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quinta-feira, setembro 29, 2011

A nova posição de Ronaldinho Gaúcho

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Vi apenas o segundo tempo do jogo e, pelos “melhores momentos” do primeiro, parece que cheguei junto com o futebol. Meus colegas, mais competentes que eu, podem analisar o jogo, em post ou nos comentários. Eu mesmo queria só apontar algumas coisas que me impressionaram.

Primeiro a posição do Ronaldinho Gaúcho. Ele agora está se esmerando na arte de dar dribles fantásticos na antemeia-esquerda, ou anteponta, sei lá que nome tem aquela região do campo. Com o Neymar de ponta-esquerda e o Cortez apoiando na ala, o Gaúcho ficou recuado driblando e dando bons passes por ali, antes do meio campo, na sinistra, mais ou menos entre a quina da própria área e a linha central. E até que funcionou, porque justamente não tumultuou a zona de ação do Neymar.

Os dois gols brasileiros mostraram que há esperança no nosso futebol, pois foram gols de equipe, em que a bola foi ficando mais redonda a cada patada que recebia. O primeiro foi impressionante, a começar pelo drible inicial do Cortez, que de algum modo dá a velocidade e a inspiração para que a jogada continue, os toques perfeitos de Borges e Danilo, e no meio disso tudo, desde o início da jogada, cruzava o Lucas, que quando pega a bola numa posição dessas é mortal.


O segundo foi novamente uma limpada de terreno do Cortez, e o passe perfeito do Diego Souza para a, digamos, “trombada-arte” do Neymar, aquela jogada em que todo mundo se atrapalha e ele está ali para dar o toque que precisava.

Foram jogadas em que prevaleceu a qualidade. Chega a inflar o coração, mas aos poucos está parecendo que esta geração não vai deixar alternativa ao técnico da seleção senão investir no jogo bem jogado, pra frente, ágil e preciso. Mesmo que uns não queiram, certas verdades são irrefreáveis, pois se mostram com tamanha evidência que fica impossível reverter.

Será que as defesas brasileiras amadureceram? Será que agora já sabemos o que é defender e poderemos voltar àquela que acreditamos ser a vocação nacional, o futebol bonito, ofensivo, diagonal, oblíquo, imprevisível, elástico?

Simbolicamente, foi o Ronaldinho Gaúcho – que é artista mas sempre foi jogou mais pras câmeras que pro resultado, e de qualquer maneira é de uma geração em que os volantes é que eram “a alma” do time – que recuou e deu lugar deixou a dianteira pra molecada. E é gostoso ver isso acontecer diante da Argentina, mesmo que desfalcada, e mesmo tendo depois que ouvir o Galvão Bueno pela vigésima vez dizer que “ganhar é bom, mas ganhar da Argentina é muuuuuito melhor”, o que é o óbvio.

Ou será que sou eu que fui tomado de um acesso de otimismo num joguinho pouco mais que medíocre? Olha que eu nem bebi, que eu tô me curando de uma conjuntivite. Deve ser o colírio antibiótico.

10 comentários:

Moriti disse...

Olha, De Marcelo, o jogo, no segundo tempo, não foi de todo mau, mas não teve tantas coisas especiais. No geral, foi só um pouco melhor do que a primeira partida, que foi de lascar.

O Gaúcho segue sendo um arremedo do que foi. Dá uns dribles aqui, outros acolá, mas, em síntese, virou um batedor de luxo de faltas e escanteios.

A coisa ficou mais fácil depois do gol do Lucas, que contou com o talento individual do moleque e foi, de fato, uma bela construção coletiva.

Boa surpresa o Cortez. O cara, ano passado, estava na segundona do Carioca e agora nos deixa a perspectiva de ficar livre de vez do André Santos. Ótimo.

O Kaká, que está voltando a jogar bem, tem lugar fácil neste time. Provavelmente, na função do Gaúcho.

Gostaria de ver o Ganso ali. A combinação entre um meia mais vertical, como o Kaká, e um armador do nível do Ganso, tem tudo para dar liga (ainda teríamos o Lucas como opção).

Na frente, Neymar e um centroavante, que pode ser o Damião, o Luis Fabiano (precisa ver como vai voltar) ou até o Borges, que mandou bem ontem.

