Destaques

quinta-feira, julho 07, 2011

Argentina invicta na Copa América

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Foi num dia 5 de setembro de 1993 que ocorreu uma das partidas mais incríveis entre seleções da América do Sul. Em pleno Monumental de Nuñez (esse adjetivo “pleno” é muito bem quisto no jornalismo esportivo) a Colômbia aplicou uma goleada por 5 a 0 na seleção argentina e, se não fosse o Peru empatar com o Paraguai (que sina salvar os portenhos), os argentinos não teriam disputado sequer a repescagem das eliminatórias para a Copa de 1994. Depois disso, Maradona voltou a ser convocado, foi pego por doping nos EUA e o resto da história todo mundo sabe.

Mas na noite desta quarta-feira os colombianos não repetiram o feito da equipe de Valderrama, Asprilla, Valencia, Rincón e companhia. Hoje, aliás, é muito fácil ridicularizar o palpite de Pelé sobre a seleção naquela época, tida como favorita pelo Rei, mas não era só ele que apostava nos vizinhos. Contudo, hoje, poucos mesmo apostavam neles. Mas a Colômbia conseguiu não só barrar o ataque argentino, como já havia feito a Bolívia, mas esteve durante todo o tempo mais próxima do gol.

O ótimo Falcão Garcia desperdiçou, Moreno perdeu um tento sem goleiro e o palmeirense pôde matar saudades – ou não – de Armero com seus avanços pela esquerda. Como na estreia, “La Pulga” Messi não brilhou, mas, embora os holofotes estejam sempre sobre ele por motivos óbvios, outros atletas não renderam grandes coisas. Tevez, queridão da torcida corintiana, nem mostrou sua garra habitual, tampouco sua habilidade, repetindo o pífio desempenho da primeira partida. A defesa se mostrou afeita demais ao alto risco e só não foi vazada porque o Sobrenatural de Almeida quis que a Argentina levasse seu drama até a última rodada da fase de grupos, contra a improvável Costa Rica.


Não sou anti-hermanos (tem hífen?) e gostaria de ver um futebol mais bonito da Argentina (do Brasil também). Mas, pelo início da Copa América, com oito gols em sete jogos, é possível inferir que os sul-americanos aprenderam a defender. E desaprenderam a atacar, o que nivelou as seleções por baixo. Ainda que os comandados de Mano Menezes tenha feito uma partida decepcionante contra a Venezuela, o time da casa, que tem o melhor jogador do mundo, deveria ter apresentado alguma coisa melhor. Não foi o caso.

Os argentinos, com dois pontos em duas pelejas, não dependem de si para se classificar em primeiro no grupo à segunda fase, mas podem obter a passagem até com um terceiro lugar. Isso importa menos que o futebol jogado e os torcedores presentes em Santa Fé já pediram a volta de Maradona no comando da seleção. De fato, o cenário é dramático.

15 comentários:

Olavo Soares disse...

Eu também não sou anti-hermanos (reitero o questionamento sobre o hífen). Mas passei a repudiar a Argentina por conta de brasileiros que veem no país vizinho um exemplo de futebol.

Edu Maretti disse...

Cada jogo que vejo da Argentina, mais antipatia eu tenho desse “La Pulga” de mier*¨¨...

A babação dos jornalistas brasileiros diante dele chega a dar nojo.

E ressalvo: eu não costumo ser anti-hermanos. Às vezes sou, às vezes não. Ontem fui muito. Achei o time colombiano muito bom, mas não sei até que ponto pela fragilidade do time argentino, muito mal comandada taticamente e péssima tecnicamente.

Olavo Soares disse...

Aliás, eu me pego com uma sensação dúbia em relação à Argentina: se por um lado torço pelo insucesso deles (pelos motivos citados), gostaria de ver o Messi arrebentando por lá, para que fossem encerrada de vez a questão sobre quem é melhor, ele ou o Maradona.

Lionel é 10 vezes melhor que Diego, mas enquanto não ganhar a Copa, será tratado como inferior. Aliás, tende a não ganhar, e entrará assim para a história. Uma pena.

Glauco disse...

Há algum tempo a Argentina não produz times de fato vistosos. É bom lembrar que o Brasil já a superou recentemente com times mistos, mesmo sem exibir grandes coisas. Mas acho que boa parte das expectativas em cima do time portenho tem a ver com o fato de eles contarem com o dito melhor do mundo, Messi.

