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quinta-feira, junho 25, 2009

Racismo não é - ou não deve ser - coisa do futebol

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Jogo de Libertadores, quente, um jogador argentino chama um negro de "macaco". Não, essa não é a partida entre São Paulo e Quilmes, em que Grafite foi ofendido por Desábato. Aconteceu novamente ontem, na partidaça entre Cruzeiro e Grêmio, cujo alto nível técnico foi ofuscado pela ofensa racista de Máxi Lopez contra Elicarlos.

O pior de tudo foi a reação por parte do Grêmio. Um verdadeiro escarcéu para evitar que o atacante tricolor fosse depor na delegacia e, em meio a isso, um festival de besteiras ditas por diretores e pelo técnico Paulo Autuori. Falou o comandante: "Nós já vimos esse filme. Já vimos esse filme em São Paulo e não deu em nada. Muita gente apareceu, acabou tudo como acaba no Brasil, porque não é nada, é apenas um jogo de futebol. Acho que nós temos que preocupar com coisas muito mais sérias, nosso país precisa ser mais sério nas coisas".

Mas a afirmação de que "temos que nos preocupar com coisas muito mais sérias" e algo intrigante. Racismo não é sério, Autuori? Então o que é? Uma partida de futebol? A desfaçatez chegou ao nivel extremo com o diretor André Krieger, que afirmou: "Ele (Máxi Lopez) disse que não fez nada e que nem sabe o que significa 'macaco'". Quando ouvi isso lembrei na hora da torcida do Boca "saudando" Pelé na final da Libertadores de 1963, aos gritos de "Pelé hijo de puta, macaquito de Brasil". Claro que ele não sabe o que significa o termo...



Curioso que um diretor gremista (nao peguei o nome dele, a declaração foi dada à Rádio Gaúcha) foi na mesma linha, dizendo, inclusive, que o "garoto" (Elicarlos) deveria estar preocupado com a repercussão disso entre os "colegas" já que ninguém gosta de ter fama de dedo-duro. Ou seja, ele deve ficar quietinho e não denunciar, mesmo que seja vitima de um crime. Bela lição a do dirigente...

Além disso, agora há a tática de intimidaçao, ao se afirmar que se criou um "clima hostil" para o jogo de volta. Além de passar a mão na cabeça do atacante, que poderia se desculpar pelo que falou, os dirigentes dão a entender que nada farão para evitar qualquer reação da torcida contra Elicarlos. Perdem a oportunidade de exercer um papel educativo, raro no futebol mundial e principalmente no brasileiro, e marcar posição contra o racismo, fingindo que ele não existe e que é "coisa do jogo".

Outro argumento contestável é o de que a provocação faz parte do futebol, por isso ele pode chamar o adversário de "macaco". Misturam-se as coisas. Claro que provocação faz parte de qualquer esporte e acontece até na mesa de bilhar ou no jogo de truco. Mas existe um limite e o racismo extrapola isso. Tratar esse tipo de ofensa como algo normal ou que sempre aconteceu é um tipo de raciocínio similar ao dos senhores de escravo de tempos idos. "Eles sempre foram escravos, porque tem que mudar?". Ainda bem que os tempos mudam, e resta ao futebol reconhecer isso e colaborar para que a praga racista seja extinta.

Em tempo: a reação de Vágner quando escuta a ofensa, tomando as dores de Elicarlos, é mais que nobre. Há alguns motivos que levam alguém a ficar indignado e estes, certamente, são mais importantes que o futebol.

30 comentários:

Anônimo disse...

Amigo, o leão era o técnico do sp contra o quilmes. Só depois o autuori assumiu

Rodrigo disse...

A atitude do argentino Maxi Lopes é condenável!!! Cadeia..Cana nele!!! Daí eu quero ver o Max fazendo jus ao apelido de "La Barbie" no xadrez!!!

Glauco disse...

Corrigido, anônimo. Valeu.

Blog do Cappacete disse...

O Grêmio tem a torcida mais racista do Brasil, é só lembrar da briga interna entre torcedores gremistas, que não aceitam homenagens a Lupicínio Rodrigues (!) que fez o hino Grêmio,só por este ser negro, ter sido negro, pois já morreu. Este racismo da torcida acaba contagiando os jogadores.
Nota: não há jogadores negros no Grêmio, como se posicionam os mesmo frente a tal situação? O que estes greminstas querem mesmo e torcer para a seleção da Neuland...

kiko disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
olavo disse...

Cappacete, acho delicado sair falando que a torcida do Grêmio é a mais racista do Brasil. Essa briga do Lupicínio aí eu sei lá de quando que é. Se formos pegar o racismo do passado inlcuiremos quase todos os times do país, que não aceitavam negros no início do século. É complicado julgarmos coisas do passado com a cabeça de hoje.

