Destaques

quinta-feira, abril 01, 2010

Quase definidas as oitavas da Copa do Brasil 2010

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A rodada desta quarta-feira, 31, da Copa do Brasil definiu quase todos os confrontos das oitavas de final da edição 2010 da competição. Todas as partidas foram precedidas por um minuto de silêncio em homenagem a Armando Nogueira.





Faltam apenas quatro times. O invicto Grêmio deve confirmar o favoritismo diante do Votoraty, já que venceu a partida de ida por 1 a 0. O Botafogo está na mesma condição ante o Santa Cruz. Enquanto o Atlético-PR só precisa de uma vitória simples sobre o Sampaio Correia-MA em Curitiba, o homônimo de Minas Gerais precisa reverter a derrota para o Chapecó, em Belo Horizonte.

Os destaques do dia foram o Goiás de Rafael Quatro-gols Moura e Jorginho, que bateu o São José-AP por 7 a 0, e o Vitória, que passou por 4 a 0 sobre o Náutico. As equipes goleadoras enfrentam-se na próxima fase.

O Coritiba, em preparação para disputar a série B, foi desclassificado pelo Avaí, em casa, por 1 a 0. E teve pênalti perdido.

O maior calor da rodada foi imposto pelo Asa de Arapiraca sobre o Vasco. Depois de empatar na partida de ida, a equipe cruzmaltina abriu o placar, sofreu a igualdade, mas depois conseguiu vencer por 3 a 1.

Outro aperto foi o da Portuguesa, que empatava com a Ponte Preta por 1 a 1 até os 46 minutos do segundo tempo. O uruguaio Gustavo Biscayzacu fez 2 a 1 e levou a Lusa para a próxima fase, quando enfrenta o Fluminense.

Além do tricolor carioca, apenas o Santos conseguiu eliminar a partida de volta. Enquanto o time das Laranjeiras passou pelo Uberaba por 2 a 0, o Peixe bateu o Remo por 4 a 0. Como a partir das oitavas acaba essa chance de classificação na primeira partida caso o visitante vença por mais de dois gols de diferença, poucos times vão sentir falta do recurso.

Outros classificados foram Ceará, Atlético-GO, Sport e Palmeiras.

Oitavas de final da Copa do Brasil 2010
Na distribuição dos jogos, está respeitada a ordem das chaves e atualizado com os mandos dos primeiros jogos (o time da coluna 2 decide em casa).

Corinthians-PR x Vasco
Vitória x Goiás

Botafogo ou Santa Cruz x Atlético-GO
Atlético-PR ou Sampaio Corrêa x Palmeiras

Portuguesa x Fluminense
Grêmio ou Votoraty x Avaí

Santos x Guarani
Atlético-MG ou Chapecó x Sport

A ordem dos confrontos deve ser definida por sorteio nesta quinta-feira, 1º, às 14h, antes das partidas que faltam. Passado os jogos que faltam, fica mais fácil de fazer apostas.

Palmeiras vence o Paysandu, mas ainda precisa melhorar

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O Palmeiras venceu o Paysandu pela segunda fase da Copa do Brasil. Eliminado do campeonato Paulista, o Verdão tinha trazido um 2 a 1 de Belém e era favorito para seguir na competição.

Como atrasou a cerimônia de renúncia do governador de São Paulo José Serra (PSDB), ele não pôde comparecer ao Palestra Itália, evitando pôr a prova os atencedentes de pé-frio.



O gol foi de Robert, mas o melhor em campo foi Armero. O lateral-esquerdo foi à linha de fundo fazer o único passe certo da partida para garantir a cabeçada do camisa 20. Mas ele foi o símbolo da atuação da equipe, esforçada, mas ainda sem um refinamento necessário para tornar a vida mais fácil. Foram muitas chances de gol, mas chutes tortos, para fora. Muito contra-ataque na base do chutão, e poucos construídos com trocas de passes.

Diego Souza esteve melhor do que em partidas anteriores, mas ainda oscila momentos de disposição com outros que parecem displicência. Sem Cleiton Xavier nem Lincoln, contundidos, Ivo compôs o meio de campo, e o volante Márcio Araújo improvisado na direita. Time manco de uma lateral.

