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domingo, abril 19, 2009

Arruaceiros no catecismo, maconheiros no exército

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No vestiário do Sesc Pinheiros, dois barrigudos dividem o banco, em momentos diferentes de suas manhãs. Um já nadou e expõe o fruto da manguaça fora do cinto. O outro, esconde a barriga com uma sunga. Enquanto isso, meia dúzia de moleques fazem a esbórnia batendo portas de armário, embora ficasse longe de danificar o equipamento. Um dos pançudos começa a palestra:

– É sempre igual, criança faz uma bagunça...
– Só tem que aparecer um bagunceiro que entram todos.
– Nada muda a natureza...

Diante de uma profunda conclusão de sentido absolutamente obscuro, a conversa poderia ter acabado, mas a pausa retórica durou mais ou menos o tempo de se ler essa frase.

– Queria ver é se eles faziam isso na casa deles... Queria ver é o pai e a mãe desses moleques deixarem barato. Esse negócio de não cuidar do que é de todo mundo não tá certo.
– O pior é que os pais não faziam nada, só passam a mão na cabeça. Isso só vai se resolver no exército, aí é que tomam jeito.
– É nada! Os que vão para o exército viram tudo maconheiro – discordou abotoando a camisa.
– Melhor maconheiro que ladrão – devolveu inacreditavelmente o da sunga preta sem discordar do maior absurdo dito até então.

Então, o manguaça vestido começou a dissertar sobre como o suposto maconheiro acabaria por se transformar no citado ladrão para sustentar o vício ou sei lá o quê.

Enquanto terminava por falta de novos delírios uma conversa continuei tentando entender como a coisa tinha chegado até ali. Mas começava outro papo, agora entre a criançada. Um dos guris, o mais espivetado, vira para o outro:
– Ô! Você não faz catecismo aqui nessa igreja atrás?
– É.
– Sabia que te conhecia – e jogou as coisas do outro no chão.

3 comentários:

Maurício disse...

Fiquei esperando o momento em que alguém ia falar era culpa do Lula...

Será que o presidente manguaça está tão bem cotado que o pessoal já nem acha mais que ele tenha culpa de alguma coisa?

Glauco disse...

Acho que foi falta de chance, Maurício. Depois que eles saíram do vestiário, devem ter comentado isso...

Marcão disse...

Se é perto do Sesc Pinheiros, então foram beber no Cu do Padre. Ou fumar maconha, fazer catecismo, sei lá.

Mas registro aqui outro diálogo surreal: na barbearia (centro social das mais belas pérolas da língua portuguesa), uma pobre moçoila aguarda o namorado, que está sendo barbeado. Nisso, um dos barbeiros olha para o outro e pergunta, com a maior naturalidade;

-Ô, Miranda, já lavou o cu hoje?

A moça fica ruborizada, esconde o rosto atrás de uma revista.

-Lavei sim, com a ajuda da tua mãe - devolve o barbeiro que foi questionado.

A moça já não sabe se fica, se vai embora ou se finge que não está escutando nada.

E o primeiro barbeiro arremata, impassível:

-Moça, não liga não. É que de segunda-feira ele costuma não lavar a bunda, aí fica um cheiro desgraçado aqui.

Todos os homens gargalham. A moça continua com a cabeça enterrada na revista. Definitivamente, não se trata de um ambiente feminino...