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terça-feira, julho 01, 2008

Kléber, a besta

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Em entrevista ao repórter Bruno Winckler, do Jornal da Tarde, o atacante Kléber (que já foi tema de post aqui e foi citado aqui) mostrou ser tão inábil com as palavras como é violento dentro de campo. O personagem da vez no Palmeiras, que nesse campeonato Brasileiro vem sendo expulso jogo sim, jogo não, tentou se defender das acusações de deslealdade. Só conseguiu ficar mais comprometido.

Para começar, o brutamontes diz que sua expulsão no jogo contra o Náutico foi injusta. E justifica contando como se deu o lance:

"Os jogadores do Náutico pressionaram bastante depois que eu tive um encontrão com o Eduardo (goleiro). (...) Eu pedi desculpa. Não foi intencional. Futebol é jogo de contato. O juiz falou que não ia tolerar mais esse tipo de jogada e que eu ia precisar me controlar. Disse que ele estava me ameaçando. ‘Você não quer mais que eu jogue, é isso?’. Depois eu falei que ele estava deixando se pressionar. Na hora que levei o amarelo, reclamei e disse que já tinha me tirado do próximo jogo. Não precisaria me expulsar. Claro que falei em um tom mais alto, mas não ofendi ninguém."

Agora a gente conta. 1 - Tromba violentamente no goleiro, ainda que sem intenção (colher de chá). 2 - Acusa o juiz de ameaça. 3 - Acusa o juiz de ser levado pela pressão do adversário. 4 - Leva o amarelo. 5 - Lembra o árbitro de que já está suspenso, em um tom "mais alto" (a troco de que, cristo?). E o cabra não quer ser expulso? E isso é o próprio Kléber contando, ou seja, versão suavizada.

Mais a frente, solta essa: "A maioria dos lances em que levo cartão há uma disputa normal de jogo."

Mas a melhor parte vem no final.

"Tem jogador que é muito macho de te ameaçar em um jogo, mas se te encontra numa festa, com sua família, não faz nada"

O que o donzelo queria? Que os outros atletas o encontrassem na rua e o chamassem pra briga? É muita falta de noção.

(esse post pode - ou não - virar uma nova seção no Futepoca: Entrevistas Comentadas. Tem muita pérola solta por aí que merece ser destacada)

10 comentários:

Anselmo disse...

mas essa modalidade de expulsão é diferente para o Kléber. Antes ele era só o dono de um carrinho desgovernado. agora, virou um pacote bêbado (no encontrão com o goleiro) e um verborrágico reclamão. O importante é ser eclético.

Mas o palmeiras tem uma característica curiosa. foram 27 amarelos e 3 vermelhos em 8 jogos. Uma média de 1 vermelho a cada 3 jogos e mais de 3 amarelos por jogo. Kleber concentra 2 expulsões e 3 amarelos. Martinez é o único que rivaliza, mas com 5 amarelos e nenhum chuveiro mais cedo, algo mais tolerável para um volante (se futebol tem contato físico, quem tem responsabilidade de marcar faz mais falta, por isso é mais tolerável, mais comum).

Em número de faltas, o centroavante com déficit de "juízo para divididas" está atrás apenas da dupla de volantes titulares. Pierre tem 26 faltas (4 amarelos) e Martinez fez 18 infrações. Kléber parou o jogo por 17 vezes em 6 partidas, uma a menos do que cada um dos dois citados. É uma média de deixar sandro goiano para trás (10 faltas em 3 partidas, com um cartão amarelo). e rivalizar com o everton (27 faltas, 2 amarelos, 1 vermelho em sete jogos).

Nicolau disse...

"Futebol é jogo de contato" é a frase que o Johnnie Cochran (advogado do O. J. Simpson) usaria para defender qualquer jogador cavalo. E imagino que palavras pontuaram a educada cobrança do menino Kléber para o árbitro, quando "falou mais alto".

Tiago Soares disse...

Ah vá. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O Kleber entra mais forte em alguns lances? Entra, e deve responder por isso. Agora, na boa, essa patrulha em cima do cara por ele ser esquentado em campo é um pouco politicamente correta demais.

Quando era moleque, jogava com meus amigos da rua numa espécie de liga informal de bairros. E o povo se trombava, se xingava, saia puxado de bololô aqui e ali. Passada a partida, tudo voltava ao normal.

Vão falar "ah, você quer comparar várzea com futebol profissional"? Quero sim. Porque a comparação é pertinente dependendo de sua referência. O futebol, profissional ou não, tem códigos imutáveis. E essa coisa de sair faísca é do jogo.

Quer falar mal do Kleber porque ele deu cotovelada, porque entrou duro num carrinho, sei lá, beleza. Agora, espezinhar esse tipo de declaração é um pouco demais.

Thalita disse...

ué, Tiago, mas foi isso que eu critiquei. Olha o que vc escreveu

"Quando era moleque, jogava com meus amigos da rua numa espécie de liga informal de bairros. E o povo se trombava, se xingava, saia puxado de bololô aqui e ali. Passada a partida, tudo voltava ao normal."

O Kléber reclamou disso, de que fora de campo ninguém cumpre as ameaças que faz em campo. Isso faz algum sentido pra vc?

Nicolau disse...

E Tiago, não existe cobrança por bons modos de nossa parte, mas do juiz. A critica aqui é para um jogador destemperado que tem prejudicado seu time com expulsões constantes. De minha parte, como corintiano, acho que o Kléber tem mais é que xingar a mãe do juiz toda vez que entrar em campo, pro Palmeiras só jogar com dez.

Anônimo disse...

e o doping do rodrigo souto?

Tiago Soares disse...

Olha, se a coisa é levantada aqui do jeito que foi, rola uma cobrança sim.

No mais, é certo que às vezes bater boca com o juiz não é algo esperto de se fazer. Mas prefiro um cara que fique emputecido em campo do que um que dê de ombros.

Sobre a declaração supostamente "te-pego-lá-fora", encaro de outra maneira. Daqui de onde vejo, tem mais a ver com o jeito Marcelinho Carioca de ser -- do sujeito quando em campo jogar sujo, apelar e tal e, fora dele, se pendurar num fair play fajuto.

Veja bem, "sair faísca" não é a mesma coisa que "jogar sujo".

E acho que é isso.

Glauco disse...

Putz, Tiago, não consegui segurar: se o Kléber estivesse no São Paulo, sua opinião seria a mesma?

Tiago Soares disse...

Glauco, quando é coisa relativa ao que rola em campo, é muito difícil eu ligar pra algo que jogador diga ou deixe de dizer.

Já que você me perguntou se acharia a mesma coisa se ele fosse leonor, respondo: sim, teria a mesma opinião.

É só ver um caso recente: lembra da declaração do Adriano após o gol de mão contra o Palmeiras? Não gastei tempo ou humor com as coisa ditas pelo cara, que resolveu tirar onda na linha do "se o juiz marcou tá valendo etc etc".

E, cá entre nós: se a gente olhar de perto, essa celebração da "esperteza-malaca-anti-jogo" feita pelo Adriano não é coisa das mais bonitas.

Enfim, é isso.

Anônimo disse...

e o doping do rodrigo souto?