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quinta-feira, abril 28, 2011

Sempre ele

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Jogando pro gasto e economizando forças para o duelo de sábado contra o Santos, o São Paulo venceu o Goiás novamente pelo magro placar de 1 a 0, ontem, no Morumbi, e passou para a próxima fase da Copa do Brasil. O gol, assim como na primeira partida, em Goiânia, foi marcado por Dagoberto. Sempre ele!

Muito criticado em suas primeiras temporadas no clube (apesar de ter sido titular e com participações importantes nos títulos brasileiros de 2007 e 2008), o atacante vive, de longe, sua melhor fase em quatro anos jogando pelo São Paulo. Desde o final do Campeonato Brasileiro do ano passado, tem sido fundamental.

Além de marcar um gol atrás do outro, fato incomum em sua passagem pelo Tricolor, ele ainda é um dos que mais dá assistências, que se desloca para puxar a marcação, que se movimenta em campo e que, acima de tudo, mostra aos companheiros que quer a vitória a todo custo. Não enrola, não some, não reclama. O oposto do que era antes.

E por que? Outro dia li, no tablóide Lance!, um texto interessante de Vitor Birner, em defesa do treinador Paulo César Carpegiani. Apesar de não ser nenhum "supertécnico" ou sonho de consumo de qualquer torcida, é inegável que ele mudou o São Paulo da água pro vinho (oba!). Nisso, concordo com Birner.

Dagoberto é um dos melhores exemplos dessa transformação (o surpreendente Carlinhos Paraíba é outro deles). O sãopaulino que assistiu a primeira partida contra o Internacional, em Porto Alegre, pela Libertadores do ano passado, ficou com vontade de surrar o time todo, mas especialmente Dagoberto. Jogou sem nenhuma vontade.

Prova de maturidade
O que ocorreu de lá pra cá? Ricardo Gomes, o homem errado na hora e no lugar errados, caiu. Sérgio Baresi segurou a bomba interinamente e nunca conseguiu ter autoridade sobre o elenco (mas teve o mérito de efetivar garotos como Lucas e Casemiro). Daí chegou Carpegiani. Que encrencou com Dagoberto logo de saída.

Quando o técnico chamou o atacante de "bobalhão" à beira do campo e em seguida disse em coletiva que não ia segurar o jogador se alguém quisesse comprá-lo, imaginei que Dagoberto ia sair no dia seguinte. Ou, então, bater boca com o técnico pela imprensa e ficar exilado no elenco, sem jogar. Mas não.

Ele só pediu perdão e disse que ia se empenhar mais. E fez justamente isso! Incrível como, em meio a tanta imaturidade de marmanjos boleiros, Dagoberto se tocou que sua carreira tinha chegado na bifurcação entre criar confusão e começar o declínio (como Carlos Alberto ou Adriano) e baixar a crista e jogar bola.

Para sorte dos sãopaulinos, de Carpegiani e do próprio Dagoberto, ele baixou a crista e, enfim, decidiu jogar a bola que - com toda a modéstia e limitação - sabe jogar. Esse time ainda não está afinado e, obviamente, bem longe daquele blablabla de "melhor elenco", "sempre forte", "favorito" etc etc.

Mas, perto da sonolência, displiscência, desinteresse e ausência de tudo de 2010, e pelo o que Carpegiani, Dagoberto, Carlinhos Paraíba e Rhodolfo vem fazendo, entre outros, a torcida tem muito o que agradecer. Mesmo se não conquistar troféu algum, a postura já é outra, totalmente diferente. Vai, São Paulo!

4 comentários:

Edu Maretti disse...


Muito bom post, Marcão. Só discordo da frase final, a que acaba em ponto de exclamação - hehe. Mas o que você fala de Dagoberto tem a ver. A recuperação dele, diga-se, já vem do ano passado. No São Paulo 4 x 3 Santos no segundo turno do Brasileiro, ele acabou com o jogo.

E sábado tem San-São no Morumbi. Mas justo agora, que as quartas da Libertadores e da Copa do Brasil tão aí?

De qualquer maneira, eu cansei de assistir esse clássico no Morumbi, felizmente de lembranças boas pra mim, santista. Acho sinceramente até uma pena que o estádio quase não abrigue mais clássicos. Era bonito ele lotado.

Quando moleque, acabado o jogo, eu ia às vezes a pé do estádio até a rua Joaquim Nabuco ou mesmo a av. Washington Luiz. Bons tempos aqueles!

Marcão disse...

Jogaço aqueles 4 a 3, tomara que amanhã tenha metade das emoções daquela partida.

Pra mim, sem Lucas e (provavelmente) sem Rhodolfo (que marcaria Neymar, o imarcável), o São Paulo só terá alguma chance se cair um pé d'água no Morumbi. Miranda e Alex Silva se ressentem de contusão, Juan não atravessa bom momento na lateral esquerda e, na frente, a esperança é só Dagoberto, visto que, em clássicos, Ilsinho e Marlos costumam sumir.

Mas, em mata-mata de partida única, tudo pode acontecer (até disputa por pênaltis). Vamos a mais esse grande jogo. Abraço, Edu!

Edu Maretti disse...


Mas talvez o SPFC se livre de ter que marcar "o imarcável". O Muricy pode não colocar em campo alguns titulares como Neymar, Ganso e Elano contra o SPFC. Deixou isso no ar na coletiva hoje de manhã:

“Os exames acusaram um nível alto de cansaço (...) é uma coisa que preocupa muito, e por isso não dá para afirmar o que vamos fazer. Temos que esperar até a hora do jogo mesmo”. E ainda: "Não é só o Elano que preocupa. É que acredito muito nos exames, e tem três ou quatro que acusam grau de cansaço maior que o dos outros (...) Não pensem que os atletas jovens também não têm problema de recuperação".

Thalita disse...

Não tenho visto muitos jogos do São Paulo, mas concordo que o Carlinhos Paraíba surpreende. Perdi a conta de quantas bolas ele roubou. Já o Dagoberto melhorou, mas continua fominha, na minha opinião.
Agora, Marlos some em clássico? Fala sério, quando é que ele aparece???
E o Ilsinho tem sido decisivo, tomara que seja outra vez