Destaques

domingo, dezembro 23, 2007

O tamanho das torcidas

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Ia responder ao comentário da Thalita no post abaixo sobre o Santos ser líder de audiência televisiva, mas achei melhor fazer outro texto. Quando se fala em tamanho de torcidas, a polêmica é certa. As pesquisas, em geral, dão resultados bastante semelhantes. O Flamengo tem a maior, seguido do Corinthians, com variações entre pesquisas que ficam sempre dentro da margem de erro. Em seguida, São Paulo e Palmeiras que, em geral, aparecem empatados estatisticamente, e Vasco. Daí em diante, alternam-se, de acordo com o gosto do freguês ou do instituto, Grêmio, Cruzeiro e Santos.

Portanto, difícil dizer que uma torcida de seis milhões pessoas, como se estima que seja a do Santos, é “pequena”, como afirma a companheira blogueira. Ainda mais levando-se em consideração que os cinco primeiros colocados nas amostragens são das duas maiores cidades do país, São Paulo e Rio de Janeiro, enquanto o Peixe vem de um município com menos de 500 mil habitantes, 20 vezes menos que a capital do estado. Mas se essa torcida é “pequena”, o que será dito então de Atlético (MG), Fluminense, Botafogo e Internacional, que em todos os levantamentos têm menos adeptos que o clube da Vila? Erro comum, motivado por rivalidade clubística e que também tem o dedo da grande mídia esportiva. Em geral, desinformada; no limite, com uma inegável simpatia por alguns times.

A torcida sãopaulina cresce?

A torcida do São Paulo é a que mais cresce no Brasil. Pelo menos é o que se fala de forma corrente por aí. Tem até publicitário sãopaulino travestido de articulista (a profissão é mera coincidência?) dizendo que já é a segunda maior do país, a frente, pasmem, do Flamengo. A suposição se baseia em um suposto complô dos institutos motivados por interesses comerciais. Nada mais livre de tais interesses do que um profissional de marketing. Enfim, a base para se afirmar isso é zero. Como é zero também, em termos estatísticos, dizer que a torcida tricolor é a que mais cresce.

De acordo com as pesquisas do Datafolha, com série iniciada em 1993, o São Paulo tinha 7% dos torcedores do país, enquanto o Palmeiras tinha 5%. Na última pesquisa, o Tricolor tinha 8%, variação dentro da margem de erro, enquanto o Verdão tinha os mesmos 8%. O Palmeiras é o único grande que cresceu fora da margem de erro em todo o período analisado, 14 anos.

Títulos atraem torcedores? Provavelmente, assim como ídolos carismáticos. Impossível medir o efeito de fenômenos recentes nesse caso, como Rogério Ceni ou Diego e Robinho, já que as pesquisas só entrevistam maiores de 16. Jejuns diminuem a torcida? Sem dúvida, como mostra a composição etária da torcida corintiana, com baixo índices entre aqueles que sofreram com a fila de 23 anos. Sim, ao contrário de outro lugar comum, os corintianos não aumentaram em termos proporcionais no sofrido período, mas ganharam algumas marcas que fazem questão de ostentar, a de “sofredor” e “fiel”.

Um bom período para os rivais do Tricolor

Portanto, levando-se em conta esses critérios, a estabilidade da torcida tricolor se explica. Foram 11 anos, de 1994 a 2004, sem títulos nacionais ou internacionais, mas, o que é muito pior para o sãopaulino, é que os rivais acabaram fazendo a festa nesse intervalo, mandando em períodos sucessivos no futebol brasileiro. O Palmeiras foi campeão brasileiro, da Copa do Brasil e da Libertadores. O Corinthians obteve dois títulos nacionais e duas Copas do Brasil, enquanto o Santos saiu da fila e conseguiu dois campeonatos brasileiros, além de um vice na Libertadores. Não foi um período bom para a torcida do São Paulo crescer.

