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quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Nicotina na cerveja OU cigarros para beber

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Dia desses, numa barbearia em Brasília, ouvi uma conversa mais ou menos assim:

– É, amigo... Sou de um tempo em que fumar era bonito, e dar a bunda era feio.
– Sei – não discordou o barbeiro, cujo ouvido pareceu acostumado a tudo.
– Hoje em dia, dizem aí que fumar é feio e dar a bunda é que a bonito.

A pérola homofóbica com ares de preocupação ficou no ar. Não faltou vontade de sugerir que ele largasse mesmo o cigarro e fosse ser feliz. Ou que fosse feliz mesmo fumando. Mas foi melhor ter evitado o desaforo.

Lembrei-me, então, de uma informação que havia aparecido dias antes, em alguma leitura aleatória na internet – que finalmente aproxima o assunto do Futepoca.

Para muitos fumantes que tentam largar o hábito (ou o vício), a mesa do bar é entrave mais difícil do que o cafezinho, porque a cerveja e o papo chamam o cigarro.

A proximidade entre esses dois itens poderia ser ainda maior. E aqui vão exemplos.

Foto: @NicoShot 
Em 2005, a alemã Nautilus GmbH lançou a NicoShot, uma cerveja com nicotina para "ajudar bebedores a largar o cigarro". "NicoShot é a satisfação de um cigarro em uma cerveja sem a fumaça", prometia o press release de lançamento.

Três latinhas representariam um maço fumado, em quantidades da substância viciante presente no tabaco. Era uma "terapia de substituição de nicotina", semelhante ao chiclete.

O perfil da marca no Twitter deixou de ser alimentado em 2011, e o domínio NicoShot.com não existe mais. Aparentemente não houve sucesso em conseguir aprovação para venda do produto em mercados como Estados Unidos e Austrália.

Com menos pretensão, a italiana Birra del Borgo tempera uma ale porter com folhas de tabaco na Ke To Re Porter. Mas aqui o objetivo era meramente o de conferir sabor.

Fume cerveja

Da série "não vingou" vem a Cerveja Malboro.

É que consta que uma das marcas que mais frequentemente povoam a mente dos tabagistas quase esteve nos rótulos de cervejas em prateleiras de vendinhas. A transposição do nome para as garrafas chegou a ser patenteada para comercialização em 1970. Este registro parece prova sólida o bastante para mim (porque, ao contrário do que ensinava Jânio Quadros, se fosse líquida...).

E não é (só) um fake produzido por um designer pouco ocupado.

Segundo o culturalmente irreparável Beer History, a empreitada sucedeu a aquisição, pela multinacional do tabaco Philip Morris, da Miller Brewing, de Milwaukee, em Wisconsin. A Miller pertence à SABMiller desde 2002, sendo atualmente a segunda maior fabricante de cerveja do mundo.

Mas, no fins dos anos 1960, fumar era "pra frente". Embora tenha permanecido como marca de cigarro, o climão de "venha para o mundo de Malboro" foi aplicado aos comerciais da Miller, na tentativa de levar a cervejaria do nordesde estadunidense ao topo do mercado. Brigou firme com a Budweiser, inserindo a tendência de comerciais de cerveja que falavam mais do bebedor do que da bebida.

Essa perspectiva permanece até hoje nas propagandas, com a diferença de que, no Brasil, adicionaram-se algumas doses nada moderadas de moças de biquini e decotes variados. Mas isso é outra história.

As fotos abaixo foram garimpadas de um site de classificados na gringolândia que, em 2010, tentou passar para frente exemplares dos supostos protótipos.

Foto: Box Vox
Independentemente da razão para o registro da
marca, consta que a cerveja Malboro nunca chegou
a ser comercializada. 


1 comentários:

Marcos Futepoca disse...

"Não fumo, não bebo e não cheiro. Só minto um pouco." - Tim Maia