Submarino

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Sexta-feira, Agosto 08, 2008

O encontro de Lula com a elite no Morumbi

O livro Sem medo de ser feliz (Scritta Oficina Editorial) é imperdível pra quem quer lembrar ou conhecer o que foi a campanha presidencial de Lula em 1989, talvez a mais emocionante da história política recente. Além de imagens fantásticas, o livro traz um depoimento do então assessor de imprensa de Lula, Ricardo Kotscho, e uma entrevista com o candidato derrotado feita em fevereiro de 1990.

Quando questionado qual teria sido o pior momento de toda a campanha, lia e esperava que a resposta fosse relativa ao depoimento pago de Miriam Cordeiro, sua ex-namorada, que patrocinou um sujo episódio no programa eleitoral de Fernando Collor. Mas, para minha surpresa, o pior momento de Lula aconteceu em um estádio de futebol.

Na véspera da votação do segundo turno, havia a final do Brasileiro entre São Paulo e Vasco, no Morumbi. Kotscho sugeriu a Lula que fosse assistir à final in loco, para aproveitar a cobertura da mídia e tentar desfazer o clima de terrorismo patrocinado pelo adversário, cujos correligionários espalhavam os piores boatos possíveis sobre o PT e seu candidato. As “acusações” iam desde futuros fechamentos de igrejas evangélicas que seriam realizados pelo barbudo até a atribuição de culpa ao partido pelo seqüestro de Abílio Diniz.

“Estávamos num dia tranquilo, eu tinha uma coletiva no sindicato, fomos tomar cerveja com os aposentados, num clima muito festivo. Aí seguimos para o Morumbi. Ah, minha gente, foi a coisa mais degradante que aconteceu na minha vida!”, contou Lula.
Kotscho descreve assim o momento:

Acontece que as cabines de rádio e TV ficam nas cadeiras cativas do Morumbi, o covil do que há de mais reacionário no país. Nem deu para ouvir a torcida do Vasco e parte da torcida do São Paulo cantando o “Sem medo de ser feliz” nas arquibancadas quando souberam da sua presença no estádio. Aos urros, histéricos, os elegantes senhores da mais fina sociedade paulistana reagiram como animais diante da passagem de Lula, dando uma idéia do que seriam capazes de fazer em caso de vitória da Frente Brasil Popular. Chegaram até a cantar o Hino Nacional, junto com as palavras de ordem de Collor, mas só com algumas estrofes, já que esqueceram a letra, e voltaram a gritar palavrões com todos os preconceitos de classe imagináveis. (...)
Devido ao horário, as cenas de collorismo explícito do Morumbi tiveram quase repercussão nenhuma na imprensa, mas calaram fundo na já abalada alma do candidato, habituado a ser aclamado e não vaiado por onde passara nos últimos dias, semanas e meses.


Curiosamente, quando perguntado sobre o melhor momento daquela campanha, Lula responde: “Eu me lembro especialmente do dia em que aquele povo todo começou a cantar no Rio de Janeiro, ainda no primeiro turno. Foi a primeira vez que cantaram “olê, olê, olê, olá...” Foi um negócio fantástico”. O canto era uma adaptação de um grito usual da torcida do Flamengo à época. Ali, o futebol jogou a seu favor.

Em tempo: no segundo turno, Lula teve no estado do Rio de Janeiro 63,79% dos votos contra 23,69% de Collor, a maior diferença conquistada a favor de um dos dois candidatos naquela eleição. Já em São Paulo, Collor teve 50,11% dos votos contra 36,43% do petista. Os senhores do Morumbi riram à toa.

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Terça-feira, Julho 15, 2008

Interiorano: A bancada dos torcedores

O ribeirão-pretano Rodrigo Garcia se candidatou a uma coluna no Futepoca sobre o futebol que acontece no interior de São Paulo. Para ser mais preciso, sobre a bola e os gramados fora dos holofotes. Ele estréia sua coluna com um currículo facilitado pelo chopp da cidade e pela vasta produção de cana-de-açúcar da região. Feita a apresentação, ao texto.

Por Rodrigo Garcia

O Poderosos de Brasília revelaram suas paixões pelos times brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Esporte Espetacular aponta as preferências dos parlamentares quando o assunto é futebol. Isso significa saber o assunto de boa parte das conversas nos bastidores da Câmara e do Sanado Federal, especialmente depois dos jogos.

