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quarta-feira, setembro 28, 2011

José Dirceu, a cachaça e Merval Pereira

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Durante a festa de aniversário de dez anos da revista Fórum, o ex-ministro da Casa Civil no governo Lula, José Dirceu, esteve presente e o Futepoca conversou rapidamente com ele. Dirceu mostrou conhecimento na área de cachaça, tema caro a este blogue, e também comentou o caso Veja e a regulação da mídia, sobrando para o o mais novo membro da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira. "Agora, vamos esperar o livro que ele vai publicar", ironizou. Confira a entrevista abaixo:


Futepoca - Esse é um blogue de política, futebol e cachaça, mas vamos começar por um assunto sobre o qual o senhor fala menos: gosta de cachaça? 
José Dirceu - Estou acostumado e acabo sempre tomando as mesmas, como a Germana, Boazinha, Indaiazinha etc. Mas existem muitas cachaças boas no Brasil, menos conhecidas, como Serra Limpa, Rainha, da Paraíba. Vale lembrar a Maria da Cruz, do ex-vice-presidente José Alencar. Hoje, também, as empresas não querem mais dar relógios de brinde e fabricam  cachaças exclusivas para presentear, como a que faz a Odebrecht, é uma cachaça de qualidade, como muitos empresários produzem. Lógico que ela fica um pouco mais cara, o ideal é que toda a população tivesse acesso, porque a cachaça comum tem metais pesados.

Futepoca - Você falou que muitos empresários dão cachaça de presente, qual cachaça Veja daria?
José Dirceu - Com alto teor alcoolico e alto índice de contaminação por metais pesados.


Futepoca - Neste último episódio, o repórter queria tomar cachaça no seu apartamento?
José Dirceu - É um episódio grave porque ele tentou invadir meu apartamento, depois se passar por um assessor da prefeitura de Varginha para me entregar um documento... O que ele queria fazer no meu apartamento? Fotografar, ver o apartamento ou colocar uma prova contra mim? É grave o que aconteceu e mais grave são as imagens ilegais, que são invasão de privacidade, de intimidade, foram subtraídas ou entregues ilegalmente à Veja, tanto que eles não dão crédito para as imagens. A construção de toda a matéria é uma tentativa de me linchar de novo, me prejulgar e de influenciar o Supremo Tribunal Federal. O que a Veja busca, e a matéria desta semana mostra isso, é influenciar ou tentar forjar uma prova para que se abra um novo processo contra mim, ou criar um clima de constrangimento, mobilizando a opinião pública para pedir minha condenação, já que, na avaliação deles, eu vou ser absolvido, até porque sou inocente.

Antonio Cruz/ABr
Futepoca - Mas a ação do repórter, que é um jovem formado há dois anos, de onde veio isso?
José Dirceu - É o editor, tem os responsáveis... Ele responde a quem em Brasília? Ao Mário Sabino, que responde ao Victor Civita. A Veja é responsável, até porque o advogado que defendeu o jornalista é da Veja e ele é réu confesso. É a quarta matéria que fazem, fizeram uma sobre reforma política agora e dizem que sou eu que estou conduzindo.

Futepoca - O seu caso é um caso extremo, mas há vários outros abusos cometidos pela imprensa cotidianamente. Você registrou ocorrência...
José Dirceu – Quem registrou ocorrência foi o hotel. A camareira que comunicou à segurança, a segurança comunicou à gerência e o hotel achou por bem fazer o boletim de ocorrência. A Veja vaza que as imagens da câmera do hotel foram fornecidas pra ela garantindo o sigilo da fonte, gratuitamente, não houve compra, não houve contratação de araponga. Agora, começam a vazar que foi um serviço paralelo da Abin. Pra mim não interessa quem foi, sei que a Veja cometeu um crime.

Futepoca - Mas pra você interessa o esclarecimento do caso. Você acha que falta um pouco dessa mesma disposição da parte de outras pessoas, dentro e fora do meio político, que são alvo de leviandades e crimes da imprensa? Até a discussão sobre regulação da mídia fica interditada.
José Dirceu - O [Luís] Nassif relatou aqui o calvário que é você processar um veículo de comunicação por crimes contra a honra e a imagem. Tudo porque, ao se revogar a Lei de Imprensa, se revogou o direito de resposta que estava regulamentado. Dependemos de uma nova lei de comunicação e a mídia faz campanha pra não ter regulamentação nenhuma. Não é pra não ter regulação não, mas pra não ter nem direito de resposta, porque em tese ele já estaria contemplado no Código Penal... E não tem nada, em todos os países do mundo existe o direito de resposta, que e é rigorosíssimo. No Brasil, começa a se ter a consciência de que tem que ter. Além disso, precisa regular a mídia, e regular não tem nada a ver com censura, todos os países do mundo têm.

Futepoca - O Merval Pereira assumiu uma cadeira na Academia Brasileira de Letras ontem (23 de setembro) e fez um discurso contra a regulação da mídia, dizendo que era censura...
José Dirceu - Ele está falando dos EUA, de Portugal, da Austrália, do Canadá, da Espanha, da França, da Grã Bretanha – que é rigorosíssima em relação à comunicação. Ele está dizendo que esses países são ditaduras e que têm censura. Ele sabe o que está fazendo, sabe que não é verdade, está defendendo o poder político, partidário. 
Já falei que a piada do ano é o Merval Pereira ser eleito para a Academia Brasileira de Letras. Ele ficou indignado comigo, mas é ele que toda hora me chama de chefe de quadrilha, corrupto. Até fiz um elogio pra ele... Realmente, a Academia Brasileira de Letras fez um grande ato ao escolhê-lo.  Agora, vamos esperar o livro que ele vai publicar.

(Por Frédi Vasconcelos, Moriti Neto e Glauco Faria)

Nota da redação: Futepoca também faz um apelo: leitor, ajude a encontrar alguém que já leu um livro de Merval Pereira.  

4 comentários:

Maurício Ayer disse...

Olha só, mostrou que de fato convive com a cachaça, mesmo. Os nomes são aqueles de sempre, mas são de fato cachaças respeitáveis, na minha opinião.

E incrível essa capacidade da cachaça de definir o bebedor. Ou o presenteador, no caso a Veja.

Excelente. Fico imaginando o que será do planeta quando terminar o julgamento dessas figuras do PT, em particular o Zé Dirceu.

gilberto tedeia disse...

Para tanto, seria necessário haver um livro, o que não é o caso, pois trata-se apenas de uma recolha de artigos raivosos.

Nicolau disse...

Maurício, acho que a Veja vai continuar na mesma toada: eram todos culpados e o Brasil é o país da impunidade. Isso que é o mais bizarro dessas histórias todas, ninguém precisa de prova de nada, é só sair falando. Essa matéria (sic) da Veja do jornalista-invasor lança "suspeitas" sobre alguns ministros, como o Pimentel, por ele ter se encontrado com o Dirceu. Quer dizer, o cara não só é culpado como ele exala culpa sobre quem chega perto dele. Lamentável.

Anselmo disse...

a veja tenta pintar o dirceu como uma espécie de "rei merdas", antítese de seu colega "midas".

para qqr coisa q se queira ver minguar, basta enxergar o dedo do Zé Dirceu e pronto: é uma ameaça.

fica patético depois de um tempo. mesmo pra quem não é fã nem simpatiza com o cidadão.