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quinta-feira, outubro 27, 2011

Volta com eliminação esperada, desastre até agora e um vai tarde

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Por Moriti Neto


Bastaram 9 minutos para que o Libertad tirasse a vantagem do São Paulo ontem, em Assunção, no Paraguai, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana. Ali se dava o inicio da história que marcaria a volta com derrota e eliminação do técnico Emerson Leão ao Tricolor Paulista.

Leão chegou com a missão de dar um “choque” e “postura de time grande” – palavras do presidente Juvenal Juvêncio – ao São Paulo. Antes do jogo, disse que optaria por não valorizar a vantagem obtida no confronto de ida. Ao menos na escalação, essa era a proposta. Denílson e Cícero foram sacados para as entradas de Carlinhos Paraíba e Marlos, teoricamente mais ofensivos. O problema é que a qualidade de ambos é baixa. Os dois correm muito, fato, mas, cada qual a um estilo, têm baixa efetividade com a bola. Assim, a aparente posição agressiva caiu por terra e os donos da casa é que tomaram conta da peleja.

Já na primeira bola perdida, aos 2 minutos, o torcedor são-paulino relembrava que os defensores não têm a força necessária para suportar anfitriões impetuosos, ainda que o ímpeto parta de um time mediano, como o Libertad. Outro bônus encontrado pelos paraguaios foi a habitual fraca marcação são-paulina pelos lados.

Foi mais que justo o tento que começou a desenhar a desclassificação tricolor. Os paraguaios, com tabelas pelos flancos, ganharam o campo de cara e forçaram os são-paulinos a recuar. Tal foi a postura de recuo que Luis Fabiano apareceu na grande área defensiva para cometer pênalti em Maciel. Eram 9 minutos. Sergio Aquino não desperdiçou. Chutou forte e abriu 1 x 0.


Leão mostra alguma coisa; não foi suficiente

Na sequência do gol, Rogério Ceni, que vinha com um problema no tornozelo esquerdo, pediu para trocar a proteção no local. Após a parada, Dagoberto virou armador, Marlos foi adiantado e Lucas flutuava entre o ataque e arrancadas pela meia-direita. Leão orientou Carlinhos Paraíba e os laterais para fazer a bola chegar a Luis Fabiano. Com as mexidas, Dagoberto lançou Piris, que chutou na trave, aos 14 minutos. O jogo dava esperanças de equilíbrio. Aos 31, Juan perdeu (sem novidade) chance de frente para o goleiro. A expectativa de reação parou por aí.

No segundo tempo, o São Paulo voltou sem Luis Fabiano, com dores musculares. Ainda que pouco útil e infeliz na peripécia defensiva que resultou no pênalti, o centroavante foi ausência sentida. O time ficou sem referência. O substituto era Fernandinho. Bem, Fernandinho é aquela coisa. Homem de uma jogada só, manjada. É sempre receber o esférico e tentar a saída pela esquerda (o Leão da Montanha era melhor nisso).

Sem a peça de área e, claro, sem articulação, restavam lances isolados para que o Tricolor empatasse. Aos 19, Dagoberto cobrou falta, Rhodolfo cabeceou e mandou para as redes. Num lance difícil, a arbitragem anotou impedimento.

Era sensação patente que a partida terminaria mal para o São Paulo. Aos 20, o técnico do Libertad, o argentino Jorge Burruchaga, aproveitando a paralisia do adversário, decidiu mudar o ritmo. Aos 20, colocou em campo Rodolfo Gamarra, no propósito de conferir velocidade ao time paraguaio. E o atacante nem precisou de muito tempo para aproveitar a oportunidade. Bastaram dois minutos e ele encontrou Ariel Núñez, livre, impedido, que sacramentou os 2 x 0.

Dali para frente, o Libertad matou o São Paulo na intermediária. E o único golzinho que o Tricolor teria para marcar em ao menos 25 minutos, garantindo a classificação, não saiu. Pior: de bom, o time não produziu nada. Ainda perdeu Rogério Ceni, que depois de 133 partidas seguidas sem sair de campo foi substituído com fortes dores no tornozelo esquerdo. Contra o Vasco, pelo Brasileiro, no domingo, além do capitão, não deve ter Luis Fabiano.

Enfim, a temporada são-paulina é um desastre até o momento. Troca de técnico quatro vezes, eliminado da Copa do Brasil pelo Avaí, goleado pelo maior rival por 5 x 0, e, agora, muito provavelmente fora da Libertadores de 2012, já que ontem, na Sul- Americana, uma porta se fechou e a outra, no Campeonato Brasileiro, do jeito que a coisa vai, deve se encerrar em poucas rodadas. Triste.

Racismo de novo?

Não foram somente a derrota e a eliminação que irritaram o lateral-esquerdo Juan na noite passada. Expulso no último minuto do jogo, o jogador deixou o gramado do estádio Nicolás Leoz acusando o árbitro colombiano Wilmar Roldán de racismo. De acordo com o são-paulino, Roldán o teria chamado de “macaco”. A diretoria do São Paulo deveria pedir apuração e a Conmebol, no mínimo, apurar a história. Duvido que o façam.