Como se sabe, o presidente da República é corintiano, mas seus aliados no Congresso parecem não concordar nesse aspecto. Se o Flamengo tem a maior torcida do Brasil, isso está representado no Congresso com 98 torcedores. É o preferido.

Fluminense vem em segundo, com 44 parlamentares, empatado com a turma que se diz sem time – entre eles, meu destaque é para Paulo Maluf. Só depois vem o Corinthians, com 38 torcedores, coladinho ao Botafogo, com 37.

Na lista há também os pouco populares, como é o caso do time do coração da deputada Ângela Portela (PT-RR), o Baré Esporte Clube, de Boa Vista, campeão estadual em 2006. Outra curiosidade é dois Guaranis foram citados. O de Campinas nem apareceu, trata-se dos xarás de Minas e do Ceara.

A pesquisa foi realizada em junho de 2007, mas como o Flamengo é líder atualmente, deve haver um bom número de parlamenteares felizes. Será que isso se reflete em bons projetos e leis para o Brasil?


* Rodrigo Garcia é jornalista, botafoguense de Ribeirão Preto e adora o Chopp de Ribeirão Preto. Escreve no Futepoca a coluna Interiorano, sobre o futebol praticado fora das capitais. A estréia sobre Brasília é só pra confundir.

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Quinta-feira, Julho 10, 2008

Daniel Dantas e outros dez fora da cadeia

O habeas corpus levou menos de 48 horas para sair. Daniel Dantas e outros dez detidos na operação Satiagraha foram liberados na noite de ontem, 9. Celso Pitta e Naji Nahas seguem na sede da Polícia Federal.

Jornalistas fizeram plantão por lá durante o dia para ouvir os advogados de defesa queixosos por não terem acesso aos autos do inquérito, mas apenas à decisão que determinava a prisão dos investigados para coleta de provas.

No plenário do Senado, parlamentares como Arthur Virgilio e Heráclito Fortes defenderam os direitos de defesa e de preservação da imagem dos alvos da operação da Polícia Federal. Mostrá-los em algemas é um exagero, dizem.

Divulgação


O ministro Tarso Genro reconheceu que a imagem de Pitta sendo acordado, de pijama, exibida pela Globo, foi uma violação de normas internas do novo manual da Polícia Federal. Segundo ele, a exposição que cause constrangimento ao preso ou viole os direitos individuais garantidos pela Constituição é proibida.

Vale lembrar que esses protestos ganham a tribuna do Congresso quando as vítimas são banqueiros, políticos e empresários, enquanto a crítica à aplicação das algemas em adolescente, por exemplo, recebe bem menos atenção.

As queixas contra as "arbitrariedades da PF" aconteceram antes na prisão de Adriano Schincariol, diretor-superintendente do grupo, e outros executivos. Também aconteceu na operação Persona, da Cisco, e na operação 274, com postos de gasolina. Até na prisão do narcotraficante Juan Carlos Abadia houve esse tipo de queixa – em virtude de endereço errado.

Enquanto isso, nas análises do caso, repetir o que disse Paulo Henrique Amorim ganhou estatuto de lugar comum. Dantas tinha sua bancada no Congresso e circulava tanto no governo Fernando Henrique Cardoso quanto no de Lula. E torcer para que alguma bomba caia em colo governista virou a aposta da oposição.

Se o trânsito era tão intenso, deve ter gente preocupada. Já tem até ranking de nervosismo pós-Satiagraha.

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Quarta-feira, Julho 02, 2008

Se o problema é esse, o Lula resolve!

O ex-prefeito de Londres, Ken Livingstone (à direita), afirmou ao jornal The Independent que, para garantir as Olimpíadas de 2012 na capital inglesa, só teve de passar a noite bebendo com os delegados do COI (Comitê Olímpico Internacional), responsável pela escolha da sede dos jogos. "Esta foi a razão pela qual conseguimos ser a sede da Olimpíada de 2012", garantiu Livingstone. "Nem me lembro como fui capaz de achar minha cama depois daquela noite", entregou o ex-prefeito, que hoje é apresentador de rádio. Na semana passada, quando assinou o projeto de lei que dá crédito de R$ 85 milhões para custear a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas de 2016, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que a cidade terá de travar "um grande embate político" para vencer Madri, Tóquio e Chicago. Tá no papo: se o "embate" for o que Livingstone revelou, Lula tem todas as condições de trazer os jogos para o Brasil. Biocombustível neles!

