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sexta-feira, março 23, 2012

Em jornada épica (dos torcedores), Santos vence Juan Aurich

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Caiu água no Pacaembu... (Foto Futura Press)
Pelo jogo de ida, parecia que ia ser fácil. Claro que o Juan Aurich viria mais fechado do que jogou em casa, mas a superioridade do Santos ficara evidente na partida de ida. O que não estava no roteiro era o temporal que caiu em São Paulo durante as mais de duas horas da partida (sim, com um intervalo de 45 minutos entre os dois tempos...). O time até que não sofreu tanto para conseguir o resultado: um 2 a 0 em que Rafael não foi ameaçado em nenhum momento. Já o torcedor...

Ser sócio facilita a vida para comprar ingresso, mas o torcedor comum pena. No Pacaembu, geralmente são abertos poucos guichês (às vezes um só), o que vira uma verdadeira festa para os cambistas que conquistam os espectadores que não têm tempo para passar duas, três, quatro horas em uma fila. Mesmo com a limitação de três ingressos por pessoa, tendo que se registrar o CPF de cada um, segue sendo um mistério como os “vendedores de rua” conseguem a sua carga.

Já no estádio, o santista se depara com a chuva que se inicia antes dos dez do primeiro tempo. E chove, como chove. Capas plásticas disputadas quase a tapa, daquelas que custam um real, vendidas por dez em função da velha lei da oferta e da procura (ah, o capitalismo...). No gramado, o time peruano, com três zagueiros e quatro volantes, marca o tempo todo atrás da linha da bola. O Santos tenta encurralar, vai todo à frente, troca passes como tem sido sua característica (o que muitas vezes faz o torcedor gritar o tradicional “chuta” pra qualquer um que aparece perto da grande área). Aciona pouco o lado direito, joga mais pela esquerda com a apoio de Juan e Neymar, que se movimenta pelos lados e no meio. Mas centraliza muito o jogo e erra passes demais por conta disso. E o Juan Aurich bate.

O gol sai em um escanteio cobrado pela esquerda. Edu Dracena, após cabeçada de Ganso que Penny não conseguiu segurar. Na primeira etapa, ficaria nisso. As poças já começavam a aparecer no gramado do Pacaembu e o intervalo foi premiado com um aumento do temporal. Os 15 minutos mais longos que eu já tinha visto em um estádio. Enquanto isso, uma marca de cerveja era responsável por jogar brindes aos torcedores por meio de uma “bazuca” (mas nada de bebida no estádio, ah, os bons hábitos...) que circulava no estádio. E o locutor pedia pra torcida “agitar”, como se todos estivessem num programa de auditório. A chuva sem cessar, e o cara não parava de falar. Até que a torcida se impacientou e iniciou o tradicional e flexível grito: “hei, bazuca, vai tomar...”.

Os times voltam. E, o intervalo que já era longo pra quem tomava chuva, iria se alongar de verdade. Parte dos refletores apaga, os times vão para os bancos de reservas e, de lá, após alguns minutos, vão para o vestiário. O torcedor fica sem saber o que vai acontecer, nada de o sistema de som do estádio informar algo. Alguns já vão embora, já que o dia seguinte é uma sexta-feira de trabalho. A maioria fica sem saber se vai haver ou não partida. E tome chuva.

Quanto o sistema de som anuncia algo, vem a voz de um locutor que começa a contar a “história do Pacaembu”. A vaia, previsível, o faz se calar. Só depois de algum tempo vem o anúncio de que o jogo continuaria. Os times voltam e o jogo se inicia 45 minutos depois do encerramento do primeiro tempo. E a chuva, que piorou no “intervalão”, fez aparecer muito mais poças no gramado.

Se a grama pesada e a água empoçada atrapalham o time que troca passes e trancam mais o jogo, também é verdade que é fatal para times que têm pouca técnica. Os peruanos conseguiam se defender, muito na base da pancada, que não foi punida pelo árbitro argentino Patricio Losteau, cujos cartões devem ter ficado em algum café de Buenos Aires. Com licença do juiz, o Juan Aurich bateu e não foi punido, mas não conseguiu chegar à meta santista.


(Esse Neymar...)

Ibson, pela direita, e Arouca abriram pelos lados, facilitando o ataque santista. Borges, que perdeu um gol incrível, segue a sina de garçom. Foi dele a jogada que resultou no segundo gol do Santos, marcado por Neymar, aos 13 do segundo tempo. E Neymar... Esse, faça chuva ou faça sol, sempre brinda o amante da bola com lances geniais (confira no vídeo, no 0:43 e no 3:11), mesmo caçado (no vídeo, no 1:05. avaliem que punição merece essa falta). Depois do segundo tento, ninguém ali duvidava da vitória àquela altura, mas a goleada não veio, muito em função da chuva e da pancadaria dos peruanos. Agora, o time lidera o grupo 1 da Libertadores, com nove pontos, dois a mais que The Strongest e Internacional.

Ah, sim, no fim da partida, a chuva parou.

5 comentários:

Edu Maretti disse...

Resumo da ópera:

- torcedor continua sendo tratado como mer** no Brasil.
- malemá vi pela internet e me ocorria um pensamento recorrente: ô timinho vagabundo esse Juan Aurich, tb conhecido como João Eurico.
- ô argentino sem-vergonha esse árbitro.
- tanto critiquei o Dracena que agora o capitão virou artilheiro. Está na hora de lançar um movimento: Dracena para camisa 9. O Borges, sinceramente, deve ter alguma proposta pra deixar o clube no meio do ano. Não é possível. Parece uma geleia. Perdeu um gol cara a cara de cabeça que, se fosse contra um Boca Juniors, um Fluminense, essa hora poderíamos estar lamentando uma desclassificação.
- incrível como Muricy é previsível. Sai Íbson, entra Elano, lá pelos 25 do segundo tempo... é a única alteração que o gênio faz. Valente ele é contra os fracos, como foi tirando Dimba do jogo contra o Guarani em Campinas aos 43 do primeiro tempo (algo inédito), pra queimar o guri, que estava naquele jogo, aliás, tendo boa atuação. Diante dos que têm nome, se acovarda.
- considerando a fragilidade do adversário, que não deu um chute sequer ao gol, por que não tirar Neymar depois do 2 a 0 diante de tanta pancadaria? Porque Muricy é medroso.

