passemo
dias feliz de nossas vida...
Quinta-feira, Junho 26, 2008
Mais um que partirá sem deixar saudades
Os adversários sempre criticam a "mídia são-paulina" por exaltar o "planejamento" do clube da Vila Sônia. Muitas vezes, têm toda razão. Eu pergunto, por exemplo: cadê o Reasco? Sim, aquele lateral-direito equatoriando comprado pelo São Paulo da LDU em 2006, cujo contrato termina em agosto próximo. Que logo na estréia sofreu uma lesão na fíbula, voltando ao time só no ano seguinte. Que virou titular quando Ilsinho foi para a Ucrânia mas, em jogo contra o Botafogo carioca, em agosto de 2007, fraturou a tíbia da perna esquerda e precisou ser novamente operado. Que retornou seis meses mais tarde e se machucou de novo, por isso não atua desde 8 de março, na derrota para a Portuguesa. Cadê ele? Dizem que o São Paulo não tem interesse em renovar seu contrato. E aí? A gloriosa mídia esportiva não vai apontar o dedo para esse "furo n'água" do São Paulo? Do time que só faz contratações acertadas, que não gasta dinheiro à toa, que é exemplo no planejamento e na recuperação de atletas?
Fuçando na internet, não consegui descobrir quanto o clube gastou com Reasco. Um cara de um site são-paulino especula que tenha sido algo em torno de US$ 1,5 milhão (aproximadamente R$ 2,8 milhões, na época, e de R$ 2,4 milhões hoje). Alguém pode até considerar que o valor é baixo, que o Reasco deu azar pelas seguidas contusões. É um bom argumento, mas quando ele esteve em campo, em plenas condições, não convenceu ninguém - prova disso é que Muricy preferia improvisar o Souza. Outros podem até aceitar a tese do palmeirense Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista ao Futepoca e Diplô, de que o São Paulo contrata um monte de jogadores porque já sabe que vai vender outros. Reasco seria parte dessas contratações "por baciada", para suprir buracos como a venda de Ilsinho. Tudo bem, pode até ser uma opção. Mas nada disso muda a minha opinião de que a compra do Reasco foi, pura e simplesmente, um erro. Isso a "mídia são-paulina" parece não ter a menor vontade de dizer. E em agosto, Reasco irá embora sem deixar saudades. Como Dill, Rondón, Vélber, Leandro Bomfim, Rodrigo Fabri & companhia ilimitada. Isso é planejamento?
Quarta-feira, Junho 25, 2008
Lula são-paulino?!??

Nosso mais novo colaborador, Clóvis Messias, envia a foto acima, em que aparece entrevistando Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. E conta o seguinte "causo":
Lula em campo adversário. Esta foto foi tirada na liderança do PT, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O líder era o deputado, são paulino, Geraldo Siqueira. O assessor de imprensa a quem pertence a faixa comemorativa do campeonato paulista de 1989 era Ronaldo Cabral. Na opurtunidade eu disse ao Lula, brincando, lógico, que para chegar ao Planalto ele teria que evoluir futebolisticamente, e sentir o prazer de ser tricolor. Ele permaneceu corinthiano, e eu errei. Se jornalista acertasse tudo sempre ganharia na loteria esportiva. Abraço a todos, Clóvis.
Terça-feira, Junho 17, 2008
Há 16 anos...
...o São Paulo ganhava seu primeiro título da Libertadores. A final foi contra o Newell's Old Boys. O primeiro jogo, fora, foi 1 a 0 para os argentinos. A volta, no Morumbi, terminou 1 a 0 também, mas para o São Paulo. Nos pênaltis, 3 a 2 para o Tricolor.
Se eu falar que eu lembro, estarei mentindo. Vendo o vídeo, pra relembrar como foi, o que mais me surpreendeu foi a invasão de campo da torcida. As arquibancadas ficaram quase vazias, foi um negócio espetacular. Eu queria invadir o campo assim algum dia. Mas acho que vou ficar só na vontade...
Sábado, Junho 07, 2008
Aproveitando o momento
Uma série de motivos me fez deixar de escrever sobre o São Paulo aqui no Futepoca nos últimos dias. A derrota para o Fluminense foi o mais importante, a série de empates no Brasileiro não ajudou, a invejinha ao assistir o Corinthians e o algoz Fluminense avançando nas competições acabou de vez com a motivação.
Além disso, palpitar sobre o time no começo de um campeonato longo, de pontos corridos, é pedir para errar a avaliação. Ano passado Marcão e eu detonamos o time no início do Brasileiro e deu no que deu. Bom, melhor errar assim do que apostar no tradicional cavalo paraguaio, também conhecido como Botafogo.
Por isso, eu não ia escrever nada específico sobre a vitória do São Paulo sobre o Atlético-MG. Ela não significa nada sobre o desempenho do time no campeonato todo.
Maaaaaas....
André Dias mudou tudo! Nosso ilustre torcedor atleticano, integrante deste blog, jurou que iria ao Morumbi neste sábado só para conferir de perto o desempenho do zagueiro grosso como volante. Na sexta a imprensa noticiou que André Dias iria ao gramado deslocado, por conta da escassez de volantes no time (aliás, está praticamente confirmado: Richarlysson fora é reforço).
Até eu esperava um fracasso, claro. Mas não é que o André fez um golaço??? Não sei se jogou bem, já que o jogo não passou nem na TV a cabo. E não importa, nesse momento o que vale é a piada. André Dias é craque!!!
E tenho que aproveitar, que ultimamente não tenho tido oportunidade de fazer muitas.