A seleção da Argentina desse torneio, com ou sem os atletas que jogam no Brasil, é a pior que já vi.

Nicolau disse...

Orgulho-me de, ainda em janeiro, ter visto um pedaço de Nova Iguaçu e Vasco, pelo carioca, e elogiado o Cortez, entãoo mais conhecido por seu papel nos Simpsons como Sideshow Bob que como lateral esquerdo, hehe. Cara manda bem mesmo.

Sobre o jogo, foi esquisito, mas bem mais divertido que o anterior.

Sobre o time, a nova posição do Gaúcho é realmente um tema interessante. Até porque me parece ali no meio campo o maior problema. O jogo é sempre muito corrido, parece precisar de uns caras que cadenciem mais, pensem a coisa, sem deixar de acelerar nas horas certas.

Gaúcho centralizado ficou meio isolado, emparedado entre os volantes. Creio que o time vai ter que se encaminhar pra ter volantes mais dinâmicos, de toque de bola. Apostaria em Arouca e Hernanes. Mas naõ sei se Menezes vai ter coragem disso. Talvez fosse necessário segurar um pouco mais os laterais, ou pelo menos um deles.

E concordo com o Moritti que Kaká entra no time, mas discordo sobre Gaúcho. O cara está jogando bem, distribuindo jogo, e saem umas tabelas boas com Neymar. O técnico, seja ele quem for, que se vire pra encaixar o time.

Maurício Ayer disse...

mas por que o mano não teria coragem, nivaldo, ele é o mesmo que montou a saudosa dupla cristian e elias. o destino do gaúcho é se tornar uma espécie de gerson recuado.

Moriti disse...

Gerson recuado? Explique melhor como isso se encaixa no futebol de hoje, De Marcelo.

Só lembrando que o Canhota recuava bastante para armar. No time de 70, ele era, muitas vezes, um segundo homem no meio.

Nicolau disse...

Moriti, no time de 70 ele era O segundo homem do meio, não? Era um 4-2-4, com Gerson e Clodoaldo formando o "2" e o Rivelino recuando eventualmente como terceiro elemento. Esse é um ponto interessante: hoje, quando se fala em meia marcar, pessoal já chama o cara de segundo volante, denuncia a retranca. Mas é bastante óbvio que o Gérson tinha um papel de marcação. A grande dificuldade creio qeu seja achar meias que criem como o Gaúcho, Kaká, Ganso, sei lá, e também saibam, sem a bola, marcar.

Glauco disse...

Primeiro, acho que precisa contextualizar. Vendo o Futepoca, o time jogou mais ou menos contra a Romênia B e a Argentina C (embora nesse jogo estivéssemso com nosso B tb). Se for levar em consideração isso, noves fora, sobra muito pouco...
Quanto à posição do Gaúcho, ele joga ali porque o Ganso está machucado. Tentou vários lançamentos e, salvo engano, errou todos. Também prefiro Ganso e Kaká pelo meio do que o veterano.
Mas acho curioso mesmo uma coisa: o primerio gol foi um contra-ataque perefeito e olha que a seleção se especializou nisso na Era Dunga. Mesmo tendo uma "safra" pior à disposição (não tinha Neymar e Lucas, por exemplo, na maior parte do seu comando), Dunga fez um time que tinha saída rápida para o contragolpe e a seleção fez vários gols assim. Mas, naquela época, ninguém comemorava, ao contrário, até se criticava porque o time "só jogava no contra-ataque". Pra ver como está carente o torcedor da seleção brasileira hoje...

Maurício Ayer disse...

opa, saudade do dunga? é verdade que não comemorava, mas olha que uma jogada com a plasticidade que teve o primeiro gol não era comum.

Moriti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Moriti disse...

O problema, De Marcelo, é que plasticidade no time do Mano também não é comum, ainda que tenha uma "safra" melhor, como disse o Glauco.

Duro dizer isto, mas o Dunga tinha uma proposta de jogo mais clara que a do Mano desde o início.

Maurício Ayer disse...

Aí vc falou uma verdade, moriti, e é por isso que eu tô biduzando os novos tempos nessa jogada: pois ela é típica do futebol desses meninos, e não era típica no futebol de há muito até hoje, desde muito antes do dunga até o mano. mas talvez nosso ponto forte obrigue o técnico a mudar os pesos na balança.