Destaques

domingo, setembro 27, 2009

Beneficiado, São Paulo cava um pontinho

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

O Corinthians se armou para jogar na sobra e aproveitar os erros do São Paulo: três zagueiros, três volantes, um meia e três atacantes, mas com Dentinho e Jorge Henrique voltando bastante para compor a marcação. De fato, aproveitou esses erros. Já o São Paulo se postou para jogar com certa ofensividade (embora bastante comedida): três zagueiros, quatro volantes, um meia (estou considerando Hernanes meia), um ala e dois atacantes. E se salvou nos erros da arbitragem.

É curioso agora ver são-paulinos reclamando que no gol do Timão o árbitro Ricardo Marques Ribeiro autorizou a entrada do Dentinho (que estava fora) em posição vantajosa. O Dentinho entrou lá do lado esquerdo do ataque quando a bola estava com Richarlysson do lado oposto. Aconteceu que o volante tricolor resolveu inverter pro Jean justamente neste momento. Aí foi de fato surpreendido pelo Dentinho. Se não houve erro de critério ou de "bom senso" – por assim dizer – do árbitro, ao contrário, ele tomou até o cuidado de seguir a prática usual de que o jogador entra quando a bola está no lado oposto do campo, mesmo se tivesse feito o contrário não teria havido nada de ilegal. Nada na regra diz que o jogador tem que entrar quando a bola estiver nesta ou noutra parte do campo. Mas não foi isso que determinou o gol.

Realmente não deve ser fácil para o zagueiro André Dias jogar sentindo nas costas a ampla sombra de Ronaldo. Com o Fênomeno no cangote, ele deve ter sentido um arrepio, se desestabilizou, perdeu o rumo e pôs frouxamente o pé na bola, apenas o suficiente para tirá-la do goleiro, deixando todo o espaço aberto para a penetração do admirado adversário, que se adiantou e, sem perdão, pôs pra dentro. Um gol de presente, que foi aceito e convertido.

O primeiro tempo foi marcado pelo domínio de bola do São Paulo. Hernanes jogou um bolão em toda a primeira parte do jogo, meteu bolas, driblou e num lance de agilidade e entrosamento – um drible em Jucilei seguido de boa troca de passes –, chutou de fora da área uma bola na trave. Logo depois desse lance, dois impedimentos equivocados: o primeiro de Dagoberto, pouco depois um de Dentinho, em boa jogada de Defederico. O primeiro tempo termina com pressão corintiana.

O segundo tempo foi palco dos maiores descalabros, que poderiam efetivamente ter determinado o jogo em favor do Corinthians. Dois lances foram determinantes.

Primeiro, um pênalti não marcado em Defederico. Numa bela jogada do Ronaldo, fazendo as vezes de armador, colocou Defederico dentro da grande área, ele driblou um zagueiro e ao chutar tomou uma solada do zagueiro são-paulino que doeu até o meu tornozelo. Para o Arnaldo César Coelho, isso é lance normal de jogo, não houve nada, argentino deve ser mesmo fresco, ou qualquer outra coisa que justifique ele ter passado uns 5 minutos se revirando no canto do campo. Quando eu jogava no antigo Clube do Mé, ali na bola da ponte Cidade Jardim (hoje Clube do Povo, que é o clube do povo do Itaim Bibi, se me perdoam a digressão), solada era considerada não só falta como jogada desleal, com direito a fechar o tempo e nego ameaçar entrar na porrada. Perdoava-se um cara muito grosso dar uma solada, não sem as devidas "advertências verbais", mas alguém com uma mínima noção jamais daria uma solada sem intenção de causar dano ao seu adversário. Mas para o Arnaldo não foi nada. Admito até que o juiz não tenha visto, mas ver da TV, com replays e tudo e achar que não foi nada pra mim já é demais.

O segundo lance foi a marcação da falta do Ronaldo em lance que o Dentinho acabou concluindo em gol. O Gordo recebe a bola, o zagueiro chega junto e ambos vão disputando terreno no braço, os dois vão se empurrando, procurando impedir o avanço do outro com o braço estendido no peito do adversário. Mas segurar o Gordo não é fácil, sempre foi difícil derrubá-lo, e o zagueiro acabou caindo, a bola sobrou pro Dentinho na cara do gol e ele concluiu. O juiz marcou falta de Ronaldo e o gol não valeu. Este sim um erro decisivo e difícil de aceitar como erro.

