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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Uma lei contra "estrangeiros" na seleção

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O futebol é o que interessa, ensinou o escritor uruguaio Eduardo Galeano, em uma das citações preferidas de três entre oito autores do Futepoca. Assim, ninguém pode dizer que o Congresso Nacional, cujos trabalhos durante a 54ª legislatura foram iniciados nesta quarta-feira, 2, esteja alheio aos problemas nacionais.

Tema de acaloradas mesas quadradas – normalmente de plástico ou de metal – nos botecos do Brasil, a presença entre os convocados para a seleção de jogadores que atuam no exterior é polêmica recorrente. Lembro-me de participar de uma dessas na Eliminatória de 1990. Depois, o mesmo aconteceu em todos os mundiais seguintes, até mesmo em 2002, quando o time de Luiz Felipe Scolari teve apenas 10 "importados".

Os críticos alegam falta de compromisso com a camisa canarinho – com ou sem faixa horizontal verde –, uma roupagem mais elaborada para o tradicionalíssimo xingamento de "mercenário", proferido em estádios para quem quiser ouvir.

Foto: Xavier Marit/Getty Images
Kaká, um dos alvos da ira dos adeptos da "xenófobia"
apliacada à seleção brasileira

Cadê a proposta?

O deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO) ouviu o clamor de parte dos interlocutores da mesa do bar e propôs o que, no jargão do Legislativo, recebe a carinhosa alcunha de "contrabando". Na tramitação das medidas provisórias, é possível inserir emendas a leis variadas, que eventualmente tratam de medidas completamente diferentes daquelas discutidas pelo texto original.

Foto: Divulgação
Na medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em setembro do ano passado, altera-se o repasse de recursos para atletas atendidos pelo Bolsa-Atleta, além de se criar novas categorias, como o Atleta Pódio, por exemplo.

Arantes (foto), torcedor do Atlético-GO, disse ao Marca que pretende propor uma emenda que limitaria as vagas para quem atua no exterior a 20% dos convocados.

Dos 23 convocados de uma Copa do Mundo, 4,4 poderiam jogar no estrangeiro. Como não se pode convocar 0,4 de jogador, resta saber se o arredondamento seria para baixo ou para cinco

"Quando chega a Copa, 20, 21 convocados atuam em times estrangeiros. Aí, quando ganha, vem para o Brasil desfilar. Quando perde, fica lá, envergonhado. Não tem identidade com a seleção. Não tem comprometimento com os clubes ou os torcedores brasileiros", critica. Arantes calcula que a mudança poderia incentivar a repatriação de jogadores.

O parlamentar acredita que a medida não comprometeria a qualidade do escreve canarinho por considerar que existem, "no máximo", quatro nomes capazes de comer a bola que exibam seu talento longe do relvado tupiniquim. "Aí você pretere um Rogério Ceni, que está há anos jogando no São Paulo e é um dos melhores do mundo, e não é convocado", exemplifica Arantes, sem muita felicidade na escolha.

Projeção de debate

Ninguém especula sobre as possibilidades de a emenda ser votada e ainda menos sobre o que sairia dos resultados de uma eventual discussão pelos excelentíssimos parlamentares. O que com certeza seria um debate profícuo seria pôr os nobres congressistas para escalar a seleção – de preferência no bar do plenário. Dá para imaginar o calor do debate:

– (...) Já não se fazem mais pontas como o saudoso Esquerdinha...
– Um aparte, excelência. Hoje em dia, no futebol moderno, sequer é empregado o ponta-esquerda no estilo clássico... Vossa excelência não entende patavina do ludopédio nacional.
– Vossa excelência me respeite!

Faria um sucesso na TV Câmara.

Escalação

E aí, alguém se arrisca a montar um time só com 20% de jogadores "estrangeiros".

10 comentários:

Dárcio Vieira disse...

Posso dar uma opinião? No mínimo ridícula a proposta. Como controlar isso? como determinar essa cota? Vale para o basquete, vôlei, tênis, handebol?

