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quinta-feira, novembro 17, 2011

Sono coletivo e soberba: a deposição do “soberano”

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Por Moriti Neto


É de perder a paciência a mania dos são-paulinos de pensar na Libertadores em tempo integral. O que mais escutei ontem, antes do jogo contra o Atlético Paranaense, que venceu por 1 x 0, na Arena da Baixada, foi a cantilena de que, ganhando, o São Paulo daria passo largo rumo à competição continental de 2012. Tenha dó. O torcedor, hoje, tem muito mais preocupações essenciais do que se classificar ao “sonho de consumo”.

Quando vi o time escalado com Rogério, Jean, Xandão, Rodolpho e Cícero; Denílson, Wellington, Carlinhos Paraíba e Lucas; William José e Fernandinho, bateu desânimo até para acompanhar a partida.

Era uma equipe, de novo, sem laterais, com o agravante de Cícero não marcar nada e ter um veloz Guerrón, autor do gol da vitória atleticana, pela frente (ô, Leão, não entendi). Zaga perdida, Xandão é limitadíssimo, e Rodolpho, como o próprio admitiu, está “balançado” por uma oferta da Juventus da Itália que não se concretizou (continue jogando assim, meu filho, que nem o Juventus da Mooca vai te querer). Armação zero (novidade...), com Lucas sem ter com quem jogar. Ataque inoperante, com William José, que não finaliza nem prepara, e Fernandinho, na eterna tentativa de jogada – e só tentativa mesmo – para virar e escapar dos defensores pela esquerda.



Com essa formação, veio o esperado, o repetitivo. O sono coletivo que caracteriza o Tricolor nesta temporada. Um elenco razoável, enaltecido por alguns como ótimo e exageradamente diminuído por outros, que não deu liga. Rogério salvando o time de goleada, Casemiro desperdiçando mais uma oportunidade, conseguindo ser mais sonolento que os demais, Dagoberto, no banco, fora de mais um jogo no campo do clube que o revelou (agora com mais motivos do que nunca), e a prova de que o problema são-paulino não é o treinador; Leão parece tão perdido quanto Carpegiani e Adilson Batista. 

Panela velha é que faz comida boa?
O resultado a favor do Atlético é só mais um que caracteriza a política de gestão que transforma o “soberano” num clube apenas cheio de soberba, deitado nos louros de vitórias anteriores. Contratações e mais contratações equivocadas, de jogadores a técnicos, como se qualquer profissional que vestisse a camisa do Tricolor ficasse dotado de superpoderes.

No final, derrota antevista. Outro insucesso do time que jamais empolgou em 2011, que não fez um só jogo irrepreensível no ano, que como a escrita de não ganhar na Arena da Baixada, manteve a regra de não jogar nada no returno do Brasileiro.

Esqueçamos Libertadores. É hora de reaprender a montar verdadeiras equipes e respeitar a Copa do Brasil.

5 comentários:

Marcos disse...

Minha velha cantilena sobre o time não ter laterais ficou clara quando Leão barrou o (péssimo) Juan. O problema é que Cícero não é lateral e foi pela esquerda que o time tomou o gol do Atlético-PR. Onde está Henrique Miranda? Na direita, sem poder contar com o (limitado) Piris, Leão recorreu à velha solução com o (também limitado) Jean.

Eu sei que o meio de campo do São Paulo é o setor mais carente de jogadores de nível, que Carlinhos Paraíba, Denílson e Rivaldo não conseguem fazer a transição com o ataque e, sem isso, o time não faz gol. Mas, mesmo que tivéssemos qualidade no meio, não consigo imaginar o time vencendo sem laterais minimamente competentes. Com Piris e Juan, ou Cícero e Jean, dá tudo na mesma. Ou seja, derrotas.

Vivi disse...

Olha, só sei que está muito difícil assistir a jogos do São Paulo, aliás, a jogos do campeonato brasileiro em geral!!
E do que adiantaria se classificar para a Libertadores se não temos o mínimo para copa nenhuma!!
E não... não sou eu que dou azar não viu!!! hahaha O time tá ruim mesmo!

Moriti disse...

Há controvérsias sobre o pé frio de certas torcedoras, Vivi. Mas isso é assunto pra debater em casa.

Nicolau disse...

o Menon publicou uma lista de dispensa do SP, vcs aprovam?
http://trivela.uol.com.br/blog/menon/sao-paulo-tem-lista-de-dispensa-para-2012/

Moriti disse...

Vi a lista, Nicolau. A maioria tem que ir mesmo. Alguns, como Xandão, dá até um alívio de saber.

Acho que o Casemiro, com mais papo, diálogo mesmo, dá pra resolver. O cara é bom.

O Henrique e o William José também poderiam ficar, são garotos e tiveram chances mínimas. Foda responsabilizar moleques numa fase tão ruim do time.

O Jean não é ruim como está colocado. É segundo volante, não o cara pra dar o bote, mas parece que está sem clima. Mesmo caso do bom Rodolpho - com a história da Juve, ficou perdido.

O Denílson é um caso especial. Foi revelado pelo São Paulo, mas foi pro Arsenal muito cedo, com 17 anos, passou seis anos lá, acabou sendo formado como futebolista com a concepção inglesa de jogo. Além disso, teve contusões. É bom. Precisa de mais tempo.

De resto, é aquilo mesmo.