Pra completar, o gol de empate do Washington foi impedido, num lance que eu mesmo não tive tanta certeza assim. Um erro compreensível (o Arnaldo César Coelho tinha muita certeza), mas que não deixa de ser um erro. Aí tirou a camisa, tomou amarelo. No finalzinho do jogo, por reclamação, foi expulso, num exagero do juiz (a não ser que ele tenha dito alguma coisa braba que nós não sabemos aqui). Mas isso não definiu nada.



O começo do fim da turbulência


O Corinthians esteve melhor na segunda etapa. Criou chances, sobretudo pela boa atuação de Ronaldo e Dentinho. O retorno de William também tem um peso. Ele volta a criar uma referência de segurança na zaga, a linha de impedimento volta a funcionar (só do Borges foram pelo menos três), de novo sente-se que é difícil fazer gol no Corinthians. No gol de Washington, se o atacante estava pouco impedido, havia outros dois são-paulinos completamente debaixo da saia.

Defederico fez uma boa estreia, sem muito brilho, mas mostrando que sabe driblar e criar jogadas; criou pelo menos uma boa (o impedimento equivocado de Dentinho) e acertou os passes. Apesar de isso provavelmente exigir a saída do qualificado Jucilei, o jovem craque do elenco segundo eu mesmo, quero ver como é que vai ser a interação de Defederico e Elias.

O time começa a montar elenco. A situação não é de forma alguma a mesma de um mês atrás. Agora podemos de fato ver o início de uma preparação de elenco para a próxima temporada. 12 pontos atrás do líder Palmeiras, só uma arrancada prodigiosa poderia colocar o Corinthians em situação de disputar o título. Mas é possível vislumbrar o fim da turbulência e a construção do time forte que estamos esperando para a próxima temporada. Se algum dos tantos boatos em torno de Riquelme ou Ronaldinho Gaúcho se confirma, Defederico se torna um excelente reserva, e o Timão passa a ter, de fato, o melhor elenco do Brasil.

10 comentários:

Leandro disse...

A exemplo do que ocorreu no domingo passado contra o Goiás, tivemos mais uma impressionante sucessão de erros também do Sr. Mano Meneses, não bastassem todos os erros cometidos pelos três patetas de camisa amarela.
O jogo estava absolutamente controlado e prestes a ser liquidado quando o gaúcho teve a "brilhante" idéia de atrair o SPFC para o campo de defesa corinthiano escalando o "craque" Moradei no lugar do garoto Defederico. Depois, talvez no afã de corrigir a m... que fez, conseguiu se superar, colocando Souza e Bill, tirando Ronaldo e Jorge Henrique.
Impressionante... Burrice demais para apenas 45 minutos de jogo. Com um técnico como este o Corinthians não precisa de adversários.
E tudo isso sem falar nos erros grosseiros cometidos pelo juiz e seus bandeiras, numa semana em que as arbitragens andaram mais complicadas que o normal. A exemplo de Mano, este outro segmento de trapalhões também se superou nos últimos dias.
Mas, desgraçadamente, nada disso representa novidade. O Corinthians ser prejudicado por erros do Mano e do trio de arbitragem são coisas que vêm de longa data. Apenas faço questão de re-re-re-ressaltar porque lembrar é resistir, com o perdão do clichê.
É esperar o ano que vem...

Saulo disse...

Esse empate foi bom para o Palmeiras.

Fabricio disse...

Só eu tive a impressão que o Ronaldo está na sua pior forma física desde que estreou pelo corinthians?

Quanto aos lances, fora a solada que é jogo perigoso e não penalty, o resto foi muito bem dito. O gol anulado foi legal e o gol validado foi ilegal.

Maurício disse...

Jogo perigoso é quando você não acerta, Fabricio. Travar o pé do adversário com a sola da chuteira é falta. Dentro da área, é pênalti.

Fabricio disse...

