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segunda-feira, abril 12, 2010

Ganhar jogando mal (visão peixeira do clássico)

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O futebol que o Santos vem mostrando neste 2010 tem despertado muitas paixões - no sentido mais amplo da palavra, aquele que define paixão não somente pelo "gostar muito", mas sim pelo "ter um sentimento forte". Ou se admira muito o que o Santos faz, ou se ataca o time com rótulos que começam com "firuleiro" e terminam em palavras impublicáveis.

Já escrevi, aqui mesmo no Futepoca, que o que o Santos mostra não é fruto de uma "opção pela arte", e sim resultado de uma maneira de jogar criada pelo técnico Dorival Júnior. Nada de muito complexo. Ele tem em suas mãos Robinho, Neymar, André, Ganso e cia., e acha que com eles é melhor montar o time dessa maneira. Com outros jogadores, sua estratégia seria outra. Ele faz nada mais do que identificar como pode extrair o melhor dos seus atletas.

Aí vem o jogo desse domingo. Um jogo em que o Santos faz 3x2 sobre o São Paulo em pleno Morumbi, e assim dá um baita passo para chegar à final do Paulistão - pode até mesmo perder por um gol de diferença domingo que vem, na Vila, que ainda assim fica com a vaga. E a gente fica sem saber como analisar o que fez o Peixe.


Por que o Santos de hoje foi tudo, menos "encantador". Mesmo no primeiro tempo, quando fez 2x0 e sugeriu que teria condições de fazer mais, o time não jogou o futebol mostrado em tantas ocasiões nesse primeiro semestre. No segundo, então, quando viu um Tricolor com um jogador a menos dar uma baita canseira, o time nem de longe lembrou a máquina de jogar bola sugerida em outras ocasiões.

Mas fez o 3x2. Ganhou. Ou seja: atuou de maneira diametralmente inversa à que se espera que esse time faça. Ao invés de "dar show e ainda assim perder", não deu show e ganhou.

Acredito que isso sugere uma maturidade no grupo. E dá confiança para que o Santos continua desenvolvendo e aprimorando seu jogo nas próximas ocasiões. Time que quer ser campeão precisa deixar o campo com os três pontos ainda que não dê show. E foi o que o Santos fez hoje.



A montagem do time para hoje era um desafio para Dorival Júnior. O 4-3-3 com Neymar, Robinho e André na frente parecia incompatível com um meio-campo ofensivo como o que vinha sendo escalado nas partidas anteriores. E, individualmente, os atletas da região central estavam gastado a bola: Wesley, Marquinhos, Arouca e Ganso. Dá pra tirar alguém desse para que os três da frente joguem?

Não, não dá. Tanto que Dorival não tirou. Mandou Wesley para a lateral-direita, se beneficiando de uma carência que o Santos tem naquele setor do campo - Maranhão aparentemente não deu certo e George Lucas tem um físico incrivelmente frágil.

Esperava-se que Wesley na lateral seria uma saída para que o meio-campo santista tivesse mais liberdade para criar - já que os laterais não desceriam tanto ao ataque quanto fazem habitualmente. Mas não foi o que ocorreu. O Santos acabou por recuar sua marcação, com os atacantes dando combate só quando os atletas tricolores já dominavam a bola próximos ao meio-campo. Assim, a posse de bola acabou ficando mais são-paulina do que o desejado pela torcida do Santos.

Com isso, o meio ofensivo e a linha de ataque mágica acabaram não se sentindo tão à vontade para trabalhar - e Arouca, o mais recuado dos seis da frente, acabou sendo o principal destaque alvinegro na partida (assina o cheque, Luiz Álvaro, compra o cara!).

No segundo tempo, quando o São Paulo foi incrivelmente melhor, o Santos acabou dando certo apenas quando Dorival Júnior mexeu o time e deu mais força ao meio-campo. Com a posse de bola, foi mais fácil diminuir a supremacia que o São Paulo impunha e, consequentemente, armar jogadas.