O estreante Bruno Paulo foi bem, com muita vontade, mas excessiva ambição de fazer gol logo na primeira partida. Com um pouquinho mais de passes na chegada à área adversária, quem sabe, as coisas melhoram para o lado alviverde?

O Paysandu tentou avançar depois de sofrer o gol, mas criou apenas duas jogadas de perigo. O time da casa aproveitou menos do que precisaria a abertura para contra-ataques.

Bora trabalhar, Antonio Carlos Zago.

Na próxima fase, o adversário é, provavelmente, o Atlético-PR, que enfrenta o Sampaio Corrêa em Curitiba. Na partida de ida, foi 1 a 1.

quarta-feira, março 31, 2010

Promotores contra Maluf

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O deputado federal e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, não hesitou ao responder por que seu nome e sua foto foram parar na lista de procurados pela Interpol. É tudo retaliação ou até vingança por parte de procuradores de Justiça, preocupados com seu projeto de lei 265/2007. O texto prevê que um promotor que apresente denúncia temerária ao Judiciário seja responsabilizado criminalmente.

Foto: Reprodução

A apresentação da propositura é, por seu lado, uma resposta de Maluf aos processos judiciais movidos contra ele. Tudo artimanha de quem quer se promover, segundo sua peculiar visão de mundo.

Esse contexto envolvendo ainda a "Lei da Mordaça" ao Ministério Público, que é natural e essencialmente polêmica, deveria transformar o título do post no inverso. Algo como "Maluf contra promotores". Ou, no mínimo, levar um "vice-versa". Mas as coisas são curiosas.

O protesto e o release
Os procuradores são contrários ao projeto. Por isso, prometem um ato em 6 de abril em São Paulo na Procuradoria Regional da República da 3ª Região (PRR-3). Até aí, tudo normal, desde 2009, entidades de promotores promovem campanhas nesse sentido.

Só que foi muito, mas muito curiosa a sequência de releases do evento que atingiram minha caixa de entrada. Ambos enviados pelo departamento de imprensa da PRR-3, um era correção do outro.

(Parênteses para quem, por graça divina ou bom senso mesmo, não é jornalista e não é bombardeado por avisos de pauta e divulgação para a mídia. Release é a redução de "press release", eventualmente traduzido pra lá de livremente como "comunicados de imprensa". É a forma mais comum de as assessorias de imprensa de empresas, governos, órgãos públicos, ONGs etc. avisarem os jornalistas sobre o que acreditam que os profissionais de comunicação precisam saber. Mais comum do que jornalista errar ao redigir uma reportagem é um release ter uma informação incorreta, o que demanda um novo envio da mensagem, com títulos que avisam "correção" em que se pede para "desconsiderar o anterior".)

O curioso é notar as diferenças. A começar pelo assunto:

Original:
PRR-3 sedia ato em SP contra “Lei da Mordaça” de Paulo Maluf

Corrigido:
Vale este - "PRR-3 sedia ato em SP contra 'Lei da Mordaça'"

A correção pega um pouco mais leve com o pai da matéria e não escancara o alvo da movimentação. Mais adiante, o juridiquês que parecia dar razão à "Lei do Maluf" cedeu vez.

Original:
Iniciativa do deputado federal Paulo Maluf, o projeto de lei prevê sanções aos autores de ações civis públicas, populares e de improbidade promovidas contra agentes públicos quando ajuizamento tiver sido temerário, de má-fé, para promoção pessoal ou por perseguição política. O projeto de lei atinge não apenas o Ministério Público, mas o cidadão ou associações que tiverem promovido, nas mesmas circunstâncias imprecisas e indeterminadas, ações populares e ações civis públicas. A mobilização visa mostrar à sociedade que o projeto de lei restringe independência do Ministério Público e o intimida a não cumprir, com autonomia, deveres previstos na Constituição.

Correção:
Iniciativa do deputado federal Paulo Maluf, o projeto de lei prevê a responsabilização pessoal dos autores de ações judiciais contra agentes políticos consideradas “temerárias”, de “má fé”, com a “finalidade de promoção pessoal” ou de “perseguição política”.

