Destaques

quarta-feira, abril 16, 2014

Projeto principal da oposição: contra os trabalhadores

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Armínio e Aécio: pelo mínimo mais mínimo
"O salário mínimo está muito alto." A afirmação do economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (nos tempos bicudos de FHC) e escolhido pelo candidato tucano à presidente Aécio Neves como seu futuro ministro da Fazenda, não chega a surpreender. Fora o fato de que fornece uma oportuna lenha para a imprensa queimar e jogar fumaça sobre a notícia de que o governo federal projeta valor de R$ 780 para o mínimo a partir de 2015, um aumento nada desprezível de 7,7% sobre os R$ 724 atuais, a declaração apenas corrobora o único projeto nítido, coeso e concreto da oposição brasileira: desmerecer, desacreditar e destruir toda e qualquer política voltada para os trabalhadores.

Campos e Jorge Bornhausen: a 'nova política'
Mês passado, o outro candidato de oposição, Eduardo Campos (PSB), já havia soltado - despudoradamente - outra pérola que faz côro com o economista preferido de Aécio Neves: "Não tem mais como crescer pela quantidade [de trabalhadores] no mercado de trabalho." Traduzindo: para Campos, parceiro de Marina Silva, o Brasil não pode basear seu crescimento econômico na geração de emprego (e renda). Detalhe: o absurdo mereceu o aplauso de alguns dos mais significativos "escudeiros" de sua campanha, gente do naipe do ultra-reacionário PFL-DEM Jorge Bornhausen, do "cristão novo" Heráclito Fortes e do tucanaço Pimenta da Veiga. Resumo da "nova política" anunciada pelos novos "salvadores da Pátria" Eduardo e Marina...

Aécio e Merval: convergentes
Ano passado, o camarada Glauco chamou a atenção, aqui neste blog, para o discurso do Merval Pereira, um dos baluartes do conservadorismo na mídia nacional, a respeito das manifestações das centrais sindicais durante os protestos de rua de junho (o grifo é nosso): "As reivindicações eram coisas muito específicas da classe trabalhadora." "Ou seja", concluiu o Glauco, "como o trabalhador, pelo silogismo mervaliano, não é 'povo', suas bandeiras não interessam ao resto da sociedade". Exato. Merval é símbolo da imprensa elitista que critica diuturnamente políticas como a progressiva valorização do salário mínimo (acertada por Lula com as centrais, em 2007) e a permanente geração de postos formais de emprego.

José Serra e Maria Helena de Castro
É um discurso que agora tem convergência entre os candidatos de oposição Aécio Neves (via Armínio Fraga) e Eduardo Campos, mas que é recorrente entre políticos e gestões conservadoras. Em 2007, o mesmo camarada Glauco reproduziu, no sarcástico post "Ganhar pouco é bom para o trabalhador", a estapafúrdia declaração da então secretária estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, de que "não há uma relação direta entre salário e qualidade do ensino" - para "justificar" a mixaria paga pelo então governador José Serra aos professores (situação que se agravou decisivamente nas gestões do PSDB, com Mário Covas, Geraldo Alckmin e o próprio Serra). O trabalhador sempre ficou ostensivamente em último plano.

Pois é. Não é a toa que um certo partido apanhe tanto, desde quando surgiu, por se denominar "dos trabalhadores". Essa é, talvez, a bandeira mais ofensiva e perigosa para a classe dominante brasileira. E não foi a toa que a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tenha afirmado recentemente, durante um evento em Porto Alegre: "Jamais enfrentamos a crise à custa do trabalhador." O "recado" confirma que o discurso, ou melhor, o projeto maior da oposição, é mesmo o de conter, castrar e "enquadrar" a classe trabalhadora. Seja afirmando que "o salário mínimo está muito alto" ou que o crescimento econômico não pode se basear na geração de empregos. Se você é trabalhador, já entendeu o que está em jogo.

3 comentários:

Thalita disse...

pô, ele falou isso? É mto burro mesmo! Sério, não tô crendo! Não é o Bolsa Família (apenas), estúpido, é o aumento do ganho real que TODO MUNDO teve nos últimos anos. Essa é a política que nenhum governo vai mexer se quiser continuar no poder. Valorização do salário mínimo é o que mantém o PT onde está.
Eu devo estar perdendo alguma coisa nesse cenário, pq eu realmente não entendo uma afirmação dessas em período pré-eleitoral...

Anônimo disse...

enfim já que ninguém está entendendo nada mesmo marcão, eu acho que vc podia entrar em contato com meu professor na UNISA, do curso de jornalismo, antes fiz lá também publicidade e pode te dar total orientação neste trabalho em que você está,ele trabalha na TV Cãmara se quiser ir lá pessoalmente, dizer que eu falei dele, ok. mas se quiser sair, do trampo precisamos conversar primeiro. Tenho uma dica quente,mas que tem a ver com TV cultura essas coisas, e estou fazendo umas coisihas bem legais, se quiser me dar uma forçca, vem em boa hora. lembra aquela padoca, costumo tomar cerveja lá de domingo, com os artesãos. Pinta lá. ou então manda e-mail: jornalismoeutopia@gmail.com

valeu!

Marcos Futepoca disse...

Oito meses depois desse post, ainda curtindo o alívio pelo resultado das eleições, foi com grande satisfação que percebi o cutucão que a presidenta Dilma Rousseff deu, em seu discurso de posse, naqueles que, como Armínio Fraga e Aécio Neves, lutam prioritariamente contra a classe trabalhadora (o Caps Lock é nosso):

"Nunca tantos brasileiros ascenderam às classes médias. Nunca tantos brasileiros conquistaram tantos empregos com carteira assinada. NUNCA O SALÁRIO MÍNIMO E OS DEMAIS SALÁRIOS SE VALORIZARAM POR TANTO TEMPO E COM TANTO VIGOR."

É nóis!