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Quarta-feira, Junho 25, 2008

Lula são-paulino?!??


Nosso mais novo colaborador, Clóvis Messias, envia a foto acima, em que aparece entrevistando Luiz Inácio Lula da Silva, em 1989. E conta o seguinte "causo":

Lula em campo adversário. Esta foto foi tirada na liderança do PT, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O líder era o deputado, são paulino, Geraldo Siqueira. O assessor de imprensa a quem pertence a faixa comemorativa do campeonato paulista de 1989 era Ronaldo Cabral. Na opurtunidade eu disse ao Lula, brincando, lógico, que para chegar ao Planalto ele teria que evoluir futebolisticamente, e sentir o prazer de ser tricolor. Ele permaneceu corinthiano, e eu errei. Se jornalista acertasse tudo sempre ganharia na loteria esportiva. Abraço a todos, Clóvis.

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Terça-feira, Junho 10, 2008

Lula comemora guerra do Paraguai, depois recebe Nicanor Duarte

A secretaria de comunicação da Presidência da República distribuiu uma prévia da agenda do presidente Lula com uma seqüência de atividades que representa, no mínimo, uma gafe nas relações com o Paraguai. Uma atividade comemora o aniversário de uma batalha na guerra contra o país no século XIX, e outra celebra a visita do atual mandatário da nação vizinha.

Às 16h desta quarta-feira, 11, está prevista uma comemoração pelos 143 anos da Batalha de Riachuelo, no Grupamento de Fuzileiros Navais. O conflito naval foi travado às margens do rio de mesmo nome, durante a Guerra do Paraguai, em 11 de junho de 1865.

Reprodução

Reprodução de Batalha naval de Riachuelo, de Victor Meireles,
do acervo do Museu de História Nacional do Rio de Janeiro


Quatro horas depois, às 20h, Lula recebe o presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos. O mandato de Duarte tem apenas mais dois meses, já que Fernando Lugo foi eleito em maio e deve assumir em 15 de agosto. Mas ele ainda está no cargo.

A prova está na agenda distribuída pela página da Presidência na internet. Clique aqui.

Foto: Ricardo Stuckert/Pr
1910RS004.jpg
Presidente Lula cumprimenta o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, durante
atividades da 17ª Cúpula Ibero-Americana, em novembro de 2007
: "Passa lá, em Brasília,
qualquer dia desses."


Bem feio
Os paraguaios chamam o conflito: Guerra Contra la Triple Alianza ou Guerra Grande. Atualmente historiadores apontam a influência britânica no conflito, praticamente o último em que o Brasil se envolveu nacionalmente – pelo menos como ator principal. Uma visão paraguaia sobre o conflito está aqui. O governo Duarte nem ficou sabendo. Ainda.

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Terça-feira, Junho 03, 2008

O último canto do "maldito"

Hoje faz uma semana que perdemos Austregésilo Carrano Bueno (foto), ativista da luta antimanicomial que inspirou o filme "Bicho de sete cabeças", de Laís Bodansky. Morreu no Hospital das Clínicas, em São Paulo (perto da minha casa, sem que eu soubesse), aos 51 anos, vítima de câncer no fígado. Fiquei mal com a história, pois conheci Carrano em 2001, no lançamento do filme em Fortaleza (CE). Na época, eu fazia assessoria de imprensa voluntária para a luta antimanicomial. Ficamos amigos, por assim dizer. Sempre nos encontrávamos para beber e conversar quando ele ia ao Ceará, trocávamos emails. Ele me contou o quanto os hospícios foram financiados pela ditadura militar, como alternativas de prisões políticas, e me presenteou com o livro "Canto dos malditos", base da versão cinematográfica. Só que o texto de Carrano, autobiográfico, é uma porrada no estômago, faz o filme parecer um conto de fadas.

Internado aos 17 anos pelo pai, que foi aconselhado por um amigo policial a agir assim depois de descobrir cigarros de maconha na jaqueta do filho, Carrano viveu quase uma década sedado, sofria agressões e sessões sádicas de eletrochoque - práticas comuns nos hospícios. Uma vez ele pediu para eu apalpar a base de seu crânio, perto da nuca, onde havia um desnível provocado pelas pancadas que dava com a cabeça quando era eletrocutado. Também mordeu e engoliu parte da língua numa dessas sessões de horrores. Na época que ele me deu o livro, a obra estava proibida por pedido judicial da família do proprietário do hospital espírita onde foi internado nos anos 1970. Carrano chegou a ser ameaçado de prisão e de pagar R$ 60 mil de multa pelo o que havia escrito e publicado. Seus emails falavam dessa briga.