Na sequência, uma nova tentativa de ampliar o horizonte e tirar do "procurado" doutor Paulo o centro de tudo. Assim, consta da versão final:
O ato não é voltado apenas contra o ex-prefeito de São Paulo, réu em inúmeros processos movidos pelo MP de São Paulo e pelo MPF por sua gestão à frente do município e autor do projeto de lei, mas à Câmara Federal, que aprovou em sessão do dia 16 de março a urgência na apreciação do Projeto de Lei pelo plenário.
A "aliviada" com Maluf só fez explicitar o quanto o evento aproveita as polêmicas declarações de Maluf para se posicionar na discussão pública.

Foto: Reprodução

O debate é bom
Depois de toda essa digressão, vale registrar que o debate é bom. Na lista de quem acusa promotores federais ou estaduais de oportunismo está gente de todo tipo. O primeiro exemplo que me ocorre é o de Eduardo Jorge, ex-assessor especial do presidente Fernando Henrique Cardoso, réu em denúncia apresentada por Luiz Francisco Fernandes de Souza. Ele foi inocentado e processou Folha de S.Paulo, O Globo, Veja, Ciro Gomes e mais metade do mundo.

Luiz Francisco foi alvo de queixas de outras pessoas, incluindo o Opportunity de Daniel Dantas. Ele foi acusado de apresentar denúncia que teria sido redigida em um computador de Roberto Demarco, ex-sócio e atual desafeto do banqueiro, além de contar com ajuda de advogados da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

Em sua defesa, o procurador alega que gostou da tipologia (fonte) do documento recebido dos advogados de Demarco. Abriu o arquivo, foi em Editar, Selecionar tudo e pressionou o delete, começando a redigir com a simpática fonte – isso ele me declarou em entrevista por telefone em 2008. Nenhuma pendência consta na corregedoria do Ministério Público Federal, mas Luiz Francisco mantém uma atuação bem discreta, se comparada ao estrelato alçado durante a década de 1990.

Neste ano, o tesoureiro do PT e ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários, João Vaccari Neto, critica José Carlos Blat, do Ministério Público Estadual de São Paulo. Blat corre atrás do inquérito sobre a cooperativa desde 2005 e, até hoje, não formalizou a denúncia à Justiça. Mas sempre que o tema volta, é entrevistado em reportagens em diversos veículos sobre o caso, declarando que a Bancoop é uma organização criminosa. Se é ou não, um juiz poderia avaliar, caso uma denúncia fosse concluída e apresentada.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Gente como Silvio Pereira (ex-PT, sem partido), José Serra (PSDB-SP), Yeda Crusius (PSDB-RS)  a Rede Record, além de Paulo Maluf e de metade dos advogados de defesa de pessoas acionadas por promotores, também já recorreram a disparar contra os acusadores. As queixas são de busca por projeção em cima de acusados "famosos" ou de irresponsabilidade.

Há casos como o de Fernando Capez, membro do MPE-SP que ganhou notoriedade ao mover ações contra torcidas organizadas em 1995, quando conseguiu decisão judicial que extinguia essas torcidas. Foi eleito deputado estadual pelo PSDB de São Paulo em 2006.

Em janeiro, Fernando Grella, procurador-geral de Justiça de São Paulo, em entrevista ao Estadão, em janeiro, declarou que "o ministério público está isolado", porque antes, o organismo "tinha apoio de alguns partidos políticos", mas hoje, nem tanto. Grella admite erros pontuais de promotores, e atribui a falhas no sistema processual "em termos de provas".

No caso de agrupamentos políticos, a denúncia do ministério público é como um gol: só é ruim quando é contra o patrimônio. Isso não quer dizer que eventualmente não haja erros e abusos.

Em artigo ao Jornal do Brasil, o jurista Dalmo Dallari tocou a questão, ao defender a independência do ministério público para cumprir seu papel constitucional. "No seu conjunto o desempenho do Ministério Público pode ser considerado altamente satisfatório", escreveu. "Têm ocorrido situações em que uma iniciativa do Ministério Público sugere a influência de fatores políticos, como se tem verificado em regiões nas quais os conflitos sociais são mais agudos, mas qualquer iniciativa de um órgão do Ministério Público está sujeita a um estrito controle de legalidade, podendo ser anuladas pelo Poder Judiciário aquelas que não tiverem embasamento em fatos concretos e não se enquadrem em alguma hipótese legal". Sua conclusão é de "veemente repúdio" à "lei Maluf".