Um pouco da troca de técnico e Dagoberto

Segundo a direção do clube, Leão chegou para chacoalhar o elenco. Não aprecio essa coisa de “disciplinador”, “sargentão” e tal. Deixo isso para os quartéis que, sinceramente, no que me toca, não são modelos de civilidade. Os pontos fulcrais para contratar um treinador devem ser a capacidade de montar elencos e de aproveitar o melhor das características dos atletas. Emerson Leão soube fazer isso no passado. Foimuito bem no Santos e no próprio São Paulo.

De qualquer forma, para quem defende a necessidade do “choque”, deixo duas perguntas. Qual a motivação de contratar um técnico que a própria direção diz que não deve ficar mais do que até o final deste ano? Se a intenção é mexer com os jogadores acomodados, que condição moral um sujeito com data marcada para sair terá?

Sobre Dagoberto, que dizem ter um pré-contrato assinado com o Inter, para onde iria em abril de 2012, quando se encerra o vínculo com o Tricolor, é melhor sair já no fim deste ano. E que tenha boa sorte no sul. Dentro de campo, tem algum talento – longe do que pensa ter – mas é descompromissado, individualista e pouco decisivo. Como ser humano, pelo que mostrou em algumas oportunidades, tenho dúvidas. Não foram poucas as vezes que esbravejou na mídia contra técnicos e elenco, posando de vítima ou transferindo responsabilidades. Até mesmo de Muricy Ramalho, que muito o ajudou em 2007, na chegada do atacante ao Morumbi, reclamou, sempre usando câmeras e microfones. Se o acerto com o Colorado for fato, vai tarde.

6 comentários:

Anselmo disse...

acho leão um bom nome pro são paulo. se os diretores tricolres discordam, melhor pra este palmeirense... hehe

Marcos disse...

Sempre apreciei a ideia de trazer o Leão de volta, mas, diante do atual elenco do São Paulo, creio que ele não conseguirá fazer nenhum milagre. Juan não deveria ter sido expulso do jogo nem da competição, mas do clube, de uma vez por todas. Piris é outro jogador nulo. Welington foi o pior em campo, de longe. Lucas, pra variar, sumiu. Marlos idem. Luís Fabiano está aquém do aquém. Dagoberto já está com a cabeça em Porto Alegre. Rhodolfo também demonstra estar pensando no próximo clube.

Portanto, nem se Leão fosse Jesus Cristo, daria jeito nesse "time". Resta rezar pela - cada vez mais longínqua - vaga na Libertadores.

Maurício Ayer disse...

Não acho o elenco do São Paulo essa nulidade toda. Acho que a diretoria do São Paulo é que perdeu completamente o sendo de noção. E o Juvenal Juvêncio acha que tem moral de falar do mobral do Andrés Sanchez.

Moriti disse...

Leão é um bom nome. Sabe montar times de acordo com as características dos jogadores. A questão que fica é a que escrevi no post: a "data marcada" para sair pela direção talvez não lhe dê boas condições de trabalho.

Concordo que o elenco não é ruim, Maurício. É meio desequilibrado, mas, considerada a média, individualmente é um dos melhores do campeonato. O problema dos caras é a acomodação.

Mas, na real, o maior entrave é JJ e asseclas. Os caras perderam completamente a mão. Não têm mesmo moral para questionar ninguém e são inábeis politicamente, como já disse aqui: http://www.futepoca.com.br/2011/10/resort-tricolor.html

Nicolau disse...

Na boa, não acho o elenco do SP nada fraco. Pode ter problema em algumas posições, como todo time tem, mas tem muito bons jogadores do meio pra frente, uma zaga boa (o olheiro do SP deve ser especialista em contratar zagueiros, rs) e volantes dos mais variados tipos, cores e tamanhos, muitos deles muito bons. Agora, pq diabos os caras não rendem, não sei.

PS.: se quiserem trocar o Juan no Fabio Santos, ainda podemos conversar.

Moriti disse...

É, Nicolau, temos lá bons volantes, verdade. O Wellington, o Casemiro e o Jean são interessantes, com características diferentes. Não gosto do Carlinhos, que é muita correria, mas baixa produtividade. Não tem um baita passe e também não é um marcador de primeira.

Do meio pra frente, há alguns caras bons, mas com estilo correria, carregadores de bola, como o Lucas e o Dagoberto - que é um caso à parte. Outros, como o Fernandinho, são de uma jogada só. E o Marlos tem muita habilidade, mas vai mal na escolha da aplicação dos recursos/fundamentos quando tem a bola. Falta inteligência no setor. Queria ver o tal Cañete, o argentino, mas ele vive baleado.

Na zaga, os jogadores são bons, mas estão num momento difícil, principalmente o Rhodolfo, que depois de receber sondagem da Juventus da Itália vive disperso e sem força. E, os volantes, ainda que interessantes, estão numa fase de não marcar ninguém, o que, óbvio, deixa a zaga órfã. Ou seja, o São Paulo tem bons zagueiros, mas tem um sistema defensivo ruim.

Nas laterais, temos problemas que creio não serem culpa exclusiva de Piris e Juan. Os caras não tem cobertura pelos lados e não com quem jogar quando avançam. Assim fica difícil.

Pra sintetizar a situação do time, o Ronaldinho Gaúcho, na Seleção, fez uma observação sobre o São Paulo. Em linhas gerais, ele disse que adorou jogar contra o Tricolor, pois em todo lugar que vai pelo Brasil tem dificuldades com a marcação, já os são-paulinos não "chegam junto".