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terça-feira, março 22, 2011

E se o pessoal da redação também recebesse notas?

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Por Vitor Nuzzi

Arrisco dizer que a maioria dos boleiros não gosta de ver aquelas notas que saem nas páginas de esporte após as rodadas. Eles estão certos. Nota para atuação de jogador é a mesma coisa que avaliação de jurado para escola de samba no carnaval. O fulano dá 9.4 para a escola x, enquanto beltrano manda 8.8 para a mesma escola, no mesmo quesito. Quem pode explicar essa diferença de 0.6?

Para nota de jogadores, então, é pior. Um dá 9 e fala que o sujeito arrebentou e outro garante que o mesmo jogador pouco produziu (como se tivesse índice de produtividade em jogo de futebol) e dá 6. Isso quando a crítica dá a impressão que você viu outro jogo.

Chegou, então, a hora da vingança dos boleiros. Como diria Vandré, o cipó de aroeira de volta no lombo de quem mandou dar. É a vez de os jornalistas serem avaliados. E não adiantar chiar na coletiva!

Revisor: ficou tão preocupado com vírgula que deixou passar uma "paralisação" com z. Sem contar aquela concordância, a maioria "foram"... Foi mal. Nota 3.

Redator 1: como diria o poeta, abusou da regra 3. Tanto acostumou no recorta-e-cola que copiou um trecho inteiro escrito de um outro jogo. Merecia expulsão. Zero.

Redator 2: falou que o centroavante estava sumidão no jogo, mas sem ninguém pra tabelar e com três zagueiros em cima, queria o quê? Olha melhor na próxima. Nota 4.

Repórter 1: não prestou atenção no que rolava na entrevista e fez a mesmíssima pergunta que o colega havia feito dois minutos atrás. Pede pra sair! Nota 2.

Repórter 2: derrubou a pauta, perdeu as anotações, chegou atrasado... Já levou cartão amarelo e não se emenda. Quer ganhar o Troféu Balada? Nota 1.

Repórter 3: não quis passar informação pro colega? Passa a bola, fominha! Nota 4.

Comentarista 1: treino é treino, jogo é jogo. Futebol é caixinha de surpresas. Não tem mais time bobo no futebol. Nem ouvinte, que não aguenta mais ouvir chavão. Hora de reciclar. Nota 5.

Comentarista 2: o time A dominava até os 15 minutos, quando sofreu o gol e se desestruturou. Ou: o time B insistia no jogo aéreo... Ou ainda: o time C precisa justificar o favoritismo em campo. Fala sério, quantas vezes você já ouviu isso? Troca o disco. Nota 5.

Editor: trocou uma palavra-chave na matéria especial e cortou a matéria pelo joelho. Para arrematar, pôs um título nada-a-ver. A galera vaiou na arquibancada. Nota 4.

Arte/foto: trocou as fotos, as legendas... Reclamou da fotografia, que reclamou da arte, que reclamou do técnico. O time se perdeu em campo. Nota 2.


* Vitor Nuzzi gosta de futebol em qualquer época. Pôs os pés num estádio pela primeira vez aos 10 anos (tem 45) e não pretende tirá-los tão cedo, façam o que fizerem com a pobre bola. A sua seleção do São Paulo que viu jogar é Rogério; Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereyra e Serginho; Chicão, Cafu, Raí e Pedro Rocha; Careca e Serginho Chulapa.

5 comentários:

Maurício Ayer disse...

O Brasil pentacampeão no futebol que lugar ficaria numa copa de imprensa?

Sem querer defender a classe, mas o que mais acontece nos esquemas táticos das redações hoje em dia é que o revisor sequer é escalado. É assim na Folha, deve ser no Estadão tb, haja vista a quantidade de erros que sai diariamente. O revisor deixou de ser um auditor da qualidade do texto para virar um "solucionador de dúvidas".

Nicolau disse...

O revisor não tem espaço nas redações modernas, Maurício, rs.
Sobre as notas, uma coisa que sempre me chama a atenção é que o sujeito que faz um gol automaticamente sobe uns dois pontos. Não importa se é um zagueiro e pelo lado dele sairam as principais jogadas do adversário. Os jogadores do time vencedor também em geral levam um bônus coletivo, mesmo que tenha sido aquele 1 a 0 chorado.

Glauco disse...

As notas dos jornalistas esportivos, em geral, levam em conta muito o "embate corpo a corpo" dos atletas. Ou seja, se o lateral era pra estar na direita mas não estava, falhou a cobertura do volante, mas é o zagueiro quem toma o drible desconcertante, em geral só ele é quem leva a culpa (e a nota baixa). Mundo injusto esse das notas, os professores da rede pública de São Paulo que o digam.

Guilherme Scalzilli disse...

Bolada

Na segunda-feira o mundo futebolístico presenciou uma divertida gafe jornalística, que propicia boa reflexão sobre a cobertura esportiva dos grandes veículos. Eram cerca de 16 horas quando assessores do Fluminense anunciaram que o técnico Gilson Kleina deixaria a Ponte Preta e assumiria o time carioca. No início da noite, porém, depois de uma longa reunião com a diretoria alvinegra, Kleina avisou que ficaria.
Redes de televisão (Bandeirantes, Record, Globo), jornais (Lance, Gazeta Esportiva, Globo), a rádio CBN, portais informativos (Terra, ESPN) e comentaristas famosos (Renato Maurício Prado, Milton Neves, Sidney Rezende) caíram na mentira e passaram a vergonha de fazer ridículas correções para um engano que poderia ter sido evitado com um simples telefonema.
O episódio evidencia a arrogância dessa crônica bairrista que ajuda a CBF e o Clube dos 13 a dizimar os clubes do interior. Todos acreditaram na lorota porque não lhes parecia razoável que a gloriosa Macaquinha fosse mais atraente para um técnico promissor do que o “grande” cheio de privilégios e bafos midiáticos. Se envolvesse qualquer time de capital, teriam realizado pelo menos uma checagem rudimentar.
Bem feito.

http://guilhermescalzilli.blogspot.com/

Anselmo disse...

mto bom.

mas achei que os comentaristas foram poupados. será que rolou uma proteção aos maiores salários da folha de pagamento? quer dizer, repórteres e revisor não tiveram perdão. os chavões saíram até barato. Seria como aliviar pro camisa 10-mercenário, só pq ele é o suposto craque do time?

piadas à parte, sobre os critérios, o nivaldo apontou bem o que parece ser um. mas só um. o resto é bem estranho mesmo.