Outro dado curioso em relação à torcida sãopaulina é a queda do número de adeptos que ela tinha na capital paulista de 1993, ano do bi-mundial, para 1995. Houve uma redução de 31% para 21% no número de torcedores, que se manteve estável, com oscilações na margem de erro,até o último levantamento de outubro de 2007. Ou seja, a declaração desse tipo de fã pode ter sido mais por causa de um modismo e da presença de Raí, Miller e Zetti, do que propriamente uma conversão. Ganha-se na alta e somem os lucros na baixa. O torcedor não era, de verdade, um torcedor.

A discussão é polêmica, mas os dados que são mais confiáveis estão disponíveis nas páginas da internet dos institutos. Bem menos passíveis de dúvida do que a impressão que cada um tem andando nas ruas e medindo o número de camisas de clubes que circulam por aí.

12 comentários:

Thalita disse...

fico feliz por ter provocado um post tão cheio de informações.
mas não quis fazer nenhuma provocação, só responder à que me foi feita. A torcida do Santos é pequena, quando comparada aos outros times de São Paulo. Só isso. Não defendi a superioridade ou um grande crescimento da torcida são paulina. Mas agora fiquei muito mais bem informada sobre o assunto.

Anselmo disse...

De algum jeito, cada torcedor vai puxar sardinha pro seu lado. O cálculo proposto pelo glauco de comparar o tamanho da cidade de santos com a torcida é interessante nesse sentido.

A crise são os torcedores que criam teorias pra dizer que seus times atraem mais torcedores porque conhecem dois sobrinhos que, de tanto espizinhar, se converteram. OU por persistência ou porque o pai não faz o trabalho de ensinar o qu é futebol direito (com a licença dos politicamente corretos).

Acho que seria interessante se os institutos de pesquisa incluíssem uma perguta crucial que poderia abalar os argumentos apontados como responsáveis por deslocamentos de massas de torcedores:

pra que time torcia seu pai?

Se a resposta for diferente do time que o cidadão disse que torce, ele tem que apontar se a influência foi a mãe/ tios/ padrinhos/ vizinhos/ primos/irmãos (pra mim, isso seria uma alternativa só) ou amigos ou TV ou o diabo que os criadores das metodologias quiserem.

Honestamente, quem eu conheci que pode ser chamado de torcedor não foi influenciado nem pela tv, nem pelos títulos, nem pelos amigos. Mas preferia que tivesse dados mais, digamos, científicos. Até pro Glauco poder fazer outro post desses.

Boa, Glauco!

carcamano disse...

Foi a análise mais lúcida que li sobre a questão do crescimento das torcidas.

Aproveitando o comment de elogios: o etxto abaixo está excelente.

abs,

olavo disse...

O texto citado no blog do Birner é bem, bem infeliz. Principalmente quando diz que "as conquistas do São Paulo são mais que pontuais". Um time que fica 10 anos sem ganhar títulos nacionais e internacionais não pode dizer isso. Querendo ou não, o time que teve as conquistas menos pontuais de uns 10 anos pra cá é o Corinthians, que levantou pelo menos uma taça entre 1996 e 2004.

Edu Maretti disse...

Não dá pra não fazer contas, coisa que a chamada mídia tradicional não faz.

Exemplo: parece ter virado consenso (e ninguém questiona!) que o Corinthians tem 30 milhões de torcedores, coisa que não foi só o goleiro Felipe quem disse. Isso é reproduzido pela imprensa com uma tranqüilidade patética: o Uol diz, numa matéria do dia 2/12/2007 (assinada por Marcius Azevedo e Rafael Copetti): "Agora, o Corinthians, que ostenta uma torcida de 30 milhões de fiéis, terá que passar pelo calvário da segunda divisão".