E isso leva à outra refelexão: alguém já reparou que, dos últimos eleitos pela Fifa como melhores do mundo, nenhum consegue "carregar" sua seleção nas costas, com desempenhos bem medianos, aliás? Messi, Cristiano Ronaldo, Kaká, Cannavaro, Ronaldfinho Gaúcho... A exceção que confirma a regra é Zidane, cuja último título de melhor do planeta é do ano de 2003.

Vendo por esse lado, Olavo, acho que o feito de Maradona em 86 (e também em 90, mesmo com condições físicas mais que precárias) é estupendo: carregou o time nas costas, uma seleção com uma maioria de jogadores quase comuns. Messi não fez isso e, provavelmente, não fará.

Olavo Soares disse...

Pro Cannavaro cabe sim. Aliás, é o contrário: ele só foi o melhor do mundo porque sua seleção foi a campeã da Copa. Ele e o time se carregaram entre sim, digamos assim.

Na comparação Maradona x Messi, não podemos esquecer a idade dos dois. Messi hoje corresponde ao Maradona antes da Copa de 1986 - um cara com participação em Mundiais apenas mediana.

A diferença é que pelos clubes Messi já fez mil vezes mais do que o Diego com a mesma idade.

Glauco disse...

Pelos clubes não, por um clube só, o Barcelona, onde foi criado. Aliás, o melhor clube do mundo, base da seleção campeão mundial.

Já Maradona conduziu o Napoli ao seu primeiro título em 87 e depois ainda conquistou outro em 90. O Napoli era um time pequeno de fato e o campeonato italiano na época era o mais importante do planeta, bem à frente dos demais europeus (a concorrÊncia era brava, o Milan "holandês" já começava a se formar nessa época). A favor de Diego, tem o fato de suas "companhias" em campo serem bem menos reluzentes que as de Messi. Isso também conta.

Leandro disse...

A Argentina padece dos mesmos problemas do Brasil no aspecto coletivo. O técnico deles também não conseguiu acertar os ponteiros com os jogadores e isso não ajuda as figuras mais badaladas a terem o destaque esperado.
Diante deste quadro, jogar a culpa nos figurões "hermanos" é tão injusto quanto dirigir a culpa especificamente para Ganso e Neymar do lado de cá.
Messi tem sido a grande vítima do desacerto argentino. Já Carlitos, este não vinha demonstrando seu costumeiro desempenho nos últimos meses em gramados da Europa, e ainda que viesse, do jeito que andam as coisas entre o selecionado dos vizinhos e seu treinador, ainda assim eu creio que dificilmente repetiria jornadas similares à dos 7x1 de 2005, ou às das finais da Libertadores de 2003.

Glauco disse...

A propósito do hífen no "anti-hermanos", a amiga e revisora Denise diz que ele existe sim.

Poxa, Leandro, ainda bem que corintianos não têm os santistas como grandes rivais, segundo você, senão a fixação mostrada nesse blogue seria um pouquinho pior do que a que tem se apresentado. Resgatar até o Boca de 2003 é demais...

E olha que, quando era moleque e meu time estava na fila, diziam que santista vivia do passado. Hoje, parece que são outros torcedores que vivem de "glórias" pretéritas (vale até feitos alheios). Nada como um dia após o outro.

Leandro disse...

Glauco,
O resgate "dirigido" a estas atuações do Teves é apenas um modo sutil de denunciar que o seu comentário acerca dele tem uma carga muito grande de mágoa pessimamente disfarçada. Tão sutil que nem consegui me fazer entender, pelo visto.
E tem me amolado muito o fato de grande parte da mídia e da torcida no Brasil terem entrado nestas comparações maniqueístas de Teves e Messi vs. Ganso e Neymar. Isso não cabe até pelas posições e pelos diferentes momentos que cada um dos quatro atravessa.
Acho injustas as críticas que foram feitas ao Ganso e ao Neymar como se só eles tivessem culpa pelo momento da seleção, mas não me pensam para entrar na onda de endeusamento de ninguém, tampouco na de que os meninos brasileiros são o "bem" contra a dupla de argentinos do "mau".

Olavo Soares disse...

Messi tem 24 anos. Com essa idade, Maradona estava chegando no Napoli. Não tinha, portanto, realizado ainda seus assombrosos feitos no clube italiano. Antes, havia fracassado no Barcelona.

Não há como comparar o Messi de 2011 com o Maradona de 1984 (data de quando ambos tinham a mesma idade). É covardia.

Glauco disse...

Caro Leandro, se digo, acerca de Tevez, que ele "nem mostrou sua garra habitual, tampouco sua habilidade" é porque reconheço nele raça e habilidade, concorda? Achar que ele jogou mal não é algo que só eu achei, dê uma olhada na mídia e em blogues argentinos. O mesmo vale para Messi. Dizer que alguém jogou mal não significa devotar ódio.

