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quinta-feira, junho 21, 2007

O jogo é jogado

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"Um dia, um jogador vai quebrar a perna dele. Os jogadores começam a ficar com raiva, a não gostar dessas atitudes antifutebol e um deles quebra sua perna. Aí ele vai dizer que os atletas das outras equipes são desleais.". A pérola é do goleiro Danrlei, depois da semifinal do campeonato brasileiro de 2002, e a "ameaça" era dirigida a Robinho, que marcou um gol na vitória por 3 a 0 do Santos na primeira das duas partidas daquela eliminatória.

Naquela ocasião, foi 3 a 0, mas poderia ter sido seis, sete, oito, tal a superioridade da equipe santista. Na volta, o Grêmio precisava devolver os três de diferença, já que precisava somente igualar a vantagem. Venceu por 1 a 0, o Santos cozinhou a partida e Leão aconselhou Robinho a não fazer o que sabe, o que dá graça ao futebol: driblar. Sacou o garoto na segunda etapa. E guardou seu repertório para enfrentar o Corinthians na final e materializar outras jogadas memoráveis.

A "ética" de Danrlei é a ética de boa parte dos fãs do Grêmio. Driblar é "antijogo", mas "quebrar a perna" não é uma atitude típica da deslealdade se o atleta for "provocado". Dessa vez, o Grêmio não tinha um Danrlei pra tentar intimidar o jogador que praticava o "antijogo" frente ao adversário: Riquelme.

Às vezes, principalmente no primeiro tempo, Riquelme parecia aquele cara que joga no time dos solteiros da praia. Aproveita a idade e a falta de técnica dos já dormentes casados e prende a bola, caminha em campo, espera um dos dois finais inevitáveis do lance de quem sabe jogar. Ou completa a jogada ou sofre a falta. Na opção dois, o Tricolor gaúcho não decepcionou e fez o que sabe. Mas não foi o suficiente. E quando pôde, Riquelme, que resgata a mística da dez, decidiu

Embora o ex-árbitro que favoreceu groterscamente o Flamengo em uma Libertadores estar dando chiliques por conta de uma dita "condescendência" de Oscar Ruiz quanto à cera portenha, ele esqueceu de dizer que quem parava a partida era o Grêmio, com sua sucessão de faltas. A mesma cera que os gaúchos fizeram contra o Santos, desta vez provaram da sua fórmula.

Gerson Sicca, do blog parceiro Limpo no Lance, já tinha feito uma análise a respeito da forma dos gaúchos jogarem, principalmente usando a marcação-pressão no campo adversário. Mas o recém-promovido a gênio Mano Menezes só não contava que o Boca, ao contrário de outros times, não fosse recuar totalmente, sempre preservando dois a três jogadores no campo do Grêmio. Desta forma, o arqueiro Caranta (avacalhado por comentaristas tupiniquins, como se Saja fosse um baita goleirão) sempre buscava colocar a bola no espaço em que os tricolores ficavam no mano a mano com os portenhos.

Diante da tática boquense, os defensores gremistas, dois zagueiros que não sabem sair com a bola junto com dois laterais fracos tecnicamente (embora tenha comentaristas esportivos que ache o pra lá de medíocre Lúcio um ótimo atleta) erraram diversos passes diante da pressão gaúcha. Jogar com uma zaga desprotegida é diferente da postura que foi adotada em Buenos Aires, com o meio recuado, dando oportunidade dos homens de trás saírem pro jogo.

E Paulo Pelaipe, o dirigente gremista que disse que o Boca era um "Caxias com grife", teve que se calar, assim como o jornalista e torcedor Eduardo Bueno, que foi além dizendo que o clube argentino era um "Caxias piorado". Na prática, o que se viu é que o Grêmio é um "Caxias com história", no que diz respeito à qualidade de seus atletas. Não foi suficiente para um time que precisava marcar pelo menos três tentos e não conseguiu fazer sequer um.

10 comentários:

Anônimo disse...

Tô procurando e ainda não achei a tal raça gremista, a torcida diferenciada que uma tal reporter da cbn falou no início do jogo, e principalmente um tal time que daria conta de enfrentar o Boca, que grande parte da 'imprensa' esportiva disse que não tinha goleiro e nem defesa!! Seráquie tá faltando alguma coisa...

Thalita disse...

o grêmio jogou um futebol covarde. Em nenhum momento o jogo pareceu uma final de libertadores, e que os gaúchos precisavam vencer por 3 gols. Alguém aí consegue listar alguma boa (mesmo) jogada de ataque tricolor?
Vai jogar mal assim na segundona!

fredi disse...

Sem comentários pelo jogo, mas parece que os futepoquenses caíram na provocação dos gremistas e estão destilando ódio. Vamos saber ganhar (rarará).

