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terça-feira, setembro 22, 2009

Movimento compara antitabagismo a "eugenia"

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O Brasil adota políticas de combate ao fumo que ganham destaque internacional pelo rigor. As restrições à publicidade e as fotos no verso de maços de cigarro foram algumas delas. A onda mais recente é a das leis que proíbem o consumo de cigarro e afins em lugares fechados (ou quase fechados), modalidade inaugurada por Rondônia em outubro e que avança depois do destaque de mídia conquistado pelo governo de São Paulo por adotar a medida.

Diante do que consideram ser uma caçada comparável a práticas nazistas, grupos de fumantes se organizam na internet para se defender. Trata-se, em sua visão, de políticas contra quem fuma, e não contra o cigarro. Um deles é o Fumantes Unidos, no ar desde 2008, criado por Fabrício Rocha.

O braziliense é jornalista e publicitário e apresenta o programa Participação Polular na TV Câmara. Em entrevista por telefone ao Futepoca, ele explica os objetivos do site e do grupo, que é o reconhecimento ao direito de escolha do cidadão.

"Os fumantes sabem dos riscos que correm, não há falta de informação atualmente", sustenta. "As pessoas fumam porque veem vantagens em fumar, é uma escolha", resume.

Ele lamenta a forma como são combatidos comportamentos fora do modelo "máquina de trabalho e consumo" que se assemelha "com a busca pela raça ariana na Alemanha nazista", para usar termos do manifesto do grupo.

Em sua visão, os obesos também são alvo desse tipo de campanha, conforme alerta a Organização Internacional do Trabalho (OIT). No site, há uma seção dedicada exclusivamente à "arte de fumar".

A postura é polêmica e o site mantém até um "Leia antes de criticar", para antecipar respostas a críticas.

Confira os principais trechos da entrevista.

Futepoca – Qual foi a origem do Fumantes Unidos?
É uma organização informal, não uma ONG com estrutura jurídica. Em 2007, eu tinha participado de uma audiência pública da Anvisa sobre a criação de fumódromos. Fui o único a apresentar contraproposta, que se tornou parte de um dossiê que encaminhei a diferentes políticos. Nesse material, estavam apresentados contra-argumentos a ONGs e projetos antitabagistas.
Esse levantamento inspirou a criar o site, a exemplo do que acontece em alguns lugares do mundo. Aos poucos, ele ganhou visibilidade das pessoas, da mídia, rendeu convite para um debate na MTV.

Futepoca – Quantos colaboradores a página possui?
Há um grupo de colaboradores mais ou menos regulares. São em torno de 40 os que já produziram artigos e notícias. Não estou contando comentários de apoio. Recebemos muitas mensagens de apoio e de protesto de todo o país mas, ultimamente, a maioria vem de São Paulo. Se bem que agora tem outros estados que também aprovaram leis, tentando pegar carona na mídia que o (José) Serra teve com a lei.


Futepoca – A rigor, a rigor, o primeiro estado a aplicá-la foi Rondônia.
Os outros estados viram que o tema dá mídia e querem isso também.

Futepoca – No manifesto do movimento, há uma comparação forte do antitabagismo com o Nazismo e a eugenia de forma mais ampla, que vai além da questão do fumo e inclui a apresentação e outros hábitos. Não é exagerada a comparação?
No governo Nazista, Hitler era um antitabagista declarado. O regime fez várias campanhas que apresentavam o fumante como um fraco, inferior assim como os judeus. A intenção era afirmar a superioridade ariana apontando outros grupos e pessoas como inferiores. E havia o contexto de guerra, já que Roosevelt, Churchil – fumante inveterado que sempre aparecia com o charuto na boca – e Stálin eram todos fumantes.
Atualmente o preconceito é mais velado, de certo modo, mas há uma demonização e ridicularização dos fumantes. Aliás, a primeira coisa que se faz em uma ação como essa é chamar o "alvo" de doentes. Até pouco tempo, os homossexuais eram vistos como doentes. O mesmo ocorre com os obesos. Agora a OMS quer considerar os fumantes como doentes, viciados, descontrolados mesmo. São esteriótipos construídos de forma parecida com os dos nazistas.

Futepoca – Por quê?
Os fumantes sabem dos riscos que correm, não há falta de informação atualmente. As pessoas fumam porque veem vantagens em fumar, é uma escolha.

Futepoca – E qual à consequência disso?
O que é preocupante da eugenia é que o mundo vai ficando muito chato. Proibimos tudo. Parece haver uma busca para se criar restrição, suprimir prazeres às pessoas, tirar o livre arbítrio de se avaliar o que é bom ou ruim. Com isso se cometem absurdos legislativos como a lei seca, que fere o princípio da desproporcionalidade ao taxar como criminoso um pai de família que bebe uma batida de limão para acompanhar a feijoada no sábado. Não foi a lei seca que diminuiu os acidentes de trânsito, mas a mídia fazendo alarmismo. E a obesidade é a próxima bola da vez.

Futepoca – Qualquer pessoa que se oponha a projetos antitabagistas é logo acusado de ser financiado pela indústria do fumo. Como você se relaciona com essas críticas? Antes: o site é financiado pela indústria tabagista?
Fiquei surpreso recentemente quando fiz uma pesquisa com o nome do site no Google e encontrei um documento da Aliança de Controle do Tabagismo (ACTBR). Parecia uma coisa de órgãos como a CIA, sobre como falar com fumantes, o que é falado no mundo contra as campanhas de combate ao cigarro. Na parte em que falava do Brasil, citou o site e reconheceu que "não havia qualquer evidência disso". Já ocorreu de sermos procurados, mas não aceitamos apoio em dinheiro, para poder manter independência editorial.

