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segunda-feira, maio 06, 2013

Nada de bom?

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Por Moriti Neto

Depois de dois insucessos como mandante em momentos decisivos, é natural o pessimismo se instalar na cabeça do torcedor. Contudo, só é possível concluir aspectos negativos do time do São Paulo? Não creio.

Há bons agouros. E quem traduziu isso em palavras foi o técnico do adversário que eliminou o Tricolor ontem, o corintiano Tite. Após o jogo pela semifinal do Campeonato Paulista, ele enalteceu a qualidade do adversário. “Falei isso para ele (o técnico Ney Franco) pessoalmente. Trouxe à equipe do São Paulo um equilíbrio, ela marca e joga, com Ganso retomando seu futebol e Jadson jogando muito”, na entrevista coletiva no Morumbi.

Tite está certo. Ney Franco sabe o que faz. O São Paulo evoluiu nos últimos dois meses. Jogou de igual para igual todas as vezes que enfrentou Corinthians e Atlético Mineiro (que, em minha opinião, são os dois melhores times do Brasil hoje) este ano. Não fez feio, ao contrário.

É sabida a maior quantidade de resultados negativos do que positivos contra esses adversários. Falta o “algo mais” para estar no mesmo nível deles. O coletivo necessita de ajuste fino para decidir em retas finais. Isso virá com o tempo. Exatamente o que ocorreu com Corinthians e Atlético.

Também é fato que isso se realizará somente se a espinha dorsal da equipe e a comissão técnica forem mantidas, e reforços pontuais forem contratados, principalmente para as laterais, além de mais um atacante de bom nível. Sendo assim, a coisa engrena ainda este ano.

Sobre alguns pontos que contribuíram para os insucessos da semana, justamente contra Galo e Corinthians, vou por tópicos: 

O falso ídolo

De novo, Luis Fabiano. Esse é um mal para o São Paulo. Por um motivo ou outro, não se pode contar com ele em momentos importantes, o que, obviamente, azeda o clima no elenco. É complicado e desanimador – em qualquer setor profissional – ver um sujeito que é tratado a pão de ló quase sempre deixar o coletivo a ver navios.

Sinceramente, não entendo a idolatria ao jogador. Veterano que é, colaborou em quais conquistas? Um Rio-São Paulo, lá no longínquo 2001. No título da Sul-Americana, no ano passado, o papel dele foi risível, tanto pela expulsão contra o Tigre quanto pela falta de gols na competição.

O fraco William José (atualmente no Grêmio de Porto Alegre) anotou três gols no campeonato e foi bem mais importante que LF, que marcou só um tento. Creio que isso serve de boa medida para constatar o quanto é improdutivo na prática. Parece que joga contra. Repudio a falta de seriedade e a má influência ao elenco que ele representa.

Na Libertadores deste ano, aprontou feio na fase de grupos, contra o Arsenal, numa inexplicável expulsão depois do apito final. Pegou quatro jogos. Quinta-feira foi o último. Com ele em campo, o São Paulo poderia ter matado o Atlético no primeiro tempo.

Definitivamente, o clube não pode mais ficar refém de um atleta (???) que só contribui para desestabilizar o elenco e nem tem mais as condições técnica e física de outrora. Passou da hora de dar adeus ao falso ídolo.
Jadson e Ganso valem a pena

A parceria Ganso e Jadson tem potencial. Ambos são talentosos e o entrosamento cresce. Não vejo que se atrapalham no meio de campo, como avalia post da dupla Marcão/Nicolau. O posicionamento melhorou. A movimentação idem. Ganso joga mais atrás, orquestrando o time. Jadson está mais próximo dos atacantes. A ideia é lógica e respeita as características dos dois, pois o camisa 8 é um armador clássico e o 10 são-paulino tem chegada à área mais rápida e eficaz. Assim como todo o time, falta, na parceria, o tal “algo mais”, a sintonia fina com a proposta de jogo. No entanto, dá para tomar como base a ótima atuação da dupla nos 35 minutos em que o São Paulo encurralou o Galo na noite de quinta, quando, inclusive, o gol são-paulino saiu dos pés dela.

O quase

Douglas é o mais “quase jogador” que já vi. Faz “quase passes”, “quase chutes”, “quase dribles”, “quase cruzamentos”. Se o Herrera é o “quase gol”, o Douglas é o “quase jogador” ou “quase nada”.

