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terça-feira, dezembro 14, 2010

Sim, Pelé foi campeão brasileiro. Seis vezes

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Embora ainda não tenha sido sido publicada no site da CBF até o momento em que esse post foi feito(que, mesmo novo, continua com a agilidade de sempre), como bem lembrou o Victor do Blablagol, a entidade finalmente vai reconhecer os títulos da Taça Brasil e do Roberto Gomes Pedrosa, torneios nacionais disputados antes de 1971, como Campeonatos Brasileiros. Agora, a discussão de boteco referente ao título desse post ganha ingrediente "oficial". Pelé foi campeão brasileiro sim, seis vezes, sendo cinco delas seguidas. Ele e outros tantos craques da geração mais gloriosa e técnica do futebol brasileiro, que ganhou três títulos mundiais antes do dito Brasileirão começar a ser disputado.

Assim, Santos e Palmeiras passam a ser oficialmente os maiores campeões brasileiros da História, com oito títulos cada um. Claro que isso ainda vai render debates etílicos e sóbrios por aí, mas, na modesta opinião desse escriba, a decisão é justa, ainda que tardia. Há quem discorde e tem também quem ache que o Robertão se assemelhava mais ao Brasileirão, enquanto a Taça Brasil seria um equivalente à Copa do Brasil da época, como opina Mauro Beting.

Recorte de jornal de 1963: Santos, bicampeão brasileiro
Claro que, se levarmos em consideração o formato, a Taça Brasil de fato se assemelha ao torneio vencido pelo Santos em 2010. No entanto, é preciso considerar as diferenças. A primeira e principal é que era o único torneio nacional à época, enquanto a Copa do Brasil não. Ou seja, era o único meio de medir a força de um time nacionalmente e caminho único para a Libertadores. Não era possível organizar um torneio longo por conta dos custos que seriam altíssimo para os clubes, além de ser inviável por conta das condições do sistema de transportes nacional. O mata-mata era a solução mais simples.

E se o formato, eliminatório e que contava com a participação dos campeões estaduais em uma época em que ninguém se atrevia a chamar tais competições no diminutivo (ver aqui) de fato se assemelha ao início da Copa do Brasil (hoje há times que têm vaga garantida graças ao ranking da CBF), também lembra critérios de classificação para o Brasileirão do início dos anos 1980. Ali, a chamada Taça de Ouro (um dos inúmeros nomes que a competição teve desde 1971) reunia os melhores times dos estaduais, São Paulo, por exemplo, classificou seus sete primeiros colocados em 1981 para o torneio de 1982, e quatro para a Taça de Prata. Ou seja, o critério de classificação eram os estaduais também.

E, como diz o jornalista Odir Cunha, um dos grandes (talvez o maior) defensores da unificação, a CBF não "oficializa" os títulos anteriores a 1971, já que esses eram oficiais, pois os torneios eram organizados pela antiga Confederação Brasileira de Desportos, a CBD, responsável pelo futebol tupiniquim antes da entidade dirigida por Ricardo Teixeira. Ou seja, ninguém está inventando a roda, só reconhecendo que ela existia. E girava bonita a danada...



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16 comentários:

mauro silva disse...

Caros
Essa abolição do passado pré-71 foi coisa da ditadura militar do Médici e similares: uma forma de apagar do imaginário nacional as décadas de 50 e 60 quando o país deu uma guinada e o futebol, principalmente o Santos, se destacaram.
Ora: pode-se dizer, sem maiores traumas, que o Santos F.C. foi o primeiro time de futebol com prestígio intercontinental da história e isso não se apaga pelo ato de um general golpista.
saravá!

Paulo disse...

Etonces o FLU é TRICAMPEÃO.

ou vai dizer que não.

Marcio-SJP disse...

O Mauro respondeu em partes o que eu iria comentar.

A questão não é reconhecer HOJE e sim porque NÃO foi reconhecido na ÉPOCA?
Ou foi reconhecido (e como disse o Mauro) FOI ESQUECIDO?

Marcão disse...

Por mim, acho justo que campeonatos que na época eram os únicos a dar acesso à Libertadores sejam considerados como nacionais. Porém, se o raciocínio for este os campeoões da Copa do Brasil terão direito, um dia, de reivindicar que seus títulos tenham o mesmo status.