Não creio que nem neste post nem em qualquer outro do Futepoca haja um dualismo de "bem contra o mal" comparando argentinos e brasileiros. Até porque, qualquer comparação entre as duplas de um e de outro país a que vocês se referiu é absolutamente descabida. Tevez e Messi têm duas Copas do Mundo nas costas; o primeiro, cinco clubes em cinco anos, sempre teve dificuldades para se firmar como titular; o segundo, nunca repetiu o desempenho que tem no Barcelona na seleção. Outros atletas já sofreram do mesmo mal daqui, da Argentina e de todo canto. Qual o problema de observar isso? Aliás, de novo peço que verifiquem os comentários dos hermanos argentinos, muitos não pensam diferente do que foi dito aqui.

Já Ganso e Neymar chegaram outro dia na seleção. O primeiro tem DUAS partidas pelo Brasil, enquanto o outro tem seis. Ou seja, de novo reforço que qualquer comparação feita com a dupla argentina (comparação que jamais fiz) não procede, já que ambos passaram por diversos técnicos e formações na seleção argentina nos últimos anos. Sem dualismos e maniqueísmos, nem pra um lado, nem pro outro.

Anselmo disse...

o videoteipe melhora os jogadores.

ronaldinho gaúcho foi um cara q o maradona disse poder ser melhor do que ele. quem repetiria a bravata agora? ganhar copa do mundo muda tudo.

e messi passou 15 partidas sem marcar pela seleção (de novembro de 2009 a setembro de 2010). Daí parte o descrédito. Mude-se este traço que ele será coroado de fato pelos argentinos como "El D10S II".

O fato de ele ter sido criado como jogador no Barcelona tbem é motivo de suspeitas por parte do hermano argentino médio. Nada que uma sacolada de gols pela seleção nao resolva. Até lá...

Nicolau disse...

Talvez haja um lance de posicionamento na falta de rendimento de Messi na seleção. No barça, ele sempre jogou como atacante, seja pela ponta direita, seja pelo meio, como o tal do falso centroavante. Atrás dele há meias, que buscam a bola com a defesa, iniciam as jogadas, coisa e tal. No atual sisitema, então, Messi flutua por onde bem entende. Na seleção, seja com Maradona, seja com Batista, Messi é o único cara que tem condições de armar uma jogada. Fica muito longe do gol e é espremido pelos volantes adversários. Como disse o companheiro Menon, Batista e Carpegiani inventaram o 4-3-0-3, com 3 volantes e 3 atacantes. Sobra para o melhor do mundo tentar armar o time sozinho. Creio que isso prejudica, mas não explica o desempenho tão baixo do jogador.
O caso de Neymar e Ganso é mais simples, uma vez que os dois são quase neófitos na seleção. Estranho foi o desempenho deles no primeiro jogo, contra os EUA, onde deitaram e rolaram como se estivessem na areia de Santos. O principal problema da seleçaõ brasileira talvez tenha sido apontado pelo Maurício uns dias atrás: os craques consagrados do meio pra frente que deveriam servir de base para o time estão fora de ação, por motivos variados. Era para Káka, Ronaldinho Gaúcho, Adriano serem os protagonistas do time, deixando para a garotada o papel de revelação, surpresa e tudo mais. Mas boto fé nas ideias e o no time que se está formando. Vamos ver se engrena.

Leandro disse...

Glauco,
Do modo como as coisas foram postas no texto, quis me parecer que o verdadeiro propósito seria traçar um impossível paralelo entre as duas duplas no intuito de limpar a barra dos meninos brasileiros contra os figurões argentinos.
Defesa da qual os meninos nem precisariam, como afirmei anteriormente. E vejo que com isso você concorda.
Então, que assim seja. Sem dualismos e maniqueísmos, nem pra um lado, nem pro outro.

fredi disse...

Opa, está rendendo o debate entre quem joga pior, os brasileiros ou os hermanos.

Para falar a verdade (a minha, claro), acho que são times em final de temporada, sem esquema, sem entrosamento e dependendo demais de alguns poucos jogadores acima da média.

O problema não é pipocar ou não pipocar em um jogo, mas sim falta de qualidade no time como um todo e o que já foi destacado aqui.

Falo pelo Brasil porque não conheço tão bem a Argentina. O time seria outro co Ronaldinho, Kaká (urgh) e Adriano em forma.

Mas essa discussão sobre o que acaba prematuramente com a carreira desses jogadores que foram para Europa fica para outra ocasião, mas é um tema que merece ser discutido.