Anônimo disse...

Meu amigo, desde quando chamar alguém de macaco é racismo?

Há macacos brancos...

Há brancos que também parecem com macacos...

Continuo sem entender...

gerson disse...

Glauco, muito bom o post. E o pior nem é a manifestação racista, e sim como a instituição Grêmio trabalha a questão. No mínimo deveria ter feito o Maxi Lopez pedir desculpas pelo desentendimento, ao invés de ficar com ladainha.
e viva a nação colorada, q de tanto ouvir os gritos de macaco e as imitações do bicho por parte da torcida do grêmio aprendeu a cantar orgulhosamente o "ah, eu sou macaco", huauauaua

Guillermo disse...

Isso... para que ônus da prova para o acusador? Essa bobagem não está escrita em nenhum lugar importante. "Só" no Código Penal.

Mas não tem problema... já sabíamos que ia ser assim quando a mídia escolheu seu lado antes do confronto. Semana que vem teremos o jogo de volta e a resposta virá DENTRO de campo, no lugar que importa, onde campeonatos são ganhos ou perdidos e sem nenhum "chororô" (a/c gerson).

DÁ-LHE GRÊMIO!!!

Carlos disse...

O próprio negro é um racista.-

Fabricio disse...

Eu tenho certeza, mas certeza absoluta, que um jogador chama outro de macaco em média 22785328 por partida de futebol e dessas, em média 1 jogador a cada 5 anos chora desse jeito. Todos os outros acham que isso é coisa de jogo e de fato ninguém é racista.

O Cruzeiro tinha tudo para se classificar sem maiores complicações, mas agora conseguiu dar um prato cheio para o Autuori motivar seus atletas.

Já vi atitudes idiotas, mas essa bateu quase todos os recordes.

Rodrigo disse...

Ô capacete, não tem jogador negro no Grêmio? E o Ronaldinho Gaúcho (conhece ele seu paspalho??) saiu daonde irmão...
Argentinos chamam todos brasileiro de macacos porque (dizem eles), copiamos os americanos. Lembra de Pelé e os macaquitos do Brasil????
A burrice é triste, mas mais triste é ver essa gurizada blogueira e comentarista de teclado que houve uma coisa e toma aquilo como verdade absoluta, pra um geração com tanto acesso a informação vcs são muito é bitolados. Saude do bar, quando resolvíamos ali mesmo, entre um copo e outro...

blogseucarro disse...

Cara, sou torcedor do Cruzeiro e estou de total acordo com este post. Acho que os gremistas estão fazendo um papel de ridículo tentando levar o futebol pra outro lado. Ontem quando o Lúcio falou aquelas palavras contra o racismo no jogo entre Brasil x Africa do Sul, aquilo deve ser escutado. Uma campanha mundial que a Fifa faz contra o racismo e os gremistas apoiando o preconceito, deixa a Fifa saber disso.

Anselmo disse...

dizer qe não conhece o significado do termo "macaco" é de uma desfaçatez atroz. principalmente porque assume que ele max lopes chamou elicarlos de macaco.

o negócio vai dar pano pra manga, mas será que os jogadores chamam os outros de macaco 22785328 vezes por jogo? sei não. acho q esse é o número de ofensas às mães e familiares dos atletas, não sei se demonstrações racistas são tão frequentes assim. Só quem está no campo é q poderia dizer.

o q é complexo é desconsiderar o direito do ofendido se ofender. O erro é do Elicarlos a priori, na visão de mto torcedor. é o fim da picada.

Rafael disse...

Antes de mais nada, lembro o jurisfilósofo Carnelutti, em um artigo sobre a verdade, em que diz que a verdade existe, porém é inalcançável pelo homem.
Tomando como base isso, já é possível notar o equívoco do autor do texto, tirando seu ponto de vista como uma verdade. Adendo, o código penal trata dessa questão como INJÚRIA, e não com racismo.

Hoje com o acesso à informação, é condenável que pessoas que possam de alguma maneira direcionar e influenciar as massas escreverem besteiras como essa sem o mínimo de pesquisa, apenas baseados nos achismos do seu próprio senso.

Quem acha que no futebol não há injúrias à toda hora, sugiro que ouçam o áudio do Right, o ex-árbitro que virou comentaristas, e vejam seu palavreado cheio de injúrias. Porque não ficam indignados com isso também?

É isso, sugiro ao povo mais estudo e menos generalizações, principalmente com o povo gaúcho e com a torcida do Grêmio.

att.
Rafael

Rafael disse...