Depois de ler "Canto dos malditos" fiquei tão atordoado que "transpirei" uns versos angustiados. Pensei em mostrar para o Carrano, mas não deu tempo. Transcrevo meu escrito abaixo, portanto, como homenagem póstuma a esse grande cidadão, que chegou a ser homenageado em vida, em 28 de maio de 2003, pelo Ministério da Saúde e pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por sua luta e empenho na construção da rede nacional de trabalhos substitutivos aos hospitais psiquiátricos no Brasil. Valeu, Carrano!

PELOS CANTOS

sinto solto o sangue
sento, santo
sufocando o canto
dos malditos

sangro sem saber
e ouço sempre
gritos, prantos
mal contidos
pretos, brancos
mal vestidos
sujos
cegos, surdos
praguejando mudos
contemplando o muro
sem saída

sigo só e sonolento
tento ser, nessa cabeça
alguém
mas não sou

sopro a sede
a boca seca pede
e não impede a morte
sério, sangro e morro
sem sucesso
sem socorro
ressuscito
sofro
santo, morto
assim
maldito até o fim

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Segunda-feira, Junho 02, 2008

Lula apresenta miniatura do "meu carro verde" e promete álcool inalável

Clóvis Rossi conta, na Folha de S.Paulo desta segunda-feira, 2, a apresentação do Carro-Verde pelo presidente Lula.

O presidente estava numa entrevista na embaixada do Brasil em Roma, onde esperava para a assembléia da FAO, órgão da ONU para a fome. Falou do petróleo, que o poço de Tupi vai começar a produzir em março uns 20 mil barris de petróleo. "Palpite de leigo", explicou.

Mas o melhor viria a seguir. O "meu carro verde", produzido com "polietileno verde", derivados da cana-de-açúcar, e não do petróleo. A produção é feita a partir de uma gigante brasileira dos petroquímicos e uma montadora japonesa.

Ele apresentou só uma miniatura, trazida pela primeira dama, Marisa Letícia. E prometeu novos avanços: o álcool inalável. "Com esse carro, ninguém precisa beber álcool, é só cheirar o carro", animou-se.

Foto: Valter Campanato/ABr

Marisa traz o carrinho pro presidente. "Meu carro verde".

O presidente vem falando do carrinho desde setembro do ano passado, em artigo para um jornal sueco. Sobre os derivados de cana, os biógrafos do presidente não foram localizados para determinar a primeira referência relacionada ao tema.

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Sexta-feira, Abril 25, 2008

Pelé e Pepe tabelam na aposta na Ponte Preta. Lula também

Primeiro foi Pelé, segundo a coluna "De Prima", do "Lance!". "É bom tomar cuidado com a Ponte, que tem tudo para surpreender".

Entende?

Por mais que eu torça pra ele estar errado, é bom dizer que é mentira que o Rei do Futebol só dê bola fora nos palpites. Ele tinha um mau-pressentimento no jogo entre Brasil e França nas quartas-de-final de 2002, e disse que a parceria do Corinthians com a MSI não ia dar certo.

Depois o Pepe: "Olha, com todo o respeito ao Palmeiras, eu torço para que a Ponte possa beliscar esse título, como aconteceu com a Internacional há 22 anos", declarou o ex-técnico da Internacional de Limeira. "Vai ser difícil, o Palmeiras tem uma grande equipe, um bom treinador e até pode ser considerado favorito. Mas confio na Ponte Preta".

O atual supervisor de futebol da Itapirense, de Itapira (SP), na Série A-3 do Paulistão, foi o técnico vencedor em 1986, contra o Palmeiras.

Depois da derrota foi que eu descobri, aos seis anos de vida, entre lágrimas e uma tristeza sem fim, que eu era parmerista mesmo... Antes, eu nem sabia direito o que era torcer.

Natural que se seque o time grande numa decisão contra um do interior. Até o presidente Lula recebeu camisa da Ponte.

Reprodução: GloboEsporte


São Marcos salve o Palmeiras de tanta torcida contra.

