Destaques

quinta-feira, julho 28, 2011

Santos 4 X 5 Flamengo - Obra-prima de Neymar e atuação de gala de R. Gaúcho

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Nove gols, inúmeros dribles – alguns dos mais originais e desconcertantes –, lances inesperados, pênalti com cavadinha desperdiçado, uma ou outra boa defesa de goleiro... Esse Santos e Flamengo não só pelo resultado elástico foi histórico, mas também pelo que se pôde ver dentro de campo. E, apesar da derrota santista, o torcedor ao menos viu o tento mais bonito da temporada feito por Neymar: poucas vezes se viu tão vasto repertório em uma jogada de gol e, comedimento às favas, nunca vi Messi dar o(s) tipo(s) de drible(s) dado pelo gênio peixeiro no terceiro do Santos de ontem.

Mas Neymar não era o único gênio em campo. Ronaldinho Gaúcho resolveu ser decisivo e, mesmo que menos vistoso, seu futebol foi fundamental para a vitória flamenguista. Mas cada craque estava em um time e foram os coadjuvantes (e os técnicos) determinantes também para o resultado.

Mesmo quando fez três a zero, o placar a favor do Alvinegro mostrava menos o jogo em si e mais o resultado da individualidade de Neymar. Sim, o Peixe tomou sufoco e, nesse meio tempo em que o placar foi construído, Ronaldinho teve duas chances (uma, numa bola mal recuada por Elano; noutra, em bola mal chutada por Pará) e Deivid perdeu uma chance inacreditável, sem goleiro. As laterais santistas eram exploradas ao máximo pelo avanço dos alas e meias do Flamengo, principalmente a esquerda, onde Ibson fazia mal a cobertura de Léo, entregue às feras como no primeiro tempo da semifinal do Santos com o São Paulo no Paulista.



Assim, dois gols rubro-negros saíram por ali, e, outro, em escanteio pela direita. Esse terceiro, do empate, poderia até não ter saído se Elano tivesse convertido o penâlti sofrido por Neymar quando a peleja ainda estava 3 a 2. Mas o meia, ao invés de mandar a bola pra galáxia como fez na seleção, resolveu dar uma cavadinha e tornou-se alvo da justa pilhéria do goleiro Felipe. Apesar do belo lançamento do primeiro gol e de um outro lançamento para Neymar no segundo tempo, Elano foi uma lástima na marcação, errou muitos passes e se mostrou bastante disperso na partida. Com a vinda de Henrique e o breve retorno de Adriano, é candidato a esquentar o banco.

Para a segunda etapa, esperava-se um jogo menos aberto. E foi o que aconteceu. Mas Neymar, logo no início, desempatou para o Santos. Luxemburgo já tinha tirada o zagueiro Wellinton, que tinha amarelo, e o reserva David Braz não parou o gênio peixeiro. Depois, seria Willians o marcador do onze alvinegro, medida acertada do treinador flamenguista. Já Muricy entregou a Edu Dracena a tarefa de marcar Ronaldinho Gaúcho. Se Adriano tivesse condições de jogo, talvez ele fizesse as vezes, mas um zagueiro marcando o craque adversário... Não deu certo mesmo. Essa foi uma das diferenças da partida, genialidades à parte: enquanto o flamenguista foi pouco marcado, pegando a bola com liberdade quando no meio de campo e enfrentando a marcação solitária de um zagueiro quando próximo à área, Neymar foi acompanhado de perto no segundo tempo pelo valoroso Willians (alô, Mano Menezes) e tendo sobra na marcação. Obviamente, o fôlego do santista também já não era o mesmo no segundo tempo.

Claro que essa preocupação defensiva do Flamengo sobre Neymar poderia abrir espaço para outros atletas santistas atacarem, mas não foi o que aconteceu, já que Ganso estava muito pouco inspirado e Elano e Ibson foram mal. Os avanços de Léo quase salvaram Neymar da solidão à frente, mas não foram suficientes. Muricy demorou demais a mexer e, quando o fez, já era tarde.



Em uma partida de lances brilhantes, ironicamente o lance decisivo saiu dos pés de um craque, mas não do modo que ele queria. O apagado Ganso perdeu uma bola boba no meio de campo que, pela disposição da equipe que se preparava para sair, não poderia jamais ter perdido. O Flamengo contra-atacou com superioridade numérica e fez o gol da virada. Dadas as circunstâncias da partida, ali o jogo havia acabado. Ótimo para o amante de futebol, excelente para os flamenguistas, e com um gosto amargo para os santistas, a partida atípica vai ficar na memória do torcedor. E, aos peixeiros, fica o consolo do épico gol de Neymar.

