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terça-feira, julho 21, 2009

Clubes são barrigas de aluguel

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A venda de André Santos e Christian, pelo Corinthians, mostra mais uma vez a realidade em que os clubes tornaram-se verdadeiras barrigas de aluguel. Sem dinheiro, recorrem a "empresários" para contratarem os jogadores. Os que fazem sucesso são vendidos depois da "gestação" e o clube fica com uma pequena parte pela valorização que proporciona.


É fácil ver isso. Pelo que foi divulgado, os jogadores do Corinthians foram vendidos por cerca de 14 milhões de euros. Pela cotação atual, pouco menos de R$ 38 milhões. Foi divulgado que o clube receberá R$ 13 milhões, pouco mais de 35% do valor total. Para que a torcida não xingue, uma parte dos números vai em euro, outra em reais e ainda se dá a promessa de que o time ainda terá uma participação numa futura valorização.

Até hoje não vi ninguém ganhar com essas porcentagens para o futuro. Isso é escrito no contrato, mas quando o time estrangeiro vai vender dá um jeito de "trocar" um jogador por outro sem dinheiro envolvido, divulgar um valor menor ou simplesmente o atleta vai para lá e não tem sucesso.

Outra questão importante é que esse condomínio de "empresários" dividindo jogadores abre a possibilidade que entre os "investidores" esteja algum presidente, diretor ou mesmo técnico do clube. Como essas participações nunca são divulgadas, não é nada difícil que, na melhor das hipóteses, um desses entre com parte do dinheiro para trazer um jogador promissor e depois fique com parte da "valorização". Tendo mais interesse na venda do que em ver seu time campeão.

Mas o exemplo do Corinthians foi apenas um entre muitos. Até o final da janela de transferências, muitas equipes entrarão em negócios mil. Só depois disso é que se poderá ver quem realmente é candidato ao título do Brasileirão. O que se sabe até agora é que pelo menos o Corinthians estará menos forte sem dois titulares.

12 comentários:

Nicolau disse...

Vi a notícia agora de manhã e achei uma tristeza. A análise do Fredi é correta, o time se torna barriga de aluguel. Parece que até o Figueirense vai ganhar mais do que o Corinthians com a venda. Para piorar, o atual esquema tira do clube parte do poder de decisão sobre seu elenco. E esse é só o começo, a janela de transferências só fecha no fim de agosto. Se perder mais ou dois titulares, fodeu.

Sobre o impacto atual no elenco, vejamos as alternativas. Na vaga de Christian, tem Moradei, mais marcador, e Jucilei, que seria o reserva direto de Elias. A partir de agosto, Edu deve estar pronto para jogar e talvez seja a solução. Mas não sei se ele tem o poder de marcação do atual camisa 6.

Para a lateral é que a coisa fica feia mesmo. Os dois reservas possíveis eram Wellington Saci, emprestado para o Atlético MG, e Marcelo Oliveira, vendido de forma bizarra para o Dinamo Kiev. Sobrou Bruno Bertucci, da base, que não deixou ninguém emocionado quando entrou pelos profissionais. E mesmo ele está na seleção sub-20 até dia 28. Assim, a solução imediata é uma incógnita. Mano Menezes já usou o zagueiro Diego por ali, mas o time perde muito em ofensividade e saída de bola, além do que o jovem zagueiro vem atuando na vaga de William, em tratamento. Outro que pode vir a aparecer é o meio-campo Marcinho, que Mano usou ali mais pela esquerda em alguns jogos. Ah, sim: o craque Escudero está lá, mas no estaleiro. Há saber o que vai sair da cartola do técnico gaúcho.

Outra questão: as reposições que venham a ser contratadas (Silvinho foi especulado para a lateral e Lucas para volante) fatalmente virão com salários mais altos que os dos atletas vendidos. Vale a pena ganhar agora e aumentar o custo mensal? Ou ainda: havia escolha?

Samuel (Joalvinegro) disse...

Amigo,

Escrevi também a respeito disso no meu blog (www.timaoblogfiel.blogspot.com).

Resumindo, o atual estágio do futebol brasileiro deve-se a Lei Pelé.

Dirigentes fracos também tem sua contribuição, mas nem os maiores gênios da administração moderna conseguem fazer algo diferente com essa legislação.

Pelé foi o maior craque dentro de campo, mas fora dele, além das inúmeras bobagens que fala deixou como herança essa malfadata lei.

Com a valiosa contribuição do Juca Kfouri, mentor da Lei e que se cala sempre que é questionado.

Acabou o "passe" para os clubes, e transferiu-se para os empresários e "fundos de investidores".

Todo mundo ganha, menos o clube.

