Comentário rápido sobre o segundo tempo da final olímpica do futebol feminino (não vi o primeiro): como joga essa Formiga, rapaz. A mulher desarma, toca bem a bola, inicia as jogadas, se apresenta na frente. É o estilo de volante de que o time masculino precisa desesperadamente.
Sobre o jogo, faltou calma para furar a retranca estadunidense, que abdicou (quase) completamente de atacar. E sobraram erros de passe no ataque. Mais tarde alguém que viu o jogo todo comenta melhor do que eu.
Quinta-feira, Agosto 21, 2008
Brasil 0 x 0 EUA
Me esquerda que eu gosto! - Fora, Dunga! Da seleção e do Congresso!
DIEGO SARTORATO*
Em época de Olimpíadas, a imprensa vai a carga para colocar toda a população no transe ufanista que transforma as vitórias e derrotas individuais dos atletas em mobilização coletiva. Pelo menos no Congresso funcionou: na segunda-feira, dia 18, haveria uma reunião de lideranças partidárias na Câmara dos Deputados para discutir projetos, mas a pauta do dia acabou sendo dominada pelo fracasso canarinho diante dos hermanos no futebol. E como sempre acontece quando a única interferência política sobre o esporte é o pitaco, já teve gente falando mais do que devia.
"Ele [Dunga] já devia ter caído. Falar da queda do Dunga depois da derrota para a Argentina é fácil. Eu já achava antes desses episódios que o Dunga era um técnico que precisava melhorar muito o seu desempenho", sentenciou Arlindo Chinaglia (PT), presidente da Casa (na foto, apontando o placar de 3 a 0 para os vizinhos). Nada de errado com a opinião, que, aliás, jogou com a torcida e apelou para a unanimidade. Mas é o tipo de declaração que não tem (e nem deve ter) nada a ver com o governo. Debates mais importantes e que deveriam ser bandeira dos partidos de esquerda, como a falta de qualquer regulamentação que limite a influência dos patrocinadores privados sobre as equipes nacionais, têm passado longe da discussão.
Assim, a disputa entre Olimpikus e Nike colocou o Brasil em campo sem o brasão e as estrelas de campeão mundial no peito, mas com o símbolo do patrocinador. O ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), foi chamado para intervir e não conseguiu negociar nem uma bandeirinha brasileira para caracterizar minimamente o uniforme. Claro, não há investimento e nem políticas públicas significativas para os atletas, que acabam sendo mantidos pelas empresas. O raciocínio óbvio de uma corporação é o direito de propriedade, daí que o representante do país pode ser ignorado e as coisas resolvidas em outras instâncias.
O exemplo é pequeno e, para o menos preciosista, até bobo. Mas abre precedentes para uma sobreposição de autoridade que pode ser desastrosa para o país que vai sediar a Copa de 2014, quer as Olimpíadas de 2016 e vai gastar os tubos para isso. É quase como emprestar o apartamento e o cartão de crédito para que uma pessoa dê uma festa para a qual você não será convidado. Numa dessas, se deixar, a pessoa ainda convida e te "janta" a namorada (ou namorado) dentro da tua casa...
*Diego Sartorato é jornalista, corintiano e bebe Zvonka. Filiou-se ao PCdoB, trabalha para o PT e simpatiza com o PCO. Às vezes, desconfia que não foi boa coisa "ser gauche na vida". "Mas é melhor que ser de direita", resume.
Sexta-feira, Julho 11, 2008
Beber, cair, levantar
Buenas, depois de um tombo cinematográfico, vários pontos no supercílio, duas costelas quebradas e dez dias no estaleiro, consegui saldar a dívida com a provedora e restabelecer a internet aqui em casa - e, conseqüentemente, o contato com o mundo dos vivos. Acidentes acontecem, mas sempre desconfio de praga de corintiano (rsrs). Brincadeiras a parte, o pior já passou: agora só dói quando respiro (pode parecer piada, mas quem já quebrou costelas sabe que é exatamente assim). O importante é voltar ao Futepoca e, aproveitando o resultado parcial da enquete sobre os assuntos preferidos pelos nosso leitores, vamos ao pitacos futebolísticos:
Seleção brasileira - Com o perdão da rima involuntária, a seleção convocada para Pequim não é de todo ruim. Dunga corre o risco de, aos trancos e barrancos, como em 1994, colecionar mais um título importante em seu currículo. Será que Ronaldinho Gaúcho conseguirá repetir o mesmo cala-boca que Ronaldo Nazário deu nos críticos em 2002?
Palmeiras - A aposta de Felipão em Ronaldo Obeso, aliás, pode ser comparada à de Vanderlei Luxemburgo no extraordinário goleiro Marcos (em termos de convicção e resultados). Não tem discussão: Marcos é seleção! E em todo jogo, o Palmeiras sempre livra, no mínimo, um pontinho. A continuar nessa toada, vai brigar, sim, pelo título. Neste domingo, vencerá o meu Tricolor.
São Paulo - Esse pessimismo - ou fatalismo - em relação ao meu time decorre menos dos últimos resultados do que da constatação, pura e simples, de que a equipe é fraca. Na justa derrota para o Náutico e no injusto empate contra o Ipatinga (que merecia ter vencido, não fosse o Rogério Ceni e a trave), comprovei que: 1) Como diz a Thalita, Richarlyson fora é reforço; 2) O time não tem lateral-esquerdo e, daquele lado, os adversários fazem a festa; 3) Joílson tem que jogar no meio, Muricy, no meio!; 4) Jorge Wagner e Aloísio já estão merecendo fazer companhia ao Dagoberto no banco, mas não há substitutos; 5) As prováveis saídas de Alex Silva, Hernanes e Miranda tendem a deixar a coisa ainda mais feia. Conclusão: temporada perdida ou uma (improvável) vaga na Libertadores. Um lugar na repescagem da primeira fase já mereceria rojões.
