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quarta-feira, julho 22, 2009

Aula prática de coronelismo

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Em um post a respeito da situação da governadora Yeda Crusius no Rio Grande do Sul, o jornalista Leandro Fortes comparou as imagens da tucana chamando professores de "torturadores de crianças" com outra situação, vivida em 1986 pelo ex-governador da Bahia Antonio Carlos Magalhães, o popular e falecido ACM.

Naquela eleição, o candidato do então Ministro das Comunicações do governo Sarney, Josaphat Marinho, viria a ser derrotado por Waldir Pires, do PMDB. A cena abaixo, que foi publicada por num comentário do leitor DKRC no post de Fortes, mostra o quanto a moral de ACM estava baixa naquele momento em seu estado/feudo.



Mas mais que isso, mostra a forma de um coronel lidar com críticas. O repórter em questão é Antonio Fraga, 19 anos, repórter-estagiário da TV Itapoan e colega de classe de Fortes no primeiro ano de jornalismo da Universidade Federal da Bahia. Na ocasião, como descreve Fortes, "com a audácia tão típica da juventude, ele furou o séquito de bajuladores carlistas e perguntou, à queima-roupa, na cara de ACM, o que ele achava de estar sendo vaiado. (...) Na aurora da redemocratização do Brasil, o garoto Fraga conseguiu mostrar para o país quem era, de fato, aquela triste e grotesca figura política que ainda iria reinar soberana nas colunas políticas da imprensa brasileira, por muitos anos, impune e cheia de prestígio."

Grandes tragédias e pequenas vitórias em um Brasil de absurdos cotidianos.

5 comentários:

Olavo Soares disse...

A frieza do cara impressiona.

Glauco disse...

Mais uma da série "Como a política dá voltas". Nessa época, o Waldir Pires ganho a eleição graças em parte à popularidade do Plano Cruzado, do governo Sarney, do qual ACM fazia parte.

Oito anos depois ACM voltaria ao goveno federal com muito mais influência que na era Sarney (mas sem tantas concessões de rádio e TV) força, ocupando cargos e sendo considerado, à época, o verdadeiro presidente do Brasil, já que FHC parecia mais preocupado com pavonices e viagens improdutivas ao Primeiro Mundo.

Se não tivesse morrido, ACM estaria bradando como paladino da moralidade contra Sarney, ao lado de tucanos como FHC que se locupletaram do Cruzado.

Anônimo disse...

ué, cês não acham que o cara foi "incoveniente" para fazer uma pergunta dessas igual ao cara da pergunta do Serra?

Maurício disse...

Anônimo, por favor, identifique-se, você não corre risco nenhum.

Sobre o que você disse, ambos os "perguntadores" foram sem dúvida incovenientes. Mas o repórter não tem nenhuma obrigação de ser conveniente.

Serra tem a sua tradicional tática de virar a cara quando a pergunta não interessa. O ACM é mais grosseiro, baixo nível mesmo. Mas na essência, neste aspecto, não vejo grande diferença. Ambos têm uma relação distorcida com a imprensa honesta.

Anônimo disse...

Maurício, concordo.
Mas acrscento: ACM em essêcia, como o Serra e também como o Lula: cada um a seu modo, cada um em seu tempo.