E a torcida, como sempre.

Triste futebol brasileiro.

Ou se muda a Lei Pelé, ou adeus!

Valeu!

Glauco disse...

Samuel, permita discordar. Antes da Lei Pelé já havia empresários que tinham o tal do "passe" do jogador. Juan Figger, por exemplo usava e usa até hoje clubes de divisões inferiores para que seus atletas tenha um vínculo "real" com entidades desportivas, mas ele era, antes da Lei Pelé, dono de vários passes e hoje é dono dos direitos federativos. A culpa é de diretorias que, ou tem interesse em lucrar muito (às vezes pessoalmente inclusive) ou querem cobrir rombos financeiros provocados por sua própria incompetência.

Samuel (Joalvinegro) disse...

Glauco, permita-me eu discordar de você. Juan Figger já é figurinha antiga no futebol, concordo. Sempre teve influência e sempre ganhou nas transações de jogadores. Mas o modelo de "ser proprietário" passou a existir a partir da lei pelé. Desculpe a minha grossura, mas realmente não aceito a menor defesa dessa lei. E não tem defesa. Todos que tentam, usam os mesmos argumentos que você, de que a situação já era ruim antes, que a culpa é dos dirigentes, blá, blá, blá. Dirigente ruim sempre teve e sempre vai ter. A chance de mudar o jogo seria como uma legislação adequada. Mas quando tentaram fazer isso, o resultado foi essa lei, que só piorou uma situação que já era ruim. O futebol brasileiro vai cada vez mais em direção a ruína, enquanto não se parar esse discurso conveniente, de jogar a culpa nos dirigentes e não se mexer nessa lei, vamos ter que conviver com situações como essa, em que o clube mais forte do país na atualidade não consegue segurar seus principais jogadores. E o pior, não recebe praticamente nad pela perda deles. Desculpe novamente o mal jeito, mas por favor, não defenda nunca essa lei. Ela não tem defesa. Obrigado!

Glauco disse...

Samuel, vou argumentar de outra forma então, com base nessa matéria. Se a exportação de jogadores para os grandes centros aumentou em todo continente - inclusive na Argentina onde existe uma regra de prorrogação indefinida de contrato sem anuência do atleta, semelhante à antiga Lei do Passe brasileira - a que se deve isso? A Lei Pelé foi promulgada em toda a América Latina?

Leandro disse...

Depois que o Elias e o Ramires caíram de produção o Cristian, que vinha subindo aos poucos, passou a ser o grande jogador atuando no país
O André Santos eu já xinguei bastante, mas é bem verdade que tinha melhorado de uns jogos p/ cá. Não vai deixar a mesma saudade que o Cristian, sempre muito técnico sem deixar de ser guerreiro, mas tenho que admitir que é um desfalque importante.
Mas acho que estes dois não vão se dar muito bem no aspecto profissional indo jogar num campeonato e num time sem expressão internacional e que, salvo engano meu, sequer a próxima Copa dos Campeões vai disputar.
A menos que o tal Dunga seja mais pilantra do que parece, creio que eles podem esquecer as poucas chances que já tinham em termos de seleção e, consequentemente, a Copa do ano que vem.
E o futebol na mão desses empresários/parasitas é tão ruim ou pior que aquele que ficava só na mão dos cartolas.

Leandro disse...

Se a coisa mudou para pior só por causa da Lei Pelé eu não consigo ter certeza, mas vendo o futebol de 20, 25 anos atrás, e o de hoje, a comparação pode ser injusta, mas "a priori" me parece que ela tem algo a ver com isso, ainda que não seja o único fator.
E o pior é que no curto prazo eu só consigo encontrar uma solução, e das mais difíceis de colocar em prática: Estabelecer uma idade mínima para o cara não ser aliciado por qualquer parasita e ir para qualquer clube de qualquer lugar. Ou nem deixar mesmo ir, independente da idade.
A discussão não teria que ser adaptamos ou não nosso calendário ao da “metrópole” Europa p/ não estragar a competição.
A questão é: Nossos jogadores ficam aqui e ajudam a fazer do nosso campeonato o melhor, o que desperte o interesse de aficcionados em todo o planeta. Isso já ocorre com italianos, espanhóis, e ingleses que levam os nossos jogadores para formarem as Ligas mais badaladas. E aqui vai passar até campeonato russo (cheio de brasileiros) pela TV fechada. É o fim da picada... É o cúmulo do complexo de vira-lata.
Quem sabe se impedir que os caras vão embora assim, feito folhas ao vento, não seria começar a deixar de ter a fama de melhor futebol do mundo só pela qualidade dos boleiros cabeças-ocas que vão aonde os empresários apontarem o dedo?
Será que com o tempo os clubes daqui não passariam a ganhar muito mais com patrocínio, venda de produtos mundo afora, direitos de transmissão, etc?
Pode ser difícil colocar isso em prática hoje, mas enquanto não fizermos algo do tipo temo que continuaremos a ser colônia destes países ricos e até dos outros emergentes que levam os melhores jogadores desembolsando uma fração insignificante das riquezas que levaram daqui durante séculos e que, de forma indireta, ainda levam.