Santos - Não acredito que o Peixe seja tão fraco ao ponto de freqüentar a zona de rebaixamento, bem como o Fluminense. É fase - e deve ter algo a ver com a tal "terra arrasada" que Luxemburgo deixa quando sai de um clube. Os dois reforços mostraram serviço no último jogo e a tendência é o time engrenar. Só que algo me diz que não será com o Cuca...
Corinthians - Não acompanho a segunda divisão, mas a mídia "são-paulina" me mantém constantemente informado sobre as sucessivas vitórias e goleadas do alvinegro paulistano. Literalmente sem adversários, o clube deve garantir o acesso e o título de forma invicta, em pouco tempo. Não gostei da postura do Mano Menezes na derrota para o Sport, mas o trabalho que ele faz no Corinthians merece elogios.
Fluminense - Pra variar, era quarta-feira e não vi o jogo. Deu LDU, o que é melhor do que um time argentino. O Flu caiu - e eu também, quase que no mesmo horário...
Pronto, palpitei. Volto agora aos comprimidos de codeína, às cápsulas de cetoprofeno e ao colete que tenta manter os ossos soltos no lugar. E o Ministério dos Jornalistas que Vão ao Bar Sem TV na Quarta-Feira à Noite adverte: Se beber, não caia; Se cair, cuidado com os ossos; E se quebrar as costelas, evite hospitais públicos!
Terça-feira, Julho 08, 2008
Mesmo se quiser, Dunga não vai armar retranca
Os 18 de Dunga foram chamados ontem. Ronaldinho Gaúcho, Robinho e o zagueiro Thiago Silva são os maiores de 23 com passaporte carimbado para a Olimpíada de Pequim.
Aos que acusam Dunga de retranqueiro, uma nota: são dois goleiros, três laterais, três zagueiros e três volantes. Os outros sete são meias ofensivos e atacantes.
Note-se que estou chamando de ofensivos jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves do Fluminense e Diego do Werder Bremen. Na frente, é indiscutível que Alexandre Pato, do Milan, Jô, do Manchester City, Rafael Sobis, do Real Bétis, e Robinho, do Real Madrid, são atacantes natos.
Mas cabem mais questionamentos. Thiago Silva nunca atuou como titular de Dunga. Foi convocado nas Eliminatórias, mas ficou no banco de Juan e Lúcio, os titulares. O treinador xará de anão resolveu variar. É justo, mas o cara não foi bem na final da Libertadores. Uma partida não queima uma biografia, claro. Mas ainda preciso entender melhor.
À lista:
Goleiros
Diego Alves - Almería
Renan - Internacional
Laterais
Ilsinho - Shakhtar Donetsk
Rafinha - Schalke 04
Marcelo - Real Madrid
Zagueiros
Alex Silva - São Paulo
Breno - Bayern de Munique
Thiago Silva - Fluminense
Meio-campistas
Anderson - Manchester United
Hernanes - São Paulo
Lucas - Liverpool
Ronaldinho - Barcelona
Thiago Neves - Fluminense
Diego - Werder Bremen (opção de link)
Atacantes
Alexandre Pato - Milan
Jô - Manchester City
Rafael Sobis - Real Bétis
Robinho - Real Madrid
Detalhe
Na página da CBF constam fotos dos atletas convocados. Alguns apresentam imagens com fundo recortado de modo tosco, como a do Robinho e do Lucas. Mas a mais curiosa é de Alexandre Pato (abaixo). Na época em que foi tirada, o jogador ainda tinha espinhas. Compare.

Segunda-feira, Junho 30, 2008
Filho de Garrincha visita o Brasil a convite de bar temático e não perde a chance de criticar Dunga
Ulf (centro) com Magrão, um quadro com imagens do pai e garrafas no bar O Torto, em Curitiba (a foto é de Rodolfo Bührer, da Gazeta do Povo)
Aos 47 anos, o sueco Ulf Lindiberg Henrik já viveu quase o mesmo tanto que seu pai, o brasileiro (mais brasileiro, impossível) Manoel dos Santos (foto abaixo), o gênio do futebol Garrincha (1933-1983), morto precocemente por problemas de saúde causados pelo alcoolismo crônico.
Ironicamente, o "herdeiro" europeu veio ao Brasil, desta vez, a convite de Arlindo Ventura, o Magrão, dono do bar temático O Torto, em Curitiba (PR). Ulf aproveitou para assistir o clássico Atlético-PR x Coritiba, na Arena da Baixada. Na oportunidade, espetou o técnico da seleção canarinho: "-Um time com Ronaldinho, Ronaldo, Kaká... tem de atuar sempre para a frente. Não dá para pôr apenas jogadores para destruir. Definitivamente, não gosto de Dunga".
A corneta de Ulf não significa nada, mas não custa lembrar o quanto seu pai trabalhou (e bem) pela seleção brasileira: foram 60 jogos, 17 gols, inúmeras assistências, três Copas disputadas e duas conquistadas, com participação crucial na Suécia e atuação de protagonista no Chile (abaixo, sete mexicanos tentando marcá-lo em 1962).
Com ele em campo, o Brasil perdeu uma única vez, na Copa de 1966, em Liverpool, para a Hungria (3 a 1). De resto, foram fantásticas 52 vitórias e apenas 7 empates. Jogando ao lado de Pelé, nunca perdeu. "Entendo o interesse das pessoas pelo meu pai. Garrincha não foi tão mostrado na TV como Pelé. Pelé foi grande, mas tinha muita mídia. Muita gente que viu os dois diz que Garrincha foi melhor", exagera Ulf. Mas que a memória de Garrincha merecia um pouco mais de atenção nesse país, não resta dúvida. Quando Ulf visitou o Brasil pela primeira vez, em 2005, encontrou apenas um vaso velho com flores secas no modestíssimo túmulo do pai no Cemitério de Raiz da Serra, distrito de Magé (RJ), vizinho a Pau Grande. A precária pedra de mármore que cobre a terra foi comprada pelo ex-jogador Nilton Santos.
Em tempo: muita gente crê que Mané Garrincha gerou um filho na Suécia durante a Copa de 1958, mas não é verdade.
