Destaques

quinta-feira, abril 08, 2010

Por candidatura, Ciro Gomes apela ao futebol e às metáforas

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Preocupado com a movimentação de lideranças do PSB para por freio sua pré-candidatura à Presidência da República, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) lançou mão do futebol para convencer seus pares. Em artigo publicado em seu site, na quarta-feira, 7, ele defende seu plano de concorrer ao Planalto, contrariando as intenções do PT e do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Lula, aliás, Ciro é só elogios. Tanto que aderiu às metáforas com a vida e com o ludopédio. "É o grande momento também para o PSB pensar grande e disputar um lugar entre os quatro principais partidos do país", avisa.

Ciro Gomes/Flickr
 Ciro nos bastidores do programa "Falando Francamente", produzido
pela representação do governador do Paraná em Brasília

Às comparações.

Com as fases da vida:
Como um adolescente que está se tornando adulto, é a hora de decidir se quer ser gente grande ou continuar pequeno, dependente de outros partidos, que, por mais aliados que sejam, não são o PSB.

É a hora em que se separam os homens dos meninos, as mocinhas das moças feitas. E o melhor é essa percepção de que o diferente não é igual.

Com uma multidão:
[É hora de] decidir se nos mostramos ao Brasil como uma força nova, coesa, com discurso afinado e gente decente disposta a melhorar o Brasil, ou se seremos apenas mais um dos partidos que se acotovelam em alianças pautadas pela mera distribuição de cargos e favores.

A afirmação vai ao encontro das críticas à aliança com "frouxidão moral" entre PT e PMDB e a estratégia de dois candidatos da base governista. Nada de novo no conteúdo, só na forma.

Com futebol:
A tese que defendo é que time que não joga não forma torcida. Mesmo que tome de goleada. Está aí o exemplo no futebol. Equipes hoje grandes tiveram inícios medonhos. Times hoje consagrados tiveram fases terríveis, como Corinthians e Botafogo, que levaram 21 anos sem títulos, mas vendo a torcida crescer apaixonadamente. Já pensaram se o Corinthians em vez de insistir tivesse resolvido virar o time B do Palmeiras?
Já pensou? Nem pensar. Em tempo: o jejum de títulos do Corinthians durou de 1954 a 1977, 23 anos, portanto. O do Botafogo foi de 1968 a 1989, de Zagallo a Zagallo. E o Palmeiras B só foi criado em 2000. Sobre os inícios medonhos de times hoje grandes, é curioso que não haja exemplo. Ciro correria sérios riscos de danos eleitorais se apontasse os casos. O país assistiria ao surgimento de uma corrente de torcedores contra Ciro.

Com o PSDB:
Para quem acha isso [o crescimento do PSB] impossível, basta comparar o que era o PSDB quando elegeu Fernando Henrique Cardoso, em 1994, o que era o PT quando elegeu Lula em 2002 e o que é o PSB hoje. Vocês podem não acreditar, mas a experiência administrativa do PSB hoje é maior ou equivalente do que era a do PSDB em 1994 e do que a do PT em 2002. Hoje, o PSB tem quatro governadores de estado, 333 prefeitos - sendo dois de capitais importantes como Belo Horizonte e Curitiba, e dois ministros de Estado. O PT, em 2002, tinha quatro governadores, 187 prefeitos e nenhum ministro. O PSDB em 1994 tinha apenas um governador de estado, que por coincidência era eu, e 998 prefeitos.

Detalhe: Ciro Gomes renunciou ao cargo de governador em 1994 para substituir Rubes Ricupero, depois do episódio do "que é bom a gente mostra". Então, nem isso os tucanos tinham.

Com Lula:
Não acho que seja correto com o povo brasileiro reduzir o debate eleitoral a uma disputa entre a turma do Lula - na qual me incluo - e a turma do FHC. Os problemas do Brasil são muito maiores e mais profundos do que um simples duelo entre PT e PSDB. Se eles não quiserem debater o Brasil, o PSB o fará, apresentando um projeto de desenvolvimento para o pais. Acredito nos que insistem e isso me aproxima muito do Presidente Lula, um exemplo vivo e atual de que a persistência no final vence.

Ah, os exemplos vivos.