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Segunda-feira, Abril 07, 2008

Os incomodados que fundem outro partido

Essa é a proposta política de Heloísa Helena (foto), a queridinha da imprensalona brasileira para vociferar discursos contra o Lula, o PT, o José Dirceu, o Chávez e o que mais a pauta da Folha e da Veja estiver precisando. Durante megaevento de filiação de 127 pessoas ao PSol na Câmara de São Bernardo do Campo (SP), no domingo, a presidente da sigla foi bem objetiva:

"-Nenhum partido é dono da bandeira dos trabalhadores. O PT traiu as nossas reivindicações e, por isso, a gente fundou outro partido. Se acontecer de os companheiros do PSol se venderem para o capital e traírem os trabalhadores, a gente funda outro partido".

Tradução livre: se a bola não for minha, eu tiro o time de campo.

Ps.: Assediada por "fãs" para posar para dezenas de fotos, Heloísa Helena foi questionada por um repórter, em tom de brincadeira (um tanto séria), se isso não daria munição ao PT para acusá-la de stalinismo/ culto à imagem. Resposta da líder psolista: "-É mesmo. Dizem que a foto rouba a alma das pessoas". E continuou posando.

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Quarta-feira, Abril 02, 2008

Lula: mais popular que futebol e cerveja no Brasil

Fantástico o exercício de comparação do blogue Opiniões-Sérgio Telles (http://stelles.blogspot.com/) sobre a dimensão da popularidade de 73% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo pesquisa CNT/Sensus divulgada em março. Vamos às conclusões:

1 - Lula é mais popular que o futebol
Considerando dados de pesquisa CNT/Sensus de outubro do ano passado, 67,3% gostam ao menos um pouco de futebol, ou seja, menos do que os que aprovam o presidente. Mas Telles vai além: "Uma pesquisa do atual DEMo (ex-PFL), no meio do ano passado, aponta que o PT é preferido por 28,2% da população, mais do que a soma das 2 maiores torcidas brasileiras. Ou seja, melhor que dizer 'vai contar só pra torcida do Flamengo', é falar 'vou contar para os que preferem o PT'. Enfim, Lula é mais popular que o futebol e o PT mais popular que Flamengo e Corinthians somados".

2 - Lula é mais popular que a cerveja
Segundo o 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, 48% se declararam abstêmios, ou seja, não consomem qualquer bebida alcoólica. Dos demais 52%, cerveja ou chopp são consumidos por 61% desses. Ou seja, apenas 31,7% da população bebem cerveja. "Conclui-se que o governo Lula é muito mais preferido que cerveja pelos brasileiros", sentencia Sérgio Telles.

3 - Lula é mais popular que o catolicismo
Em pesquisa do DataFolha de maio do ano passado, 64% dos brasileiros se declararam católicos (praticantes ou não). "Logo, conclui-se que Lula é mais popular que a Igreja Católica no Brasil", diz Telles.

4 - Lula é mais popular que o Carnaval
Pesquisa CNT/Sensus feita recentemente apontava que apenas 41,2% dos brasileiros gostam da festa. Telles novamente: "Lula e seu governo são amplamente mais populares que o Carnaval".

5 - Lula é quase tão popular quanto sexo
Pesquisa de Bem-Estar Mundial da Durex, de 2006, diz que 76% dos brasileiros são sexualmente ativos. Segundo a mesma pesquisa, por coincidência ("e apenas isso", frisa Telles), o mesmo índice dos que não aprovam Lula (27%) é o dos que têm falta de libido e também de homens com dificuldades de ereção. "Outra coincidência", observa Telles, "é que os especialistas em sexologia sempre apontam que 30% das mulheres costumam não conseguir orgasmo de nenhuma maneira, também o mesmo percentual das que não aprovam Lula neste segmento da população".

Alguém imagina essa série de comparações como capa da Veja?

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Quinta-feira, Março 27, 2008

Primeiro passo para o Manguaça Cidadão

Em discurso no fórum empresarial entre Brasil e México (foto), em Recife (PE), o presidente Lula deu a deixa para que seja apresentado o programa Manguaça Cidadão, proposta do Futepoca de complemento ao Bolsa Família, para que o trabalhador brasileiro tenha garantida uma cota mensal de bebida alcoólica, ainda que mínima - para, dessa forma, não desviar a verba da comida. E foi exatamente isso o que Lula argumentou: "Nós, além de dar (dinheiro) aos pobres, estamos dando para as mulheres. Porque o homem ainda pode parar no bar e tomar aperitivo com o dinheiro do Bolsa Família. Pode! Se ele tiver vontade, ele pode!", frisou. Ora, presidente, se "ele pode", faça um benefício a parte, desvinculado do Bolsa Famíla! Manguaça Cidadão já!