A mãe de Ulf engravidou em maio de 1959, durante uma excursão do Botafogo àquele país. O menino nasceu no ano seguinte, foi abandonado pela mãe e adotado aos nove meses. A família adotiva revelou o nome de seu pai quando ele tinha oito anos. O teste que comprovou a paternidade foi realizado apenas em 1998. O sueco sempre quis conhecer o pai e teve uma oportunidade em 1978, mas não conseguiu fazer a viagem. Cinco anos depois, Garrincha perdeu a última batalha contra o álcool e acabou com as chances de um encontro. O ex-jogador teve 15 filhos reconhecidos, sendo 12 mulheres e três homens (acima, com Nenem, filho que jogou pelo Fluminense e faleceu em acidente automobilístico em 1992, aos 33 anos, quando estava no Belenenses, em Portugal).
O outro filho, Garrinchinha, que teve com a cantora Elza Soares, morreu igualmente em acidente de carro, aos 10 anos, em 1986. Tereza e Edenir, as mais velhas do casamento com Nair, também já faleceram. Estão vivos, além de Ulf: Marinete, Juraciara, Denízia, Maria Cecília (à esquerda), Terezinha e Cintia (também filhas de Nair), Rosângela (filha de Alcina), Márcia (irmã de Nenem, filha de Iraci) e Lívia (filha de Vanderléa, ex-mulher do falecido jogador Jorginho Carvoeiro).
Domingo, Junho 29, 2008
A Taça do Mundo é nossa!
Brasil e Suécia tinham como primeiro uniforme a camisa amarela. No sorteio, os suecos ganham e têm a preferência de jogar com sua vestimenta tradicional. Em vista disso, o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, anuncia aos atletas a “escolha” pelo uniforme azul, alegando que dará sorte, porque é a cor do manto de Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do país.
Essa é apenas uma das muitas histórias a respeito daquela final de 29 de junho de 1958, válida pelo sexto Mundial de futebol. A seleção tinha a chance de superar o trauma da copa de 1950 e mostrar ao planeta o valor que tinha no esporte mais popular da Terra.
Djalma Santos entrava no lugar de De Sordi, contundido. Seria a única partida na Copa do grande lateral-direito, mas o suficiente para ser escolhido o melhor em sua posição no torneio. "Antes da final o médico já tinha vetado o De Sordi. Eu ainda fui conversar com ele, que me desejou sorte. Nós tínhamos uma amizade e lealdade muito grande no grupo", contou ao Uol Esporte.
Mas a Suécia não estava disposta a deixar a seleção brasileira fazer a festa em sua própria casa. E fez o gol inaugural daquela final aos 4 minutos, em jogada de Liedholm. O pesadelo da derrota para o Uruguai voltava à cabeça dos brasileiros. Mas entre os nossos estava Didi, que pegou a bola no fundo da rede e andou com ela calmamente, como que a mostrando aos companheiros. Chegou ao centro do gramado e jogou a bola no círculo, vaticinando: “Não foi nada pessoal. Vamos encher estes gringos.”
Apenas quatro minutos após, o Brasil empata, com jogada de Garrincha pela direita e gol de Vavá. E o centroavante vascaíno, em jogada muito parecida com a do primeiro tento, fez 2 a 1, placar do final do primeiro tempo. Aos 10 minutos da segunda etapa, Garrincha cruza para Pelé fazer um dos gols antológicos da história da Copa do Mundo. Com um chapéu e um arremate forte, fez 3 a 1. Aos 23, o golpe de misericórdia vem com Zagallo, que marca após lance de Didi. Gol merecido, já que o ponta esquerda havia feito um gol legítimo não anotado na semifinal contra a França.
A Suécia ainda faria o segundo gol, mas no último minuto Pelé sacramentou a goleada verde-e-amarela, tornando-se artilheiro da equipe na competição: seis gols em quatro partidas. Just Fontaine foi o goleador máximo, 13 gols, recorde até hoje não igualado por ninguém em uma edição da Copa do Mundo. Sua seleção, a França, foi a terceira colocada, superando a Alemanha por 6 a 3. O Mundial terminou com 126 gols marcados em 35 partidas, uma ótima média de 3,6 gols por peleja.
O capitão do escrete, Hideraldo Luís Bellini, criava o gesto que seria imortalizado e repetido durante as décadas seguintes. Recebe a taça e a ergue em direção ao céu. "Não pensei em erguer a taça, na verdade não sabia o que fazer com ela quando a recebi do Rei Gustavo, da Suécia. Na cerimônia de entrega da Jules Rimet, a confusão era grande, havia muitos fotógrafos procurando uma melhor posição. Foi então que alguns deles, os mais baixinhos, começaram a gritar: 'Bellini, levanta a taça, levanta Bellini!', já que não estavam conseguindo fotografar. Foi quando eu a ergui", contou o zagueiro à Gazeta Esportiva, Bellini, rindo.
Hoje, para quem nasceu depois da conquista que completa 50 anos, aquele título pode parecer apenas um fato histórico distante, que perdeu o significado pelos títulos obtidos posteriormente. Mas é inconcebível imaginar como seria hoje o futebol brasileiro se houvesse um novo fracasso no Mundial. Foi o ponto de ruptura em que os brasileiros se livraram do que Nelson Rodrigues chamava de “complexo de vira-latas”. Ali se firmou o respeito à camisa verde-amarela e também nascia o maior jogador de todos os tempos, que o mesmo Nelson chamou de “rei”, antes de ele ser celebrizado como tal na Suécia. Considerada por muitos a maior seleção de todos os tempos, todo brasileiro deve reverenciar e agradecer o legado deixado por cada um daqueles ídolos que estarão para sempre no panteão dos grandes do futebol mundial.
Just Fontaine, artilheiro da competição, afirmou, como muitos acreditam, que aquela seleção do Brasil foi a melhor equipe brasileira da história. “Foi o mais equilibrado, melhor do que o de 1962 e do que o de 1970”, declarou ao Globo Esporte. Na mesma conversa, ele afirmou; “Pelé foi o melhor de todos os tempos, depois dele vem Di Stéfano e, bem abaixo, os outros como Maradona e Cruiyff.” Palavra de quem conhece.
