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terça-feira, março 25, 2008

Galo 100 anos: uma vez até morrer

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A estrofe do hino representa o maior patrimônio do centenário do Clube Atlético Mineiro, sua torcida. O que nem dados, nem estatísticas nem títulos podem explicar.

Para entender um pouco a paixão, vou recorrer à história de um menino. Em 1976, sua família volta a Minas, da qual antes emigrara na esperança de vida melhor para São Paulo década antes. Saudade da terra, reunião da família, nascimento do primo, muita coisa acontecendo...

No futebol, a primeira lembrança, aos 11 anos. A semifinal do brasileiro entre Galo e Inter. Na TV, em Perdões (MG), passava Fluminense e Corinthians. De vez em quando entravam os gols de Porto Alegre. A criança diz: “toda vez que mostram o jogo de lá, sai gol”. Tio Albertino, com toda a paciência possível em meio ao nervosismo, explica que só passavam porque o gol já tinha saído. Na prática, o descobrimento do replay da forma mais dolorida, 2 a 1, com direito a um dos gols mais bonitos que o menino veria na vida, mesmo contra, a tabelinha de cabeça entre Falcão e Escurinho que sacramentaria a passagem dos gaúchos para a final e o título.

Próxima cena, final de brasileiro, Atlético e São Paulo, 1977, Mineirão. A certeza da vitória do maior time que vira. Campanha invicta, 10 pontos a mais que o segundo colocado, Reinaldo entraria em campo, não tinha como perder. Primeira decepção, Reinaldo, expulso num jogo na primeira rodada, fica de fora. Mesmo assim não tinha como dar errado. Cerezo estava lá. João Leite, Marcelo, Paulo Isidoro etc. Mas deu. Ângelo caído no chão com o joelho quebrado, Chicão pisa em cima. Arnaldo César Coelho não dá nem cartão amarelo. 0 a 0. Pênalties. A decepção para o resto da vida. Mas naquele dia o menino aprendeu, na derrota, que seria atleticano para o resto da vida. “Uma vez até morrer.”

Tão fanático quanto o tio Albertino a quem essa crônica é dedicada. Por ter levado pela primeira vez ao Mineirão, por ter ido a Lavras (MG) apresentar num jogo amistoso a simpatia de Telê Santana para o menino. O que está até hoje registrado numa foto perdida em algum álbum da família. A vida seguiu longe de Minas, mas sempre com o Galo.

Nessa quase memória, rompeu-se uma das poucas coisas que o menino aprendeu na vida de jornalista, não escrever em primeira pessoa, pois não é personagem. Mas desculpem, são 100 anos do Clube Atlético Mineiro. “Uma vez até morrer”. Na pele, a camisa em preto-e-branco vestida até na derrota e para sempre...

7 comentários:

olavo disse...

Parabéns, Frédi! A você, pelo texto, e ao Galo!

Nicolau disse...

Belo texto, doutor! E parabéns aos atleticanos!

Anselmo disse...

olavo disse...
Parabéns, Frédi! A você, pelo texto, e ao Galo!
subscrevo.

tbem me percebi torcedor (mas do palmeiras) numa derrota, em 1986, contra a inter de limeira. passar a torcer prum time num título as vezes soa até como virada de casaca. mas na derrota, em uma final, é qdo a tristeza se abate de uma forma inabalável.

Graaaaande tio Albertino.

Marcão disse...

Parabéns. Mas exigimos a foto com o Telê, trate de procurar!

Ps.: Isso me lembrou a foto do Maurício, criança, com a camisa do Atlético-MG. O pai dele garante que existe.

Glauco disse...

Belo post, Frédi, e faço minhas as palavras do Marcão: onde está a foto do Mauricio, suposto corintiano, com a camisa do Galo?

fredi disse...

Obrigado a todos. Sobre a foto do Marcelo vou pedir para o pai dele.

Lucas Conrado disse...

Lindo texto! Um bom exemplo do que é ser atleticano! Só os atleticanos entendem esse amor que sentimos nas vitórias e nas derrotas, nas alegrias e nas tristezas e que nem a morte separa!