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sábado, outubro 30, 2010

Felipão, o Serra dos bancos de reserva

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É questionável o título, mas quem mais deu xilique com jornalista na campanha foi o candidato da oposição, José Serra (PSDB). Por coincidência, trata-se de um palmeirense. Só por isso a piadinha.

Luiz Felipe Scolari reclamou da insistência dos representantes da imprensa em relação à fibrose do chileno Valdívia, que impediu o atleta de atuar mais do que 18 minutos na última quarta-feira, no empate com trapalhada da arbitragem com o Atlético-MG.

Na partida anterior, Felipão já havia soltado um palavrão a respeito do mesmo tema (ele disse "merda", ao que responderam, com um "afe! Que horror!", as iminentes diretoras da liga das senhoras da Pompeia).

Neste sábado, 30, véspera do segundo turno presidencial, quando o Palmeiras venceu o pujante Goiás, penúltimo colocado do Brasileirão, por 3 a 2, veio a reação.

Não, não há menção aqui à reação do Palmeiras sem Valdívia e muito menos à do Goiás. Trata-se de uma mobilização da categoria dos jornalistas esportivos setoristas do Palmeiras (Jesp, na sigla que eu acabei de inventar).

A turma apareceu para trabalhar na Arena Barueri com nariz de palhaço. A resposta foi um sorrisinho irônico de Felipão, que não soube (ou não quis responder) o que dizer. Pouco tempo depois de sua chegada aos domínios alviverdes neste ano, o técnico havia desagradado os profissionais da imprensa por decretar a lei do silêncio entre os jogadores na saída do gramado. Tudo para evitar que os cabeças-quentes acionassem líguas desatadas que, a seu ver, prejudicariam o grupo.

Segundo Carlos Augusto Ferrari, alguns veículos anunciaram que seus repórteres estão de folga – quer dizer, não vão participar de coletivas do treinador – até que haja um pedido de desculpas. Provavelmente o mundo fique melhor na próxima semana, ainda segundo o jornalista do GloboEsporte, quando um almoço (boca-livre) para setoristas selará o fim dos atritos.
Pra pensar

Diferentemente de Serra, no Felipão eu voto. Bom, para a sucessão de Luiz Gonzaga Belluzzo, se eu votasse, talvez até optasse pelo tucano se o concorrente fosse, por exemplo, o Mustafá Contousi. Mas feliz ou infelizmente, o estatuto da Sociedade Esportiva Palmeiras impede que alguém que não tenha sido conselheiro do clube esteja apto a disputar a presidência. Assim sendo, segue o jogo.

Já pensou a moda pega? Se um jornalista for cobrir candidato à Presidência da República com nariz de palhaço, terá mais do que sorriso irônico. E vai ter gente achando que é coisa de comunista.
E se a moda pegar para outros grupos? Por exemplo, se, em vez de gritar "or, or, or, queremos jogador", a torcida comparecer às arquibancadas com esferas vermelhas diante das narinas? Bom, aí os jornalistas – com ou sem o nariz postiço – vão estampar: "Crise no Palestra Itália".

Enquanto isso não acontece (ufa!), na décima posição, a quatro do quarto lugar Botafogo, os 3 a 2 sobre o vice-lanterna foram um bom resultado – obrigatório, mas bom. Os gols saíram de duas jogadas individuais e de um cruzamento para gol de cabeça. O adversário frágil ainda fez mais do que lhe deveria ter sido permitido. Mas a vitória é o que interessa nesse caso.

7 comentários:

Rafael Evangelista disse...

ó, jornalista esportivo não anda valendo nem a crítica. vergonha alheia no talo

Luís Felipe Barreiros disse...

Felipão está perdendo a moral que tinha e passando a ser um técnico comum, como assim divulgado pelo revista PLACAR, desse mês.

Abração,

Luís
porforadogramado.blogspot.com

Luís Felipe Barreiros disse...

Aceita parceria?

Fernando disse...

Quem é palmeirense sabe o quanto o Palmeiras é perseguido pela mídia (aquela mesma que o Paulo Henrique Amorim chamaria de PIG).Técnicos covardes ou "mídiodependentes" sabem disso, mas se calam. Felipão não precisa se calar. Blogs como o Forza Palestra do Barneschi ou o grande Cruz de Savóia são implacáveis com essa grande mídia e agora, enfim, essas verdades encontraram eco no comando alvi-verde.

João Sérgio disse...

Põ, sacanagem. O Felipão é um profissional com um extenso currículo de conqistas, tendo sido campeão de Copa do Mundo e tudo mais, e, principalmente, tendo levado projetos até o final. Já o Serra...

Silas disse...

Poderia ser pior, seguindo o exemplo de Serra, Felipão poderia ter pedido demissão da seleção nas quartas de final de 2002 e concorrer ao posto de treinador em qualquer outro clube. Pelo menos o Felipão cumpre seus mandatos, rs.

Mas voltando ao assunto, embora pareça arrogante, até entendo as atitudes do Felipão. A mídia brasileira, seja no futebol ou na política, fica sempre procurando pêlo em ovo. O jornalista brasileiro não se preocupa simplesmente em informar, ele quer também formar a opinião de seu público.

Já encheu o saco, todo intervalo de jogo nos lembrarem que os jogadores não dão mais entrevistas em campo. Acho que os jornalistas esportivos não assistem futebol europeu.

Anônimo disse...

Jornalistas, especialmente os esportivos, tem certeza absoluta que são as estrelas do espetáculo. Muita gracinha e pouca informação. Estou com Felipão. Luiz Carvalho