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terça-feira, junho 19, 2007

"Ele é muito bom, pena que..."

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Uma tendência quando se analisa futebol é considerar que alguns atletas seriam grandes jogadores (ou maiores do que realmente foram) não fossem algumas circunstâncias específicas. Fatalidades, como o acidente que encerrou a carreira de Manuel Maria, que na década de 1970 caminhava para ser o novo Pelé; comportamento exageradamente complicado - e aí temos inúmeros, como Almir Pernambuquinho, da década de 1960 e, mais recentemente, Luís Fabiano e Edmundo; e mesmo lesões agressivas, como as que impediram que Marco Van Basten tivesse uma carreira mais prolongada.

Atualmente, há dois jogadores que encaixam-se perfeitamente nessa definição. Tiveram um início de carreira meteórico e depois entraram na lista do "pena que...". Acontece que, em 2007, eles estão superando o "pena que..." e, mesmo assim, não estão conseguindo mostrar um grande futebol. Falo de Pedrinho e Dagoberto.

Pedrinho passou por inúmeras lesões que começaram lá em 1998, quando ele era jogador do Vasco. Às vésperas de se apresentar pela primeira vez à seleção brasileira, teve uma contusão seríssima, e daí pra frente nunca mais foi o mesmo. No Palmeiras, alternava boas apresentações com meses de inatividade. E no Fluminense, de onde vem essa foto, sua passagem foi ridícula.

Então Pedrinho chegou ao Santos. E, como que em um milagre, seu verdadeiro problema de saúde - uma lesão no quadril - foi detectado e ele tem jogado initerruptamente desde o início do ano. Um verdadeiro recorde. Acontece que o futebol dele não deslanchou. Esperava-se, que em condições ideais, Pedrinho chegasse para ser o titular do Peixe - até porque Rodrigo Tabata estava em baixa e ninguém dava um tostão furado pelo "queimador de línguas" Rodrigo Souto. Mas Pedrinho foi pro banco. E de lá mal saiu. Agora, que o Santos passa por uma transição com a saída de Zé Roberto, Pedrinho terá sua chance. Mas precisa jogar mais bola do que fez até agora para ser considerado um titular.

No caso de Dagoberto, foram dois seus males: lesões sérias e problemas jurídicos. Ele vinha arrebentando no Atlético-PR vice-campeão brasileiro de 2004 e sofreu uma contusão gravíssima na reta final do campeonato. Quando começou a se curar, entrou num imbróglio com a diretoria do Atlético e ficou praticamente inativo por dois anos.

A transferência para o São Paulo parecia a tábua da salvação. A boa estrutura do Tricolor evitaria problemas físicos do atacante e, com a cabeça livre das pendências burocráticas, Dagoberto teria que decolar. Mas até agora não fez isso. Estreou bem contra o Grêmio e depois disso não fez muita coisa - tanto que até agora não foi às redes com a camisa do São Paulo. Espero mais dele que do Pedrinho, mas o mais provável é que a carreira de Dagoberto seja consolidada como a de um "bom jogador", e não do craque que ele parecia ser.

3 comentários:

Anselmo disse...

Eu qeuria incluir o Sávio nesse elenco, mas ele é um caso diferente. Ele foi pro Real Madri como "a maior revelação do Flamengo depois do Zico", foi 300 vezes convocado pra selação da cbf e terminou no ostracismo sem ir a copa nenhuma. Não por contusão, mas por excesso de marketing.

O Fredi talvez incluisse o Reinaldo que, segundo quem o viu jogar, poderia ter sido mais do que foi não fossem as voadoras pré-Sandro Goiano -- algo leva, comparado ao que se vê hoje. Mas tanto ele como o Tostão não são exatamente o perfil que o Olavo recorta bem. O Tostão, embora tenha encerrado a carreira aos 26 pelo descolamento de retina, já estava consagrado pelo Tri de 70. O Reinaldo jogou muito. Jogar mais no caso dele seria no sentido de número de partidas e não de qualidade, como é o caso do Pedrinho e Dagoberto.

Eu gostava do Pedrinho no meu time.

Thalita disse...

pois é... o Dagoberto era esperança. Aquele gol anulado por milímetros na estréia deu a impressão de que muito ainda estava por vir. Mas agora... nem um golzinho sequer? q tisteza

Victor Pimentel disse...

Pô... o Pedrinho nunca deslanchou de verdade.

Quando falam hoje do Pedrinho, eu juro que faço um esforço danado para lembrar dele arrebentando com a camisa do Vasco. Não me vem a cabeça.

Quem arrebentava na época era o Felipe.

Eu ia comparar o Pedrinho com o Sávio, mas já foi feito aqui. Se não fossem as contusões, acho que o Pedrinho estaria mais para Sávio que para Robinho (comparação porca, mas acho que dá para entender).

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Pode incluir o Heleno de Freitas aí também. Afinal, sífilis é motivo um tanto forte para abreviar a carreira de qualquer um (embora esse caso seja mais comparável ao de Tostão, já que Heleno foi de fato craque)

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Também acho que Edmundo conseguiu mosrtar sua plenitude técnica sem problemas. Ele não teve cabeça para manter um pragmatismo que resultasse nisso em contratos com clubes da Europa ou Seleção Brasileira. Mas ele não teve problemas para mostrar seu enorme futebol. Foram muitos anos de shows no Palmeiras e no Vasco.