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domingo, fevereiro 14, 2010

Santos 2 X 1 Rio Claro - Botem fé no velhinho

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Se a presença de Robinho desde o início da partida, junto com os prodígios Neymar e Ganso, faziam do torcedor peixeiro um otimista, ainda mais frente a um dos piores times do campeonato, também havia sinais de preocupação. Fora as estrelas, coadjuvantes importantes não puderam entrar em campo hoje. Léo, contundido, deu lugar ao jovem Wesley Silva, que fez sua estreia na equipe profissional. Já o outro Wesley, que vem se destacando e jogou na lateral-direita contra o São Paulo, suspenso, foi substituído pelo temerário Pará, que, como já dito aqui, não tem condições de ser titular. Arouca, um dos melhores em campo no clássico, deu lugar ao claudicante Germano.

Com essa formação, o Peixe teve dificuldades ao fazer a transição para o ataque. O Rio Claro durante boa parte do primeiro tempo marcou justamente a saída de bola alvinegra, não com uma formação preparada para sair no contra-ataque, mas sim com o único objetivo de prejudicar a ligação do meio alvinegro.Durante quase todo o primeiro tempo, a tática interiorana deu certo. O Santos não conseguia chegar,  a não ser em lances individuais improdutivos, e o Rio Claro também não ameaçava. Dorival Junior preparava a entrada de André, e uma das opções seria tirar um dos volantes e recuar Marquinhos para fazer a transição. Mas justamente o oito se machucou em um lance na área rival e foi sacado. Depois disso, aos 39, o Santos tomou o gol em uma falha de posicionamento de Pará, que marcava o vento e depois tomou uma finta que resultou no cruzamento fatal.

Na volta, o Rio Claro assustou aos 15 segundos, mas o Santos respondeu na sequência. Teve um pênalti não marcado grotescamente, assinalado como falta fora da área. O Rio Claro já não dava sinais de que iria suportar a pressão quando, aos 16, Dorival resolveu ousar. Aliás, como seria obrigação para qualquer técnico que tinha no banco mais opções ofensivas do que defensivas, dadas circunstâncias. Madson na ala esquerda no lugar do menino Wesley, e Giovanni substituindo Germano. E foi aos 23, depois da “parada para hidratação”, que G10 deu um belo passe para Neymar chutar e André completar, como típico centroavante.

A partir daí, se intensificou o jogo de ataque contra defesa. Ainda mais depois da expulsão de Ernando, aos 35. Chance após chance, Neymar finalmente recebe a bola aos 44, pela esquerda, como no primeiro gol. Dá um drible sensacional e chuta. Defesa do goleiro Sidney, que teve ótima atuação, e a bola procurou a inteligência em campo, a cabeça de Giovanni, o Messias, que escorou para o gol.



E assim, salvou-se o carnaval santista. Um gol de Giovanni, de bico, de canela, de cabeça, como for, vale muito para o apaixonado torcedor alvinegro e faz qualquer um ter vontade de sambar. De resto, Neymar confirmou a fase, Ganso mostrou inteligência tática ao atuar praticamente como segundo volante metade do segundo tempo e Dorival mexeu bem. Quinta tem mais.

*****
Na entrevista coletiva depois do jogo, Dorival Junior atribuiu a má atuação do time no primeiro tempo às opções que ele, técnico e comandante, fez. Humildade. Quanta diferença do antecessor...

4 comentários:

Leandro disse...

Não vi a partida, mas sabendo que o Santos precisou de uma expulsão e de um gol no último minuto para bater um dos lanternas da competição, fica fácil concluir: Não merecia sequer o empate.

Guilherme Scalzilli disse...

Paulistão

A previsível crônica paulistana já solta comentários pejorativos em relação ao Campeonato Paulista de futebol. Chamá-lo de “Paulistinha” parece inofensivo, mas é o começo de um raciocínio que termina sempre com a defesa da extinção do torneio. Ou seja, com o desaparecimento de dois terços dos times interioranos.
Não pode ser por causa das relações promíscuas entre esporte e política, nem da corrupção dos dirigentes e empresários, pois esses desvios, além de generalizados, têm mais gravidade quando envolvem clubes da capital. E se o título fosse realmente secundário, bastaria dividir por igual as cotas de patrocínio e transmissão, conferindo verdadeiro equilíbrio à disputa. Ah, mas Robinho e Roberto Carlos não topariam, certo?
Na verdade, a campanha contra o Paulista é fruto de despeito e serve para ocultar o fato de que os times do interior estão cada vez mais competitivos. Os super-craques da capital, como seus puxa-sacos midiáticos, estão acostumados a lotar estádios pequenos, comandar a festa, golear com time misto e distribuir autógrafos, pimpões, donos da cocada. Deve ser humilhante viajar quatro horas para levar caneladas num calor senegalês, perdendo o jogo e a pose, e ainda por cima tomando vaia de caipira maluco. Não surpreende, portanto, que depois respondam, avexados: “eu nem queria mesmo...”
Em breve, pelos mesmos motivos, também a Copa do Brasil será chamada de Copinha, várzea, gaveta dos infernos. E os “grandes” começarão a procurar outras prioridades.

Hugo Albuquerque disse...

Dorival Jr. é um dos bons técnicos brasileiros dos últimos anos, foi injustiçado no Cruzeiro, reergueu o Vasco e agora realiza um excelente trabalho no Santos. Curiosamente, o time que ele tem em mãos reune os três maiores craques recentes do time da Vila Belmiro: Giovanni, Robinho e Neymar - só falta Diego. Contra o Rio Claro, convenhamos que foi uma atuação abaixo da média, mas o campeonato está sendo bom, se ele continuar nessa pegada, leva o título - o que eu duvidava de início.

Nicolau disse...

O Santos se enroscou bastante por não ter opção para começar as jogadas, seja entre os volantes, seja pelas laterais. Arouca e Léo certamente fizeram falta. Gostei muito da ousadia de Dorival Júnior ao tirar um lateral e um volante para colocar Geovani e Madson.