A vantagem não pode desmotivar Dorival Júnior a arrumar de vez essa equipe. Hoje, os problemas se fizeram presentes. O Santos deixou o campo com a vitória e muito próximo da classificação, mas mais uma vez deixou mostras que não é um time perfeito.

18 comentários:

Fabricio disse...

Eu já achei justamente o contrário. O Santos dá muitas mostras de imaturidade. Assim como aconteceu contra o Palmeiras, o time se perde totalmente quando vê o adversário empatar e se impor. Acho que se o São Paulo tivesse o Marlos no segundo tempo, a virade teria acontecido.

Por sorte o RC pulou só 5 centímetros do chão e o Santos achou o 3.o.

Mas é campeão, já. Isso é fato.

Anônimo disse...

Chororo de perdedor não vale!! Santos Campeão Paulista de 2010!

Nicolau disse...

Glauco, tem um erro no seu texto no 3º parágrafo: "No segundo, então, quando viu um Tricolor com um jogador a mais dar uma baita canseira..."
Sobre o jogo, eu que só vi o segundo tempo, fiquei impressionado com a força de reação do São Paulo e com o impressionante recuo do Santos, pressionado por um time com um a menos. Quando cheguei e vi que estava 2 a 0, esperava um passeio peixeiro - o que aliás aconteceu também contra o Palmeiras. O Glauco tem razão, o time tem ainda muito o que melhorar.
E eu, que prefiro a vitória do Santos nas finais, para bem do futebol ofensivo, fiquei olhando o Peixe recuar como o meu Corinthians quando consegue alguma vantagem. E tomar calor da mesma forma também, aliás, o que me parece uma tendência dos times que chamam demais o adversário. Enfim, faz parte.

Nicolau disse...

Faltou dizer: a parte isso, foi um belo jogo de bola. O passe de Neymar no segundo gol do Santos foi uma pintura, daqueles que a gente não sabe de onde o cara tirou. E o primeiro gol do São Paulo, de Hernanes, também foi impressionante.
E segundo tempo a parte, o Santos está com uma mão na final - o que implica uns bons dedos na taça, dada a falta de tradição do adversário.

Olavo Soares disse...

Pô, fico honrado de ver o texto sendo atribuído ao Glauco: sinal que escrevi com qualidade, hahahah!

Vou fazer a alteração. Valeu, Nicolau.

Marcão disse...

Por incrível que pareça (ou não), eu esqueci de ver o jogo. Sério! Acordei bem tarde no domingo e precisava trabalhar na internet, isso lá pelas 14h. Trampei quase duas horas. Aí fomos comprar coisas pra fazer um rango e, lógico, umas cervejas. Botei um som, fizemos a comida, bebemos, conversamos. Quando ouvi uns rojões, lembrei da partida, nem sabia que horas eram. Liguei a TV, vi o juiz apitando e o placar de 3 a 2 subindo na tela. Pelo que vejo nesse vídeo do post, perdi um belo jogo. E o resultado eu já esperava.

Marcão disse...

Ps.: Não acho que o resultado tenha sido culpa do Rogério Ceni, o Santos é melhor e ponto final. Miranda também não deveria ter feito aquela falta. O Ceni está em péssima fase e não é de hoje, falhou em quase todos os clássicos - mas o time não merecia ter empatado nem vencido nenhum daqueles jogos. Quanto ao Marlos, pelo o que vi nesse vídeo, foi expulso com toda a justiça. Se tivesse acertado o chute, aleijava o Robinho. Totalmente desnecessário numa jogada no meio do campo.

Guilherme Scalzilli disse...