E a visão flamenguista aqui.

25 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

E para juntar-se às boas lembranças, este belo texto. Ao fim do jogo, aplaudi de pé. Agora, menos afoita, mas ainda comovida, agradeço o texto que me fez voltar à alegria de ontem.

Bender disse...

Jogão. Quem assistiu foi privilegiado.

Nicolau disse...

Jogaço, antológico. Time do Flamengo é muito bom, talvez o melhor do campeonato. Forte candidato ao título. E ainda vai entrar o Alex Silva na zaga...
O time do Santos também é muito bom, mas acho que tem problemas em mais posições. Tem que ver se não ficou tarde para brigar pelo Brasileiro. E golaço do Neymar.

Edu Maretti disse...

Golaço não, Nicolau. Golaaaaaaaaaaaaaaaaaaaçoooo. Gol de placa! Gol antológico!

Leandro disse...

E ainda tem gente que acha o máximo os campeonatos da Europa (com dois ou três times postulantes, se muito) e gasta os tubos com camisas oficiais caras para dar ainda mais dinheiro para os times deles, que levam os nossos melhores jogadores, bem como, aqueles nem tão bons assim.

Olavo Soares disse...

Pô, Leandro... que comentário nada a ver. Não se esqueça que pra cada Santos 4x5 Flamengo temos, infelizmente, 10 Avaí 0x0 Atlético-GO (ou coisa que o valha, é um exemplo hipotético).

O futebol brasileiro é sensacional, o europeu também, ambos proporcionam espetáculos ótimos. Essa dicotomia é bem das bobas, na minha opinião.

Moriti disse...

Tô com o Olavo nessa.

Bia disse...

Neymar é um gênio da bola, descoberto pelo cara que ensinou o Brasil e o Santos a vencer. Obrigada por mais essa, capitão Zito!!!
Me recusei a ver o lance chacota do Elano em respeito ao autor do gol mais importante da minha vida...rs

Leandro disse...

Olavo e Moriti,
Vocês se equivocam, e por conta de pensamentos assim os chatíssimos campeonatos da Europa continuam tento tato IBOPE e os nossos gênios (como Ronaldo Assis e Neymar) continuam indo tão cedo embora para jogar nos times da Europa.
Repilo este pensamento europocêntrico e subserviente.

Olavo Soares disse...

Legal é que você diz "vocês se equivocam" e não dá nenhum argumento para tal.

Depois ainda diz que meu pensamento é "europocêntrico e subserviente", sendo que eu elogiei o futebol nacional, e disse que os dois (brasileiro e europeu) podem gerar espetáculos ótimos.

Não sei se o que você precisa mais é aprender a interpretar textos ou a colocar seus preconceitos de lado - sim, você é preconceituoso e muito - na hora de analisar futebol...

Leandro disse...

Nem preciso de mais delongas quanto às razões.
As simples afirmações quanto ao pensamento europocêntrico e subserviente já são argumentos mais que claros e suficientes.
Creio que dificuldades naturais quanto à interpretação de meus comentários (e de textos em geral) geram esta dificuldade, que são aqui injustamente atribuídas a mim no intuito de se desviar a necessidade de prestar vassalagem aos campeonatos da Europa, como ficou bem claro desde a primeira resposta a mim endereçada.

Olavo Soares disse...

Resumindo: seu único argumento é o racismo e o preconceito.

Boa!

Leandro disse...

Em nenhum momento mencionei aqui questões raciais ou qualquer coisa neste contesto, o que torna também este comentário revelador de uma interpretação bastante equivocada, por erro crasso do intérprete ou propositadamente.
Meu argumento (mais que suficiente, diga-se) propõe um outro enfoque na questão do futebol no Brasil (poderia citar também campeonatos como o argentino e o mexicano) e os muitos e muito chatos campeonatos da Europa que a mídia insiste em tentar enfiar goela abaixo dos desavisados.
Mas creio que seja mesmo difícil compreender isso quando se está com a visão turva pela adoção do discurso imposto pelo opressor. Discurso este que faz a alegria de cartolas, empresários e clubes da Europa.