Dos piores

Thiago Carleto é das piores coisas que já passaram pela lateral-esquerda do São Paulo. Corre, mas não acerta passes e cruzamentos. Bate forte na bola? Sim. Porém, chuta mal. Não tem pontaria. De que adianta?

Cortez é bom. Fez um ótimo 2011 pelo Botafogo. Em 2012, no primeiro semestre, foi dos poucos que se salvou no bagunçado time de Leão. Na outra metade do ano, jogou muito, inclusive na marcação, que não é o ponto forte dele. Urge recuperá-lo.

Bora, São Paulo.

8 comentários:

Marcos Futepoca disse...

O resumo da ópera é: o São Paulo é um elenco, mas não um time. Concordo que Ney Franco esteja fazendo um bom trabalho e que não tem culpa pelos fracassos. Mas fica muito difícil fazer omelete sem ovos.

Nas últimas rodadas do Brasileiro do ano passado e reta final da Sulamericana, o técnico conseguiu chegar perto do que seria um time. Mas esse time dependia muito de Lucas, que já estava vendido.

E digo "chegou perto" porque o ataque escondia as falhas do sistema defensivo. Com Lucas e Osvaldo segurando a bola na frente, a gente não via tanto o Paulo Miranda e o Cortez falhando e deixando os zagueiros na fogueira.

Em 2013, sem Lucas, trouxeram o Negueba - obviamente menos talentoso, mas igualmente capaz de segurar a bola no ataque. Mas o cabra deu o azar de estourar a perna num dos primeiros treinos...

Aí o time ficou torto: só ataca bem pela ponta-esquerda, com Osvaldo. Na direita, já improvisaram um meia (Jadson), dois centroavantes (Aloísio e Wallyson) e um sei-lá-o-quê (Douglas) - só fracassos.

Ontem, diante do Corinthians, perdemos o único atacante capaz de segurar a bola (Osvaldo). Ficamos com um falso ponta (Jadson, perdido), um sei-lá-o-quê (Douglas) e um centroavante veterano, lento e sem ritmos de jogo.

Fora isso, temos os "craques" Carleto e Paulo Miranda (que pisou na bola quando ia sair sozinho na cara do gol...) nas laterais; os "idem" Wellington e Denílson no meio; e os "idem idem" Tolói e Edson Silva (que é melhor que o Lúcio, mas é ruim) na zaga.

Como é que um time desses quer ser campeão de alguma coisa?!??!?? Aliás, eu pergunto: isso chega a ser um time?!??!!!??

Moriti, você pergunta se não sobra nada. Sobram, sim: Osvaldo e Jadson. Contratem outros 9 TITULARES DE VERDADE, por favor.

Saudações tricolores.

Moriti disse...

Opa!

Então, Marcão, discordo um tanto do sua avaliação.

1- Havia um time no segundo semestre do ano passado. Dependia do Lucas tecnicamente, mas outros setores funcionavam bem, casos de meio e defesa. A equipe era compacta, os setores se entendiam, estavam encaixados.

2 - Na defesa, a entrada do Lúcio foi péssimo negócio. O Ney desmontou a dupla de zaga que ia muito bem, com Tolói e Rodolpho.

3 - Denílson e Wellington são bons, são rápidos e sabem sair pro jogo. Se deslumbraram um pouco. Na verdade, relaxaram. O próprio Ney Franco, em março, detectou a queda no rendimento de ambos por falta de preparo físico. Agora, estão melhorando, mas tiveram que correr pra recuperar o tempo e oscilam bastante.

4 - Paulo Miranda é horrível, você tem razão.

5 - Sobre Cortez, creio que se baseia no momento, o que não traduz o futebol do cara, que se não é fantástico, é bem razoável pra realidade dos laterais-esquerdos brasileiros que andam por aí.

6 - Do Douglas, me recuso a escrever uma linha a mais (já escrevi).

7 - O problema de estar torto ainda existe, mas a coisa vem diminuindo gradativamente com a efetivação da dupla Ganso/Jadson, até porque as jogadas se concentram mais pelo meio.

No jogo com o Galo, o Tricolor, em 35 minutos, teve seis chances e fez um gol. Ganso e Jadson trocaram de posições e a marcação do Atlético ficou batida. Só que o time perdeu Aloísio. Ademílson perdeu os gols e Lúcio foi expulso. Como se vê, o problema não foi a retenção de bola ou a dupla de meias.

Contudo, pra resolver de vez a coisa do time penso, precisamos ao menos de um lateral-direito que preste.

