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sexta-feira, outubro 02, 2009

E o Rio vai ser sede olímpica em 2016

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O Rio de Janeiro será sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Chicago, considerada a principal adversária do Rio, saiu na primeira votação, sendo a menos votada. Tóquio foi eliminada na votação seguinte e o Rio de Janeiro superou Madri na grande final. Uma lavada: 66 a 32.

E aí, isso é bom ou ruim para nós?


Pude participar junto com o companheiro Maurício da elaboração do dossiê da pré-candidatura de São Paulo às Olimpíadas de 2012, que acabou derrotado pelo Rio (só uma candidatura oficial por país é permitida). Menos que a competição em si, a parte mais fascinante do projeto paulista – paulista mesmo, não paulistana, já que, como a postulação carioca, envolvia outros municípios da Grande São Paulo, além de Santos e São Sebastião - era a possibilidade de ver a cidade totalmente reformulada. Ali, se podia vislumbrar um Tietê navegável, o trem expresso do aeroporto de Guarulhos, um sistema de transportes remodelado e integrado com uma ampliação brutal do atendimento do transporte coletivo, em especial o metrô, e muitas outras mudanças positivas.

Isso tudo, além das instalações esportivas, fazia parte do chamado legado olímpico, aquilo que permanece depois que o evento acaba e se torna benefício permanente para a população local. E esse ganho para a cidade e para o país é determinante para a escolha do Comitê Olímpico Internacional: vale mais escolher um lugar em que seja possível realizar avanços em função dos Jogos, analisando-se a viabilidade dessas melhorias acontecerem de fato, do que optar por um local pronto e acabado. É bom para o marketing do Comitê e preserva a imagem do dito “espírito olímpico”.

Isto posto, vem duas questões interligadas que fundamentam boa parte das críticas aos Jogos no Rio. Primeiro, porque não se investem esses recursos para transformar as cidades mesmo sem os Jogos? Segundo, o país tem outras prioridades e deveria investir recursos em áreas como Educação, Saúde, programas sociais etc. e não aplicar recursos nas Olimpíadas.

É necessário considerar que os Jogos Olímpicos servem como um grande catalizador de investimentos. A realização de um evento com divulgação planetária facilita bastante a atração de parceiros para execução de projetos, além de ser mais fácil a obtenção de recursos de instituições e bancos nacionais e internacionais. Afinal, todo mundo tem interesse em ter seu nome associado às Olimpíadas.

E não são investimentos sem retorno. Segundo estudo da Fundação Instituto de Administração (FIA), a escolha do Rio como cidade-sede da Olimpíada de 2016 deve gerar mais de 2 milhões de empregos no Brasil até 2027. Os quase R$ 30 bilhões de recursos aplicados assegurariam 120 mil empregos por ano até a realização dos Jogos e mais 130 mil empregos anuais até 2027. Há também outros ganhos econômicos como no valor médio da massa salarial, aproximadamente 8% acima em relação ao que era antes dos Jogos em função da qualificação da mão-de-obra necessária. No total, cada US$ 1 investido, outros US$ 3,26 adicionais devem ser gerados até 2027.

Possibilidade de transformação

Ainda assim, os críticos podem perguntar: de que legado se fala se depois do Pan tudo ficou a mesma coisa no Rio? Primeiro, a comparação de um evento com o outro é absolutamente descabida. Apesar de ter sido legal ver os Jogos Pan-americanos no Brasil, é inegável seu caráter de competição esportiva de segunda categoria, já que na maioria das modalidades os países sequer enviam seus principais atletas. Já os Jogos Olímpicos são a principal disputa para quase todos os atletas, exceção feita ao futebol masculino, com uma capacidade de atrair atenção e investimentos, e necessidade de infraestrutura infinitamente maior, por isso os legados são incomparáveis.

Barcelona é o exemplo mais completo de uma cidade – e um país – que conseguiu usufruir de todas as vantagens de sediar uma Olimpíada. A transformação foi total, não somente em termos de modelo urbano como também foi decisiva para que hoje seja um dos destinos turísticos mais importantes do mundo. Região estagnada nos anos 80, é consenso de que não seria a mesma sem o evento de 1992. Seul também pode ter avanços como a despoluição do rio que corta a capital sul-coreana, e mesmo Atenas, que teve prejuízos com os Jogos principalmente em função das ameaças de terrorismo, apresenta atualmente uma infraestrutura de transporte totalmente nova e muito maior do que a que havia antes.

As condições estão dadas e as possibilidades de se obterem avanços permanentes em função do evento é enorme e impossível de ser desprezada. Inclusive os chamados ganhos intangíveis, que dizem respeito à autoestima da população (o afastamento definitivo do “complexo de vira-latas”) e o esporte ainda mais incorporado ao cotidiano dos brasileiros.