Glauco disse...

Nivaldo, o Santos não pôde contar com o Danilo (junto com o reserva Felipe Anderson, na seleção sub-20) que jogou boa parte do primeiro semestre no meio de campo e, na lateral-direita, seria um plus enorme em relação ao Pará. Adriano (que provavelmente marcaria R. Gaúcho) está contundido e Henrique ainda não tem condições de estrar. Mas pode ser tarde mesmo pro Brasileirão.

Bia, o lance do Elano foi patético mesmo, mas a vaia é normal. O problema é que desde a primeira passagem dele no Santos o cara tem problema pra assimilar. Dessa vez, até expôs publicamente a família pra se justificar. ele já devia estar um pouco mais maduro, né...

Maurício Ayer disse...

Arriscaria dizer que foi o melhor jogo do campeonato até o momento.

Olavo Soares disse...

Leandro, eu estava preparando uma resposta grande, cheia de argumentos e tal, mas acho que não seria legal ficar tomando conta da caixa de comentários do Futepoca com uma discussão tão babaca.

Então só direi uma coisa: esse teu discurso, ao invés de ajudar o Brasil, atrapalha. Autocrítica e respeitar o que vem de fora são coisas boas, sempre.

Leandro disse...

Não vejo babaquice na discussão, mas também não posso forçar ninguém a seguir confabulando a respeito de algo que não quer, do mesmo modo que não tem como colocar na cabeça de ninguém que para cada Avaí 0x0 América Mineiro temos também um Recreativo Huelva 0x0 Celta de Vigo, por exemplo.
De minha parte, só posso dizer que, para o bem do país, jamais aceitarei qualquer forma de colonialismo ou neocolonialismo, ainda que do imaginário, como bem alertou o Serge Gruzinski.

Maurício Ayer disse...

Não há dúvida que é uma obra prima do Neymar. Que gênio! E o Ganso, será o novo Diego???

Wagner Coelho disse...

Ótimo texto, parabéns! Realmente um jogo belíssimo. Forte abraço.

Moriti disse...

Leandro, parece que você não entendeu mesmo o espírito. Nem de longe, minha posição é colonialista. Contudo, tampouco é xenófoba.

Maurício Ayer disse...

Ô negada (digo, Leandro, Moriti e Olavo), vamos parar com essa bobagem. A cada resposta uma provocação! Passemos ao próximo tema, que tal? Abraços fraternos

Leandro disse...

Maurício, por falar em passar ao próximo tema, cadê as postagens sobre jogos do Corinthians, cada vez mais escassas de uns tempos p/ cá?

Moriti disse...

Tem razão, Maurício. Ao próximo tema.

Apesar da liderança e de alguns bom jogos no Brasileiro não acho o time do Corinthians que vem jogando bom.

Quando vi a escalação da defesa contra o Avaí, com Welder, Paulo André, Leandro Castán e Fábio Santos, pensei: "o Corinthians perde hoje".

Setor por setor, o que vocês acham do atual elenco?

Maurício Ayer disse...

Aí você me pegou no contrapé, Leandro, e com razão. Acontece que eu coordeno a comunicação do Festival de Campos do Jordão, que acabou faz duas semanas, então no primeiro semestre trabalho que nem um escravo, fim de semana, a média passa das 12 horas diárias fácil. Aí não consigo fazer nada. E o Nicolau também tá fazendo três turnos de trabalho, então, o Timão anda ficando sem teto.

Explicações à parte, vamos achar uma solução para manter a regularidade das postagens sobre o time mais importante do Brasil.

Abracos, Maurício

Leandro disse...

Desta vez por boas razões, o Corinthians ficou marginalizado também neste espaço, como costuma ocorrer em todos os setores da nada fácil vida corinthiana.
O alento é que neste caso as razões são imperativas e as causas são boas, tal qual a própria causa SCCP.
Então, fico na torcida por uma solução para manter a regularidade das postagens sobre o time mais importante do planeta, que infelizmente agora padece de problemas de elenco parecidos com os que ajudaram a tirar o título do ano passado.
O elenco realmente não é nenhuma Brastemp, e o bando de esforçados que conseguiu de acertar física e taticamente (noves fora Tite) sofreu baixas pesadas nas últimas partidas.
Queira Oxangô que seja por pouco tempo.