Continuando no assunto, peço aos amigos que leiam este artigo de Renato Marcão.

http://jus2.uol.com.br/Doutrina/texto.asp?id=6604

Thalita disse...

É impressionante o quanto o pessoal tergiversa para tentar acreditar que não houve/há racismo no futebol.

Olavo Soares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Olavo Soares disse...

Rafael, você viu alguma ofensa ao POVO GÁUCHO no post do Glauco (ignore os comentários)? Se sim, me mostre.

O que o Glauco criticou foram as atitudes de pessoas bem determinadas, o Autuori (que, até onde eu sei, não é gaúcho), um dirigente do Grêmio e o próprio Maxi Lopez.

Uma coisa é bem diferente da outra.

Rafael disse...

Olavo, acho que te precipistaste no comentário. Se puder re-ler o que escrevi pode notar que não me referi ao dono do blog.

segue o trecho:
"É isso, sugiro [b]ao povo[/b] mais estudo e menos generalizações, principalmente com o povo gaúcho e com a torcida do Grêmio."

Rafael disse...

Thalita, não há motivos para esconder e omitir nenhum fato.

O que está sendo debatido é a espetacularização e o julgamento sumário por parte destes que se acham o quarto poder, a mídia.

O direito, os julgamentos, a faticidade e os seus devidos enquadramentos cabem aos devidos operadores, e não à vocês.

Se puderes ler o artigo que colei no link, entenderá melhor.
Não há tentativa de se omitir caso de injúria qualificada, muito menos quando essa se dá com conotação racial, e sim questiona-se a julgamento sensacionalista, que é tão deplorável quanto a atitude do jogador.

penélope disse...

Olha, até onde sei o caso está sendo investigado, e tudo indica que serão tomadas as devidas providências. Agora, o blog devia ser mais cuidadoso, porque houve uma acusação, nada foi provado ainda. Parece improvável que tenha havido equívoco no depoimento do jogador cruzeirense, mas no caso de Maxi Lopes ser inocente dessa acusação e o jogador não ter ofendido o outro, vocês estariam contribuindo para a condenação indevida de uma pessoa. Pensem nisso e trabalhem pelo bom jornalismo, por favor.

Gustavo disse...

Parabéns ao futepoca por manter o bom humor, mas não deixar que questões como essas passem em branco. O racismo precisa ser apagado do futebol, não apenas do futebol mas do mundo como todo.

Ditão disse...

Se o termo macaco tivesse sido usado por um outro brasileiro, eu acreditaria que foi algo do "calor do jogo", mas vindo de um argentino não têm como não qualificar de racismo. Eles tratam os jogadores brsileiros por macaquitos, se julgam superiores.
Mas na minha opinião, de zagueiro da varzea, é que a atitude mais digna para o Elicarlos era quebrar a perna do FDP.
Nas singelas discuções que temos jogando bola não é raro usarmos termos como: Vai tomar no cú, seu Viado, Filho da Puta. Daqui a pouco vou ser processado por injúria e homofobia.
O futebol está ficando muito chato, é muita frescura, neguinho reclamando que foi driblado, que foi ofendido, não gostou dá uma solada no joelho do adversário e deixa de boiolagem.

CESAR disse...

TREMENDA HIPOCRISIA ESSA HISTORIA DE RACISMO..TODO MUNDO SABE QUE NO CAMPO DE JOGO VC BRIGA ATÉ MESMO COM AMIGO QUE DIRÁ NUMA DISPUTA DE LIBERTADORES..DISCUSSÃO EM CAMPO DE JOGO É NORMAL E MACACO É O MÍNIMO QUE SE OUVE..NINGUÉM VAI A DELEGACIA DIZER QUE O ADVERSÁRIO XINGOU SUA MÃE ...XINGAR A MÃE DE PUTA PODE, MAS MACACO ??? NÃÃÃOO..PERAÍ.. SE O ELICARLOS ESTIVESSE PASSEANDO COM A FAMÍLIA E FOSSE XINGADO DESSA FORMA EU ATÉ CONCORDARIA.AÍ SIM ACHO QUE O AUTOR DA INJURIA DEVERIA SER PRESO..AGORA..FALANDO EM RACISMO..NÃO CONHEÇO UM ÚNICO JOGADOR NEGÃO QUE NAMORA GAROTA NEGRA.. E OLHA QUE TEM MUITA MULHER NEGRA DE PARAR O TRANSITO...
NINGUÉM GOSTA DE SER RECRIMINADO MAS NA HORA DE PEGAR MULHER VAI TODO MUNDO NAS BRANQUINHAS...CURIOSO ISSO..

Hudson Luiz Vilas Boas disse...

