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quarta-feira, setembro 05, 2007

Racismo introjetado em uma nação

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Por mais que se diga que não, o preconceito contra negros ainda é um status quo no Brasil. Claro que hoje a questão é mais debatida e combatida do que antes, mas, infelizmente, vemos atitudes racistas todos os dias, em todo e qualquer lugar. O que choca é perceber que, mesmo que a pessoa não externe seu preconceito, aquilo está introjetado nela, é um comportamento automático. E mais triste é saber que os negros têm consciência desse racismo velado – mas latente – e, por conta própria, tomam suas precauções. Um exemplo foi o comentário do meia Hugo, do São Paulo (foto), sobre a punição severa que deverá tomar (com toda justiça) por ter cuspido gratuitamente num jogador do Paraná: "A expulsão foi correta. E estou muito arrependido. (...) Meu pai disse que, por sermos negros, temos sempre de andar reto, porque as coisas repercutem mais". Depois disso, começou a chorar e encerrou a coletiva. Fico sinceramente comovido quando gente simples, como o pai do Hugo, fala uma dessas verdades que todo mundo sabe e ninguém tem coragem de dizer. É uma espécie de código velado de compartamento, de racismo enraizado na sociedade e (quase) nunca abertamente declarado. Um apartheid silencioso, resistente e "tradicional". Dizem que errar é humano. Mas ao negro, no Brasil, isso não é permitido. E eles sabem disso. Às vezes dá vontade de sumir...

14 comentários:

Anônimo disse...

Marcão, concordo com muito do que vc disse. Mas tive uma reação diversa da sua ao ver o depoimento do Hugo. Antes de sermos pretos, nordestinos, pobres, putas ou viados, somos indivíduos. Uma ação deve ser sempre atribuida ao indivíduo que a pratica, não a qualquer outro atributo do mesmo.Condição primária da cidadania. Hugo foi patético ao misturar alhos com bugalhos. E bem sucedido, uma vez que comoveu pessoas inteligentes como vc. Em todo o episódio, o único que lembrou que o Hugo era preto foi o próprio. Assim é bem conveniente. Mas não apaga a cusparada infame.

Anônimo disse...

Não poderia falar melhor que o Anônimo. Arrebentou.

Thalita disse...

o Hugo pode até ter usado a frase pra causar uma comoção (PODE SER, vejam bem).
Mas quem o ensinou a "andar reto porque é preto" foi o pai. Há muitos anos. É desse racismo que o post trata.
E é bem triste ver como os próprios negros aceitam isso, e realmente têm medo do julgamento dos outros.

Marcão disse...

Anônimo e Olavo: eu não fiz o post sobre a atitude (vergonhosa) do Hugo no jogo de sábado e nem sobre a (suposta) pieguice que tenha sido a entrevista coletiva. Mas escrevi, como bem observou a Thalita, sobre a frase do pai do Hugo. Ponha-se no lugar de um pai que é obrigado a dizer tal coisa para um filho, desde sua infância, para que evite problemas por causa de sua cor. A cusparada (que espero seja punida com o máximo rigor possível) é nada perto desse apartheid introjetado.

Ps.: Por favor, anônimo, identifique-se.

Anônimo disse...

Ah sim. Vocês têm toda razão.

É que a declaração parece ser tão proposital para abaixar a poeira que acaba dando raiva.

Anônimo disse...

Também tive a impressão de que o Hugo deu uma viajada, mas isso é o de menos. No Brasil, ainda considero tão ou mais grave que o racismo o sistema velado de castas que aqui impera. A balança do preconceito em nosso país pende mais para o lado da classe do que para o lado da cor. No início parece sutil, mas depois se mostra de uma brutalidade ímpar. Nos EUA, o racismo se escancara; na Índia o sistema de castas também estpa lá pra quem quiser ver. No Brasil, parece que não é um nem outro, mas no fundo são os dois preconceitos juntos, impossíveis de tolerar.

Rôbérto Pàssos disse...

Sobre esse tema, reproduzo aqui trecho de uma entrevista de Olavo de Carvalho a Régis Gonçalves, publicada originalmente no jornal O Tempo, de Belo Horizonte, em 15 de agosto de 2001:

Como o sr. vê a questão do racismo no país e as relações sociais que camuflam os conflitos e traumas históricos, negando-os ou relativizando-os positivamente diante de realidades, como a norte-americana, onde as reivindições dos afro-descendentes são postas de maneira muito mais afirmativa?

O racismo brasileiro, se existe nas proporções com que intelectuais a soldo de fundações americanas querem nos fazer crer que existe, deve ser mágico, pois se dissemina sem propaganda, sem livros, sem cartazes, sem sites na internet, sem partidos racistas, e, enfim, por meios puramente telepáticos. A diferença de padrão econômico entre a população branca e a negra e mestiça resultou de um fato muito simples: entre a abolição da escravatura e o primeiro surto de industrialização, passaram-se quarenta anos. Durante esse tempo a população negra e mestiça cresceu sem que crescessem as vagas no mercado de trabalho. Quando abriram as vagas, veio a guerra e elas foram ocupadas pelos imigrantes, que vinham com melhor formação profissional. Então, fatalmente, “negro” virou sinônimo de pobre, de brega, de desempregado. Isso é menos um preconceito do que a expressão de uma situação social de efetiva desvantagem. Temos de tirar essa gente dessa situação deprimente, mas não será com injustas acusações de racismo ao restante do povo brasileiro que vamos conseguir isso, sobretudo quando essas acusações são pagas com dinheiro americano. Esse debate está viciado por uma conjunção acidental de interesses entre entidades norte-americanas que querem debilitar nossa identidade nacional e forças esquerdistas locais que querem aproveitar a onda antibrasileira para fazer demagogia revolucionária.


Fonte: http://www.olavodecarvalho.org/textos/regis.htm

Gerson Sicca disse...

Muito bom o post. e não concordo c/ o anônimo. É provável que ao errar Hugo tenha recordado das dificuldades dele para chegar onde chegou. E ele não pode errar nunca, ao contrário do filhinho do ricaço q pode errar mil vezes enqto é imaturo...
O racismo é vergonhoso no brasil. Eu tive só um colega negro na minha turma de faculdade(pública). Era o goleirão do nosso time. A maioria da turma eram brancos "bem-nascidos". E quem vê negros hoje em estádios de clubes q privilegiam sócios? Os negros sumiram do beira-rio, por exemplo, e com eles foi a alma da torcida mais popular do RS.

Nicolau disse...

Roberto Passos, discordo total, completa e absolutamente do Olavo de Carvalho, o que faço com constância e orgulho desde a primeira vez que li alguma coisa dele. O racismo existe, entre classes (rico desprezando o preto pobre) e dentro das classes (pobre branco desprezando o pobre negro) e negá-lo é desonestidade intelectual e moral ou muita falta de noção. Existem pencas de números que provam a condição desfavorável do negro frente eo branco (negros têm mais dificuldade para se manter na escola, para arrumar emprego, tem menores salários), mesmo dentro da mesma classe social. E existem pencas de histórias pessoais de discriminação, seguranças seguindo negros em shopings, pais de que desprezam o namorado(a) "moreninho(a)", chefes que são amis rigorosos com negros do que com brancos. Está aí, só não vê quem não quer.

Anônimo disse...

Socorro, parece que estão querendo tirar o Olavo de Carvalho do limbo...

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