"Sim, amigos, o maior futebol do mundo"
A equipe da decisão em 29 de junho de 1958: em pé, da esquerda para a direita, Feola (técnico), Djalma Santos, Zito, Bellini, Orlando e Gilmar; agachados, Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e o rouperio Assis
No domingo passado, a TV Cultura recuperou uma entrevista interessante do jornalista Armando Nogueira. Segundo ele, que trabalhou na cobertura da Copa da Suécia, o dia 29 de junho de 1958 amanheceu chuvoso e encoberto em Estocolmo, fato que o deixou muito preocupado. Afinal, o gramado pesado seria desfavorável ao refinado toque de bola do Brasil na decisão do mundial contra os donos da casa. No café da manhã, Nogueira encontrou um repórter inglês que conhecia apenas de "ois e olás" e, como não poderia deixar de ser, conversaram sobre a final. O jornalista brasileiro externou sua preocupação e o inglês, concordando, sentenciou: "É verdade, o campo molhado vai atrapalhar o Brasil. Em vez de ganhar por 7 ou 8 gols, vai vencer apenas por 4 ou 5". Nogueira arrematou seu "causo" relembrando que no mesmo dia, após o quinto gol brasileiro, de Pelé (acima), que fechou a goleada por 5 a 2, pensou: "Aquele gringo entende mais de futebol do que eu!".
Ingresso da decisão entre Brasil e Suécia no estádio Raasunda
De fato, foi fácil. Apesar do início nervoso e do gol sueco, foi só a bola chegar até os pés do ponta-direita Mané Garrincha para o Brasil virar o jogo ainda no primeiro tempo, com dois cruzamentos na pequena área do adversário, que resultaram em gols de Vavá. No segundo tempo, até Zagallo marcou o seu (à direita) e, com mais dois de Pelé (e um segundo gol pra lá de impedido da seleção sueca), o Brasil sacramentou a conquista. Pensando em seu pai, que estava muito doente, o capitão Bellini segurou as lágrimas e, a pedido dos fotógrafos, inventou - e imortalizou - o gesto de erguer a taça Jules Rimet com os dois braços (foto abaixo). Esse título mundial foi o primeiro chute no "complexo de vira-latas" (ou de inferioridade) que atormentava os brasileiros.
Logo em seguida, viriam a Bossa Nova, o título mundial do boxeador Éder Jofre, a inauguração de Brasília, os campeonatos mundiais da tenista Maria Esther Bueno e da seleção brasileira de basquete, o Cinema Novo e o auge do Santos de Pelé. Tudo sufocado, infelizmente, pelo golpe militar de 1964. Mas na Suécia, seis anos antes, conseguimos a erguer a cabeça. Ouça, abaixo, trechos da narração da Rádio Panamericana daquele histórico jogo:
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Ficha técnica
BRASIL 5 x 2 SUÉCIA
Data: 29/junho/1958
Local: Raasunda, em Estocolmo
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Brasil: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo; Técnico: Vicente Feola;
Suécia: Svensson; Bergmark e Axbom; Borjesson, Gustavsson e Parling; Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm e Skoglund; Técnico: George Raynor;
Gols: Liedholm (4), Vavá (8), Vavá (32), Pelé (56), Zagallo (68), Simonsson (80) e Pelé (89).
Ps.: No encerramento das postagens com áudios de todos os jogos da seleção brasileira na Copa da Suécia, voltamos a agradecer Alessandro Mendes dos Reis, dono da livraria/ sebo Leitura & Arte, de São Paulo, pela doação do LP histórico "Brasil!!! Na Copa do Mundo", original de 1958 (gravadora Odeon), e também a Luciano Tasso, que emprestou sua vitrola, Michel Lopes, do programa ABCD Maior no Ar , que fez os cortes e tratou os arquivos de MP3, e Anselmo de Massad, responsável técnico pelo nosso "gigantesco departamento de TI". A memória do futebol nacional agradece.
Terça-feira, Junho 24, 2008
"Pelé, o saci-pererê do nosso futebol!"

A esdrúxula definição no título do post é parte da locução de Estevam Sangirardi, da Rádio Panamericana, sobre a partida entre Brasil e França pelas semifinais da Copa do da Suécia, em 24 de junho de 1958. Mas o entusiasmo - quero crer que "saci-pererê" tenha sido um tremendo elogio - tinha razão de ser: depois de fazer o gol que eliminou o País de Gales nas quartas-de-final, Pelé pegou a confiança que faltava e, contra os franceses, marcou simplesmente três dos cinco gols brasileiros.
"Depois do jogo contra o País de Gales, senti que eu era macho (risos), que merecia ser titular naquele time de cobras", afirmou o Rei em 1993 à TV Cultura, em entrevista reprisada pelo programa "Grandes Momentos do Esporte". "Mas o jogo contra a França foi o que eu entrei mais tenso, pois era o time com o melhor ataque da Copa. Ainda bem que não foi a minha estréia, eu já estava mais seguro", acrescentou Pelé (na foto acima, aguardando o rebote do goleiro Abbes para marcar um dos gols contra a França).
De fato, como lembrou nosso camisa 10, os franceses tinham a melhor linha ofensiva da Copa, com Raimundo Kopa, Piantoni e Fontaine - que terminaria o mundial com 13 gols marcados, ainda hoje recorde absoluto em uma única edição. Os dois últimos, aliás, seriam os responsáveis por vazar, pela primeira vez, o time brasileiro. Até então, o Brasil não havia levado um gol sequer em quatro jogos. Na partida, saímos na frente logo aos 2 minutos, com Vavá. Fontaine empatou e Didi, com uma "folha seca", fez 2 a 1.
Ainda no primeiro tempo, o árbitro deixou de validar dois gols do Brasil: um de Zagalo, em que a bola bateu na parte de baixo do travessão e caiu meio metro dentro do gol, voltando para o campo de jogo, por causa do efeito, e outro de Garrincha, num impedimento absurdo. Mas os erros do árbitro galês Mervyn Griffiths (seria vingança pela eliminação de seu país nas quartas?) não impediram o "baile" na etapa final, com três gols do Rei.