Ps.1: Lula deu dois motivos para o homem "parar no bar": "Se o Curintia (sic) perdeu, se a seleção perdeu". Considerando o resultado do clássico paulista disputado ontem, ele deve ter tido vontade de "parar no bar"...

Ps.2: Sarcástico, o presidente afirmou que o Brasil tem know-how para salvar bancos, citando o vergonhoso PROER de Fernando Henrique Cardoso: "Se (os EUA) precisarem, podemos mandar esta tecnologia", tripudiou Lula. Taí: esse governo arruma emprego até para o FHC!

Ps.3: Voando no céu de brigadeiro da economia brasileira, Lula não perdeu a chance de provocar o "império": "Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve a tua crise!".

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Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Bonecos de vudu são achados em câmara de vereadores no RS

A insatisfação com a classe política está chegando a um nível insuportável para parte da população, que já está apelando para negócios, digamos, metafísicos. No começo da tarde de ontem, um funcionário da câmara de vereadores de Pelotas, interior do Rio Grande do Sul, achou no porão do prédio um "trabalho vodu".

Tratava-se de um caixão preto, com uma cruz na tampa. Dentro do mesmo, sete bonecos vermelhos com as fotos de cinco dos 15 vereadores coladas, espetados com alfinetes pretos nos olhos e em várias partes do corpo. O parlamentar Cláudio Insaurriaga (PV), conhecido popularmente como Cururu, garante que um "especialista" (?) assegurou ser o artefato um trabalho de magia negra, que teria custado cerca de 3 mil reais.

Ainda de acordo com Cururu, os bonecos tinham os rostos dos integrantes da Mesa Diretora da Casa, Otávio Soares (PSB), Adalim Medeiros (PMDB), Mansur Macluf (PP), Idemar Barz (PTB) e Diosma Nunes (PP), todos com fotos oficiais do site da câmara.

Por meio das gravações das câmeras de vigilância, ainda não foi possível apurar quem teria deixado os objetos no porão.

Vodu e política

O uso do vodu relacionado às hostes políticas não é novidade. No Haiti, o ditador François Duvalier, o Papa Doc, utilizava a magia vodu para amedrontar a população e também seus opositores. ele se afirmava com um líder semidivino ("apenas os deuses podem tirar o poder de mim", dizia") e fazia rituais de clarividência em seu palácio com tripas de cabra. Milhares de sacerdotes e feiticeiros das mais isoladas vilas do país lhe passavam informações e aumentavam ainda mais a sua fama.

Uma outra "vítima" famosa do vodu foi o presidente estadunidense Bill Clinton No começo de sua primeira gestão, durante o golpe militar no Haiti, apareceu nos bem cuidados nos jardins da Casa Branca um "trabalho" com velas e fitas multicoloridas, animais mortos e um boneco do político cravado com alfinetes.

No Brasil, em 2006 Garotinho acusou Lula de "fazer vodu na África" e de tomar "banho de pipoca", tentando arrebatar votos evangélicos para Geraldo Alckmin. Não funcionou muito bem a tática do bom menino.



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Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Presidente Futepoca: Corinthians e Vinícius de Moraes

O Campeonato Brasileiro nem terminou e as especulações para as próximas temporadas avançam. O surpreendente é que elas já estejam em 2011.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já sinaliza que poderia aceitar um convite do Futepoca para integrar seus quadros em 2011. Na quinta-feira, 29, o presidente deu duas declarações, sobre futebol e cachaça. Pelo cargo que ocupa, a política fica implícita.

O discurso foi proferido no Instituto de Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), no Rio de Janeiro, em meio a uma homenagem ao samba.

Primeiro, ele defendeu que o futebol seja considerado, à exemplo do gênero músical, patrimônio cultural brasileiro. Mas mostrou jogo de cintura nos comentários esportivos que caberiam perfeitamente numa mesa de bar.