Mas, acima de tudo, é preciso garantir o controle social da organização dos Jogos, para evitar os inúmero problemas que envolvem esse tipo de evento, desde desvio de dinheiro (como em qualquer outro grande negócio em qualquer parte do planeta) e de finalidade assim como a exclusão e expulsão de pobres de áreas urbanas.

Está na hora da sociedade brasileira mostrar que é madura para fiscalizar a ação de políticos e dirigentes esportivos, exigindo a contrapartida já que um montante considerável de recursos públicos estará em jogo.

Mas agora, na minha opinião, é hora de comemorar o reconhecimento do Brasil frente ao mundo. Sim, podemos. Porque crescemos.

*****

Inegável que o projeto é bem acabado, o Rio e a mais bela das candidatas etc. Mas a força política do país, visto hoje de uma forma bem distinta do que há alguns anos foi decisiva, já que é preciso passar segurança jurídica e econômica para se constituir em sede olímpica. E nisso, o governo e a figura de Lula foram fundamentais. Nem Obama segurou "o cara".

17 comentários:

Anselmo disse...

Viva!

grande glauco!

Bora pro bar beber ao Rio. Ou bora pro Rio beber no bar?

e, parafraseando milton friedman, "controle social, controle social, controle social".

Só vou ser contra Zé Carioca como mascote olímpico. Senão tem q pagar pra disney.

Nicolau disse...

É nóis na fita! Concordo totalmente com o Glauco. É a consolidação de uma mudança de patamar no prestígio internacional do Brasil que já vem se desenhando na esfera política, como nas vitórias recentes da diplomacia brasileira no FMI e com a transformação do G20, emq ue o país tem um papel essencial, no principal fórum para as discussões econômicas. E só para contar, o Lula é mesmo o cara!

fredi disse...

Não vou fazer grandes considerações, apenas dizer que aconteceu o mesmo dos jogos em que digo que vou torcer contra o Brasil.

Na hora não consigo.

Estava, de novo, nervoso na hora do anúncio, torcendo para o Brasil, como sempre...

Se o mundo acreditou em nós, mandando para o Brasil os dois principais eventos esportivos, a Copa 2014 e a Olimpíada 2016, por que nós vamos ser contra?

Agora é fiscalizar, fiscalizar, fiscalizar. Ou como disse o Anselmo, "controle social".

Já poderíamos começar impedindo o Nuzman de coordenar qualquer coisa. Novo presidente para o COB já...

Olavo Soares disse...

Caras, desde 1988 que Olimpíada é um negócio marcante na minha vida. Então imaginem a emoção que senti na hora do anúncio do Rio. Faltou pouco, muito pouco, pra eu chorar.

Depois prometo emitir comentários mais racionais sobre o assunto.

Por hora, só um ponto importante: o mascote dos jogos tem que ser o Blanka. E pronto.

Moriti disse...

Acompanhando o Anselmo,reforço "o grande Glauco" e o "controle social".
Simbora com a Copa e a Olimpíada. E que sejam no Brasil e não em território dos EUA.
Surra no "colonizador" com Obama e tudo foi demais. O Lula tá mesmo virado pra Lua!

Rodrigo disse...

Olá,

Meu nome é Rodrigo, e estive lengo o seu blog Futepoca. Tenho uma proposta: você não gostaria de ganhar 50 euros por mês por inserir pequenos links dos nossos anunciantess? São 50 euros mensais por cada blog que for cadastrado, tendo também a possibilidade de acrecentar este dinheiro adicionando blogs ao nosso sistema de anunciantes. São pequenos links que ficam embaixo das postagens, sem interferir no conteúdo, na maioria dos casos em postagens velhas. O dinheiro é enviado pela money gram ou para alguma conta bancária, e um assunto cem por cento seguro. Tire a suas dúvidas por este email, e o meu msn é rodrigo_arreyes@hotmail.com.

Estou aguardando a tua resposta,


Rodrigo

Leandro disse...

