Destaques

segunda-feira, janeiro 25, 2010

No Pacaembu

Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Facebook

Hoje tomei vergonha e fui, pela primeira vez, ao estádio do Pacaembu. A decisão da Copinha entre Santos e São Paulo prometia e, de fato, foi um bom jogo. Acordei às 9 da matina e, ainda com sono, peguei a primeira camiseta que achei na mala e saí de casa. Foi só no caminho que percebi que tinha uma enorme estampa de um tubarão. Como entrar na torcida do São Paulo com um "peixe" no peito? Solução improvisada: comprar uma camisa do meu time no camelô - o que confirmou ser um bom augúrio, pois, nas três vezes que fiz isso, contando com essa, o Tricolor venceu. Mas o vendedor avisou: "-Esconde isso, que tá saindo briga lá nas entradas do estádio". Fui descendo a ladeira e tive que passar na porta do Tobogã, território peixeiro. Pensei que ia apanhar, o clima era tenso. E só achei ingresso para as numeradas descobertas, onde a torcida é mista, sãopaulinos e santistas lado a lado.

Fazia um sol ardido, um calor inacreditável. Peguei um bronze. Nas numeradas, muitas famílias e crianças se provocando, mas com civilidade. Rola a bola. O Santos abafa o adversário com dribles e mais dribles, em contraposição aos "brucutus" do São Paulo. Wesley, o lateral esquerdo, é magrinho e de pernas finas, mas assusta o time do Morumbi toda vez que parte driblando para o ataque. O camisa 10 do alvinegro, Alan, também entorta zagueiros, e dá o passe para Renan abrir o placar. Os santistas se fecham e saem em contra-golpes mortais. Num deles, o goleiro Richard, do São Paulo, sai da área e faz falta feia. Ficam duas dúvidas: se o santista estava impedido e se o goleiro era, mesmo, o último homem. Como o juiz marca falta, fica a expectativa de expulsão. Mas Richard só toma amarelo. Um lance capital, pois o goleiro definiria o resultado da Copinha na disputa de pênaltis.

No segundo tempo, o Santos tem a oportunidade de liquidar a fatura duas ou três vezes, mas falha. Nos 15 minutos finais, com preparo físico visivelmente melhor, os sãopaulinos partem para o "abafa". Perdem chances incríveis, mas o gol salvador acaba saindo aos 41 minutos, num chute espetacular, de virada, de Ronielli. Grito até ficar rouco. Nos segundos finais, em dois escanteios, o São Paulo quase faz o gol do título. Mas vem o fatídico apito final. Nisso, o goleiro santista, Rafael, despenca no chão. Não vi o que aconteceu, se foi lance de jogo ou outra coisa, mas ele fica lá deitado um tempão. Eu presto atenção no presidente tricolor, Juvenal Juvêncio, que está uns oito degraus pra baixo de mim, e no dirigente do Santos, Luís Alvaro, que conheci no dia 20, na Vila Belmiro, e que naquele momento sobe ao gramado.

É aí que o técnico do Santos, o ex-jogador Narciso, parte pra cima do juiz reclamando sobre a não expulsão do goleiro do São Paulo no primeiro tempo. Briga com policiais e é expulso de campo. Isso mexe com o time santista. Batem três pênaltis e o arqueiro Richard defende todos eles, o segundo de forma inacreditável, levantando o braço em pleno vôo rasante. Festa sãopaulina, grito até sumir a voz. Depois faço o - perigoso - trajeto de volta até onde estou hospedado, sem camisa, a conselho dos policiais. Meia dúzia de cervejas Estrella Galicia (foto) me esperavam pra brindar o título. A tempo de escapar da chuva que continua assolando a capital, e que me desencoraja de ir até o Ipiranga ver Milton Nascimento e Lô Borges. Não é a toa que a popularidade do prefeito Gilberto Kassab (DEM) virou água...

6 comentários:

Thalita disse...

Gente! O Marcao nao so nao esqueceu que tinha jogo, como acordou cedo e foi no estadio! Feito digno de nota! Valeu, companheiro!

Luiz Fernando Paes disse...

o camisa 10 do Santos era o Alan Patrick, que deu o passe para o Renan fazer o gol ...

Marcão disse...

Corrigido, Luiz Fernando, obrigado pela observação. Abraço.

Anselmo disse...

grande marcão! excelente.

André Bastos disse...

Não precisava nem mesmo ser o último homem pro goleiro tomar cartão vermelho. Pela agressividade, pelo pé alto, a falta merecia expulsão (fosse em qualquer parte do campo). Não podemos deixar de analisar a falta em si só porque "era ou não era" último homem. Uma falta desleal de penultimo homem merece vermelho do mesmo jeito.

fredi disse...

Acho que o goleiro deveria, sim, ser expulso. Faltou coragem ao juiz.

Por outro lado, o Narciso ao ser expulso daquela maneira também desestruturou seu time para as cobranças. Não era a hora, deveria, no mínimo, ter esperado acabar as cobranças...

Fora isso, vem por aí mais uma excelente safra de goleiros. Na Copinha me chamaram a atenção o goleiro do Juventude, do Santos e do SP.

No Galo ainda tem o Renan Ribeiro, da seleção sub20, que na Taça BH, no começo de 2009, também agarrou praticamente todos os pênalties batidos pelo Inter na decisão;

Essa é uma posição em que o Brasil não terá problemas nos próximos anos.