"Ontem (quarta-feira) nunca torci tanto por um empate", começou, a respeito da periclitante derrota de seu time do coração. "Um jogador do Vasco cabeceia sem querer uma bola, que bate sem querer na perna de um jogador do Corinthians, que sem querer faz um gol contra", prosseguiu, concordando com o corintiano do plantel. "E o Vasco jogou o Corintians sem querer para a boca do abismo de jogar contra o Grêmio em Porto Alegre, e quem sabe passar para a segunda divisão", filosofa.

"Isso é triste. Mas de qualquer forma é alegre também. Porque muita gente diz que o futebol brasileiro não é sério. Precisamos lembrar que times como o Botafogo e o Fluminense já foram rebaixados. Times como o São Paulo e o Palmeiras também. Portanto, se o Corinthians for rebaixado é bom, porque significa que o futebol age com seriedade, porque desce quem tem que descer. O Corinthians está colhendo o que plantou. Não plantou nada, não vai conquistar nada. É a primeira vez que faço uma crítica ao Corinthians."

No mesmo discurso, falou da cachaça. "Percebi que sou um homem infeliz quando assisti ao filme sobre Vinícius de Moraes. Eu não tinha amizade com o Vinícius e não fui convidado para aquela casa de porta aberta que ele tinha em Petrópolis, onde qualquer um podia entrar – tinha bebida lá esperando – e beber sem pagar." Ainda asssim, o presidente disse estar satisfeito de estar onde chegou.



Resta saber se o Futepoca vai convidá-lo. Nos bastidores do Futepoca, especula-se que a crítica ao alvinegro seria mais uma tentativa de aproximação.

No discurso, o presidente ainda recomendou filmes

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Segunda-feira, Setembro 17, 2007

"Prova dos nove" OU "Chupa, Estadão!"

Ainda inconformado com a ótima avaliação do governo Lula, em pesquisa feita pós-linchamento do "apagão aéreo", o jornal Estado de S.Paulo decidiu tirar a prova dos nove. O resultado, publicado na edição de hoje, é hilário. A pesquisa Estado/Ipsos perguntou quem era o maior responsável pela estabilidade da economia. Resposta: Lula, com 67%, e Fernando Henrique Cardoso (sempre dão um jeito de ressucitá-lo!) com 7%. Depois questionaram os pesquisados sobre quem teve o melhor desempenho no apoio aos pobres. E deu Lula de novo (80%), deixando o sociólogo que falava francês comendo poeira (9%). Aí perguntaram sobre melhoria do poder de compra do brasileiro: Lula 73% x 16% FHC. Não satisfeito, o Estadão quis saber sobre o custo da cesta básica. Pra variar, deu Lula outra vez (73% acham que está melhor nesse governo, contra 15% no anterior). E, pra salgar a terra de vez, 66% dos pesquisados acham que o controle da inflação (bandeira-mor - ou única - de FHC) está muito melhor agora, e 19%, no governo passado. Os resultados pró-Lula foram tão acachapantes que, de candidata a manchete do jornal nesta segundona, o levantamento mereceu apenas uma discreta chamada de capa. O que será que o Estadão vai inventar agora?

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Leviandade

Pra variar, é sobre a mídia.

A colunista do Valor Econômico Rosangela Bittar explica, em seu texto de hoje, o motivo da saída de Paulo Lacerda, o delegado que mudou a Polícia Federal. Segundo ela, o problema foi a operação Xeque-Mate, que atingiu Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho de Lula, além de um compadre do presidente, Dario Morelli Filho. Lula teria ficado contrariado e decidiu, sem consultar Tarso Genro, ministro da Justiça, substituir Lacerda.

Bittar vê nas declarações de Genro e do novo diretor da PF Luiz Fernando Corrêa, de que a polícia vai pautar sua atuação pela discrição e busca de provas, não pela publicidade (as palavras são minhas, as deles foram mais suaves) como uma prova da motivação.

Claro que a ligação de Corrêa com setores sindicais da PF, com quem Tarso tem ligação, nadatem a ver com a mudança. Ela mesma afirma que Tarso sempre esteve desconfortável com Lacerda, que não se sentia responsável pelas ações da PF, mas isso também não tem nada a ver.

Como é leviano esse Lula!

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Segunda-feira, Agosto 06, 2007

Desconsolo

Simplesmente hilário o desconsolo de Renata Vasconcellos e Renato Machado (foto) no Bom Dia Brasil de hoje, na Globo, ao noticiar a pesquisa do Datafolha sobre a popularidade do presidente Lula, incólume após o linchamento midiático com a tragédia da TAM. De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados consideram o governo Lula ótimo ou bom, o mesmo índice da pesquisa anterior, em março. Para se animar, Renata Vasconcellos ainda enfatizou que, entre os 8% da população que viajam de avião, a popularidade do presidente caiu. Mas a cara de bunda do Machado traiu sua sensação de "dever não cumprido". Coitadinhos...