Confira, abaixo, trechos da narração da Rádio Panamericana:
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Ficha técnica
Brasil 5 x 2 França
Data: 24/junho/1958
Brasil 5 x 2 França
Local: Raasunda, em Estocolmo
Árbitro: Mervyn Griffiths (País de Gales)
Brasil: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo; Técnico: Vicente Feola;
França: Abbes; Kaelbel e Jonquet; Lerond, Penverne e Marcel; Wisnieski, Kopa, Fontaine, Piantoni e Vincent; Técnico: Albert Batteux;
Gols: Vavá (2), Fontaine (8), Didi (39), Pelé (53), Pelé (64), Pelé (76) e Piantoni (85).
Sexta-feira, Junho 20, 2008
Selecinha em quinto nas eliminatórias
Com a vitória ontem do Chile por 3 a 2 contra a Venezuela, o Brasil caiu para o quinto lugar nas eliminatórias sul-americanas. Hoje, teria de disputar a vaga numa repescagem contra alguma seleção da Oceania.
Na realidade, isso não quer dizer nada porque estamos apenas no primeiro terço dos 18 jogos das eliminatórias e ainda teremos pela frente times como Peru e Bolívia para somar pontos, já que estão nas últimas posições.
Mais que isso, o importante é que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, começou a fritar o anão que dirige a selecinha.
Segundo matéria da Folha Press, publicada hoje, fez acordo com Ronaldinho Gaúcho e impôs a Dunga a convocação do meia para os Jogos Olímpicos entre os jogadores acima de 23 anos.
Quem se lembra de como Teixeira costuma atuar, tem certeza de que Dunga está na marca do pênalti. Se não ganhar o título...
Após o jogo contra a Argentina, este escrevinhador de bobagens fez uma quadrinha em homenagem ao anão e à selecinha. Está lançado o desafio, quem quiser, complete...
A música é a de: Teresinha de Jesus...
Homenagem à selecinha
Selecinha, do anão
Tem dois jogos, faz gol não.
Argentina, Paraguai
Mesmo assim, Dunga não cai.
O Ricardo Teixeirão
diz que a culpa é dele não.
Se na China não ganhar
De técnico, o Brasil vai trocar
Luxemburgo, Felipão
nenhum deles num vem não
Pros Bambi vai sobrar
Sem o Muricy, eles vão ficar
Quinta-feira, Junho 19, 2008
"Os minutos corriam rapidamente, plagiando os companheiros de Bellini"
Hoje faz 50 anos que o Brasil enfrentou o País de Gales pelas quartas-de-final da Copa do Mundo da Suécia, em jogo disputado no estádio Nya Ullevi, em Gotemburgo. Depois de passar facilmente pela União Soviética, considerada uma das favoritas ao título, a seleção canarinho não esperava enfrentar tanta dificuldade na primeira partida eliminatória: os galeses atuaram com dez na defesa, num ferrolho que os brasileiros precisaram martelar por 71 minutos até fazer o gol e garantir a vitória - e a classificação para a semifinal, contra a França - pelo magro placar de 1 a 0. O título do post, retirado da transmissão da Rádio Panamericana (que você pode ouvir abaixo), dá idéia do desespero: o time do Brasil correndo, o adversário retrancado e o tempo passando assustadoramente depressa.
"O jogo mais difícil foi contra o País de Gales", sentenciou o ex-volante Dino Sani ao Estadão na última sexta-feira. "Naquele tempo a gente não conhecia os jogadores como hoje", observou. A partida contra o País de Gales marcou a revelação de Pelé para o mundo. "Ninguém sabia direito quem era esse Pelé", frisou Dino Sani ao Estadão (na foto acima, o menino Pelé, de 17 anos, sendo seguro por um galês). "Quer dizer, se ele estava lá, é que era bom. Mas só quando começou a jogar é que vimos que iria longe. Mas ninguém imaginava que iria tão longe assim. Foi o maior de todos", frisou Dino Sani.
Na partida seguinte, contra a França, Pelé voltaria a brilhar, com três gols, e ainda marcaria mais dois na decisão. Confira, abaixo, trechos da narração da Rádio Panamericana, do confronto entre o Brasil e o País de Gales:
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Ficha técnica
Brasil 1 x 0 País de Gales
Data: 19/junho/1958
Local: Estádio Nya Ullevi, Gotemburgo
Árbitro: Hriedrich Speilt (Áustria)
Brasil: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Mazola, Pelé e Zagallo; Técnico: Vicente Feola;
País de Gales: Kelsey; Williams, M. Charles; Hopkins, Sullivan, Bowen; Medwin, Hewitt, Webster, Allchurch, Jones. Técnico: Jimmy Murphy;
Gol: Pelé (71).
Era Julio Baptista, o melhor em campo
O Futepoca já xingou a Era Dunga, a Era Parreira e a Era Cafu.
Mas o título deste post não que colocar o melhor em campo no 0 a 0 entre Brasil e Argentina como vilão. Ele desarmou todos os cruzamentos de escanteios e faltas com bola alçada na área e puxou o jogo. Virou o camisa 8 da minha seleção, caso minha indicação como treinador da seleção seja escolhida entre os 180 milhões de postulantes ao lugar do técnico anão. Mas não é o 10.
Foto: CBFNews/Reprodução
Robinho esteve apagado. Diego só não está mais queimado com Dunga do que o técnico com a torcida. Depois de entrar no lugar do contundido Anderson, sempre girando para a esquerda para tentar sair da marcação, não saiu. Foi para o vestiário mais cedo para dar lugar a Daniel Alves, a alteração supersticiosa de Dunga.
Pior, o lateral improvisado na meia entrou melhor do que Diego. Puxou um contrataque e mostrou que deve ser o dono da camisa 2.