8 - Não vejo no elenco tudo isso de ruim. Acho bem razoável, mas com alguns desequilíbrios pontuais. Dois atacantes (se o LF for embora, senão um basta),um lateral-direito e um zagueiro seriam de bom grado. Dá pra aproveitar muita coisa.

PS: esqueci algo. Realmente, Lucas segurava a bola na frente, mas, se não tem faltado algo no time, é posse de bola. Chegamos, nos jogos com o Corinthians e com o Atlético, a ter mais posse do que os adversários (bastante tempo no ataque), o que não é fácil, principalmente se visto o estilo de jogo dos dois alvinegros.


Abraço e saudações tricolores.

Leandro disse...

O que eu vejo de mais positivo nesta análise é que a cultura de se manter o técnico já pegou (ou começou a pegar) entre dirigentes e torcedores brasileiros.
Dois exemplos bem recentes e bem oportunos são Murici e Tite, achincalhados em 2011 e em 2011/12, reciprocamente, e que conseguiram conquistas importantes meses depois.
É claro que não acho nenhum dos dois um gênio e nunca fui fã do estilo do gaúcho, que ajudei a achincalhar desde a primeira passagem dele pelo Timão, em 2004.
Mas pensando numa possível saída dele para a Internazionale agora, eu ia preferir que permanecesse, e seguirei preferindo sua permanência ainda que tome dois bailes do Santos e um do Boca nos próximos jogos, pois sua saída representaria ter que começar do zero, ou do - 1.
Então, que se dê continuidade ao trabalho para que erros possam ser corrigidos pela diretoria e pelo próprio técnico, e ao apoiar esta permanência a torcida do SPFC acerta, num momento em que em vários motivos para querer a cabeça de meio mundo lá dentro.
Se o técnico for dos mais teimosos e nem o tempo for suficiente para que reveja seus conceitos e convicções, acaba cavando a própria sepultura, como aconteceu, por exemplo, com o sumido Adilson Batista.

Maurício Ayer disse...

“Bora São Paulo”. Pra ser preciso: “bora pro bar, beber, cair, levantar”.

Maurício Ayer disse...

“Bora São Paulo”. Pra ser preciso: “bora pro bar, beber, cair, levantar”.

Moriti disse...

Tem razão, Leandro, apoiar o Ney é fundamental, como a outros técnicos, em qualquer time.

Vamos imaginar Ney Franco e Tite demitidos. Além da questão de começar do 0 ou -1, com quem começaríamos? O mercado de técnicos (bons) nem é tão vasto assim.

Sobre o "Bora", DeMarcelo, já fui pro bar e o São Paulo já caiu na semi do Paulista. Resta acreditar, com muita dificuldade, que se levante na quarta.

fredi disse...

Vou dar um pitaco também. Não acho o time do São Paulo ruim, aliás melhorou muito no conjunto, na marcação, mas depende muito da empolgação.

No jogo que ganhou do Galo marcou muito, estava nos cascos.

No que perdeu, embora todos atribuam a vitória do Galo apenas à expulsão do Lúcio, creio que foi mais que isso.

O São Paulo vinha no abafa, na empolgação, ao perder o jogador e tomar o empate o emocional foi pro beleléu. Não jogou no segundo tempo.

É só ver que no primeiro jogo do Grêmio nas oitavas da Libertadores aconteceu a mesma coisa. Saiu na frente, teve o zagueiro Cris expulso, tomou o empate, mas mesmo assim ganhou o jogo por 2 a 1.

Vejo no São Paulo um time descontrolado emocionalmente, que sente muito depois que toma gols e que todo jogo cerca o juiz e reclama de algo.

Para isso os "ídolos" Rogério Ceni e Luiz Fabiano contribuem muito com seu contumaz descontrole. Além de o goleiro nunca assumir um erro.

Por último, uma pequena provocação. Se a frase "arrogante" do Ronaldinho serviu para motivar o SP, as críticas também mexeram com Ronaldinho que fez excelente partida no último jogo. Mexeram com o cara errado.

Moriti disse...

Sobre o emocional do time, é fato, Frédi. É ruim mesmo, até pelo motivo de Rogério, LF e Lúcio, os veteranos da equipe, estarem (ou serem) descompensados.

A respeito da provocação, ainda creio que Ronaldinho foi infeliz do ponto de vista desportivo na última rodada da fase de grupos, mas concordo que mexer com craque é sempre um problema.