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Sexta-feira, Junho 08, 2007

E o Nassif não discorda

Há alguns dias, foi postado aqui elogio à postura de Luiz Inácio Lula da Silva por sua posição de estadista em oposição à blasanadora atitude de Hugo Chávez.

Eis que Luis Nassif, em seu blog, comenta a entrevista do presidente brasileiro à Folha de S.Paulo. Alguns trechos para dizer que o título do post do Futepoca é rigoroso:

A entrevista de Clóvis Rossi com Lula, hoje na "Folha" mostra, em termos de política externa, a envergadura da ação de Lula, a objetividade em saber o que é interesse nacional, a naturalidade com que transita na cúpula mundial. Tem clareza sobre a importância do Brasil na mudança da matriz energética.

Mesmo sua entrevista sobre a não renovação da concessão da
RCTV, na Venezuela, mostra uma segurança invejável para colocar as críticas e a defesa, entendendo perfeitamente até onde pode-se ir para não atrapalhar os planos de integração econômica do continente. Habemus política externa, sim, mesmo não produzindo resultados imediatos, como pretendem muitos.
Rigoroso, porém, com brecha para o oposto. Não entendeu? Eu tampouco.
Se, no plano da política econômica interna, Lula tivesse a mesma clareza sobre os chamados interesses nacionais, teria sido o estadista de que o país necessita.
O jornalista mostra disposição em concordar com o governo, o que não é um problema. Ele acredita que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pode "minorar essas perdas", ao organizar a bagunça, listar projetos e definir modos de acompanhamento para melhorar o processo.

Depois de ler os últimos textos e comentários que escrevi no Futepoca sobre política, concluo, pois, com auxílio do Conselheiro, que estou mais na oposição do que outros. Pelo menos há menos vontade de ser situação. Essa vontade só não desaparece por completo, porque não é confortável o limbo da falta um bloco na oposição em que o incômodo seja menor do que estar na sustentação do governo.

Então, vou pro bar procurar definições políticas.

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Quarta-feira, Junho 06, 2007

Pronto, provoquei

É piada velha comparar os discursos do candidato esquerdista Lula com os do companheiro presidente centrista. Mas caí em tentação e aí vai.

Em entrevista concedida em 2000 à Caros Amigos, o então eterno candidato Luiz Inácio Lula da Silva declarou:

"Não se justifica num país, por maior que seja, ter alguém com 30 mil alqueires de terra! Dois milhões de hectares de terra! Isso não tem justificativa em lugar nenhum do mundo! Só no Brasil. Porque temos um presidente covarde, que fica na dependência de contemplar uma bancada ruralista a troco de alguns votos."

Já presidente, em março deste ano, mandou essa durante um evento em Goiás:

"Os usineiros de cana, que há dez anos eram tidos como se fossem os bandidos do agronegócio neste país, estão virando heróis nacionais e mundiais, porque todo mundo está de olho no álcool. E por quê? Porque têm políticas sérias. E têm políticas sérias porque quando a gente quer ganhar o mercado externo, nós temos que ser mais sérios, porque nós temos que garantir para eles o atendimento ao suprimento."

Deixo os comentários para a galera.

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Sexta-feira, Junho 01, 2007

Imortalidade e imortalidade risível

"O [presidente venezuelano, Hugo] Chávez tem que cuidar da Venezuela, eu tenho que cuidar do Brasil, o [presidente dos EUA, George] Bush tem que cuidar dos Estados Unidos e assim por diante."
A cada semana que passa, mais clara fica a diferença entre Lula e Chávez. O presidente brasileiro, um líder que tem noção do que é liderança, das responsabilidades que isso implica, da grandeza que exige. O venezuelano, um chefe de estado que até merece respeito, mas, como líder, um fanfarrão que pode estar cavando a própria sepultura sem saber, de tanta fanfarronice.
Isso me lembra A Imortalidade, de Milan Kundera: uns nascem para a imortalidade, outros para a imortalidade risível.
(a matéria da Agência Brasil que contém as aspas acima estão aqui).

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