Outras modalidades de mordaça impostas por lei, herdadas do período autoritário no Brasil (cujo colpe ocorreu há exatos 46 anos, em 31 de março de 1964) contra outros servidores vêm sendo extintas. Foi o caso das peças no estado e município de São Paulo. Nesse contexto, soa trágica a ideia de restrições por lei aos procuradores. O que não torna importante o debate sobre o papel da instituição.

No estádio em Istambul

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Depois de visitar estádios em Buenos Aires e Londres, eis que me vejo em um jogo de futebol numa cidade um pouco mais, digamos assim, exótica para futebolistas: Istambul. Viajei para a Turquia por conta do meu mestrado, mas claro que eu tinha que tentar ver um joguinho.

Eu fui mais escolhida pelo confronto entre Besiktas e Eskisehirspor do que o escolhi. Como não entendo uma palavrinha sequer de turco - ô língua difícil! - tive que pedir ajuda à pessoa mais próxima de mim nessa viagem, no caso o professor da universidade que nos acolheu em Istambul, Murat. Como torcedor do Besiktas, ele disse que poderia ir comigo ao jogo. Achei ótimo, pois sabe-se lá se tem mulher nos estádios turcos, e tal. Ir sozinha seria um pouco de aventura demais para mim... eu pensava. Enfim, nem cogitei a possibilidade de ir a outro jogo, e não sabia que no dia seguinte Fenerbahce e Galatasaray se enfrentariam. Perdi o clássico!

No dia do jogo, Murat teve um compromisso e não pôde ir. Quase desisti, mas uma amiga, Joanna, uma americana que até jogava futebol mas nunca tinha ido a um estádio, queria fazer um programa diferente e resolvemos arriscar. Como estávamos em pontos diferentes da cidade, combinamos de nos encontrar no estádio. Cheguei cedo, comprei os ingressos - ponto positivo, sempre tem alguém que fale inglês pra te ajudar, impressionante -, tudo dando certo. Inclusive avistei algumas mulheres na parte de fora do estádio, o que me deixou mais tranquila. Minha amiga demorou um pouco e perdemos o começo do jogo.

Quando entramos, por um segundo pensei: ai, eu não deveria estar aqui. A lotação do estádio era impressionante. Tinha um policial em um dos corredores dizendo "aqui não que já está cheio". Mas cheio é cheio mesmo. Imagino que a sensação seja algo do tipo Morumbi com 100 mil pessoas. Subimos mais um lance de escadas e ficamos espremidas em um dos corredores. Em todos os lances da arquibancada tinha duas fileiras de pessoas em pé. Eu via bem pouco do que se passava em campo. É uma sensação impressionante. Como o ingresso para aquela partida estava muito barato - o Murat havia me dito que o preço partia das 50 liras turcas (60 reais, mais ou menos), mas pagamos 20 liras - a lotação é até justificável. Mas que não é seguro, não é. Ou o time vendeu mais ingressos do que deveria ou as regras de lotação da federação turca não são rigorosas.

No vídeo, um pouco do clima do jogo


Bom, o jogo foi ruim, pra falar a verdade, mas emocionante. Quando chegamos, por causa do atraso, a partida já estava 2 a 1 para os visitantes. O Besiktas jogava mal demais, não conseguia atacar e o goleiro quase entrega um lance patético - por algum motivo ele resolveu dar combate como se fosse um zagueiro, fora da área. Quase entrega o terceiro gol - ridículo. Nisso já tinha colado um turco que fala inglês do nosso lado, explicando que o goleiro Rüştü Reçber estava muito velho e tinha que se aposentar. A idade? Quase 37. Me pareceu que esse goleiro não é tão ídolo quanto Marcos e Rogério, os que falham mas continuam com crédito.

No segundo tempo, o jogo continuou chato. Joanna me diz que parece que não está acontecendo nada. Disse que futebol é bem chato a maior parte do tempo. Exagerei de propósito, mas de fato, quando não é nosso próprio time, tem jogo que é dureza de aguentar. Enfim, poucas chances para o Besiktas, e agora nenhuma para o adversário, encurralado na defesa. Até que ele, o ex-corinthiano Bobô, apareceu e fez o gol de empate, de cabeça, aos 15 minutos. O estádio explodiu. Na verdade não sei se a reação foi assim tão eufórica, mas tanta gente junta sempre provoca uma reação intensa. Tanto que tive que me segurar na minha amiga pra não cair, já que um torcedor cedeu o lugar dele em cima da cadeirinha por pena da minha altura, e se manter em pé na cadeirinha não é mole.