É difícil determinar preferências nestas finais do campeonato paulista. Pontepretanos possuem histórica antipatia pelo São Paulo e alguma identificação com o Santos. Mas eu repudio particularmente o tratamento jornalístico hipocritamente favorável que o Peixe recebe.
A imprensa dos grandes veículos é incapaz de reconhecer as forças esportivas do interior, e por isso trata a cidade litorânea como um subúrbio da capital. Os cronistas-torcedores tentam se apoderar da imagem do Santos, transformando-o numa espécie de “time grande em miniatura”, radicado na super-metrópole que simboliza a superioridade dos centros urbanos. Até a Vila Belmiro, menor do que a maioria dos estádios, ganha status de arena ou “caldeirão”.
Mesmo a festejada superioridade técnica dos “meninos da Vila” merece questionamentos. Primeiro, porque ela é exagerada pela mídia, para ocultar a vergonha com o fracasso de Corinthians e Palmeiras. Ademais, a crônica nunca esteve realmente interessada em elogiar o bom futebol. Há pouco mais de oito anos, o time da Ponte contava com o zagueiro Fábio Luciano, os volantes Mineiro e Fabinho, os atacantes Luís Fabiano e Washington. Ninguém jamais se lembrou de dizer que enchia os olhos vê-los jogar.
Seja como for, parece mais fácil colocar as barbas de molho e esperar que tudo se encaminhe de modo a favorecer um improvável triunfo de qualquer dos times interioranos.

Edu Maretti disse...

"Dorival Júnior mexeu o time e deu mais força ao meio-campo." Esta frase,Olavo, é chave para entender não por que o Santos jogou mal, mas por que é vulnerável. Tem que dar os méritos ao SPFC, que jogou bem. Não acho que o SFC jogou mal; como disse lá no meu blog, acho que jogou com o regulamento. E contra um time forte. E ganhou fora de casa com casa cheia.

O meio campo com um volante só, em jogos decisivos e pegados contra times grandes, é uma temeridade. Quem vai sair pra colocar um segundo volante? Pergunte ao Dorival. Fora isso, precisa de um lateral direito de ofício,mesmo.

Mas uma coisa me preocupou desde antes do jogo. Pelo que consta, a lista de (se não me engano) 20 atletas que o técnico levou para o clássico não tinha sequer UM zagueiro reserva. Um absurdo. Sei não, mas parece que o Dorival tá mais no oba-oba do que o elenco de meninos.

E todo mundo aponta a falha do Ceni, mas o 1° gol são-paulino foi quase um frango (mal posicionado, o goleiro Felipe).

Nicolau disse...

Vixe, Olavo, foi mal! Acho que é a ressaca...

Thalita disse...

Olavo, eu tb achei que o texto fosse do Glauco. Mas pelo menos eu li a sua assinatura antes de comentar, rsrsrs.
Entao... o Sao Paulo fez, por um lado, menos do que eu esperava - por que estou sempre esperando essa zaga engrenar, qualidade de jogador tem - e por outro, bem mais do que eu sonhava - jogou bem. Meio campo consistente, marcacao na saida de bola, raca, dedicacao e tudo o mais. Algumas boas jogadas de ataque, ateh. E o Hernanes jogou muito!
O time estava bem melhor na partida antes do primeiro gol do Santos, depois deu uma tremida. A reacao no segundo tempo foi totalmente inesperada pra mim. E se o Maretti acha que o gol do Hernanes foi quase um frango, eu acho mesmo que o do Dagoberto foi imperdoavel. O que aquele zagueiro bobao tava fazendo na area qdo o resto da defesa tinha saido pra deixar o Dagoberto impedido?
Mas eu tenho que confessar que assisti o primeiro tempo, me deprimi e sai de casa no segundo. Nao assisti a reacao. (pelo menos eu tenho a desculpa de que o justin.tv nao tava funcionando bem).
Mas meu medo nao muda. Assim como o Arsenal contra o Barcelona, to com medo de o Sao Paulo tomar uma goleada historica de um time historico no jogo de volta.

Anselmo disse...

um jogo de 5 gols é sempre um jogão. acima da média.

o santos dá mais emoção ao jogo do q estamos acostumados.não sei se é imaturidade, mas tem umas oscilações e tem falhas na defesa. nenhuma novidade.