Marcio-SJP disse...

Se não estou enganado, no Futebol de Salão era assim ou ainda é, não sei ao certo.
Mas acho que um numero entre 10-12 estrangeiros seria muito bom para o Futebol Nacional.

Seria um ótimo incentivo aqueles que jogam nosso Brasileirão!

Reduziria um pouco aquelas maravilhosas tranferências para o Usebequistão, Turqui e demais paises sem tradição, mas com $$$$.

abraços,
Marcio

Nicolau disse...

Vamos lá:

Victor
Fabio
Rogério Ceni

*Maicon
Leo Moura
Roberto Carlos (no segundo semestre)
*André Santos

Miranda
Alex Silva
Chicão
*Thiago Silva

Arouca
Jucilei
Diguinho

Ganso
Douglas
*Kaká
Elano

Ronaldinho Gaúcho
Neymar
Fredi
Diego Tardelli
Kleber

Até que não fica tão mal. E ainda cabe mais um estrangeiro. Robinho no lugar de Kleber ou alguém no lugar de Diguinho - Elias, Ramires ou Hernanes. Agora podem bater a vontade, rs.

Anselmo disse...

um time melhor no papel do que em uma eventual (embora improvável) prática, diria eu.

Mas eu não faria melhor. Eu não gastaria uma das vagas com o Kaká, mas com algum zagueiro, provavelmente o David Luiz.

Mas nao lembrei de outro meia pra chamar no lugar dele.

Nicolau disse...

Acho que até rola, rapaz. O time titular poderia ser Victor; Maicon, David Luiz, Thiago Silva e André Santos; Arouca, Jucilei e Ganso; Neymar, Fredi e Robinho. Se quiser aplicar a regra dos 20% nos 11 principais, fica bem mais complicado.

Sartorato disse...

Concordo plenamente com o projeto. E acho que a seleção supracitada não teria feito o papelão de 2010.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Mesmo times europeus tem cotas para jogadores de fora da UE com o objetivo de promover o esporte no país e ter seleções competitivas... Seria interessante e, de fato, poderia ajudar a melhorar o nível do futebol aqui dentro e evitar fuga de jogadores...

Aos jogadores caberia decidir se preferem só a grana ou jogar pela selação...

Leandro disse...

Totalmente apoiado o projeto.
E vou até mais longe: Tinha que ser como em Cuba, com todo mundo jogando aqui, e ponto.

Anônimo disse...

Patético! Isso aí é palhaçada das grandes, assim como cotas raciais! Pô, quer dizer que não precisa ter qualidade no jogo, basta jogar no ASA de Arapiraca que o cara já pode ser chamado no lugar do craque que joga lá fora? Tinha que ser essa Mulla da Silva pra assinar essa lei ridícula! O que precisava é de punição séria para esses vagabundos que roubam os clubes e ainda são eleitos!!! E tem manpe que cita Cú BA como exemplo? O que essa ilha já ganhou em termos de futebol ou mesmo em Direitos humanos? Vai estudar bacuri!

Leandro disse...

"Corajoso" Anônimo (que de tão corajoso, nem se identifica), para sua informação, Cuba não ganhou nada no futebol até hoje porque é o 4º ou 5º esporte por lá. Se fosse o primeiro...
Creio que nem preciso falar do que ganhou e tem ganhado em diversas modalidades nos PANs (desde quando eles valiam alguma coisa e os melhores atletas disputavam) ou nos Jogos Olímpicos.
Sobre Direitos Humanos, creio que sua indignação e sua aguerrida defesa deles não seja a mesma quando se fala na estadunidense base de Guantánamo, ou em Abu Ghraib, ou quando se fala no apoio ianque aos atuais ditadores do Egito e da Arábia Saudita, ou ainda, em invasões ilegítimas como as do Iraque e do Afeganistão, do próprio embargo a Cuba, etc, etc, etc...
Sugiro que procure se informar melhor antes de postar qualquer bobagem, ainda que sob o manto do anonimato que ajuda a esconder sua estupidez.