Mas isso era só a preparação para o que estava por vir.

A torcida acordou e passou a cantar seus hinos, a pular, a xingar a torcida adversária, que até então estava dominando, apesar de serem bem poucos e estarem confinados num curralzinho atrás de um dos gols. Aliás, a Joanna me perguntou o motivo da separação. Bom, na verdade eu nem tive que responder.

Aos 28 minutos, Holosko fez o gol da virada do Besiktas. Não me perguntem como foi a jogada. Eu até lembro que foi uma bola bem trabalhada, mas a cotovelada que eu levei na comemoração fez minha atenção mudar de foco. É, rapaz, eu disse que não era seguro. Eu já estive no Morumbi lotado algumas vezes e nunca tinha passado por algo parecido. Levei a pancada na cabeça, me desequilibrei e caí no degrau da frente. Caí em pé, tudo bem, mas no caminho ainda dobrei uma das unhas pra cima, deu aquela descolada da carne. Putz, doeu. OK, está tudo bem, não foi nada grave, mas eu não consigo nem imaginar um princípio de tumulto naquele lugar.

Logo em seguida resolvemos ir embora, para evitar a multidão da saída. Corremos para pegar o barco que nos levaria para perto do albergue. Aliás, uma parte considerável do transporte coletivo de Istambul é feito por balsas, adorei.

Pontos curiosos a destacar: a pronúncia do nome do time. Eles falam Bexictaxxxxxx, uma coisa assim meio Xou da Xuxa. E o estranho caso do "desparecimento" das torcedoras. Elas existiam fora do estádio, mas não vi NENHUMA lá dentro. Acabamos virando atração turística, um cara até tentou disfarçar e tirar uma foto da gente com o celular, tipo assim "não falei que tinham duas gringas no estádio? Tá aqui a prova!". Engraçado. E não tem cerveja no estádio, só chá. Bom, a bebida quente faz sentido, Istambul é bem fria. Já a falta de cerveja... bom, é aquela coisa de sempre.

Bom, o Besiktas fez sua parte, aproveitando a derrota do líder Bursaspor no dia anterior e diminuindo a diferença para 3 pontos. Com a vitória no clássico sobre o Galatasaray, o Fenerbahce tem o mesmo número de pontos, mas leva vantagem no critério de desempate. Faltam 4 rodadas para o fim do campeonato e está tudo embolado. O final vai ser interessante.

Orelhadas de bar (1)

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Nove da noite de sexta-feira. A moça pede para eu esperar no buteco enquanto vai ao apartamento dar comida para o cachorro. Peço uísque. E minha antena auricular capta os primeiros sinais da mesa ao lado:

- Pede mais uma, larga a mão de ser chato.

- Pode ser. Mas me fala uma coisa, você continua casado?

- Há 24 anos. Casei em 85.

- Tá tudo bem em casa?

- Olha, vou te contar uma coisa... De Reinaldo pra Reinaldo: é foda.

- É. Eu sei. (...)


Baixa um silêncio sepulcral. Passa uma gostosa fazendo cooper. Um ônibus vira a esquina e derruba o cone da parada de táxi. Uma criança aparece vendendo chicletes. O papo anexo reflui.

- Mas você ainda tá jogando tênis?

- Só enganando. Hoje eu ia, mas fui ver meu sogro. Tá em coma.

- Ih, rapaz, nem fale. O meu sogro também tá ruim, teve um AVC.

- É foda.

- O véio não dura seis meses. Mas você já vai? Senta aí!

- Preciso ir. Minha mulher ligou duas vezes.

- Fica aí, rapaz!

- Não dá. Dessa vez não dá, meu irmão.

- Vou pedir a última.


Minha moça volta ao bar. Com o cachorro. A antena se distrai por um momento da frequência alheia. A moça vai ao banheiro e me deixa segurando o cão pela coleira. Tento sintonizar o fim da conversa vizinha. Só silêncio. Resta um na mesa. Calado. O outro Reinaldo arribou.

Sem beber a saideira.