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segunda-feira, julho 18, 2011

Não bato em time caído, mas podiam acertar um chute...

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Como todos já sabem, já viram, já comentaram, a derrota do Brasil frente ao Paraguai na Copa América ficará marcada como a pior série de cobrança de pênalties da história do selecionado e não poderá ser suplantada nunca. Basicamente porque erramos todas as cobranças e nosso goleiro não defendeu nenhuma.


Mais que lamentar a eliminação ou bater em time caído, creio que o importante é destacar novamente a dificuldade de fazer gols. Tirando os quatro contra o Equador, o Brasil fez apenas dois contra o Paraguai na fase inicial. Passou duas partidas sem marcar.

Mesmo jogando razoavelmente bem, faltaram jogadores decisivos, que chamassem o jogo e assumissem a responsabilidade. A falta de cabeça ficou clara quando ninguém foi capaz de bater um bom pênalti. Faltou um Romário, um Ronaldo etc... E esse é o principal problema: no curto prazo não vejo ninguém para chamar essa responsabilidade.

Pato, Neymar, Ganso, ainda podem ser decisivos, mas ainda não estão preparados para, por exemplo, decidir uma Copa do Mundo. Espero que, até 2014 ganhem esse status ou surja alguém com personalidade e talento para fazer a diferença.

Outro aspecto importante para mim é como fazer para passar por retrancas como do Paraguai e Uruguai (contra a Argentina). Times que têm algum talento e sabem defender como os hermanos tornam o futebol um jogo travado, com defesas quase instransponíveis. Será que o futebol caminha inexoravelmente para o predomínio das defesas? Espero que Messi, Neymar e outros talentos desmontem essa tese. Mas isso é só esperança, pois vejo cada vez mais o binômio defesa/contra-ataque prevalecer na maioria das vezes.

4 comentários:

Glauco disse...

Frédi, essa reflexão sobre as retrancas é importante, o Barcelona, em tese, contraria essa lógica como, em outra escala, o Santos do primeiro semestre de 2010 também o fez. Mas, daí, surge outra dúvida: em times isso pode até ainda ser possível, mas em seleções, que se reúnem cada vez menos e têm menos tempo pra treinar?

Não acho nem que o Mano tenha tentado fazer um time "super pra frente" mas, dada a herança (que só se tornou maldita de fato depois da copa, diga-se a verdade) de Dunga, o atual treinador tentou fazer um esquema pretensmaente ofensivo. Contudo, esse esquema não propicia aos meias e atacantes fazerem gols, os obrigando a funções defensivas e congestionando o meio de campo com a subida eventual de volantes e alas/laterais, criando um verdadeiro samba do crioulo-doido no setor de criação. Não vejo um time formado (coisa que Dunga, pro bem ou pro mal, já tinha com uma equipe mista em 2007) e acho que a tendência natural é o técnico respeitar seu "DNA defensivo" e montar uma bela recueba pra salvar o cargo.

magrão disse...

Não há o que dizer numa desclassificação como essa, a não ser o que diria Zagalo: É estranho...

Nicolau disse...

Glauco, não sei se o Dunga tinha um time montado nesse período. Se tinha, era exatamente o binômio que o Fredi destaca: um retrancão com chutão pra frente e contra-ataque. Não vejo vantagem, como já não via na época.
Mano, seja pelo clamor popular, pressão do chefe Teixeira ou por sua avaliação dos jogadores que tem, tentou fazer alguma coisa diferente. Acho válido. Pena que não deu certo.
E cara, não entendi bem sua crítica ao esquema tático. Sobre as obrigações defensivas dos atacantes e meias, nunca vi Xavi, Iniesta, David Villa e Pedro reclamarem de participar da marcação na saída de bola. Nem ninguém achar ruim que Schweinsteiger e Khedira chegassem pra resolver na frente. Eu particularmente gosto de todas essas coisas, mas elas levam tempo de treinamento e entrosamento pra funcionarem direito. Seja com Mano seja com o Guardiola.
Quando tem que ser no meio de uma competição importante, só resta que alguém resolva lá na frente enquanto o negócio não entra nos eixos. Não deu.
Não acho que o Mano seja o melhor dos treinadores do universo, nem o mais ofensivo deles. Mas não vejo tanta culpa assim no técnico numa situação dessas.

Edu Maretti disse...


O que me ocorreu lendo este post foram duas coisas:

1) será que estamos vivendo uma involução em relação à era parreirista, quando o gol era um detalhe? Quer dizer, será que de Parreira a Mano vamos chegar ao paradigma de que o gol de pênalti é que é um detalhe? Nesse caso, Parreira terá sido o verdadeiro precursor da nova era ao ser campeão do mundo em 1994.

2) por mais que analisemos e falemos sobre seleção brasileira, a verdade que não quer calar é: seleção brasileira não existe mais como sentimento. Eu, santista que sou, achei ótimo que Neymar, Ganso e Elano tenham voltado.

Infelizmente, seleção hoje é só uma extensão das negociatas da CBF, e serve como uma vitrine onde os grandes clubes exibem seus produtos (às vezes até involuntariamente) para os "gigantes" europeus escolherem e comprarem.