Glauco disse...

Não, Marcão, esse é um critério e outros estão no post. Mas atente ao que você mesmo falou: na época eram os únicos a dar acesso à Libertadores. Ou seja, não havia outro meio. Definitivamente não é o caso da Copa do Brasil.

Mauro Silva disse...

discordo totalmente desse raciocínio do Marcão.
Totalmente!
Na década de 60, só os campeões nacionais disputavam a Libertadores.
A "Taça Brasil" era disputada pelos campeões estaduais a o campeão dela disputava a Libertadores.
E mais: hoje, a Copa do Brasil é disputada pelos clubes que NÃO disputam a Libertadores no ano.
Ou seja, é muito diferente.

Marcão disse...

Não entendi. Quer dizer que a Copa do Brasil não classifica pra Libertadores? Então, se classifica, é o mesmo caso da Taça Brasil, do Robertão e do Brasileiro instituído em 1971.

Glauco disse...

Os argumentos em prol do reconhecimento dos torneios nacionais disputados antes de 1971 não se resumem apenas ao fato de que eles davam vaga para a Libertadores. Mas, falando de Libertadores, a Taça Brasil era o ÚNICO meio de se chegar à Libertadores. A Copa do Brasil é UM DOS meios.

Além disso, a Taça Brasil era (exceção feita ao ano de 1968) a ÚNICA competição nacional do país. Coisa que a Copa do Brasil nunca foi e nunca vai ser.

Marcão disse...

Olhando o vídeo com mais atenção é que percebi que o terceiro gol do Santos, no jogo de ida contra o Vasco, quando Pelé ajeita para Dorval marcar, é um lance quase idêntico ao que o Rei faria cinco anos depois no México, no quarto gol contra a Itália, quando ajeitou para Carlos Alberto Torres. Intuição nata.

Renato K. disse...

Nadaver com o tópico, mas ... MAZEEEEMMMMBEEEEE !!!!

Leandro disse...

Reconhecimento merecido.
E que sirva de lição à dona FIFA para que seja reconhecido o bicampeonato mundial do Corinthians, já que segue pendente a chancela ao primeiro título, conquistado em 1949.

Leandro disse...

Digo: conquistado em 1953, na Venezuela.
E o grande Chávez bem que poderia, até em consideração à amizade com o presidente Lula, e sobretudo por suas concepções populares e revolucionárias, tomar alguma medida que desse mais força ao debate perante a FIFA.
O grande problema é que, a exemplo de Fidel, o presidente vizinho parece gostar mais do nauseante beisebol, sem contar que a mídia gorda já desce o porrete gratuitamente no time sem este ingrediente bolivariano. Imagine se ele entra na parada...

Nicolau disse...

E o Palmeiras foi campeão brasileiro duas vezes no mesmo ano, em 1967, quando levou Taça Brasil e Robertão. E Santos e Palmeiras desistiram de ser campeões brasileiros em 1968, quando abandonaram a Taça Brasil. Que os torneios todos eram campeonatos nacionais, tudo bem, mesmo com as limitações de formato e participação de cada época (o Santos jogu 24 partidas para ser penta da Taça Brasil nos anos 60). A Copa do brasil também é um título nacional. Mas não acho tão óbvio assim chamá-los de Campeonato Brasileiro. O que não tiraria mérito nenhum dos times de Santos e Palmeiras que dominaram suas épocas.

Nicolau disse...

E essa aqui, como fica?
http://blogdomenon.blogspot.com/2010/12/portuguesa-bicampea-luis-iauca-diretor.html

Glauco disse...

Nivaldo, o Corinthians também foi campeão mundial no mesmo ano que o Boca. Quanto aos títulos da Portuguesa, ótimo se Rio-SP valessem também, assim o Santos seria líder isolado em Brasileiros, hehe.

Anônimo disse...

engraçado não é tanto o palmeiras ter ficado com dois títulos no mesmo ano.é permancer a distorção de ter dois times como mesmo título no mesmo ano,caso de flamengo e sport em 1987.bom,isso ainda vai render muita discussão.