Adriano correu e trombou. Ótimo. Mas não chutou em gol. Os petardos de fora da área que já salvaram o Brasil não apareceram. Quando o Rei da Cocada Preta da Inter de Milão tentou tabelar com Robinho, criou-se uma chance de gol, mas não houve novas incursões.
A Argentina de Basile padece de um problema. Não consegue jogar contra o Brasil. Riquelme se acamaleona diante da camisa amarela.
As jogadas individuais de Messi foram a arma dos argentinos. Pelas minhas contas, só foi desarmado uma vez sem faltas no jogo, por Lucio. Quase marcou no final do jogo. Mas não resolveu.
Aliás, falando em talento individual, é curioso ouvir cronistas lamentando uma suposta "falta de craques" à disposição no Brasil como fomentadora da demanda pela prancheta. Antes, dizem, o Brasil resolvia no talento individual. Diante dessa escassez, prosseguem os desiludidos sem assunto, é preciso tática e jogadas ensaiadas.
O Brasil ensaiou, segundo Roberto Carlos, a linha burra de impedimento contra a França, e Henri eliminou a seleção da Copa (Lucio não foi informado do treinamento, é verdade).
Alguns jogadores não correspondem na seleção o que jogam nos clubes. É uma máxima do futebol sem grandes explicações.
Mas Robinho, Adriano e até Julio Baptista já resolveram partidas para a seleção canarinho. Diego já jogou bem. Kaká, contundido, e Ronaldinho Gaúcho estavam de fora dessa convocação.
Então, que papo é esse de falta de jogador bom?
Se eles existem ainda, bora ajudar o Dunga. Como você montaria sua seleção?
Terça-feira, Junho 17, 2008
Alfio Basile "prestigiado" na Argentina
“Chega de Dunga Dunga”. É com essa manchete que jornal argentino Ole trata o duelo entre Brasil e Argentina amanhã, em Belo Horizonte. A referência é em relação às duas derrotas que o time de Alfio “Coco” Basile teve contra a seleção comandada por Dunga: dois 3 a 0, um em 2006 e outro mais dolorido, em 2007, na final da Copa América.
O periódico pergunta se Basile, quando vê o Brasil “chora” e responde: “não se sabe, mas se preocupa sim.” No entanto, prega a continuidade do trabalho do treinador, independentemente do resultado da partida, e faz uma diferenciação no modo de se encarar o trabalho dos comandantes de equipes aqui e na Argentina.“Se Dunga, que foi campeão na mesma Copa América, é tratado como burro e está na corda bamba... No Brasil são muito passionais e não têm a cultura de respeitar os contratos.”
As críticas ao treinador não são feitas por conta dos jogadores escolhidos, que o jornal afirma haver consenso por serem os melhores, mas sim pelo fato de não haver ainda um time. Observa a insistência de Basile em manter Riquelme, que o comandante diz ser “seu Maradona”, mesmo nos jogos em que vai mal. Também destaca o fato de, mesmo tendo atuado bem em algumas partidas, Messi nunca ter repetido na seleção o “nível estelar” apresentado no Barcelona, argumentação semelhante à usada por muitos no Brasil em relação a Ronaldinho Gaúcho.
Mesmo assim, o Ole assume que prega a permanência de “Coco”, citando a cultura brasileira de demitir técnicos. “O ciclo tem 22 meses e salvo contra a França, em París, as outras três partidas “classe A” terminaram mal: Espanha e duas com o... Brasil! Ao contrário do que acontece no Brasil (o São Paulo foi campeão da Libertadores em 2005 com três técnicos diferentes), aqui respeitamos os ciclos: Basile deve seguir, aconteça o que acontecer, mas também é preciso refletir porque é tão difícil dar forma a uma grande equipe.”
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Dunga empata com Luxemburgo

Matéria publicada no portal Uol lembrou uma coincidência interessante: a campanha do Brasil até agora nas eliminatórias para a Copa de 2010 se equivale à feita por Vanderlei Luxemburgo nos jogos classificatórios para 2002.
A ordem dos jogos foi exatamente a mesma, com os mesmos mandos. Nas partidas disputadas em 2000, a seleção obteve os seguintes resultados:
Colômbia 0 X 0 Brasil
Brasil 3 X 2 Equador
Peru 0 X 1 Brasil
Brasil 1 X 1 Uruguai
Paraguai 2 X 1 Brasil
Já na Era Dunga:
Colômbia 0 X 0 Brasil
Brasil 5 X 0 Equador
Peru 1 X 1 Brasil
Brasil 2 X 1 Uruguai
Paraguai 2 X 0 Brasil
O aproveitamento dos dois é o mesmo, oito pontos em 15 disputados. No "desempate", Dunga vence o "gênio" no saldo de gols: a equipe de Luxa fez seis gols e tomou cinco. Já a atual equipe marcou oito e sofreu quatro. E se ontem o Brasil entrou com três volantes, em 2000 não foi diferente. O time era Dida; Cafu, Edmílson, Roque Júnior e Roberto Carlos; César Sampaio, Flávio Conceição, Zé Roberto (Vampeta) e Rivaldo; Djalminha (Marques) e França (Guilherme). Lembremos que Zé Roberto jogava como segundo volante, e depois foi substituído por Vampeta.
Na partida seguinte à derrota para o Paraguai, o Brasil de Luxemburgo derrotou a Argentina por 3 a 1, talvez a única apresentação decente da seleção sob seu comando contra um adversário de nível, já que o Brasil sapecou potências como Tailândia, País de Gales, Nova Zelândia e Arábia Saudita. Luxa acabou caindo após a derrota nas Olimpíadas, sendo substituído pelo interino Candinho.
Já Dunga tem a chance de se recuperar contra um adversário que tem lhe dado sorte. Em 2006, conseguiu sua primeira vitória à frente do Brasil com um 3 a 0, e conquistou seu primeiro título oficial, na Copa América do ano passado, com outro 3 a 0 sobre os portenhos. Os argentinos continuarão salvando o ex-volante?
PS: se for pra tirar o Dunga, que não me tragam o Luxemburgo.