Futepoca – Por que o site mantém uma seção com links para quem quer parar de fumar?
O propósito do site é atender a fumantes. Com o combate que se faz aos fumantes, em vez de se combater o cigarro, com quem ele vai se congregar? Que serviço existe? O fumante assume o risco abertamente, mas ele pode querer parar. O FumantesUnidos busca oferecer apoio se essa for a opção consciente, mas com certeza há outras fontes mais bem preparadas para isso. É inerente à pessoa escolher, não se pode impor, é até ilegal.
E temos ainda a preocupação de dar informações de saúde, porque é recomendável que a pessoa adote mais cuidados do que outras pessoas, porque ela está mais exposta. As doenças atribuídas ao fumo são, na verdade, causados pelo acúmulo de fatores, como poluição, hábitos, genética. É um dos fatores que pode levar a doenças, mas há outros sobre os quais não se fala. O mais comum é se atribuir milhões de mortes só a um fator.

Futepoca – O site é mantido por um certo ativismo. Isso já lhe trouxe algum problema no trabalho ou na vida pessoal?
Uma vez, no último mês, o tema do programa era a lei antitabagista de São Paulo. Como apresentador, eu não poderia participar, porque são pessoas com quem debate constantemente. Eu poderia adotar uma postura de "pôr lenha na fogueira" e usar o debate para favorecer uma das posições, mas por uma questão ética eu disse à TV que não poderia participar. O pessoal da produção entendeu bem, ficou satisfeito com a postura e não houve problema.

6 comentários:

thiagoferreiracoelho disse...

Reza uma lenda que quem, durante uma discussão, começa a chamar a outra parte de nazista, é porque está sem argumentos - e passa automaticamente a ser o perdedor da disputa. Sei não, mas em geral eu acho que a lenda é verdadeira.

olavo disse...

Sensacional a entrevista, Anselmo. Um dos momentos altos do Futepoca. Diz-se que a lei tem como obrigação preservar as minorias, coisa que não tem ocorrido com os fumantes.

(eu não fumo, só pra deixar claro)

Edison Junior disse...

Na última sexta-feira, estive em uma casa noturna, coisa que não é de meu hábito. O comentário geal entre os não-fumantes era o fato do ar não estar enfumaçado e não chegarmos fedendo a cigarro em casa... Mesmo alguns fumantes elogiavam a proibição, dizendo ser um bom incentivo a parar de fumar.

Maurício disse...

Excelente entrevista.

Eu sou a favor da proibição em locais fechados, pela razão mesma que o Edison Junior apontou. Algumas vezes eu chegava a ficar com os olhos ardendo com tanta fumaça e tinha que lavar a cara e tomar algum destilado pra aguentar. Só acalmava depois da terceira ou quarta dose de cachaça ou uísque.

O mais grave é isso, que o não-fumante não tem direito de não fumar nesses locais.

Mas a posição desses Fumantes Unidos me parece totalmente justa. As pessoas foram educadas a fumar, os locais foram construídos levando em conta que as pessoas fumariam dentro e não haveria problemas, toda uma arquitetura da sociedade se desenvolveu com pessoas fumando. Agora querem mudar na marra os hábitos das pessoas. É um convite à contravenção. Essa política linha dura é típica de gente que não dorme, não bebe, não fuma, não faz nada...

E também é um problema essa história de ficar dando cada vez mais poder à polícia. As coisas podem e devem ser feitos de outra forma, fortalecendo a civilidade e a consciência de co-habitação dos espaços, não tascando grades e armando os gorilas dos bons comportamentos.

Victor disse...

Show de bola a entrevista Anselmo.
Além de bem feita, acabou sendo com um personagem interessante com algo para dizer (concordando ou não).

Meu comentário abaixo, pouco é influenciado pela entrevista, até porque ela é mais um pinguinho nesse oceano que é esse tema.

****
É mole achar argumentos prós e contras à proibição ou não de se fumar em locais públicos.
Eu nem vejo com maus olhos que um Governo adote como política reduzir o consumo de cigarro ou qualquer outro hábito que julgue danoso.
Mas por outro lado, a forma feita para tal pode passar dos limites do livre-árbitrio.

Sei lá. Que se regulamente que não se deva fumar em ambiente de trabalho, pois ora bolas, é meio complicado para alguém recusar um emprego porque fuma-se no ambiente.
Mas eu, lembro uma vez de ir em uma boite em Botafogo (RJ) que a música era legal, a cerveja era gelada, barata, pessoas bonitas e tudo de bom. Porém, uma fumaceira dos infernos que me fez ficar por lá menos de 1 hora.
Bem... eu e minha namorada pegamos nossa grana e fomos gastar em outro lugar. Paciência.

Por mim, um bom meio termo, seria que os estabelecimentos tivessem autonomia para definir sua política tabagista. O consumidor que decida onde frequentaria.
Se eu tenho ojeriza a fumaça, eu procuro um lugar que não possa se fumar e pronto.

Naturalmente que há um problema aí: os empregados de tal estabelecimento. Bem... para isso tem-se um jeito, afinal, tem gente que trabalha em outros ambientes insalubres e há já leis para isso.

John disse...

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