Nicolau disse...

Então, não consigo avalira bem a Lei Pelé, mas acho que a intensificação do êxodo se deu mais por motivos econômicos que outra coisa. A Europa não contratava antes nesse ritmo, esse é o fato. Quando decidiu levar, levou, porque tinha dinheiro pra caramba. Leandro, sobre a idéia de impedir a ida de jogadores para fora, não sei se é constitucionalmente possível. O cara tem direito de trabalhar onde quiser. O que também vale para a lei do passe, que se naõ me engano começou a cair por conta de contestações judiciais de jogadores com base nesse princípio. Ou estou viajando?

Leandro disse...

Nicolau, você não está viajando, não.
Estou consciente de que esta tese também caberia num embate jurídico e que, provavelmente, seja a grande crítica que se faria para invalidar qualquer medida parecida.
Mas tenho defendido que o princípio de livre escolha do trabalho pode e deve ser relativisado se considerarmos a importância que o futebol tem em nossa sociedade e os benefícios que esta medida poderia trazer em termos econômicos e sociais. Poderia representar, a bem da verdade, nossa verdadeira liberdade coletiva como país soberano dentro e fora das quatro linhas.
É só lembrarmos que a mesma CF de 88 também fala em ordem econômica e social num contexto de Estado Social e Democrático de Direito (embora FHC tenha logrado fazer uma CF em parte neoliberal), e também fala em dignidade humana e em redução das desigualdades sociais e regionais.
Não me parece constitucional um garoto humilde de 17, 18, 19 anos de idade ser aliciado por empresários gananciosos e ser levado aonde eles desejarem, independente das dificuldades com a língua, alimentação, alojamento, racismo e etc.
Também não me parece respeitar nossa ordem econômica e social ficarmos condenados a eterna colônia exportadora de pé-de-obra. Enquanto isso, fazemos a riqueza dos campeonatos europeus, gerando renda e empregos sobretudo lá.
Como a aplicação de um princípio constitucional não quer significar a exclusão de outro existente, mas sim um recuo deste, já que princípios constitucionais podem sim estar em conflito mas coexistir, me parece uma ideia aceitável também neste aspecto.
Assim não fosse, as muito oportunas cotas para negros estariam juridicamente fulminadas desde o princípio pela simples e superficial aplicação do princípio que diz que todos são iguais perante a lei.
Ou seja: você não está viajando não, mas também não me parece que eu esteja indo assim tão longe em termos jurídicos ao defender uma insurgência por estes meios.

Maurício disse...

Só posso dizer que sem Cristian, André Santos e Douglas o Corinthians está praticamente fora da disputa pelo Brasileirão este ano. Acho que a diretoria está contando que o importante era a classificação para a Libertadores, conseguida na Copa do Brasil.
Cristian era um dos grandes articuladores do time. Douglas era o único meia de verdade, com alguns momentos de brilho (cada vez mais frequentes). André Santos estava jogando muita bola. Não vejo o Corinthians atual sem eles. Espero que Mano Menezes me surpreenda, mas acho difícil.

Nicolau disse...

Acho que até dá pra dar trabalho, o Corinthians jogou e ganhou os útlimos dois jogos sem pelo menos dois e em certos momentos sem sete titulares em campo. Mas sem uma contratação ou outra, fica difícil pensar memso em título. Agora, para dar um alento, o PVC acha que pode rolar. E o Sanches garante que mesmo sem Douglas e Felipe, o time briga pelo título. O que naõ quer dizer nada, a não ser que o Felipe também tem boas chances de sair...

http://espnbrasil.terra.com.br/pvc/post/63537_ANDRES+SANCHEZ+VAMOS+BRIGAR+MESMO+SE+SAIREM+DOUGLAS+E+FELIPE#comentarios

Henrique disse...

Nada a ver vc ficar comentando do corinthians no seu site! É o clube do momento? é sim! mas tem varios outros clubes que também tem que fazer receita no futebol, infelizmente vc esta no Brasil meu chapa! Comenta ai a contratação do Guerron no Cruzeiro! Já não basta a Globo, ficar lambendo o saco do Ronaldo e do Corinthians, vcs também tem que fazer isso... Lamentável...