Figuraça
O programa "Bola na rede" de ontem, da RedeTV, contou com a participação do folclórico volante Amaral (foto), ex-Palmeiras, Corinthians, Vasco e dezenas de clubes, recém-desligado do Barueri. Em companhia do também veterano Marcelinho Carioca, o atleta, ex-coveiro, já começou dizendo que quer montar uma funerária chamada Pé de Anjo. Depois, o apresentador Fernando Vanucci relembrou diversas situações impagáveis de sua carreira. Amaral confirmou que, viajando com a seleção pela África do Sul, foi questionado sobre o apartheid e respondeu que precisava se informar com o "professor" Zagallo sobre a melhor forma de marcar "esse jogador".
Contratado pelo Benfica, de Portugal, o volante foi pedir um durex para uma secretária do clube. Ouviu um monte de palavrões: durex, lá, é camisinha. Em 1996, no Palmeiras dos 100 gols, Vanderlei Luxemburgo pensou em fazer propaganda do time em um outdoor no Parque Antártica. "-O que você acha, Amaral?", perguntou o técnico. "-Acho muito bom, o estádio tá precisando disso". Desconfiado, Luxemburgo perguntou se Amaral sabia o que era outdoor. "-Claro que sei, professor. É cachorro-quente!".
Mas a melhor história também envolveu Luxemburgo. "-O Palmeiras foi jogar em Recife e, no caminho do aeroporto para o hotel, vi um tal de Forró do Gérson. À noite, depois de vencer o jogo, pedi para o professor para a gente dar uma saída, se divertir. Ele concordou. Chamamos cinco táxis e fomos para a praia de Boa Viagem, onde eu tinha visto o tal forró. Chegando lá, era uma casa de acabamento, tava escrito 'Forro e Gesso'! Deu 50 reais a corrida de cada táxi, os companheiros fizeram eu pagar tudo!", diverte-se Amaral.
Sobre a final do Campeonato Paulista de 1995, o volante revelou que Carlos Alberto Silva, seu treinador no Palmeiras, pediu para que ele jogasse sal grosso no Marcelinho Carioca assim que entrasse em campo. Gargalhando, o Pé-de-Anjo confirmou: "-Vi o Amaral com aquele negócio branco na mão e não entendi nada". Mas o tiro saiu pela culatra: "-Joguei o sal e pegou no pé direito dele. O mesmo que faria o gol na falta que deu a vitória para o Corinthians", lamentou Amaral, entre risos.
Domingo, Junho 15, 2008
A seleção de "totó" de Dunga
Para quem já viu o time perder para a Venezuela, nada a estrannhar perder para o Paraguai nas eliminatórias.
Mas o mais irritante da seleção do anão Dunga foi não ter feito nenhuma conclusão a gol com um jogador a mais em praticamente todo o segundo tempo.
Todas as jogadas eram linhas de passe no meio de campo que acabavam num dos laterais para eles cruzarem na cabeça de algum zagueiro paraguaio.
O time estava tão parado, mais para jogadores de totó (pebolim) que para jogadores que ganham milões e usam a camisa de futebol mais famosa do mundo.
Acho que o erro na realidade era de esporte, com Adriano, Luis Fabiano e Júlio Batista, podíamos jogar basquete. Teríamos três pivôs com força embaixo da tabela, não três tanques que não fazem nada com ela nos pés.
Dá-lhe, Paraguai, que falsificada ontem foi a selecinha do Dunga.
Que a Argentina tenha piedade de nós na quarta-feira...
Não vou secar, porque a última vez que peguei no pé da selecinha do Anão, na Copa América, eles ganharam da Argentina de goleada...
Quarta-feira, Junho 11, 2008
"Termina o prélio com o placar acusando 0 a 0"
Dando seqüência às postagens das locuções de jogos da Copa de 1958, com material da Rádio Panamericana de São Paulo, lançado na época em disco de vinil, trazemos hoje trechos da partida entre Brasil e Inglaterra, disputada em 11 de junho daquele ano. O empate, único da campanha brasileira na Suécia, deixou em nossa torcida uma impressão de dever não totalmente cumprido. Afinal, os ingleses são os inventores do futebol e não vencer o arrogante English Team foi uma espécie de caroço na garganta do "complexo de vira-latas" tupiniquim.
Tanto que, em maio de 1959, a Inglaterra veio ao Maracanã para uma espécie de "amistoso-desagravo", como se o título mundial do ano anterior precisasse da chancela de uma vitória sobre eles - o que de fato ocorreu, 2 a 0, com uma atuação estupenda de Julinho Botelho, que entrou em campo sob vaia monumental, por estar substituindo Garrincha, e, depois de dar o passe para o primeiro gol e marcar o segundo, foi aplaudido de pé pelas milhares de pessoas que lotavam o estádio.
No zero a zero de junho de 1958 o Brasil também dominou o jogo, mas perdeu várias chances claras de gol, principalmente com o centroavante Mazola (titular até então). Num programa de 1974 que a TV Cultura reprisou outro dia, o próprio técnico Vicente Feola revelava que Mazola perdeu lugar no time nessa partida. Consta que sua contratação pelo Milan foi selada durante a Copa, deixando o então palmeirense, de 19 anos, meio "desligado".
Autor de dois gols contra a Áustria, na estréia, Mazola ainda teria outra chance contra o País de Gales, nas quartas-de-final, pois Vavá havia se contundido contra a União Soviética. O incrível é que, nesse jogo, ele marcou um golaço de meia-bicicleta (ou "puxeta"), da altura da meia-lua, mas o juiz anulou inexplicavelmente. Acabava a Copa para Mazola, que, além do Milan, jogou pelo Napoli, Juventus e os suiços Chiasso e Mendrisio Star. Já naturazilado e rebatizado como Altafini, disputaria a Copa de 1962 pela Itália.
