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sexta-feira, dezembro 17, 2010

Em vez de encher a cara no fim de semana, converse com a garrafa

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Esperando um certo co-autor do Futepoca para um sóbrio e a seco almoço no centro da capital paulista,  deparei-me com um exemplar do Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa, da editora Martins Fontes. Por acaso o ponto de encontro era a livraria de mesmo nome, na praça do Patriarca.

O "expressionário" de João Gomes da Silveira – até o trocadilho é de autoria dele – é um catatau de 956 páginas com expressões muito consagradas, regional ou nacionalmente.

Por uma coincidência dessas que seria inexplicável se não fosse óbvia ideia fixa, as páginas se abriram no "encher a cara". A sinonimia é espantosa. Ainda queria saber se, por acaso, é o recorde do volume. É dessa lista que vem o "conversar com a garrafa", um dos mais eufemísticos da lista, que inclui de clássicos como "molhar o bico" a genéricos, como "entrar no embalo".

O Houaiss tem lista ainda mais extensa para beberrão (82) e embriagado (49), mas são verbetes e não expressões. Isso sem falar em cachaça, que tem 422 equivalentes – fora o show, já que consta, ao pé da lista, que foram deixadas de lado "locuções, fraseologia e os nomes de cachaça com misturas, assim como os das cachaças feitas com outra coisa que não a cana-de-açúcar".

Em termos de expressões, a variedade não é tão profícua, mas suficientemente animadora. São 50 opções para, em plena sexta-feira, o leitor do Futepoca poder variar a forma de expressar seus planos para o fim de semana.

À lista, extraída da obra:

 Prepare o vocabulário junto com os copos

Sinônimos para "encher a cara"
  • acender a lamparina
  • alertar as ideias
  • amarrar a cabra (reg. Pernambuco), a gata
  • apanhar uma, uma açorda, uma barrentina, uma bezana, uma bruega, uma cardina, uma carraspana, uma torta
  • arranjar uma sopeira
  • baixar o bico (reg. Maranhão)
  • beber com farinha, como um/feito um/que nem/que só gambá
  • carregar nas doses, os machos, os machinhos
  • comer rama
  • conversar com a garrafa
  • cultivar a vinha do Senhor
  • dar uma chamada
  • empenar o pneu
  • encher a caveira
  • entrar no embalo, pela pinga, por ele
  • esquentar o peito
  • meter-se em pileque, na bebida, na cachaça, na cana, no gole (reg. Ceará)
  • molhar o bico, o peito
  • montar num porco
  • pisar na mão (reg. da Bahia)
  • pôr óleo
  • puxar porção
  • quebrar munheca
  • tocar a gaita
  • tomar um prego, uma jorna, uma ximbreza, uma xumbrega, um oito, um pifão (reg. Pernambuco), um porre.
  • tomar-se da pingoleta
Fonte: Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa, de João Gomes da Silveira

8 comentários:

Marcão disse...

"Montar num porco" é sensacional!

Vou substituir o "molhar a palavra".

Maurício Ayer disse...

"Pisar na mão", fantástico.

magrão disse...

Quando meu pai dizia, vou "lavar as mãos" estava indo pro Boteco " tomar uma".

João Gomes da Silveira disse...

Fico contente que alguém, por acaso, tenha dado com o nosso DICIONÁRIO DE EXPRESSÕES POPULARES DA LÍNGUA PORTUGUESA e este haja servido de motivo para descobrir tão-somente um naco de amostra da riqueza idiomática contida no livro. O nosso anônimo "descobridor" do livro apresentou o verbete ENCHER A CARA com um rol apreciável de expressões variantes e/ou sinônimas. Mas quem escarafunchar um pouco mais o dicionário, sem dúvida, irá surpreender-se com outros e tantos inumeráveis exemplos de saborosíssimas expressões do rico idioma luso-brasileiro. Fico muito agradecido ao ilustre "anônimo", autor desta preciosa postagem na internet. Assim, ele - o nosso "anônimo" - nos proporciona o ensejo de alguns comentários, aqui, incluindo este nosso despretensioso ponto de vista. Um abraço natalino no amigo "Anônimo", ou, se não é anônimo, por favor, aceite as minhas humildes desculpas, que a autoria da página pode ter-me passado desapercebida. Com mais mil e uma desculpas pela possível distração, João Gomes da Silveira.
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SUGESTÕES DE LIVROS

Dicionário de Expressões Populares da Língua Portuguesa, 980 pp.
João Gomes da Silveira
WMF Martins Fontes Editora, São Paulo, 2010
www.wmfmartinsfontes.com.br
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/gomesdasilveira

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Maurício Ayer disse...