E... vai pra cima deles, Santos!

Guilherme Scalzilli disse...

O Derby faz cem anos

O jogo de amanhã no Majestoso marcará um século de disputas entre Ponte Preta e Guarani. É o mais antigo confronto nacional envolvendo times rivais da mesma cidade. A presunçosa crônica paulistana ignora o evento para não ofuscar a ilusão de pioneirismo que ajuda a forjar a pretensa superioridade dos seus times favoritos.
Muita apreensão envolve a partida. Um torcedor bugrino morreu numa pancadaria com pontepretanos, recebeu tratamento de mártir pela imprensa local e o clima em algumas rodas é de revolta e vingança. O presidente do Guarani sugeriu que a partida fosse adiada ou transferida para outra cidade, mas felizmente a diretoria da Macaca rejeitou a péssima idéia. Outra bobagem proposta, a realização futura de jogos com torcida única, precisa ser rechaçada o quanto antes pelos sensatos.
Não importa onde seja aplicado, esse remendo com ares modernosos apenas recicla o espírito arbitrário que motiva os toques de recolher, as leis secas, os Estados de exceção de qualquer tipo. Não é a sociedade civil que deve pedir o aval da polícia militar para promover seus eventos, é a PM que tem a obrigação legal de garantir segurança a eles.
Se quisesse, mas se quisesse mesmo, o comando policial daria totais condições de civilidade a qualquer partida de futebol, mesmo entre as mais bárbaras súcias de imbecis. Não o faz porque, para a PM, quanto pior, melhor. Cada rebu desnecessário avança um metro na direção da ausência de torcida, sonho das autoridades, porque resguardaria o efetivo, economizaria insumos e encargos, ajudaria a baixar os índices de truculência da corporação.
Antes de significar um atestado de incompetência das polícias, entretanto, a violência lhes fornece um bode expiatório. Para tanto, elas só precisam atiçar a revolta dos torcedores, para em seguida tratá-los como bandidos. Tantas implicações aumentam a importância do jogo, para além dos aspectos históricos ou meramente futebolísticos.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br

Guilherme Scalzilli disse...

O Derby faz cem anos

O jogo de amanhã no Majestoso marcará um século de disputas entre Ponte Preta e Guarani. É o mais antigo confronto nacional envolvendo times rivais da mesma cidade. A presunçosa crônica paulistana ignora o evento para não ofuscar a ilusão de pioneirismo que ajuda a forjar a pretensa superioridade dos seus times favoritos.
Muita apreensão envolve a partida. Um torcedor bugrino morreu numa pancadaria com pontepretanos, recebeu tratamento de mártir pela imprensa local e o clima em algumas rodas é de revolta e vingança. O presidente do Guarani sugeriu que a partida fosse adiada ou transferida para outra cidade, mas felizmente a diretoria da Macaca rejeitou a péssima idéia. Outra bobagem proposta, a realização futura de jogos com torcida única, precisa ser rechaçada o quanto antes pelos sensatos.
Não importa onde seja aplicado, esse remendo com ares modernosos apenas recicla o espírito arbitrário que motiva os toques de recolher, as leis secas, os Estados de exceção de qualquer tipo. Não é a sociedade civil que deve pedir o aval da polícia militar para promover seus eventos, é a PM que tem a obrigação legal de garantir segurança a eles.
Se quisesse, mas se quisesse mesmo, o comando policial daria totais condições de civilidade a qualquer partida de futebol, mesmo entre as mais bárbaras súcias de imbecis. Não o faz porque, para a PM, quanto pior, melhor. Cada rebu desnecessário avança um metro na direção da ausência de torcida, sonho das autoridades, porque resguardaria o efetivo, economizaria insumos e encargos, ajudaria a baixar os índices de truculência da corporação.
Antes de significar um atestado de incompetência das polícias, entretanto, a violência lhes fornece um bode expiatório. Para tanto, elas só precisam atiçar a revolta dos torcedores, para em seguida tratá-los como bandidos. Tantas implicações aumentam a importância do jogo, para além dos aspectos históricos ou meramente futebolísticos.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com.br

Bia disse...

Perfeita a descrição do sofrimento do torcedor que foi ao jogo, Glauco!
Acho que foi a minha pior experiencia em um estadio de futebol. Nem assistir o Barça nos massacrando no Japão foi tão ruim. Pq apesar do frio, a FIFA distribuiu um saquinho de areia que esquenta as mãos...rs
Como disse meu cunhado após o jogo, fácil é ser torcedor na Europa. Aqui vc pega fila pra comprar ingresso, paga 50 reais para estacionar, toma chuva e chega em casa duas da manhã tendo que trabalhar no dia seguinte. Ou seja, fazem de tudo para o torcedor não ir ao estádio.
Bjs

Glauco disse...

Pois é, Bia, se houvesse o mesmo rigor que existe em outras áreas em relação a atendimento e respeito ao "cliente-consumidor", federações e clubes iam ter que fazer bem mais do que fazem hoje. Torcedor aqui no Brasil tem que ser um abnegado, parece que faz parte do "ritual de sofrimento".