Sobre o confronto com a Inglaterra na Copa da Suécia, vale destacar também que o goleiro McDonald (na foto acima, tirando bola da cabeça de Vavá) teve brilhante atuação contra os brasileiros, bem como Gilmar dos Santos Neves em nossa retaguarda. Ouça abaixo trechos do empate sem gols no jogo disputado há exatos 50 anos na Suécia. Curioso é que, das cinco Copas que ganhamos, cruzamos com a Inglaterra em quatro delas: 1958 (0x0), 1962 (3x1), 1970 (1x0) e 2002 (2x1). Freguesia é isso aí...
Se não abrir, clique aqui.
Abaixo, a ficha técnica.
BRASIL 0 X 0 INGLATERRA
Data: 11/junho/1958
Local: Nya Ullevi, em Gotemburgo;
Árbitro: Albert Dusch (ALE);
BRASIL: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nílton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazola, Vavá e Zagallo. Técnico: Vicente Feola;
INGLATERRA: McDonald; Howe e Banks; Clamp, Wright e Slater; Douglas, Robson, Kevan, Haynes e A'Court. Técnico: Walter Winterbottom.
Trabalhando para o jornal TodoDia, de Americana (SP), entrevistei Mazola em1997, em Piracicaba (sua terra natal), num jogo festivo na Goodyear
Terça-feira, Junho 10, 2008
Há dez anos, direto do túnel do tempo
No dia 10 de junho de 1998, uma quarta-feira, a bendita Copa do Mundo da França fez com que toda a redação do jornal O Povo, de Fortaleza (CE), fosse dispensada para assistir a estréia do Brasil contra a Escócia. Uma repórter amiga minha, Alessandra Araújo, fazia aniversário na ocasião. Fomos para um buteco no Benfica, bairro estudantil e boêmio da capital cearense, muito mais para comemorar o aniversário do que para ver o jogo.
Sorte nossa, pois o lugar era milimétrico e o máximo que conseguimos nos aproximar da entrada do bar foi a uns 20 metros, em pé, na rua. Toda hora alguém gritava e, para nós, a impressão era a de que estava uns 4 a 4 ou coisa do gênero. Ninguém se entendia ou sabia dizer, com certeza, o que estava acontecendo no jogo. Daí, como nenhum de nós fazia questão de torcer para a seleção brasileira, andamos uma quadra e meia e encostamos perto de um ambulante que vendia cerveja mais barata - e mais rápida. Depois de muito tempo, já escurecendo, alguém se lembrou da partida. Passou um bêbado e eu perguntei o placar. "-O Brasil perdeu. Gol contra do Cafu!", sentenciou o manguaça. Daí passou outro torcedor e disse que a seleção tinha vencido por 1 a 0. Precisamos voltar ao bar para descobrir que o (estranho) gol tinha sido mesmo a favor. Informação de cachaceiro, só bêbado para acreditar...
Segunda-feira, Junho 09, 2008
"Mercadoria verde-amarela no barbante austríaco"
Complementando o texto abaixo, do Glauco, inicio aqui a série de postagens das transmissões de rádio dos jogos do Brasil na Copa da Suécia, em 1958. As raridades vêm do LP "Brasil!!! Na Copa do Mundo", da antiga Odeon, presenteado ao Futepoca por Alessandro Mendes dos Reis, dono da livraria/ sebo Leitura & Arte, que fica na rua Fradique Coutinho, 398, em Pinheiros, São Paulo (ao lado do Bar do Vavá), telefone (11) 3081-4365.
Nas transmissões da Rádio Panamericana, da capital paulista, a narração é de Estevam Sangirardi, que costura as locuções de Geraldo José de Almeida e Waldir Amaral. Na estréia, como descreveu o Glauco, o Brasil bateu a Áustria por 3 a 0. O time tinha Dino Sani, Dida, Mazola (foto) e Joel, que perderiam suas vagas para Zito, Pelé, Vavá e Garrincha. Consta que Pelé só não começou a Copa como titular por estar machucado e Garrincha, fora de forma. E más atuações de Dino e Mazola contra a Inglaterra, no jogo seguinte, fariam Feola dar chance a Zito e Vavá, que seguiriam até a final. Na estréia, porém, Mazola fez dois gols.
Ouça aqui trechos da locução de Brasil x Áustria, com pérolas como "mercadoria verde-amarela no barbante austríaco", para descrever um dos gols. Nossos agradecimentos a Luciano Tasso, que emprestou sua vitrola, e Michel Lopes, que fez os cortes e tratou o som nos arquivos de MP3.
Ficha técnica
BRASIL 3 x 0 ÁUSTRIA
Data: 08/junho/1958;
Local: Rimnersvallen, em Uddevalla, Suécia;
Árbitro: Maurice Guigue (FRA);
Assistentes: Jan Bronkhorst (HOL) e Albert Dusch (ALE);
Público: 25.000;
Brasil: Gilmar; De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Dino Sani e Didi; Joel, Mazola, Dida e Zagallo. Técnico: Vicente Feola;
Áustria: Szanwald; Halla, Swoboda e Hanappi; Happel e Koller; Horak, Senekowitsch, Buzek, Alfred Körner e Schleger. Técnico: Karl Argauer;
Gols: Mazola (38), Nilton Santos (49) e Mazola (89).
Sábado, Junho 07, 2008
Dunga faz história
Só para não passar batido, Dunga entrou para história por ter dirigido a seleção brasileira na primeira derrota para a Venezuela, por 2 a 0, ontem nos Estados Unidos.
O melhor comentário foi o da minha companheira de partidas de futebol, Simone, que disse que parecia uma "pelada lá no Atuba" (bairro na divisa entre das cidades de Curitiba e Colombo, no Paraná).
Depois de ganhar sem brilho do Canadá, perder para gloriosa Venezuela nesses amistosos caça-níqueis nos Estados Unidos (resisti ao trocadilho do caça-Nike), resta agora torcer para não ter vexame contra Paraguai e Argentina na eliminatórias.
Se bem que assalta a dúvida se não vale torcer contra para o Dunga cair.
Mas como já aprendi que do ruim só vem o pior, vou torcer para a gente ganhar logo os jogos e garantir a vaga na Copa da África do Sul.
Depois começa o movimento Fora, Dunga!