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quarta-feira, maio 01, 2013

Bayern pinta o sete contra o Barcelona e entristece a Globo

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Na maior emissora do país, uma torcida descarada no confronto entre duas equipes estrangeiras. Louvava-se o Barcelona, o locutor lamentava a derrota parcial, 1 a 0 àquela altura, por conta das “crianças que torcem” pelo time catalão, junto a um ex-jogador assumidamente "comentarista-torcedor", o ex-jogador Beletti. No segundo gol dos visitantes alemães, Galvão Bueno se entristece com o gol contra de Piqué, "que não merecia" fazer aquela jogada (sim, criamos o conceito de gol contra por mérito...).

Barcelona quase não saiu na foto
A Globo e parte da mídia esportiva brasileira chorou pelo Barcelona. No placar agregado, um 7 a 0 inapelável para o Bayern de Munique. Não foi aquele acaso que pode acontecer em uma partida única, onde o pior pode vencer ou o melhor goleia de forma inapelável, mas foram duas partidas nas quais os alemães foram superiores em quase todos os aspectos, dentro e fora de casa, com torcida a favor e contra. Na primeira peleja, o 4 a 0 foi quase uma bênção para os catalães que poderiam ter tomado seis ou sete.

Logo após aquela goleada, justificativas de todos os lados. Messi estava “baleado”. Sim, estava, mas vi comentarista dizendo que ele resolvia jogo “com uma perna só” por ter dado um passe para um jogador dar uma assistência para um gol na segunda partida contra o Paris Saint German (veja bem, um passe para um jogador dar uma assistência...). Em uma partida, aliás, que o Barcelona, em casa, jogou pior que o adversário, conseguindo se classificar com dois empates. Os catalães, antes, já tinham perdido a primeira partida do confronto contra o duvidoso Milan, que hoje pena no campeonato italiano para conseguir um terceiro lugar que o garantiria na Liga dos Campeões de 2013. Mesmo assim, teciam-se loas. Do outro lado, um adversário que chegou na final da Liga dos Campeões na temporada 2009/2010 e também no último campeonato.

E o pessoal corre para justificar a derrota catalã, em especial o vareio gigantesco da partida de Munique. Neste vídeo aqui, além de mencionar erros de arbitragem e desfalques como o do capitão Puyol e Mascherano (curiosamente, desfalques de rivais do Barcelona não são levados em conta quando perdem), o comentarista José Trajano faz uma analogia incrível ao dizer que, “mal comparando”, o Barcelona com Messi em condições precárias ou sem o argentino é igual ao Santos sem Neymar. Em parte, verdade, Messi provavelmente não teria sido suficiente para que o Barcelona se classificasse, mas tornaria o decantado time menos previsível e chato. Mas a comparação leva a outra reflexão. O Santos é um time coalhado de jogadores medianos, e por isso depende do Onze, além do fato de ter um padrão tático que muitas vezes varia entre o quase nada e o “joga no Neymar que ele resolve”. A diferença é que o atual Alvinegro não é considerado um dos maiores times de todos os tempos, sequer é um dos maiores da vasta história do Peixe.

Daí fica a questão: como os boleiros que idolatravam o Barcelona como um dos maiores da história agora insinuam uma “Messi-dependência”? Pode um esquadrão histórico depender de um jogador só? Lembrando de um grande da história, o Santos dos anos 60. Na melhor de três contra o Milan, em 1963, o Santos perdeu a partida de ida por 4 a 2. Na de volta, não pôde contar com Pelé (só) e sem o capitão Zito, além de Rildo. Mas Pepe resolveu a parada na volta contra um dos grandes esquadrões milaneses da História. Na partida-desempate, ainda sem Pelé e Zito, deu Santos de novo. Pelé também desfalcou a seleção em 1962, mas Garrincha e Amarildo deram conta do recado. E olha que aquele seleção está abaixo da de 1970 e, para muitos, aquém da 1958 também...

Em síntese, a nova desclassificação do Barça na Liga dos Campeões, desta feita com requintes inolvidáveis de crueldade, não apaga o que essa equipe já fez. Mas justamente aquilo que ele fez recentemente não deveria apagar o que outros grandes fizeram anteriormente, por mais deslumbrados que os comentaristas tenham ficado, perdendo um pouco do senso crítico e histórico. Um dos grandes de todos os tempos? Sim. Maior de todos os tempos? Não. A História é uma senhora que caminha a passos lentos, como diria Galeano, mas resolveu andar um pouco mais rápido.

E como é feriado e não é o caso de escrever mais, coloco aqui um trecho de um post do ano passado, quando o limitado Chelsea tirou os catalões da Liga com a clássica retranca dos mais fracos: “E se eu, mesmo reconhecendo que o Barcelona é um dos times mais competitivos da história, não for tão fã do futebol deles? Pode ser? E se eu achar que a troca quase infindável de passes às vezes é necessária, em outras pode ser interessante, mas muitas vezes faz o jogo ficar chato pra burro?” O pensamento único do futebol tomou mais um golpe.

Ah, sim. Gol do Bayern (não tem vídeo dos gols porque a Uefa caça todos no YouTube, veja aqui...).

6 comentários:

Anselmo disse...

Que Messi não desabroche na Copa. Que a Espanha de 2010 nunca seja superada como campeã com menor número de gols marcados. E que Mourinho receba mais críticas do que o Barcelona.

E que2014 seja mesmo a última copa do Galvão.

Leandro disse...

O problema é que já vejo pulando pela minha tela de TV programas esportivos com matérias relativas ao time alemão, mostrando como eles são em tudo lindos, organizados, cheirosos, bonitos, talentosos, vitaminados, poderosos, etc.
Sugerindo que a criançada brasileira que hoje torce para o Barcelona, o Santos, o Chelsea, o Corinthians ou o Flamengo deve pedir que seus pais vão correndo às lojas de materiais esportivo comprar camisas e/ou qualquer penduricalho alusivo ao Bayern.
A mídia colonizada sempre precisará de um "paradigma" de sei lá o quê.

Anônimo disse...

A Rede Judeu Globo sempre boicota tudo q eh alemao. O Sul nunca tem destaque por ter grande colonizaçao alemã.
Nao assisto globo faz tempo.

Anônimo disse...

Gostei dos seus comentarios cara, colocou em xeque a hipocrisia latente dos comentaristas do eixo rio-sp... cara, dá muita pena, ter que dizer que essa imprensa é "nacional". Não vejo a globo fazer analise tatica do flamengo do piaui, em rede nacional, é só corinthinas e flamerda

Edu Frasanto disse...

sinceramente assistir ao jogo sob a narração de galvão bueno,ouvindo comentários empolgados de casagrande,um centroavante trombador,que nunca teve o passe por maior qualidade,endeusando o time culé,que reteve a posse de bola o tempo todo,sem nunca ser realmente ofensivo,exceto com um chute fraco dum lateral destro improvisado na esquerda,foi uma experiencia definitiva; definitivamente esse esquema tático do barcelona sem um homem fixo na frente,sem poder de fogo no jogo aéreo e acima de tudo,sem peças de reposição no seu decantado meio de campo,que,aliás já carece duma renovação,já dava claras evidencias de que seria sobrepujado mais cedo ou mais tarde.o bayern deu um "nó tatico"?? o que aconteceu ao melhor jogador do mundo realmente? quando a sua equipe realmente precisou de sua "genialidade" ele "pipocou"?

Enrico Castro disse...

Guardadas as devidas proporções, vejo o mesmo acontecer com o Fluminense. O jogo não encaixa mais, e o time não é nem sombra do que foi nos últimos 3 anos.