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quarta-feira, dezembro 30, 2009

A melhor cachaça de Minas Gerais não é de Salinas

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Ribeirão das Neves, a 32 quilômetros de Belo Horizonte, é dona da melhor cachaça de Minas Gerais. A Áurea Custódio foi escolhida como a primeira na categoria premium no primeiro Concurso Cachaça de Minas, que escolheu 14 marcas produzidas do estado onde politicamente nasceu Itamar Franco, o responsável pela instalação do Dia Nacional da danada, em 21 de maio.

Nenhuma das 14 é de Salinas, município que se converteu em sinônimo da chambirra a partir dos anos 1960, com a ascensão do mito da Havana – posteriormente decolocada como Anísio Santiago. Januária, que aparece no dicionário como sinônimo de aguardente de cana, tampouco está entre as agraciadas.


As vencedoras do concurso, em cada categoria, em
uma montagem que despreza a tampinha. é só uma questão
de enquadramento. Mas eu juro que nenhuma tem tampa
de plástico. Pelo menos não nas fotos originais.


Antes que os puristas gritem e peçam mais uma rodada, uma ressalva. Das 280 marcas de cachaça de alambique sediadas no estado e comercializadas, apenas 66 participaram. Ligadas a 52 empresas, o certame foi promovido pela Federação Nacional dos Produtores de Cachaça de Alambique (Fenaca), com apoio do Governo do Estado, Sebra-MG e Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) sob a coordenação da Universidade Federal São João Del Rey (UFSJ).

Tudo para impulsionar a cadeia da cana de qualidade. Iniciativas como essa são frequentes, e é difícil comparar resultados de concursos diferentes. O importante é que tudo está regulamentado na produção.

Segundo os organizadores, é o primeiro – e único – concurso realizado com bases técnico-científicas. E passou batido pela editoria de cachaça do Futepoca a entrega do prêmio, no dia 9 de dezembro. Justo um pessoal tão afeito a metodologias científico-etílicas!

Ao que consta, os responsáveis pela avaliação também se dividiram. O cheiro e sabor foi verificado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná. Características físico-químicas ficaram a cargo da Fundação do Centro Tecnológico de Minas Gerais. O insubstituível quesito rótulo e garrafa ficou para a turma da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Degustadores autônomos (?) tiveram direito a dose e voto.

As categorias em que podiam ser inscritas marcas das que mataram o guarad foram "Nova/descansada", "Armazenada/envelhecida" e "Premium". Não encontrei em canto nenhum a relação completa das participantes. Do primeiro ao quinto lugar de cada uma delas, a produção providenciou uma medalha de mérito de qualidade, podendo exibi-la no rótulo por um ano.

Provei, na vida, duas das 14. Há muito trabalho pela frente. Mas antes que alguém se candidate a acompanhar os desbravadores do Futepoca, um aviso. Minas Gerais é o maior produtor de cachaça do país, porque tem nove mil alambiques. Neles, são destilados 260 milhões de litros todos os anos. Pior, a Fenaca garante ter 4 mil associadas em todo país e promete novos concursos em outros estados, como por exemplo o Paraná já em 2010. Mãos ao copo.

Confira as vencedoras:

Categoria: Cachaça branca/Nova
1º Diva - Divinópolis
2º Lucas Batista - Itabirito
3º Monte Alvão - Itatiaiuçu
4º Jacuba - Coronel Xavier Chaves
5º Mandacaru - João Pinheiro

Categoria: Cachaça envelhecida/Armazenada
1º Pirapora - Pirapora
2º Branquinha de Minas - Claro dos Poções
3º Engenho doce - Passa Quatro
4º Prazer de Minas - Esmeraldas
5º Bueno Brandão - Bueno Brandão

Categoria: Cachaça Premium
1º Áurea Custódio - Ribeirão das Neves
2º Topázio - Entre Rios de Minas
3º Prazer de Minas- Esmeraldas
4º Rainha das Gerais - Curvelo

8 comentários:

Matheus disse...

Aê, Anselmo, só uma correção.

A Empresa de Turismo de BH é a Belotur e não Betotur.

Um abraço.

Anselmo disse...

grande, Matheus! valeu pelo toque.

corrigido.

Glauco disse...

As de Salinas não concorreram pois... Aliás, se eu fosse dono da Anísio Santiago jamais a colocaria em uma competição estadual, já que fica feio se perder e, se ganhar, na prática nada se ganha.

Mas essa seleção já é um parâmetro importante. Bora julgá-las nós também!

Marcos disse...

Quanta cachaça...

Matheus disse...

Ótima ideia!

Não sou um grande fã da branquinha, mas uma boa cachaça sempre vai bem.

Se quiserem conhecer, na cidade dos meus pais tem uma famosa chamada Coração de Minas. Foi, durante muito tempo, engarrafada com o nome Sagatiba Velha.

thiagoferreiracoelho disse...

Pena que não tem nenhuma de Governador Valadares (cidade onde, nasci, cresci e vivo atualmente, depois de umas andanças). Mas pra constar: o Itamar é tido como natural de Juiz de Fora, mas acho que ele nasceu em um algum lugar do Oceano Atlântico, a bordo de um navio (e, ironicamente, Minas não tem mar. Então nós vamos pro bar!).

Anselmo disse...

Thiago,
é fato que Itamar não nasceu em minas, mas ele é mineiro. E mineiro é quem nasce em minas... e tudo isso foi só pra evitar uma repetição de "Minas gerais" logo no abre do texto.

agora, é fato que nao tinha nenhuma de salinas. ou quase nenhuma.

Roberto C. Morais Santiago disse...

Nenhuma marca de Salinas participou do evento. Nem por isso se deve desprezar a qualidade das marcas produzidas no município. Salinas produz mais de 50 marcas, algumas de renome nacional e internacional. Mais de 1/3 de ICMS recolhido ao erário mineiro é realizado pelos produtores salinenses. É o único município mineiro em que a cadeia de produção encontra-se consolidada tendo expressiva participação na economia do município. A marca salinense Anísio Santiago/Havana, ícone da cachaça mineira e brasileira, em agosto de 2009, foi eleita pela conceituada revista Playboy como a melhor cachaça do Brasil. A iniciativa de concursos de cachaça é louvável pois permite o surgimento de novas marcas no mercado possibilitando mais opções de marcas ao consumidor. Os organizadores estão de parabéns.