É solada Maurício. Você não pode dar a sola para o adversário, ele acertando ou não o seu pé. É o mesmo que levantar demais o pé, ou seja, coloca em risco o adversário.

Joguei futebol de campo por vários anos pelo IME, a maioria jogando o torneio da Fupe que é apitado por juízes da FPF. Seria tiro livre indireto. Essa jogada é até comum para pernas-de-pau como os dos times da USP :-)

Marcão disse...

Eu vi o jogo (milagre!). Muito feio. O Corinthians e um time mediocre e o Sao Paulo consegue ser ainda pior. So com ajuda da arbitragem, mesmo, para estar em terceiro na tabela. Depois da sequencia de 4 anos e 13 jogos sem derrota do Sao Paulo para o rival, quando o time de Parque S.Jorge tremia em todos os confrontos, mesmo quando tinha time superior e jogava melhor, a situacao se inverteu: agora e o Tricolor que entra tremendo - prova disso foi o gol vexaminoso que Andre Dias e Bosco deram para o Gordo (mais gordo que nunca, como bem observou o Fabricio). Por isso, mesmo sendo mediocre, estado desfalcado e bla-bla-bla, o Corinthians so nao venceu o adversario mais uma vez neste ano pela camaradagem do juiz. Vai demorar mais uns 3 anos para o S.Paulo vencer a paura de enfrentar o rival e, quem sabe, voltar a vencer. Mas o titulo deste ano nao vai pro Morumbi, nao. Pode ficar sossegado, Olavo.

Anselmo disse...

eu tinha chegado em casa na hora do jogo e nao tinha ligado a TV ainda. Então, na hora do gol do corinthians, ouvi primeiro risadas e depois os gritos de gol. é curioso.

sobre os boatos, daria pra montar vários elencos pra cada time. e ia ter jogador repetido, aliás.

Nicolau disse...

O jogo foi realmente feinho de ver. E, pra variar, a arbitragem apareceu demais. Engraçado que eu ouvi algum comentarista de TC, talvez o Neto, dizer que foi um "jogaço". O pessoal deve ter esquecido o que é um jogaço...
Mas arbitros a parte, o Corinthians foi muito recuado par ao jogo, respeitou demais. Me lembrei do jogo entre os dois times no Paulista desse ano, em que o Timão também estava montando o time, também foi cauteloso demais e também acabou empatando em 1 a 1. Impressionou a insistência do São Paulo no tal do chuveirinho na área, oq ue eu achei que o time tinha superado com a recente melhora de Dagoberto. Marcou-se o atacante e o time ficou naqueles infindáveis cruzamentos, que pararam todos na bem feita linha de impedimento da zaga alvinegra - inclusive o do gol, já que irregularmente validado.
Impressionou também a melhora da defesa corintiana com William. Parece que ele é o cara que orienta o setor, coordena as coisas. Paulo André cresceu muito jogando ao lado do capitão.
Polemizando com alguns comentários, Leandro, Mano Menezes realmente tem às vezes algumas recaídas de retranqueiro, especialmente quando não está seguro com o time. Mas quando a coisa engrena já vimos que rende. Sobre as substituições de Ronaldo e Jorge Henrique, não tenho dúvidas de que foi por cansaço. Mas de fato é triste o quanto a qualidade caí com a entrada de Bill e Souza. A estréia de Edno vai diminuir esse desnível.
E Fabrício, se era dois lances dentro da área, não muda o fato de que o juiz errou ao não marcar nada.
Enfim, mesmo em reconstrução, tivesse o time apertado mais, o São Paulo confessava. E agora ficou muito difícil o Timão sonhar com título. E o Palmeiras, se naõ vacilar, será campeão.

Maurício disse...

Fabrício, eu continuo achando que há uma diferença entre deixar a sola e entrar de sola. Mas não sou juiz. Mas se fosse eu quem fizesse as regras, aí vocês iam ver. Jogada como essa seria punida com expulsão com adicional de corredor polonês.

Fabricio disse...

Ah sim, de todo jeito o juiz errou, Nicolau.

Já a regra do corredor polonês deveria valer também para o juiz, nesse caso :-)