Valeu a visita, João Gomes da Silveira, apareça sempre.

Abracos

Anselmo disse...

Valeu, JOão Gomes.

A autoria está no pé do post, antes do horário de publicação. Mas não tem crise. os elogios e o valor da obra são mais importantes.

O livro é ótimo. A cara cheia é uma questão de predileção do futepoca. mas o livro é bem divertido para um curioso como eu. para quem estuda, deve necessário.

João Gomes da Silveira disse...

Sou um eterno noviço, quando mexo em microcomputador. Acho que também distraído. E, logo que cliquei para enviar o meu rabisco anterior, vi o nome do ANSELMO, nome miudinho, lá embaixo. Ora, em se tratando do ANSELMO, e ainda mais ao lado do nome da LÚCIA HIPÓLITO, só podia ser o ANSELMO GOIS. Um nome maiúsculo do jornalismo brasileiro, sem favor algum. Ainda estou por saber se se trata mesmo do ANSELMO GOIS. Seja quem ele for, me dou por muito agradecido, não tenha dúvida que estou, ANSELMO. Peço mil desculpas por tê-lo chamado de "Anônimo", por distração e por burrice mesmo, rsss. Um nome graúdo como o do ANSELMO não é para ser confundido com um Zé Anônimo qualquer. Seja o GOIS ou outro, ANSELMO, aceite minhas desculpas, eu cometi uma baita rata, não vi o seu nome na importante matéria publicada 'online'. E mais: se se trata do ANSELMO GOIS, ele é citado várias vezes no "Dicionário de Expressões da Língua Portuguesa", pena que não esteja lá na BIBLIOGRAFIA o nome dele, mas apenas o da revista VEJA. Dou a mão à palmatória, quanta gente boa do jornalismo graúdo, como o nome do ANSELMO, deixou de figurar na bibliografia, para ceder lugar aos nomes dos órgãos de imprensa, por ex., VEJA, ISTOÉ, BUNDAS, FOLHA DE S. PAULO, ESTADÃO, O POVO, DIÁRIO DO NORDESTE, ESTADO DE PERNAMBUCO, etc., etc. Mas já estou indo longe nesta ladainha e voltei, tão-somente, e sobretudo para isto: AGRADECER AO ALSELMO PELA IMPORTANTE MATÉRIA PUBLICADA NA INTERNET E, DANDO A MÃO À PALMATÓRIA, ME DESCULPAR PELA MINHA GAFE QUANDO FALEI A BESTEIRA DE DIZER NO COMENTÁRIO ANTERIOR QUE O EXCELENTE TEXTO JORNALÍSTICO ERA DE UM "ANÔNIMO". Anônimo uma ova, o ANSELMO - seja ou não o GOIS - é um dos expoentes máximos da pena do Jornalismo nacional, quiçá ombreando com os gajos do New York Times, Le Monde & cia. Reitero o meu abraço no ANSELMO e, homem, se o sr. estiver aí com o aludido volume de EXPRESSÕES POPULARES, pode escarafunchá-lo que você vai dar inúmeras vezes com o nome graúdo e maiúsculo de ANSELMO GOIS. Um Natal em paz para todos e Feliz Ano Novo, João Gomes da Silveira

João Gomes da Silveira disse...

Depois de errar todos os caminhos que vão dar em ceca e meca, finalmente encontro o verdadeiro Anselmo. Trata-se de ANSELMO MASSAD, a quem pela milésima vez peço desculpas, por via da minha distração. Um abraço natalino, 'hermano' jornalista barbudo, Gomes da Silveira.