Todo paulista contrário à realização dos jogos no RJ foi vítima de acusações infundadas, mas o grosso dos argumentos mais batidos dos críticos não se justificavam, independente da naturalidade do emissor.
Se corrupção era e ainda é um baita problema, o Xico Sá lembrava ontem no programa Cartão Verde que o Japão não é nenhum modelo em relação a este tema, como também não são os gregos, os ingleses ou os americanos. A prova está aí, com o resultado dos jogos de Atlanta e de Atenas, e dos futuros jogos de Londres, p/ não se ir muito longe.
Ou começamos a fiscalizar e cobrar ou ficamos mais 500 anos só vendo pela TV sob o pretexto da corrupção.
E se segurança é a questão, os bravos resistentes palestinos não teriam invadido a Vila Olímpica de Munique, em plena Alemanha "ariana", de 1º Mundo, e o padre paspalhão irlandês (que poderia ser um maluco portando faca ou bomba) não tiraria o ouro do nosso maratonista na também européia Atenas.
O 3º Mundo também tem direito aos jogos. Por isso, apesar de paulista eu torci pelo RJ, não por conta do RJ, em si, mas pelo 3º Mundo, como torceria por Buenos Aires, Cidade do Cabo, Casablanca, Havana, São Paulo, Caracas, etc.
Bastam europeus ou ianques nos vendo como macacos subdesenvolvidos que vivem numa selva de sujeira, violência, prostituição e nada mais. Abandonemos de vez estas "verdades" impostas pelos colonizadores.

Thalita disse...

Eu sempre fui contra os Jogos no Brasil. Sempre achei que é muito dinheiro gasto pra um benefício limitado e que poderia ser atingido de outras formas, além de ter bastante medo de que as instalações em si ficassem jogadas às traças depois.
MAS
Qdo o negócio fica concreto a coisa muda de figura, claro. Amo Olimpíada, mais que Copa do Mundo (pois é...), e ter uma em casa certamente vai ser do caralho.
MAS O PRINCIPAL MESMO É
Ver o quanto o Brasil mudou. Somos absolutamente respeitados em qualquer lugar do mundo agora. Um país relevante, que inspira respeito.
Conversei com um irlandês hoje, que trabalha comigo, que me disse que no futuro o mundo vai copiar o south-american way of life e que o Brasil vai ser poderosíssimo por causa das reservas do pré-sal. Até na conversa de boteco o Brasil subiu de nível!
Sem querer ser repetitiva, é muito claro que o grande responsável por tudo isso é 'o cara'. O Lula é foda!

Leandro disse...

Digo: O grosso dos argumentos mais batidos dos críticos não se justificava.

Leandro disse...

Digo: O grosso dos argumentos mais batidos dos críticos não se justificava.

Marcão disse...

O Lula nos devolveu o orgulho de ser brasileiros.

Marcos disse...

Alias, sera que ele se utilizou do expediente proposto pelo ex-prefeito de Londres?

Relembrem:

http://www.futepoca.com.br/2008/07/se-o-problema-esse-o-lula-resolve.html

Marcos disse...

E se o assunto e o Nuzman, desencavemos mais um post:

http://www.futepoca.com.br/2008/08/f-mais-umas-nuzman-um-profissional-sem.html

Pedro disse...

Tão importante quanto uma Olimpíada sem corrupção é contar com a formação de atletas para fazermos bonito na competição e dar início desde já ao sempre prometido "legado esportivo".

O SESI-SP criou uma área de Esporte de Formação e Rendimento com a proposta de resgatar os valores intrínsecos do esporte para os 120 mil alunos da rede de ensino da instituição e revelar novos talentos para competições esportivas, nacionais e internacionais.

“O objetivo da entidade é utilizar o esporte como ferramenta pedagógica para seus alunos, que vivenciam exemplos de superação, individual e coletiva, valores presentes na vida como um todo. Outra meta é democratizar o acesso a diferentes modalidades esportivas, criando a cultura da formação de atletas de alta performance”, destacou o Presidente do SESI-SP, Paulo Skaf.

Quanto mais iniciativas como essa, melhor. No Rio, clubes como o Flamengo, Fluminense e outros também estão se reunindo com a prefeitura para montar projetos de formação de atletas para as Olimpíadas Rio 2016. Seria legal se isso acontecesse no Brasil todo.

Anônimo disse...

saude,segurança e educação infelizmente não e prioridade para o governo os hospitais publicos estão um verdadeiro caos as escolas publicas estão jogadas as baratas e a segurança e so ver os bandidos não estão perduando nem criança de colo fora isso o roubo do dinheiro publico para pagar o COI não deve ter sido pouco

Anônimo disse...

Patético. Um país faminto sendo destruído em ritmo de festa ptralha e ainda aparecem uns idiotas aqui dizendo que a Mulla "é o cara". Deve ser mesmo, num país onde idiotas como vcs vivem, o que vcs merecem é mesmo uma Olim-piada comprada e o Mulla como presiMente. Mulecada idiota!

Anônimo disse...

a globo deve ter pagado muito caro para ter estes eventos no brasil so para ficar fazendo a apologia patriotica. tem gente que não enchergar as dificuldades do pais fazendo o mundo ver o brasil com outros olhos