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segunda-feira, novembro 30, 2009

Andrade, perto de quebrar um tabu

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Caso o Flamengo vença o Campeonato Brasileiro no domingo, além de finalizar uma hegemonia paulista de cinco anos e derrubar um jejum que os rubro-negros ostentam desde 1992, terá fim mais um tabu relacionado ao Nacional (ao menos desde 1971, a "era moderna" do certame): Andrade, comandante flamenguista, será o primeiro técnico negro campeão brasileiro.

flamengo.com.br
A relação dos treinadores campeões brasileiros pode ser consultada na sempre necessária RSSSF. A página traz todos os nomes e uma simples passada de olho deixa claro que não há nenhum negro entre os vencedores. Com "boa vontade" poderíamos incluir alguns mestiços, como Carlos Alberto Torres, Carlinhos e até mesmo o maior dos campeões brasileiros, Vanderlei Luxemburgo. Mas negro autêntico, inconteste, Andrade seria o primeiro.

É interessante ver como há pouquíssimos negros como técnicos no futebol nacional. Além de Andrade - que só foi virar técnico pra valer nesse ano, já que vivia na condição de "interino fixo" no Fla - só me lembro, de cabeça, de Lula Pereira, ex-América-MG, Botafogo-SP e que teve uma passagem fraca pelo próprio Flamengo.

Num meio em que, entre os atletas, os negros são maioria ou quase maioria, é inquietante constatar como poucos entre eles seguem o rumo que é natural para tantos outros da profissão. Racismo? Sei lá, acho que seria simplista colocar todo o peso disso nesse fato. Não tenho opinião formada. E vocês?

8 comentários:

Glauco disse...

Tem o Sérgio Soares também, do Santo André, que é negro. Quanto ao "gênio", devemos lembrar das sua declaração intelectualizada que dizia: "O pessoal precisa entender que isso [ofensas racistas] faz parte do futebol. Não pode levar para o outro lado. Eu mesmo chamo alguns atletas de 'Picolé de Asfalto', até porque tenho um pé na senzala". Ver aqui .

Mas é interessante também um novato como Andrade ganhar pela questão da supervalorização que vinham tendo os técnicos no futebol. Andava parecendo até que eles prescindiam de elenco, da torcida, da diretoria e com sua varinha de condão faziam um time campeão. Hoje, se vê que não é bem assim e isso pode ser bom pro futebol.

Anselmo disse...

bem observado.

é verdade que tirar a importância dos técnicos seria salutar ao futebol. aliás, defendo que o salário do técnico deve ser limitado a um percentual do maior salário do elenco.

tudo bem, a proposta não faz sentido.

mas um provável título do Flamengo ainda vai ser o das voltas por cima (de Petcovic e Adriano), de Márcio Braga campeão em 80, 87 e 92, dos cariocas (como citou o olavo)...

eu palpitaria que tem uma boa dose de racismo que faz com que menos jogadores negros se tornem técnicos de futebol. Pode ser que seja uma ação de cartolas. Mas é difícil afirmar a razão.

Glauco disse...

Por falar em cartolas, Anselmo, quantos negros existem? Lembrando que tem ex-jogadores que trabalham como gerentes de futebol e similares.

Olavo Soares disse...

Não sei se ainda está lá (ou se exerce a função em outro time), mas o Ronaldão foi cartola da Ponte Preta.

César Sampaio foi um dos fundadores do Guaratinguetá, e Rivaldo é presidente do Mogi Mirim.

Fora dos ex-boleiros, lembro do fraquinho Luiz Henrique de Menezes, que trabalhou em Santos e Corinthians.

meioconcentrado disse...

Faltou o Celso Roth. O Michel Lawrence comentou, certa vez, o lance racial entre técnicos, citando o Roth: http://colunistas.ig.com.br/jogoquaseperfeito/2009/06/14/como-e-bom-ver-futebol/

Leo

Anônimo disse...

Juro que, apesar de cruzeirense, torci pela confirmação do Andrade e, quando os jogadores o apoiaram publicamente e foi confirmado, fiquei muito feliz: acho ele realmente antitético à figura do "durão semi-nazista", tão de moda no futebol. Com aquela cara de quem nada quer, ele vai conquistar um título absolutamente inesperado (antes dele ser chamado socorrer o time, era mais pra se safar da segunda....). Ele merece! Este título é mais dele do que do Adriano, do Pet, do Leo M. e cia.
Graças ao Andrade hoje sou mais menguista (sempre depois do Cruzeiro, óbvio).

Leandro disse...

Muito bem lembrado!
Mais uma daquelas coisas que provam de maneira irrefutável nossa sociedade com cotas para brancos desde 22/04/1500.
Apesar do ódio do Fredi e de outros atleticanos contra o Timão, eu até que gostaria de ver o Atlético Mineiro campeão por uma série de fatores: É o time do povo lá de MG, também é preto e branco e certamente não deve ser fácil para o atleticano ter que aturar tanto tempo sem ganhar nada importante e com o elitista Cruzeiro sempre protagonizando as ações nas Alterosas.
Não deu, pois na reta final do Brasileirão, conforme cantaram os flamenguistas no Mineirão, o galo virou galinha.
Rrivalidades estaduais à parte, sobretudo a que existe com o Palmeiras, e já que não vai dar Galo, depois desta exposição de motivos toda, claro que o time que mais chegaria perto de me dar um motivo "sociológico" p/ torcer, entre os que ainda disputam, sem dúvida que é o Flamengo.
Então: Vai Andrade!!!!

Bruno Ribeiro disse...

Não diria que há racismo. Mas é óbvio que a grande diferença social entre brancos e negros; o preconceito que negros enfrentam cotidianamente em nossa sociedade; a falta de oportunidades que enfrentam quando tentam ocupar empregos ou cargos de chefia etc. São fatores incontestáveis de que o caminho para um profissional como Andrade é muito mais longo e acidentado do que para um treinador branco em início de carreira.