é mto diferente do jogo contra o palmeiras, uma referência só pq foi a única derrota. naquela ocasião, foram dois gols relâmpago, q nem o mais sonhador dos alviverdes sonharia. isso desestabilizar, é normal. depois, ainda achou um gol no fim.

não é todo joog q o adversário consegue aproveitar a vulnerabilidade duas vezes em um minuto e ter sorte no final.

ah nao ser q o santos entre de salto alto, é só jogar concentrado a volta para não correr riscos. goleada? acho improvável.

Nicolau disse...

"zagueiro bobao" foi ótimo, haha!

Glauco disse...

Já comentei sobre esse negócio de "maturidade" aqui. Parece que o Santos estava enfrentando o vento, era o São Paulo, pô! Clássico, e decisivo, é assim. Ou o Corinthians "foi imaturo" quando estava ganhando por 3 a 1 e o São Paulo empatou no último clássico? }Ou o mesmo Tricolor foi "imaturo" quando não conseguiu vencer o Corinthians com dois jogadores a mais durante 2/3 da partida em 2006? Por favor, só porque o Santos tem garotos se fala de maturidade o tempo todo, como se times veterandos não fossem instáveis em dados momentos...

Engraçado é que essa foi uma partida ruim do Santos, que foi tratado pela mídia esportiva como se tivesse perdido o jogo e não vencido na casa do adversário. O Santos jogou mal sim, principalmente no segundo tempo, mesmo assim, Robinho perdeu uma chance de fazer 3 a 0 no início do primeiro tempo e quase fez logo depois. O gol mais perdido do jogo foi do Zé Eduardo, que chutou fora na cara do gol com Ceni já no chão. Ou seja, mesmo jogando mal no segundo tempo, teve chances agudas. E Neymar, que não jogou quase nada, fez um grande passe pro segundo gol do Santos. Mas, se não der show, o time não presta.

Thalita, o zagueiro não era zagueiro, era o Wesley que não acompanhou a linha de impedimento. Por isso os santistas clamam tanto por um lateral-direito de ofício, pois talvez tivesse o cacoete de fazer a linha e deixar o Dagoberto impedido.

Esquemas táticos disse...

O Santos é superior a todos os times do paulista. Ponto. Se vai ganhar de todos (e não ganhou), já é outra história. No futebol, como no boxe, um golpe certeiro pode decidir uma peleja. Mesmo que o adversário seja melhor.

O esquema do Santos é um 4-3-3 de posse de bola, ou seja, só funciona com troca de passes no campo do adversário. Os jogadores das extremas são atacantes que voltam, de vez quando, para compor o meio-campo. É o caso do Barcelona, por exemplo (ou pelo menos era, já que o Guardiola está modificando um pouco o esquema). Uma variante do 4-3-3, mas voltada para o contra-ataque, é o 4-2-3-1. Os meias-atacantes laterais são mais meias que atacantes. É o caso de muitos times europeus e do Corinthians do ano passado.

Fiz uma análise no meu blog sobre o São Paulo x Santos. Dia desses eu analiso o 4-3-3 com mais profundidade.

http://esquemastaticos.blogspot.com/2010/04/sao-paulo-2x3-santos-analise-tatica.html

Abraços,

Marcelo Costa.

Nicolau disse...

Bom, só pra ser chato, os dois gols do São Paulo no clássico contra o COritnhians poderiam ser atribuídos à imaturidade do goleiro Rafael, que falhou nos dois lances. Mas pode chamar de ruindade também que não tem problema, hehe! Mas acho que todo time de garotos sofre com essa pecha de "imaturidade", não tem muita novidade.

Thalita disse...

Bom, Nicolau. Pelo menos o terceiro do Santos pode ser atribuido ao excesso de maturidade do Rogerio... entao dah meio que na mesma, rsrsrs

Nicolau disse...

Taí, Thalita, rs! E o Roberto Carlos, que podemos também chamar respeitosamente de "experiente", também não achou ruim a atuação do Ceni, hehe!