Com o Lula de novo:
Na minha opinião, mesmo que o Presidente Lula apoie abertamente essa grande brasileira que é a Dilma Rousseff, ninguém, nem mesmo ele do alto de sua justa popularidade, pode substituir o poder de escolha, que pertence ao povo brasileiro. E para que nosso povo possa escolher bem, é preciso que haja opções. Até porque, assim, o eleitor poderá até descobrir que existe alguém mais parecido com o próprio Lula do que a candidata que o Lula diz que é.

A referência é, modestamente, estendida também a Marina Silva (PV-AC), além do próprio Ciro. No caso da neoverde, é com a história de vida. Na do socialista, à persistência e a felicidade trazida "a meus conterrâneos" quando foi prefeito de Fortaleza e governador do Ceará.

7 comentários:

Marcão disse...

Ciro Gomes é uma incógnita. Não sei se tem um cálculo político que ignoramos ou se não tem nada e só blefa. Por que transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo? Por que o PSB exita em lançá-lo candidato, se está tão decidido? Não sei.

Quanto aos "inícios medonhos", o São Paulo dos primeiros três anos após a refundação (de 1936 a 1938) pode ser um exemplo. O time era mambembe, não tinha campo para treinar ou mandar jogos e nem lugar para se concentrar - um padre chegou a emprestar algumas vezes a torre da igreja da Consolação.

No Paulistão, era considerado time pequeno, no mesmo nível (ou mesmo abaixo, por ser recém-fundado) de Nacional e Juventus. Ficava sempre em 8º ou 9º lugar na classificação final. Foi então que o Estudantes, da Mooca, treinado pelo jovem Vicente Feola e que jogava no campo da cervejaria Antarctica, entrou em crise financeira e topou se fundir com o São Paulo, permanecendo o nome deste.

Já no primeiro campeonato o time disputou o título com o Corinthians, que foi campeão com um gol de mão. Mas o São Paulo só conquistou o status de "time grande" após a contratação dos "veteranos" Leônidas e Sastre, na década de 1940, quando ganhou cinco títulos paulistas e o apelido de "rolo compressor".

Anônimo disse...

futebol, política e metáforas?

Nicolau disse...

Talvez Ciro tenha razão em seu argumento da persistência" e deva manter sua candidatura. Mas com o grau de desidratação alcançado em termos de alianças, fica difícil imaginar alguma chance de sucesso.
Sobre a fila do Corinthians, volta e meia passa pela minha cabeça uma questão matemática. O Timão ganhou o campeonato de 54 e o de 77, certo? Logo, ficou sem ganhar campeonatos de 55 a 76. Logo, 21 anos. Não é um questionamento da fila, seja 23 ou 21, a tristeza para quem viveu a época foi a mesma e a marca está lá e do mesmo tamanho para quem não viveu. É um questionamento das contas que definem todas as filas, hehe.

Glauco disse...

O Ciro está mal de comparação boleira, Corinthians e Botafogo já eram grandes quando entraram na fila, status que o PSB ainda não alcançou como partido. Por todo esse discurso interno e levando em conta sua argumentação de que uma candidatura à presidência fortaleceria o partido, pode-se supor que ele não quis ser candidato em São Paulo, entre outras justificativas, para não tornar mais forte o PSB paulista, que clamava pela sua candidatura.

Olavo Soares disse...

É estranho também o Ciro falando tanto sobre o "partido", sendo que a (eventual) candidatura dele é muito mais individual do que partidária. Não cola, não combina com ele esse discurso.

Marcio-SJP disse...

Isso me faz lembrar de quando Luiza Erundina ganhou para prefeito de SP.
Ninguem à conhecia, não tinha pontuação no IBOPE, etc...

Mas por conta de uma campanha cheia de acusações entre Maluf e um outro candidato que estava em 2º lugar (não lembro o nome)...aconteceu o que ninguem imaginava, Erundina na cabeça.

Se Dilma e Serra continuarem se degladiando, o feito pode se repetir com Ciro.

E eu já antecipo, meu voto sera em Ciro.

abraços,

Nicolau disse...

Coisa parecida rolou também na eleição de São Paulo, em 2008, com o Kassab. Mas o Democrata contava com apoio importante do Serra, que não pensou muito antes de rifar o candidato de seu partido...