Fazendo de conta que o Timão (sic) tem 30 milhões de torcedores, e tendo por parâmetro a pesquisa Datafolha (linkada no post), o Flamengo teria então 42,5 milhões de torcedores. Logo (a velha regra de três!), Corinthians e Fla teriam juntos 72,5 milhões de torcedores no Brasil (ou quase 40% dos brasileiros). Quem fala desses 30 milhões ignora que no Brasil há milhões de jovens, velhos, recém-nascidos, nati-mortos e outras espécies que simplesmente não gostam ou não torcem pra nenhum time de futebol.

É matematicamente impossível o Corinthians ter 30 milhões de torcedores. É mais honesto só divulgar porcentagens. Seria legal se os repórteres da chamada mídia esportiva aprendessem a fazer a regra de três,pra pelo menos questionar as contas das quais o goleiro Felipe ouve falar.

Warley Morbeck disse...

A história mostra que a relação entre títulos (ou a falta deles) e crescimento de torcida é muito menor do que o senso comum nos leva a acreditar. Se fosse tão simples o Santo teria, em algum momento, ultrapassado todos, já que ficou mais de 10 anos no topo do Brasil.

Warley Morbeck
http://flamengoeternamente.blogspot.com

Idelber disse...

O dia em que a torcida do Cruzeiro conseguir pelo menos rachar o Mineirão ao meio com a do Galo eu começo a pensar em levar essas pesquisas a sério. Até hoje, só vejo os azuis ganhando em pesquisas de opinião e o Mineirão continua 2/3 alvi-negro, até em épocas de vacas magras. Abraços e parabéns pelo excelente blog!

Marcão disse...

Eu não consigo ver vantagem em ter mais ou menos torcida. O que interessa é o time jogar bem e ganhar títulos. Se o São Paulo tivesse a menor torcida do planeta, isso não faria qualquer diferença para mim.

Benedito disse...

Você escreveu que o Corinthians ganhou doís títulos nacionais e duas copas do Brasil entre 94 e 2004. Esqueceu de dizer que o Timão também conquistou, neste período, o Mundial de Futebol da Fifa.

Paraiba disse...

Tem que levar em conta tambem que em Belo Horizonte a torcida predominate e a do galo com 60% a 70% por issu da maior media de torcida no mineirao
tinha que ganhar titulos oq nao faz a mais de 1 decada com uma diretoria incopetende que axa que estadual vale alguma coisae num presta atençao nos clubes do rio sao paulo e no sul tambem com a quantidade de titulos internacionais que tem

Anônimo disse...

Bem lembrado, Benedito!
Bem lembrado também é que até a organização do primeiro mundial interclubes no Brasil, competentemente "papado" pelo Timão, aquele jogo único, que se "convencionou" chamar de campeão o vecedor, nada mais era que uma festa de uma montadora de automóveis, num país amigo que não tinha futebol até outro dia.
Glauco, parabéns pelo post. Magnífico! Abs

Hitalo disse...

Não concordo com nada do que foi dito. Essas supostas "pesquisas" de tamanha de torcidas são ridículas.
Primeiro: não é por censo, mas por estimativa. Pega-se no maximo 200 habitantes de uma determinada área e a resposta do time que torcem equivale a um estado todo? (inexatidão dos resultados).
Segundo: cerca de 40% dos brasileiros não torcem para time algum. Isso equivaleria dizer que aproximadamente 80 milhões de brasileiros não torcem para time algum, ou seja, sobram 120 milhões com possibilidade de ter um time. Só os 11 maiores clubes(Flamengo; Corinthians; São Paulo; Palmeiras; Vasco; Grêmio; Cruzeiro; Inter; Santos; Atlético-MG e Botafogo), pela porcentagem de representantes no país, somam 130 milhões de pessoas.
Terceiro: os 80 milhões que afirmam não ter time são adultos, ou seja, no meio desses 120 milhões restantes ainda estão crianças menores de 6 anos, pessoas com patologia cerebral(não tem noção do que é um time), etc.
Conclusão: isso tudo é uma falácia.