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terça-feira, dezembro 07, 2010

Brasileirão teve a pior média de gols e a melhor de público desde o início dos pontos corridos

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Um paradoxo interessante ocorreu este ano no Campeonato Brasileiro: desde 2003, ano em que foi implantado o sistema de pontos corridos, foi a edição que teve pior média de gols (2,57) e, ao mesmo tempo, a melhor média de público (19.914 pagantes) por partida. Ou seja, por esse viés, quanto menos gols, mais gente atrai. Será a consagração da máxima de Carlos Alberto Parreira, para quem "o gol é apenas um detalhe"? Outro dado interessante é que esse também foi o Brasileirão com menor média de cartões desde 2004: 4,82 por jogo - em contraposição ao recorde absoluto de 2009, que teve média de 6,01.

Um exemplo da "seca" de bola na rede é a soma dos cinco principais artilheiros de 2009 e dos cinco deste ano. Ano passado, Adriano (Flamengo), Diego Tardelli (Atlético-MG), Val Baiano (Grêmio Barueri), Washington (São Paulo) e Alecsandro (Internacional) somaram 89 gols. Já nesta última edição, Jonas (foto), do Grêmio, Neymar (Santos), Bruno César (Corinthians), Elias (Corinthians) e Obina (Atlético-MG) marcaram juntos apenas 78 gols. Em 2010, alguns times tiveram média inferior a 1 gol por jogo, casos do Guarani (0,86) e Ceará (0,92).

Quanto ao público, o dado mais curioso é que, na lista das cinco partidas que atraíram mais gente neste Brasileirão, nenhuma (repito: nenhuma) teve presença do Corinthians. Os jogos com maior público foram, pela ordem, Vasco 2 x 2 Fluminense (66.757 pagantes), Flamengo 0 x 0 Vasco (50.447), Fluminense 3 x 0 Internacional (49.471), Grêmio 3 x 0 Botafogo (45.420) e Grêmio 2 x 2 Internacional (45.234). Para nenhuma surpresa, todos (repito: todos) os jogos com menor público tiveram presença do Grêmio Prudente. Quando goleou o Goiás por 4 a 1 em casa (à esquerda), atraiu só 674 testemunhas.

Pra constar, as médias de público pagante dos pontos corridos foram: 10.468 (2003), 8.085 (2004), 13.765 (2005), 10.710 (2006), 17.255 (2007), 16.712 (2008), 17.914 (2009) e 19.914 (2010). Já as médias de gol por partida foram: 2,88 (2003), 2,78 (2004), 3,13 (2005), 2,63 (2006), 2,76 (2007), 2,72 (2008), 2,87 (2010) e 2,57 (2010). Por fim, as médias de cartões (amarelos e vermelhos) por jogo, com exceção de 2003, que não encontrei: 5,23 (2004), 5,53 (2005), 5,97 (2006), 5,57 (2007), 5,78 (2008), 6,01 (2009) e 4,82 (2010).

7 comentários:

Nicolau disse...

Sobre o Corinthians, cabe lembrar que mandamos nossos jogos no Pacaembu, que tem 35 mil lugares. A média de público do time como mandante, aliás, é bem boa: em 19 partidas, 523.868 torcedores, média de 27.572 pessoas por jogo. Isso dá uma ocupação média de 78,5% do estádio. E mesmo não tendo os maiores públicos, o Timão tem disparado a maior arrecadação do campeonato com bilheteria: R$ 17 milhões, mais que o dobro do campeão Fluminense com R$ 8,2 milhões (claro que esse último número, muito positivo para o clube, é conseguido às custas de ingressos caros demais). Espera o Itaquerão sair do papel, hehe!

Marcio-SJP disse...

Se não estou enganado, o maior responsavel pela média de publico é o VITORIA...o Barradão vive lotado.
Quanto ao times do RJ, o Engenhão ajuda em muito.

Para os times de SP, falta estadio para a torcida poder ir aos jogos.

abraços,
Marcio

Marcio-SJP disse...

Tive que ir até o site da CBF:

http://www2.cbf.com.br/php/estatisticas.php?ct=1&cc=40&aa=2010

Total de Publico:
521.477 Corinthians/SP (19)
445.869 Ceará/CE (19)
436.870 Fluminense/RJ (19)
387.016 Grêmio/RS (19)
359.946 Flamengo/RJ (19)
355.837 Botafogo/RJ (19)

Média de público:
27.446 Corinthians/SP (19)
23.467 Ceará/CE (19)
22.993 Fluminense/RJ (19)
20.369 Grêmio/RS (19)
18.945 Flamengo/RJ (19)
18.728 Botafogo/RJ (19)
16.630 Internacional/RS (19)
16.377 Atlético/PR (19)

Esta é a estatistica oficial da CBF.

Todo-Poderoso ao menos ficou com este titulo rsrsrsrs
abraços,
Marcio

Glauco disse...

As médias de público do Ceará são sempre impressionantes comparadas com o desempenho da equipe na tabela. Volta, Santinha!

Leandro disse...

Imagine como seria se o Corinthians mandasse seus jogos no Engenhão...

Guilherme Scalzilli disse...

Brasileirinho

O campeonato brasileiro de futebol termina com um retrato perfeito da parceria entre Clube dos Treze e CBF: “erros” de arbitragem, ameaças de suborno para ganhar ou perder, equipes desinteressadas, jogos inúteis, estádios vazios, nível técnico medíocre. O fracasso do projeto corintiano da Globo e a decadência dos clubes paulistas juntam-se ao papelão apresentado na Copa do Mundo para deixar algum consolo aos amantes do esporte. Não foi dessa vez, Galvão.
Mas, feitas as somas de todas as divisões, tudo transcorreu como previa a manjada cartilha dos pontos corridos. Os clubes que receberam mais dinheiro conseguiram as melhores colocações. Simples assim. Time pobre não tem vez na divisão do butim futebolístico nacional.
Continuarei repetindo: a fórmula de pontos corridos foi inventada para garantir a eficácia manipuladora da absurda repartição desigual de verbas. Não adianta ser mais rico e estrelado se um time interiorano pode sagrar-se campeão com um chute de fora da área no final do jogo. Tampouco há muita garantia na atuação de juízes e auxiliares, embora eles saibam “errar” para o lado certo quando realmente precisam.
Se o único jeito de um “grande” não ganhar campeonato é através de mata-mata, oras, matemos o mata-mata... E, quer saber? Por que já não extinguimos os “pequenos” de uma vez?
A mistura de pontos corridos com privilégios financeiros é o crime perfeito da máfia que controla o futebol no país. Falar em justiça numa situação dessas não soa apenas ingênuo.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

Eduardo Maretti disse...

Só uma ressalva: a média de público no Brasileirão em 2010, segundo a CBF, é de 14.839 por partida: http://bit.ly/aSewag

A matéria da Folha (http://bit.ly/hSdeBA) só reproduz os dados da CBF.

Ou seja, a média de público do Brasileirão 2010 é cerca de 16,7% menor do que a do ano passado.