Crime é crime em qualquer lugar. A FIFA tem feito um esforço (talvez publicitário, mas o fato é que tem feito) contra o racismo no futebol e aí me vem a diretoria do Grêmio acobertando o Maxi Lopes, parece brincadeira.
O Grafite foi covarde e mostrou muita pouca (ou nenhuma) personalidade ao retirar o processo contra o Desábato, esperamos que o Elicarlos tenha mais personalidade.
Outra coisa que me deixou boquiaberto foi ver o Flávio Prado dizer que isso (ofensas racistas) acontece sempre nos gramados, então não é caso de polícia, mas o Elicarlos deveria quebrar a perna do argentino... isso no as 18:00hs em rede nacional!!! Cadê o ministério público para tomar as devidas medidas contra o jornalista e a TV Gazeta???

Anônimo disse...

TREMENDA HIPOCRISIA ESSA HISTORIA DE RACISMO..TODO MUNDO SABE QUE NO CAMPO DE JOGO VC BRIGA ATÉ MESMO COM AMIGO QUE DIRÁ NUMA DISPUTA DE LIBERTADORES..DISCUSSÃO EM CAMPO DE JOGO É NORMAL E MACACO É O MÍNIMO QUE SE OUVE..NINGUÉM VAI A DELEGACIA DIZER QUE O ADVERSÁRIO XINGOU SUA MÃE ...XINGAR A MÃE DE PUTA PODE, MAS MACACO ??? NÃÃÃOO..PERAÍ.. SE O ELICARLOS ESTIVESSE PASSEANDO COM A FAMÍLIA E FOSSE XINGADO DESSA FORMA EU ATÉ CONCORDARIA.AÍ SIM ACHO QUE O AUTOR DA INJURIA DEVERIA SER PRESO..AGORA..FALANDO EM RACISMO..NÃO CONHEÇO UM ÚNICO JOGADOR NEGÃO QUE NAMORA GAROTA NEGRA.. E OLHA QUE TEM MUITA MULHER NEGRA DE PARAR O TRANSITO...
NINGUÉM GOSTA DE SER RECRIMINADO MAS NA HORA DE PEGAR MULHER VAI TODO MUNDO NAS BRANQUINHAS...CURIOSO ISSO..[2]

Glauco disse...

Guillermo, o ônus da prova é de quem acusa sim, e é bom lembrar que testemunhos podem constituir prova, e parece que eles existem. De qualquer forma, o post quer discutir a falta de habilidade de comissão técnica e dirigentes do Grêmio em tratar do assunto, se contradizendo publicamente inclusive. Ainda que a injúria não tenha ocorrido, a sucessão de comentários é lamentável.

Rafael, em nenhum momento do texto se diz que foi cometido o crime de racismo, até porque o racismo existe antes da sua tipificação como crime no código penal. É uma prátia infeliz que não foi "inventada" por nenhum legislador. Existe uma conduta racista, de ordem moral, a tal injúria qualificada, que o é qualificada por conteúdo racial, já que macula a honra subjetiva do ofendido e não a comunidade negra em geral. Se você acha que isso alivia a barra de quem ofende, é um ponto de vista.

Cesar, já participei de muitas, mas muitas peladas nas praias de Santos e São Vicente. Diversas acabaram em confusão ou tiveram discussões no meio, e não me lembro de nenhuma sequer ter ofensas racistas, ademais o fato de envolverem pessoas de todas as classes e etnias, já que os times eram formados no próprio local de jogo por pessoas que não se conheciam. Agora, você quer regular até mesmo as parceiras dos negros? Defendes a prática da eugenia, é isso?

Anônimo disse...

O tal dirigente citado não é do Grêmio e sim o presidente da FGF, Francisco Novelleto, que é conselheiro do inter.

Leandro disse...

Não existe racismo no grêmio, vou citar aqui exemplos TINGA e RONALDINHO GAÚCHO, ASSIS E OUTROS TANTO.

Jogadores negros que nasceram no grêmio! isto aí é um caso isolado no qual o Maxi Lopes chamou um jogador de 'macaquito' mesmo assim não caracteriza crime, porque ofensas verbais ocorrem de ambos os lados, 'branquelo','argentino' não seria também racismo ? se for levar na ponta da faca cada nome, cada provocação dentro de campo então não teriamos futebol e sim um campo de guerra verbal. Pena que existem ainda brasileiros racistas negros, o maior racismo é aquele que levanta a bandeira do 'orgulho negro' precisa existir no Brasil o orgulho de ser brasileiro, não importando a cor. O racismo precisa ser sepultado de ambas as partes, sem privilégios ou distinções.
Abraço, Leandro