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sexta-feira, julho 17, 2009

Eu estava lá no título do Estudiantes

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Como o parceiro Blá Blá Gol ainda não publicou a versão do cruzeirense que estava no Mineirão, aqui vai a visão de nosso amigo e colaborador Gerardo Lazzari, torcedor do Estudiantes que estava trabalhando e (torcendo) no estádio.

Texto e fotos por Gerardo Lazzari

Trinta e oito anos se passaram desde a final de Libertadores contra Nacional de Montevidéu, em Lima (Peru), em 1971.

Como tantos outros garotos, fui inscrito como “sócio ao minuto de nascer” no clube, antes mesmo de ser registrado em cartório. Cresci ouvindo histórias das “Copas”, da viagem de torcedores a São Paulo para assistir à final de 1968 contra o Palmeiras, no Pacaembu, ou as três vezes em que a torcida do Estudiantes cruzou o Rio de La Plata, num barco, para lotar o Centenário, uma vez contra Peñarol e duas com o Nacional.

Menção especial sempre teve a Copa Intercontinental ganha sobre o Manchester, em
1968. Esse foi um evento diferente por que era a primeira vez que um time argentino vencia um time inglês na Inglaterra. O poderoso Manchester era a base da seleção campeã em 1966, e o Estudiantes era um pequeno time de 11 operários, sem ninguém da seleção nacional. Depois de ganhar o primeiro jogo na Bombonera lotada, o Estudiantes empatou por 1x1, em Manchester, com gol de la Bruja Veron. Esse time chamado pela imprensa inglesa de “os índios” deu a volta olímpica em Old Traford e todos foram recebidos na argentina como heróis.
Meu pai me levou ao velho campo de Madeira de calle 1 e 57 aos 4 anos de idade pela primeira vez. De lá para cá, vi times muito ruins e times que foram campeões.

Nos anos 90 vi o Estudiantes cair para segunda e voltar no ano seguinte com um time com Verón, Palermo, Capria, Calderon, que jogava barbaridades e encheu estádios por todo o país.

Quarta, dia 15, era o dia mais importante em 38 anos, e eu estava lá, junto com praticamente 5 mil torcedores que vieram na sua maioria de La Plata, mas também de Brasília, Buzios, Santos, São Paulo, Califo
rnia etc.

Em todos nós corria o mesmo espírito da época das “Copas”, “podemos perder, mas vamos morrer em campo pelas cores da camisa”.

Estava trabalhando para dois jornais de La Plata, com a obrigação de ter boas imagens e conseguir transmiti-las rapidamente para ir fechando as páginas. Quando o Cruzeiro marcou o gol parecia que o estádio ia explodir, mas interiormente não me abalei, pois percebi nos jogadores muita confiança. Imediatamente o Estudiantes empatou o jogo, a torcida celeste emudeceu e a “hinchada pincharrata” tomou conta com um grito constante.

Fiquei parado no mesmo lugar que estava quando ocorreu o gol para não mudar a sorte, aí veio o segundo. Nem a pau ia sair do lugar até que acabasse o jogo, “vai que me mexo e o Cruzeiro empata”. Eu me virava a cada 5 minutos e perguntava para o preparador físico do Estudiantes, que estava próximo, quanto faltava
para terminar. Não queria pensar em nada até acabar.

Achar-se campeão antes de o árbitro apitar o final dá azar (pelo menos nós, pincharratas, pensamos assim). Os cruzeirenses achavam que já tinham vencido antes de começar o jogo, andavam com faixas de tricampeão, os jornais locais titularam manifestações do tipo já é Tri, os torcedores tiraram fotos com a taça que estava em exposição no estádio, e nós pensávamos, “xiii, vai dar azar para eles...”.

Quando o árbitro apitou, me perguntei o que estaria sentindo meu pai, ao ver nosso clube Campeão de América novamente depois de 38 anos. Eu não acreditava, pensei que nunca ia ver, mas eu estava lá
.

9 comentários:

Maurício disse...

Parabéns, Gerardo, salve os pincharratas!

olavo disse...

Emocionante é pouco.

Parabéns Gerardo, parabéns Estudiantes!

Glauco disse...

Parabéns, Gerardo! Pela vitória, pelo texto e pelas fotos!

Anselmo disse...

taí. qdo vi que tinha um princípio de confusão no jogo, pensei: iih, o cruzeiro vai se estrumbicar.

mas qdo saiu o gol azul, fui pro computador escrever o post da vitória brasileira. Lancei umas buscas no google, olha de cá, olha de lá. Ponto final no primeiro parágrafo: o estudiantes empata.

De pronto, mudei o lide e já deixei o post pronto pra vitória do estudiantes, só esperando o gol da vitória.

não, eu não sabia. acho que foram estratégias pra secar o time brasileiro.

Victor disse...

hehehehe

A sucursal mineira do Blá blá Gol se pudesse publicaria o post na parte dos Classificados de Motos em Manaus.

Está aqui como um cruzeirense viu o jogo de dentro do Mineirão.

casali disse...

YERARDDDD GENIO!

Saulo disse...

O Estudiantes foi muito mais inteligente e mereceu essa grande conquista.

futeboldorio disse...

Foi merecido, e parabéns pelo post, ficou mt legal.

Eu sou meio recalcado por não ido ver uma vez os Estudiantes no Engenhão, contra o Botafogo. Sou vascaíno, mas moro perto do estádio dos caras e sou fã das hinchadas.

De novo, parabéns!

Lari L disse...

Nossa, um blog composto por torcedores paulistas e um mineiro realmente me assustou. hahaha
Bom post esse. Parabéns, Estudiantes.
Mais uma vez, a humildade venceu na Libertadores. Já está virando padrão.