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segunda-feira, junho 03, 2013

'Um, dois, três: o Guariba é freguês!'

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Outro dia falei aqui sobre a "ressurreição" do Clube Atlético Taquaritinga, time da minha cidade que teve seu auge entre 1983 e 1984, quando disputou a elite do futebol paulista e travou jogos memoráveis contra Palmeiras, Santos, São Paulo (incluindo a estreia profissional do atacante Muller, em 15/11/84) e Corinthians (vitória por 2 a 0 em 10/07/83, uma das maiores zebras da loteria esportiva). Foi a época em que o estádio Taquarão foi feito, uma obra sugerida pelo meu pai, Chico Palhares, que fez o projeto, marcou as estacas e trabalhou na construção, terminada em cima do prazo para  que o clube tivesse o direito de disputar da Primeira Divisão em 1983, pois a Federação Paulista exigia estádios com capacidade mínima para 15 mil torcedores.

Depois de se rebaixado em 1984, o CAT passou para a Divisão Intermediária, como se chamava a Segunda Divisão na época, e ali passou muitos anos, quase alcançando o retorno à elite do Paulistão em 1989 e 1992. Mas, como ocorreu com vários clubes tradicionais do interior de São Paulo nas últimas décadas (vide Guarani), que perderam fonte de renda e sustentação por inúmeros motivos, o Taquaritinga entrou em declínio. Nos anos 1990, chegou à Série B1-A (a extinta Quarta Divisão), conseguiu voltar à Série A-2 (a Segunda Divisão, na prática) mas, nos últimos três anos, a decadência foi incontrolável. Em 2010, foi rebaixado para a A-3 e, no ano seguinte, despencou para a Série B - um "buraco negro" que unificou a Quarta e a Quinta divisões do futebol paulista, com mais de 40 clubes e disputa semi-amadora.

Em 2012, estreando nessa que é a última divisão paulista, o Taquaritinga fez uma campanha horrível e chegou a ser considerado "o pior time do Estado de São Paulo". Ultimamente, o clube amargava o vexaminoso recorde de dois anos e três meses sem vencer uma partida sequer, desde março de 2011 (!). Mas agora, num esforço de vários abnegados da cidade, o time tenta um ressurgimento. Decidi ajudar. Eu não assistia um jogo do CAT desde 2009, quando fui ver uma derrota para o Juventus na Mooca, e um empate contra o União São João e mais uma derrota, dessa vez para o Monte Azul, ambos os jogos em pleno Taquarão. Por isso, neste feriado de Corpus Christi, comprei um kit com bolsa, camisa, boné, caneca, chaveiro e ingressos e levei meu pai, o desenhista do estádio, para ver CAT x Guariba. Comigo também estavam os amigos Marcelo Okada, Márcio Sala e Alexandre Varrone, que voluntariamente aderiram ao grupo que hoje comanda o clube.

E reforçando a torcida, que, com muito boa vontade, chegou a umas 100 "testemunhas", também estavam minha sobrinha Ana Helena, seu namorado, o "Dô", e seus irmãos Túlio e Bruno Milanezi. Este último levou à Taquaritinga o ex-jogador Lupércio, ídolo do CAT nos anos 1960, junto com o filho dele, Lupa, e a nora Vanessa. Todos, logicamente, também compareceram ao Taquarão. Pra completar, o pai da Ana, Túlio e Bruno, o meu cunhado "Beis" (Antonio José), que é oftalmologista, era o médico dentro do gramado (!!). Ou seja, tudo conspirava para a tão aguardada vitória, tanto que equipe da EPTV Ribeirão, retransmissora local da TV Globo, marcou presença. E não deu outra: CAT 3 x 1 Guariba, com direito à torcida gritando "olé" e "1, 2, 3: o guariba é freguês!".

Mas o melhor foi que registraram uma cena tradicional dos anos 1980 nas arquibancadas, o Chico Palhares, "pai" do Taquarão, soltando o grito: "Caaaaaattêêêêêêê....". Cliquem no link e confiram:

2 comentários:

Enrico Castro disse...

Me emocionei com a história. Lembra a da minha cidade, Itaguaí, interior do RJ, cujo time despencou até sumir do mapa. Muito boa a iniciativa!
Abcs!
Enrico.

Maurício Ayer disse...

Cara, até abri uma cerveja. Emocionante. Parabéns ao CAT, que seja o início de uma longa e consistente ascensão!