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quarta-feira, setembro 09, 2009

Homenagem a quem honra o número

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Hoje é dia 09/09/09. Data perfeita para a proliferação de superstições sem importância e reportagens inúteis sobre a coincidência dos números em programas de variedades. Apesar de não ser dos mais adeptos às crendices populares, não posso deixar passar em branco a data, por conta das lembranças futebolísticas que ela nos traz.

Afinal, o 9 é, talvez, o segundo número mais marcante do universo futebolístico - perdendo somente para o incontestável 10 de Pelé, Maradona e outros. É 9 a camisa do centroavante, do "fazedor de gols", do responsável por dar à torcida seu instante principal de êxtase.

Falando particularmente do meu caso, dá para dizer que a mística da camisa 9 foi responsável pela minha irreversível entrada no grupo dos amantes do futebol. Uma das minhas primeiras lembranças relacionadas ao esporte é a do meu pai me explicando que "9 é o número do centroavante". Eu não fazia ideia do que era o tal de centroavante, mas desconfiei que fosse algo legal - tanto que, dias depois, na compra de uma das primeiras camisas do Santos para mim, fiz questão que o número gravado atrás fosse o poderoso 9.

A presença do 9 também se fez na consolidação daquele que viria a ser meu primeiro ídolo com a camisa do Santos. Paulinho McLaren, centroavante digno de ser chamado de "matador", que usava os típicos mullets da época e marcava grande parte dos poucos gols santistas naqueles tristes anos do começo da década de 1990. A lembrança de Paulinho marcando gols no esburacado gramado da Vila numa segunda-feira à noite - e depois medindo a distância do ponto do chute até o gol, numa promoção das Trenas Starret, em companhia de repórteres como José Luiz Datena e Otávio Muniz - ainda é das mais vivas para mim.

Depois de Paulinho veio Guga. Aliás, "depois" não. Eles chegaram a atuar simultaneamente pelo Santos. Guga chegou ao Peixe após se destacar com a Inter de Limeira na campanha do Campeonato Paulista de 1991. Mas só foi virar referência quando Paulinho deixou a Vila - algo como a sucessão de um imperador por outro.

Tal qual Paulinho, Guga não foi campeão na Vila. Mas também conseguiu o feito de se tornar artilheiro de um Campeonato Brasileiro (o de 1993, no caso). Eles dois, mais Serginho (1983), Viola (1998) e Kléber Pereira (2008), foram os jogadores do Santos que se tornaram artilheiros do Brasileirão - coincidentemente, nenhum deles levantou a taça.



Nove (opa!) anos depois de Guga, mais um centroavante a quem, como torcedor santista, presto tributo: Alberto, o camisa 9 de 2002. Ele começou aquela campanha como o "patinho feio" de um time dominado por jovens jogadores. Não fez gols em suas primeiras partidas e deixou os torcedores com dúvidas sobre suas qualidades. Mas depois desandou a jogar bola e marcou tentos históricos, como o de bicicleta sobre o Corinthians na fase inicial daquele Brasileirão. Depois que saiu do Santos, Alberto nunca mais foi o mesmo.

Mas o post não se restringirá a falar do Santos. Como amante do futebol, reverencio também camisas 9 de outros clubes e países que fizeram história e ganharam minha simpatia. Nesse último quesito, elenco alguns que não foram verdadeiros craques, mas se encaixam na categoria "ídolos de infância": Voeller, Skuhravy (foto), Totó Schilacchi, Gaúcho, Nílson, Gary Lineker, Charles Baiano e outros. Falando um pouco mais sério, não dá para deixar de citar nomes como Evair, Caniggia, Batistuta, Raul, Alex Mineiro, Romário, Luizão e os contemporâneos Ronaldo, Luís Fabiano e Adriano. Deixo claro que alguns deles (Romário é o exemplo mais nítido) não trajaram a dita camisa 9, mas foram "9" como poucos.

Porque não é a tendência da numeração fixa que vai acabar com a mística da camisa 9. Não mesmo!

5 comentários:

Anselmo disse...

Excelente!

E Tostão foi 9 em 1970 sem ser um 9 tradicional. Serginho Chulapa foi o 9, assim como Cesar Maluco -- ambos eram 10 no bar. Teve o Reinaldo do atlético tbem...

Evair, citado, foi 9 e foi outras funções, no final da carreira.

O nove-nove é uma posição que foi escasseando de um modo muito mais paulatino do que o ponta esquerda e o ponta direita. Enquanto estes foram exterminados de vez na passagem para os anos 90, o centroavante se confunde com os homens de frente qeu até hoje jogam. Mas não são os mesmos nem as mesmas funções.

Nicolau disse...

O primeiro nove que me marcou foi Viola, autor do gol que deu ao Timão o título paulista de 88. Tinha a camisa na época, com a Kalunga como patrocinador. Depois dele, destaco Luizão e hoje Ronaldo. Belo post Olavo!

marcosraia1 disse...

Esqueceram de um 9 sensacional Careca!

Marcão disse...

Careca foi o melhor centroavante que vi da arquibancada, um estilista. Mas tem os que fazem gols bonitos e decisivos e os que simplesmente se sespecializam em botar a bola para dentro - e nesse quesito Roberto Dinamite, Romario (que nao era um 9) e Tulio Maravilha sao imbativeis. Mas meu primeiro idolo como centroavante foi o extraordinario Serginho Chulapa, que, por tantos anos, fez a alegria de saopaulinos e santistas.

No mais, parabens pelo post, Olavo.

zobaran disse...

O Túlio é outro da lista 9 que não foi 9. No auge da carreira, no Botafogo de 95, ele era o camisa 7. Dá-lhe, Seven-up!