De resto, só a informação do Marcelo Barreto, ao dizer que a música da comemoração era a "Pastoral" (a sexta sinfonia), de Bethoven, enquanto as caixas acústicas faziam questão de, só para desmoralizá-lo, tocar a Nona Sinfonia. Êta som sacana...

Rose disse...

Pensando agora pela manhã no jogo de ontem, contabilizo que as últimas três finais da Libertadores tiveram saldo, nos dois jogos, de 5 gols para o campeão (Boca 5 x 1 Santos; São Paulo 5 x 1 Atlético Paranaense; Boca 5 x 0 Grêmio). Que lavadas, não? Diante disso, penso que cai por terra essa mania que alguns têm de minimizar títulos conquistados nos pênaltis, principalmente na Libertadores, dada a dificuldade das pelejas, repletas de rivalidades futebolísticas e patrióticas. O título conquistado nos pênaltis revela não uma inferioridade, mas sim um nivelamento, uma briga igual e acirrada pela taça, a qual acaba nas mãos de quem teve mais sangue frio e gana. Nada a ver com sorte - aliás, quem entende de futebol sabe que pênalti não é sorte...

Glauco disse...

Acho que sua memória é bastante seletiva, Rose, e você esqueceu da final perdida pelo seu São Paulo para o Inter e lembrou do Santos contra o Boca em 2003. Que fixação... Mas também errou na conta: cinco a 1 não são cinco, mas quatro gols de saldo. Tendo toda essa memória, nem vou pedir pra você lembrar as circunstâncias de cada final que seria um esforço em vão...
Qaunto ao fato das decisões por pênaltis, não entendi o que as finais citadas por você tem a ver com a tese desenvolvida. Mas concordo que pênalti não é sorte. É também arbitragem, que favorece os goleiros que se adiantam cinco metros pra defender pênaltis.

Nicolau disse...

Abre da matéria da FOlhade hoje sobre o jogo: "Poucas vezes um time brasileiro se mostrava tão confiante para enfrentar o Boca Juniors em um mata-mata pela Libertadores da América como o Grêmio atual. Só que poucas vezes também um time nacional foi tão inofensivo diante do carrasco argentino como o então "imortal gaúcho"."

rose disse...

Vá lá: somatório de 5, não saldo. Vale ressaltar que no caso de São Paulo e Inter ficou no 4 x 3. Resultado diferente das últimas lavadas de finais de Libertadores. E convenhamos: o uso distraído da palavra "saldo" não tira a veemência de minha argumentação.

Glauco disse...

Sim, veemente e duplamente descontextualizado. Primeiro porque nenhuma das outras finais foi tão desigual quanto esta, mas não exigirei da sua memória, como disse. Talvez uma pesquisa rápida na internet possa dirimir suas certezas.
Mas o segundo aspecto da falta de contexto que me impressiona é aproveitar o gancho (que gancho?) pra falar do Santos de 2003. Talvez um psicanalista explique a razão de tal obsessão.

Anônimo disse...

Essa sua ira contra gaúchos é algo que eu não entendo, será que o divã antes recomendado não cairia cairia bem pra você?
Tanto se fala de paz no futebol, tanto se fala de paz nos estádios, mas esse seu preconceito besta contra o futebol gaúcho disfarçado com frases de efeito já não engana mais ninguém...ou pelo menos não engana a mim
Cresçam e apareçam, querem os 5 minutos de fama com esse tipo de comentário? poderiam conseguir de outras formas sem ser tão vergonhoso...eu hein?
A final foi desigual? claro que foi, o futebol do Boca foi infinitamente melhor...e o que você sugere? que um dos times furrecas paulistas fariam melhor????
acorda meu filho, cresça e apareça, quem precisa fazer uma pesquisa na internet é você, que nem se deu o trabalho de olhar o retrospecto dos times paulistas contra argentinos pela Libertadores...
Do mesmo jeito que alguns possam parecer obssessivos com o Santos em 2003 é a mesma impressão que eu fico sobre você e o futebol gaúcho/grêmio...
é cada pérola que eu vejo por aqui, ainda bem que não são gaúchos, porque eu morreria de vergonha!

Lixo disse...

Só aqui no RS existem jogadores violentos.
"Moças" do futebol paulista dos últimos tempos:
Fábio Costa - "O bem intencionado"
Luganno
Magrão
Maldonado
Aloísio então é um doce.
Violento aí só o Edmundo.
Mas logo "Lixoemburgo" criará uma galeria de arte para o deleite da culta torcida paulista.
Pois só a torcida do RS é violenta, em São Paulo é só amor...
Só nascem craques além do Rio Uruguai... o Riquelme dece ter nascido Jardim Irene.
Realmente se o Rabinho tivesse nascido por aqui já tinha levado uns "coices" pra aprender que firula tem que ser somada a coração e raça. Cai-cai e simulação é arte, no teatro, no cinema ...